BOM DIA, BOA TARDE, BOA NOITE! O que será preciso acontecer para que nós - Igreja do Rio e Povo de Deus- possamos levantar a nossa voz contra a corrupção, a violência e a morte? Acorda Rio de Janeiro!

BOM DIA, BOA TARDE, BOA NOITE! Prefiro a companhia de um ateu do que a falsidade de um cristão. 

Frei Petrônio de Miranda, Padre Carmelita e Jornalista.

Convento do Carmo da Lapa, Rio de Janeiro. 15 de novembro-2017.

 

Não me pergunte se amo o Brasil

Nasci aqui e tenho a sua cara.

Não me pergunte se sou crítico ao país

Vivo aqui e luto pela minha pátria.

Eu sou brasileiro!

 

Não me pergunte se sou contra os corruptos

Voto aqui e sempre acredito na mudança.

Não me pergunte se tenho medo da violência

Sou cristão e defensor da paz até o último dia.

Eu sou brasileiro!

 

Não me pergunte sobre a miséria e a fome

Prefiro falar sobre a solidariedade.

Não me pergunte sobre a destruição da natureza

Ainda sonho com um país sustentável.

Eu sou brasileiro!

 

Não me pergunte sobre o fanatismo religioso

Eu gosto de falar na igualdade e na liberdade.

Não me pergunte sobre a discriminação

Prefiro falar sobre o respeito humano.

Eu sou brasileiro!

 

Não me pergunte sobre o medo

Prefiro falar sobre a fé em um novo dia.

Não me pergunte sobre políticos assassinos

Prefiro falar sobre a verdade e a justiça social.

Eu sou brasileiro!

 

Não me pergunte sobre a violência contra os índios

Prefiro falar da vida que renasce das cinzas.

Não me pergunte sobre o poder da grande mídia

Prefiro falar da força dos Movimentos Sociais.

Eu sou brasileiro!

Festa de Todos os Santos Carmelitas: Santo sim, bobo não

Frei Petrônio de Miranda, Padre Carmelita e Jornalista.

Convento do Carmo da Lapa, Rio de Janeiro. 14 de novembro-2017.

 

           Nesta data, 14 de novembro, o Carmelo lembra os seus heróis e baluartes que fizeram história e marcaram a história da sua época. Atenção! Eu disse- da SUA ÉPOCA! Em outras palavras, tais homens e mulheres viveram a espiritualidade histórica profundamente marcada por uma visão teológica, social, psicológica, política e religiosa do seu tempo.

           Dom Frei Vital Wilderink, In Memoriam (* 30/11/1931 + 11/06/2014), em seus retiros e palestras, costumava dizer que “a espiritualidade é filha do seu tempo”. Em outras palavras o nosso confrade afirmava que não podemos viver a espiritualidade carmelitana da idade média no século XXI. Não, somos filhos da “Igreja do Papa Francisco”. Ou seja, temos que ter os pés no aqui e no agora com todos os problemas, desafios, vitórias e derrotas. Caso o contrário, não passa de uma santidade ou espiritualidade carmelitana vazia e alienante.

           Em 1º Pedro 1:16 nos deparamos com a seguinte passagem; “Sede santos, porque eu sou santo”. Já em Levítico 20:7 encontramos a seguinte afirmação; “Sede santos, porque eu, o Senhor vosso Deus, sou santo”. Mas o que é ser santo? E mais! O que é ser santo e santo carmelita? Essa pergunta o Beato Tito Brandsma, Santa Teresa Benedita da Cruz, Santo Nuno, Santa Teresinha e tantos outros e outras do Carmelo respondem pela experiência e vivência evangélicas vividas que todos nós conhecemos.   

Nos santos e santas carmelitas a intimidade com Jesus Cristo a partir do amor ao próximo foi a marca registrada. Portanto, impossível ser santo no Carmelo fechado em si mesmo. Podemos até falar sobre oração, santidade, contemplação, silêncio, etc, etc, mas se somos frades, freiras, leigos e leigas insuportáveis, arrogantes, prepotentes e vivemos fora do contexto histórico, podemos ser tudo, menos santos.

            O nosso pai e guia, o Profeta Elias, não ficou apenas na brisa suave, ele ajudou a viúva de sarepta, defendeu Nabote com sua vinha e saiu a caminho. Está em saída foi uma marca registrada do grande pai do profetismo. Alguém que, sob a inspiração carmelitana busca o caminho da santidade em seu “mundinho” de orações, ritos, devoções e tradições do passado, sob hipótese alguma vai subir o verdadeiro Monte- Jesus Cristo.

            A verdadeira santidade do Carmelo nos impulsiona na defesa da vida dos sem vidas em um Brasil profundamente marcado pela corrupção, pelas injustiças sociais e, muitas vezes, por uma religião-espiritualidade alienante e ultrapassada.

           Por último, a citação de Mateus (10,16) “Sejam prudentes como pombas e espertos como serpentes”, é para nós uma fonte de inspiração e motivação para a verdadeira santidade no Carmelo. Portanto, o Carmelo é, e sempre será uma escola de santos, mas santos com  os pés no chão e não religiosos, religiosas, leigos e leigas com cara de bobo pisando nas nuvens.

VEJA VÍDEOS GRAVADOS HOJE SOBRE O TEMA

 Clique no link do Youtube

1-A ILUSÃO DA SANTIDADE

https://youtu.be/LV-0napCVvQ

2-ELES E ELAS BRILHARAM

https://youtu.be/XixNZ5VnPpE

3-O CARMELO NO BRASIL E A SANTIDADE

https://youtu.be/HaMVDrizbHg

   

O Frei Petrônio de Miranda, Padre Carmelita e Jornalista/RJ, direto do Convento do Carmo da Lapa- AO VIVO- no Programa, Palavra do Frei Petrônio, fala sobre o Documento da CNBB Nº 107- Iniciação à vida cristã: Itinerário para formar discípulos missionários.  E-mail do Frei para contato- críticas ou sugestões de temas. Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar. FACE: www.facebook.com/freipetros SITE: www.olharjornalistico.com.br TWITTER: www.twitter.com/freipetronio Convento do Carmo da Lapa, Rio de Janeiro. 6 de novembro-2017.

Frei Petrônio de Miranda, Padre Carmelita e Jornalista.

Convento do Carmo da Lapa, Rio de Janeiro. 3 de novembro-2017.

 

Naquele túmulo frio

Descansa um homem que em vida aqueceu vidas

Naquele túmulo prisioneiro de corpos

Descansa um homem que libertou vidas

Naquele túmulo escuro e cinzento

Descansa um homem que iluminou uma família

Se ele é santo? É sim, senhor!

 

Naquele túmulo com o lenho da cruz

Descansa um homem temente a Deus

Naquele túmulo simples

Descansa um homem que valorizou as pequenas coisas

Naquele túmulo silencioso

Descansa um homem que valorizou as palavras

Se ele é santo? É sim, senhor!

  

Naquele túmulo de ossos e lagrimas

Descansa um justo que fez da justiça o seu hino

Naquele túmulo de terra e barro

Descansa um agricultor que da terra tirou o seu ganha pão

Naquele túmulo de fétidas carnes

Descansa um homem que, com suor e lagrimas, uniu uma família

Se ele é santo? É sim, senhor!

 

Naquele túmulo simples

Descansa um homem que valorizou as pequenas coisas

Naquele túmulo com pedras e terra

Descansa um homem que abriu caminhos

Naquele túmulo de mistério incompreensível

Descansa um homem que foi um livro aberto

Se ele é santo? É sim, senhor!

 

Naquele túmulo sem brilho e sem cor

Descansa um homem que deu cores a vida

Naquele túmulo impenetrável

Descansa um homem misericordioso, atencioso e amigo

Naquele túmulo símbolo do desengano da vida

Descansa um homem que fez da vida um canto de louvor

Se ele é santo? É sim, senhor!

 

Naquele túmulo expressão do nada 

Descansa um homem que fez tudo por todos

Naquele túmulo berço sepulcral

Descansa um homem que cativou vidas com um sorriso

Naquele túmulo de silêncio perpétuo

Descansa um homem silencioso, atencioso e sincero

Se ele é santo? É sim, senhor!

O seu nome é Manoel Artur de Miranda. 

*Manoel Artur de Miranda  (*15/10/1930 + 03/11/2016)  

 

Frei Petrônio de Miranda, Padre Carmelita e Jornalista.

Convento do Carmo da Lapa, Rio de Janeiro. 2 de novembro-2017.

Hoje fui ao cemitério aqui no Rio de Janeiro e gostaria muito de ter ficado por lá por longas e longas horas. Depois de vídeos, fotos, histórias e mais histórias sobre a dita cuja- a morte- o Frei Fernando Bezerra, Pároco de Angra dos Reis, terminou saindo mais cedo. Lá fiquei com o confrade, Frei Donizetti Barbosa. A sensação em poder conhecer os diversos túmulos do Cemitério São João Batista, no bairro Botafogo, sem dúvida alguma foi muito boa. O desejo era continuar por lá... Calma, calma! Não morto, mas vivinho da silva, óbvio.

Eu sei que falar em morte, conversar sobre a morte e olhar para os diversos jazigos, para muitos é um grande martírio ou medo. Para mim não, gosto de escrever, cantar, declamar, ler e percorrer os corredores dos cemitérios- Não sei porque, mas toda vez que falo em cemitério só quero falar hospital- por este Brasil afora. Sinto que, após 50 anos de vida- completados no último dia 15 de setembro- cada vez mais me aproximo da triste e misteriosa morte.

Quando o homem ou a mulher tem um trauma, geralmente- se tiver dinheiro- procura um psicólogo ou terapeuta para esquecer ou corrigir tal situação de vida. No caso concreto da morte, não adianta meia conversa, quando ela vem leva e pronto! Não tem essa de encontrar uma saída alternativa ou um “jeitinho brasileiro”. Portanto, com medo ou sem daquela a quem São Francisco de Assis, a chamava de irmã, é implacável. O medo pode ser apenas uma tentativa de não falar, pensar ou refletir sobre ela, mas a melhor maneira é ter a convicção de que de fato, como dizia o protetor dos animais, “Ela é a nossa irmã” e faz parte da nossa caminhada quer queira ou não.

Vendo os diversos olhares no hospital... Hospital não meu Deus! Cemitério. Percebo que todos, eu disse todos! Estão mais convictos que, mesmo tendo um não uma boa conta bancária, um bom apartamento, carro, etc, a nossa amiga de todas as horas vem a qualquer nos buscar.

Hoje, de hora em hora, a Arquidiocese do Rio proporcionou a Santa Missa. Também vi vários evangélicos das mais diversas igrejas fazendo a sua parte. Ah! Também os mendigos estavam lá suplicando uma moeda para os visitantes. Com tal constatação eu quero dizer que, seja na rua, na igreja, nos becos ou avenidas, o ser humano busca subterfujo para vencer o mistério da morte através dos mais variados ritos ou situações que muitas vezes, ao contrário do que se pensam, termina aceitando-a nas suas relações.

Ao finalizar o meu olhar neste dia de finados, lembro-me da afirmação do apóstolo Paulo em 1º Coríntios 15, 14; “E se Cristo não ressuscitou, a nossa pregação e a nossa fé é vã”.  Em outras palavras, a ressurreição de Jesus nos garante vencer a morte. Não importa que tipo de morte o nosso corpo vai padecer, temos a vitória do Senhor sobre ela e, como tal, somos privilegiados com a ressurreição, ou seja, o medo é derrotado, deletado e esquecido.  

(Gênesis 3, 19 e Eclesiastes 3, 20)

Frei Petrônio de Miranda, Padre Carmelita e Jornalista.

Convento do Carmo da Lapa, Rio de Janeiro. 2 de novembro-2017.

 

Por que a disputa por bens na família

Se amanhã para o pó voltaremos?

Por que ferimos o nosso próximo

Se amanhã para o pó voltaremos?

Por que não perdoamos às 24 horas

Se amanhã para o pó voltaremos?

Por que somos insensíveis ao sofrimento

Se amanhã para o pó voltaremos?

 

 

Por que somos Pitibus nas relações      

Se amanhã para o pó voltaremos?

Por que não acolhemos quem errou

Se amanhã para o pó voltaremos?

Por que acumulamos bens e tranqueiras

Se amanhã para o pó voltaremos?

Por que não agradecemos cada raiar do dia

Se amanhã para o pó voltaremos?

 

 

Por que não somos justos e humanos

Se amanhã para o pó voltaremos?

Por que levantamos falso testemunho

Se amanhã para o pó voltaremos?

Por que nos digladiamos diariamente

Se amanhã para o pó voltaremos?

Por que somos corruptos e injustos

Se amanhã para o pó voltaremos?

 

 

Por que não vivemos plenamente

Se amanhã para o pó voltaremos?

Por que transmitimos o ódio e a tristeza

Se amanhã para o pó voltaremos?

Por não levantamos os caídos da vida

Se amanhã para o pó voltaremos?

Por que continuamos no erro

Se amanhã para o pó voltaremos?

 

 

Por que fechamos os olhos para a miséria

Se amanhã para o pó voltaremos?

Por que somos ingratos com a nossa família

Se amanhã para o pó voltaremos?

Por que destruímos a mãe natureza

Se amanhã para o pó voltaremos?

Por que usamos da mentira nas relações

Se amanhã para o pó voltaremos?

 

 

Por que não somos misericordiosos

Se amanhã para o pó voltaremos?

Por que alimentamos o ódio e a inveja

Se amanhã para o pó voltaremos?

Por que somos racistas e desumanos

Se amanhã para o pó voltaremos?

Por que somos arrogantes e intransigente

Se amanhã para o pó voltaremos?

Quando ela chegar

Frei Petrônio de Miranda, Padre Carmelita e Jornalista.

Convento do Carmo da Lapa, Rio de Janeiro. 2 novembro-2017.

 

Quando ela chegar não adianta mentir

Ela conhece a nossa história e as nossas desculpas.

Quando ela chegar não vamos fingir de sonso

Ela conhece o nosso olhar e o nosso pensamento.

 

 

Sim, nos caminhos da vida poderíamos ter feito o bem

Agora ela não vai mais dar uma segunda chance.

Sim, fomos egocêntricos e intransigentes

Agora não adiante chorar o leite derramado.

 

 

Quando ela chegar não adianta apelar para Deus

Tivemos toda uma vida para amar a vida e o próximo.

Quando ela chegar não adianta prometer mudanças

A nossa vida foi uma eterna caminhada quebrando promessas.

 

Sim, a cada dia sempre tínhamos algo para reclamar

Agora só resta parar e lamentar as noites escuras.

Sim, poderíamos ter cantando a beleza da vida

Mas gostávamos mesmo era de amaldiçoar cada dia.

 

Quando ela chegar não adianta meias verdades

Se fomos nós criadores e cultivadores da mentira.

Quando ela chegar não vamos fingir de super-humanos

Se na verdade fomos verdadeiros animais nas relações.

 

Sim... Seja Bem-vinda IRMÃ MORTE!

(Uma reflexão sobre o Evangelho do 30º Domingo do Tempo Comum. Ano Litúrgico- A).

Frei Petrônio de Miranda, Padre Carmelita e Jornalista, Rio de Janeiro.

Convento do Carmo da Bela Vista, São Paulo. 29 de outubro-2017

 

Não, eu não creio nesse amor

Amor dos livros e das palavras.

Eu creio no amor de atitudes

No amor de carinho e compaixão

No amor esperançoso dos pobres

No amor de encontro e do perdão.

 

Não, eu não creio nesse amor

Amor de mandamentos e regras.

Eu creio no amor da inclusão

No amor manso e prestativo

No amor companheiro das lutas    

No amor sem interesse e preço.

 

Não, eu não creio nesse amor

Amor da competitividade e do mercado.

Eu creio no amor barato e frágil

No amor sem máscaras e sem medo

No amor inovador dos desempregados

No amor silêncio e contemplativo.

 

Não, eu não creio nesse amor

Amor institucionalizado e acadêmico.

Eu creio no amor marginal e livre

Amor rasgado, ferido e ressuscitado

No amor amigo e irmão dos depressivos

No amor sujo de sangue e crucificado.

 

Não, eu não creio nesse amor

Amor lucrativo das mídias e da TV.

Eu creio no amor sem lucro e sem mercado

Amor descalço, esquecido e marginalizado

No amor companheiro dos refugiados

Amor anônimo dos becos, favelas e vielas.   

 

Não, eu não creio nesse amor

Amor partido e repartido no mercado.

Eu creio no amor frágil e pequeno

No amor sem brilho e sem cor

No amor teimoso que nasce e renasce das lutas   

Sim, eu creio nesse amor- JESUS CRISTO.