Por que Padre Zezinho está (de novo) na mira de católicos tradicionalistas: 'Sou agredido todos os dias, falam que sou um câncer para a Igreja'
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'Estou obedecendo aos papas que pregam justiça social', diz Padre Zezinho
Padre José Fernandes de Oliveira, assim, com nome de registro, completo e dois sobrenomes, não parece alguém especialmente famoso. Mas Padre Zezinho, como ficou conhecido esse sacerdote brasileiro autor de mais de 1,8 mil músicas, é um ícone do catolicismo brasileiro.
Ele é o compositor de canções profundas e extremamente conhecidas, algumas das quais transcenderam o ambiente das igrejas e acabaram se transformando em sucessos populares — desses que tocam em rádios e, por vezes, ganham regravações de artistas não religiosos.
Em 1997, por exemplo, Padre Zezinho foi um dos convidados do tradicional especial de fim de ano de Roberto Carlos, para cantar sua célebre Oração pela Família.
"Que nenhuma família comece em qualquer de repente, que nenhuma família termine por falta de amor."
Os versos dessa música são daqueles que ecoam na cabeça das pessoas como se fossem obras de domínio público, de tradição popular. Esquece-se até que há um autor por trás de uma canção tão conhecida.
Prestes a completar 85 anos de vida, em 8 de junho, e no ano em que comemora 60 anos de sacerdócio, Padre Zezinho ganha sua primeira biografia autorizada, o livro Apenas Um Cidadão do Infinito: Vida e Missão de Pe. Zezinho, escrito pela jornalista Gabi Bonvechio, que trabalha como assessora dele desde 2019. E diz que está pronto para as celebrações.
"Eu estou deixando que façam tudo. Não estou falando mais nada. Se querem, que marquem e eu vou", diz ele, em entrevista à BBC News Brasil, concedida por videochamada de um espaço no convento do Sagrado Coração de Jesus, conhecido como Conventinho, em Taubaté, onde ele mora com outros religiosos.
"Sou um enfermo que se controla e consegue se cuidar", completa o sacerdote, que há anos redobra os cuidados e limita sua rotina por conta principalmente de dois eventos.
Em 2012, ele sofreu um acidente vascular cerebral e ficou sete meses sem conseguir falar. "Deus me trouxe de volta", diz. No ano seguinte, foi diagnosticado com câncer de próstata — segue em tratamento, com a doença sob controle.
Se a saúde e a idade já não o permitem uma intensa atividade em shows e missas, Padre Zezinho segue expondo suas opiniões — ou "catequizando", como ele prefere — nas redes sociais.
Sua página oficial no Facebook tem mais de 1 milhão de seguidores, e, ali, o religioso e sua equipe postam quase diariamente. Além de frases para reflexão, o padre promove suas ideias cristãs com artigos. Muitas vezes, no mundo polarizado atual, polêmicas surgem.
O caso mais recente ocorreu em maio. Foi precipitado por um texto que nem é de autoria do religioso, um artigo do filósofo e sociólogo Romero Venâncio, professor na Universidade Federal de Sergipe, que Zezinho republicou em sua página.
O acadêmico expunha sua preocupação acerca do que classificou como "escalada delirante de extremistas católicos nas redes digitais", situando estes entre os "tradicionalistas" e como membros da "direita católica".
O resultado foi tenso. Até vídeos fakes associando o padre ao comunismo viralizaram, entre ataques e calúnias.
Padre Zezinho lidou com o episódio com a experiência de quem mantém a coerência mesmo levando pedradas há seis décadas. "Todos os dias eu sou agredido. Mas essa gente é 2% [dos católicos]. Os outros 98% querem catequese, querem atualização. A maioria quer o Vaticano 2º, a maioria quer as encíclicas sociais."
Ele se refere ao Concílio Vaticano 2º, ocorrido entre 1962 e 1965 — daqueles debates realizados pela cúpula do catolicismo saiu a modernização da Igreja. As missas deixaram de ser em latim, e os padres e bispos ressaltaram o compromisso de atuar junto aos pobres, de trabalhar pelo social.
Já as "encíclicas sociais" mencionadas por Zezinho são o conjunto de cartas papais inaugurado pelo papa Leão 13 (1810-1903) com a Rerum Novarum, há 135 anos — e cujo mais recente exemplo saiu há poucos dias, a Magnifica Humanitas, de Leão 14. São documentos em que o pontífice expressa preocupações sociais e, por isso, acabaram sendo chamados de doutrina social da Igreja.
"Falam até que eu sou um câncer para a Igreja. Não desejo o câncer para ninguém, até porque tenho um em tratamento. Nunca vou chamar alguém de câncer. Vou discordar de muitos, mas vou continuar sendo amigo e buscando diálogo."
Ao justificar seu olhar social e seu discurso em prol dos mais pobres, ele recorda o sacerdote católico francês Léon Gustave Dehon (1843-1925), fundador da Congregação dos Sacerdotes do Sagrado Coração de Jesus, ordem religiosa à qual Zezinho pertence — por isso, são chamados de "padres dehonianos".
"Ele era um homem que buscava uma proposta política e religiosa de diálogo, tanto para os operários quanto para os patrões. Eu cresci nessa ideia."
Ordenado nos EUA
O despertar vocacional de Zezinho está intimamente ligado aos dehonianos.
Mineiro nascido em Machado, ele se mudou para Taubaté aos 2 anos de idade, com a família. "Pai e mãe paralíticos, e vivíamos em um bairro muito pobre", recorda.
"Eu era coroinha e cresci ajudando nas missas. Todos os dias ia com minha mãe, cedo, depois ia para a escola. Após a aula, fazia os trabalhos que tinha de fazer, levava comida para meus irmãos na fábrica [onde eles, mais velhos, trabalhavam], brincava por duas horas e, de novo, ia com minha mãe para o Conventinho, porque a gente ajudava lá."
A mãe, Waldivina Messias de Oliveira, trabalhou como costureira, lavadeira e cozinheira na casa religiosa. "Cresci no ambiente de convento e gostei daquilo", recorda o padre. Tornou-se seminarista na adolescência — tinha 12 anos quando ingressou no seminário mantido pelos dehonianos na cidade de Lavras, em Minas Gerais.
O percurso até a ordenação foi um périplo. De Lavras, foi para Corupá, em Santa Catarina, em outra instituição da mesma ordem. Aos 19 anos, nova mudança, para Jaraguá do Sul, também no estado catarinense, para mais uma etapa de seus estudos rumo ao sacerdócio.
No ano seguinte, já tendo feito os primeiros votos, seguiu para Brusque — como noviço, ali estudaria filosofia. Dois anos depois, passou uma breve temporada na Taubaté de sua infância, estudando Teologia e matando a saudade dos familiares.
Foi quando os superiores da ordem decidiram que quatro jovens religiosos deveriam ter uma experiência internacional. Dois foram destacados para estudar em Roma. Outros dois, Zezinho entre eles, foram para os Estados Unidos.
De lá, enquanto se graduava em Teologia em Hales Corners, perto de Milwaukee, Zezinho acompanhou as discussões que transformariam a Igreja e o seu futuro: do outro lado do Atlântico, ocorria o Concílio Vaticano 2º.
Padre Zezinho professou os chamados votos perpétuos em setembro de 1964, em cerimônia ocorrida em Honesdale, na Pensilvânia. Ele se tornou diácono em junho de 1966 e, finalmente, padre em setembro do mesmo ano.
Música
Um ano depois, Padre Zezinho celebrou sua primeira missa em Taubaté — ele estava de volta ao Brasil. Vinha no espírito do Concílio que havia terminado há pouco tempo. Animado, jovem, passou a usar o violão em celebrações. Não era o sisudo padre José, mas o simpático Padre Zezinho, que dispensava a batina no convívio social e era próximo, sobretudo, da juventude.
De um lado, nascia ali um capítulo importante na história da Igreja Católica no Brasil. De outro, Zezinho começava a sofrer críticas de conservadores. Detratores chamavam seus primeiros trabalhos de "musiquinhas adocicadas e festivas", seus encontros com jovens de "alucinógenos espirituais", seus textos de "livrinhos inconsequentes" — como recupera Gabi Bonvechio, na biografia recém-lançada.
Padre Zezinho conta que o gosto pela música veio de casa — seu pai, Fernando José de Oliveira, gostava de tocar viola. A infância em Taubaté, lembra ele, também foi muito musical — terra de estrelas como Hebe Camargo (1929-2012) e Celly Campelo (1942-2003), enfatiza o religioso. O caipira eclético que gostava de rock e música popular em geral encantou-se pelo country e pelo blues em sua temporada nos Estados Unidos. Isso tudo moldou seu estilo.
Em texto publicado na revista acadêmica Caminhos em 2020, o teólogo Antonio Manzatto, professor na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, situou a gênese da trajetória de Zezinho na efervescência político-cultural dos anos 1960.
Manzatto lembra que eram tempos de ditadura militar no Brasil, rock nas rádios e TVs e contracultura no mundo jovem. A Igreja Católica, pós-Concílio, respirava ares de renovação, o que, segundo ele, "permitiu que a vivência religiosa se organizasse em estruturas diferentes".
"Nesse ambiente, a figura de padres modernos foi extremamente importante. Padres renovados que se vestem de maneira simples, sem a sisudez das batinas, que falam a língua do povo, que não hesitam em se fazer próximos das pessoas, de suas casas, de suas vidas", pontua Manzatto.
"Para a juventude que andava em busca de novos referenciais, figuras assim eram muito bem-vindas; e para a Igreja, que buscava nova linguagem e novas formas de comunicação com a juventude, o encontro foi extremamente benfazejo."
Padre Zezinho se apresentou nesse cenário, com seu nome "diminutivo familiar que aproxima as pessoas, bem ao gosto dos brasileiros". Seu discurso simples era diferente do empolado tradicional dos padres de então. Ele ouvia os jovens e dialogava com eles. De quebra, trouxe a música.
"Não a música dos claustros, das orquestras ou de ritmos distantes da juventude", salienta Manzatto. "Mas a música contemporânea com violões, guitarras e baterias ao estilo dos conjuntos musicais da época."
Para o sociólogo Rogério Baptistini, professor na Universidade Presbiteriana Mackenzie, Zezinho é "um dos pioneiros da evangelização moderna".
"Ele usou a música como ferramenta de comunicação de massa e pregou a paz e o diálogo em letras alinhadas à doutrina social da Igreja, sempre conectado ao seu tempo e à visão progressista do catolicismo", afirma, definindo o Padre Zezinho como um "patrimônio sólido" do catolicismo brasileiro.
Diversas místicas, uma Igreja
Se desde o início vieram críticas do lado mais conservador da Igreja, da parte de Zezinho nunca houve muro entre os segmentos diferentes do catolicismo. Ele conta que foi formado um grupo de religiosos em 1969, com oito padres de estilos diferentes que passaram a se reunir periodicamente — em uma tradição que durou até 1980.
Entre eles, estavam Jonas Abib (1936-2022), que depois se notabilizaria como fundador da comunidade Canção Nova e um dos principais expoentes do movimento conservador Renovação Carismática Católica (RCC), e também o padre jesuíta Casimiro Irala (1936-2024), músico paraguaio radicado no Brasil e integrante da Ação Católica, grupo conhecido pela ênfase na doutrina social da Igreja.
Eram místicas diferentes, lembra Zezinho. "Mas a gente era muito amigo, coisa assim de irmão". "Brincava com padre Jonas: sua mística é ensinar a orar, a minha é ensinar a partilhar. Não pensávamos igual, mas nos amamos do mesmo jeito."
Com Irala, disse que aprendeu muito sobre música também.
Como suas canções sempre foram mais com mensagens sociais do que de louvor, ele acabou sendo associado à linha Teologia da Libertação (TL), corrente cristã que enfatiza como necessária a opção preferencial pelos pobres — ao contrário da imensa maioria dos padres cantores que vieram depois, casos de Marcelo Rossi, ligado à RCC e com canções de louvor. Desde aqueles primeiros anos, era uma postura que o deixava alvo de críticas dos conservadores.
Padre Zezinho é cuidadoso nas palavras. Refuta ser chamado de progressista, porque entende que isso deixa os conservadores na posição antagônica de "atrasados": "Sou atualizador. Respeito os conservadores e respeito os progressistas".
Contestando os contestadores
Desde cedo, lembra ele, seus amigos diziam que ele estava escolhendo um caminho difícil. "Porque estava contestando os contestadores, os que não aceitavam o Vaticano 2º. Rios não correm para trás. Os peixes, sim. Mas o rio vai adiante."
"Teve jornalista ultraconservador que me chamou [ao lado de outros nomes da Igreja] de 'vaca sagrada' quando eu estava ficando muito famoso com minhas canções, e, mesmo sofrendo críticas, a Igreja não mexia comigo."
Sobre a TL, ele gosta de ser específico. "Sou da TL bíblica, não da TL marxista", comenta.
Diz que seu viés é a libertação que está nos textos sagrados, em prol do ser humano. "É por aí que eu vou", ressalta, lembrando que suas músicas falam das alegrias, das esperanças, das dores e das lutas do "povo de Deus".
"Fiz música de doutrina social. Música de justiça e paz", comenta. Um exemplo simbólico é a Prece Pelo Social, lançada em 2000. A canção pede a Deus mais trabalho, mais salário e mais pão. "O rico menos rico/ O pobre menos pobre", cobra a letra. "Trabalho pra toda a gente/ Salário bem mais decente/ […]. Do jeito que está não dá."
"Essa minha música machucou muita gente. Fiz para que possamos entender o que é justiça social", explica, lembrando que há dezenas de encíclicas falando que "rico demais não é bom para a Igreja, assim como pobre demais também não é bom".
"Experimentei a fome aos 9 anos. Sou fruto de gente que acredita em progredir e não em ficar parado. O pobre tem de fazer alguma coisa para sair da pobreza, mas o rico também tem de fazer alguma coisa para ajudar o pobre. Não pode ser rico demais", ressalta.
Ele se considera "um formador de opinião". "Nunca usei essa expressão que gostam hoje, influenciador", diz. "Sou um explicador."
Sobre o fato de costumar ser incluído em polêmicas de internet, Padre Zezinho argumenta que "não tem medo". E que escolhe o caminho da gentileza. "Dá para dizer tudo sem gritar. Microfone não é para xingar, é para dialogar. Respondo sempre de uma forma gentil. Sem gentileza, não pode haver cristianismo."
Ele disse que esse racha entre RCC e TL começou nos anos 1970. "Um grupo de direita, político, leigo, começou a fazer essas distinções: 'nós somos espirituais, vocês não são', 'a TL é uma vergonha para a Igreja' e palavras terríveis que até hoje falam", recorda.
Padre Zezinho lembra que já trabalhou muito com pessoas da RCC e emissoras católicas ligadas ao movimento e encara a proximidade como um diálogo permanente e profícuo.
"Direita e esquerda existem, conservadores e avançados existem. Podemos discordar, mas sem ódio", afirma. "Não sou esquerdista, nem direitista, nem centrista. Eu sou catequista. Sou transformador, sou explicitador."
O sacerdote concorda que o debate atual está contaminado pela polarização social e política, intensificada pelo uso das redes sociais. "Podemos estar em pistas separadas, mas a gente se encontra de vez em quando, então estamos juntos", comenta.
"Estou obedecendo aos papas que pregam justiça social, o fundador da minha congregação que pregava justiça social. É o que eu faço. Todos eles pregaram isso", explica o padre.
Ele enfatiza que não importa com as discordâncias. "Se um burguês não gosta, então que seja burguês. Eu vou apanhar deles, mas eu acho que os pobres precisam crescer e é preciso fazer coisas em favor dos pobres para eles crescerem. Se isso é esquerda ou direita, não me importa. O que me importa é a doutrina social", diz.
Padre Zezinho reconhece que esse posicionamento lhe traz um custo. "Pago um preço por isso? Pago. Toda hora alguém diz: 'coitado do padre Zezinho, pena que é da TL'", afirma.
"Eu sou TL bíblica, não TL marxista. Sou contra Marx? Não. Só acho que o acento em marxismo não ajuda a Igreja. Mas o capitalismo também não ajuda. Entre capitalismo e comunismo, eu escolho o diálogo."
A biógrafa Gabi Bonvechio diz que o padre é muito rotulado. "Ele é fruto do Concílio Vaticano 2º e abraçou a causa da doutrina social da Igreja e acaba muito atacado por isso", avalia.
"Não ouso rotulá-lo. Ele fala muito de temas que os conservadores falam, como a família, a espiritualidade e a piedade. E também cobra justiça social. Houve uma época em que a esquerda o chamava de direitista e conservador. Agora, os direitistas o chamam de comunista e TL", diz Bonvechio, afirmando ser "uma injustiça" qualquer tentativa de "colocá-lo em uma caixinha".
Para o sociólogo Rogério Baptistini, o que ocorre é que "hoje a Igreja no Brasil está sofrendo uma espécie de reação pentecostal". "Sacerdotes como ele e [o padre] Julio Lancelotti, por caminhos diferentes, sofrem com a onda de conservadorismo."
Legado
Professor na Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma, e diretor no Lay Centre, também em Roma, o vaticanista Filipe Domingues ressalta a coerência de padre Zezinho, como um sacerdote que nunca deixou de "seguir a comunhão da Igreja" e se permitir ter uma vida de celebridade.
O religioso costuma enfatizar que não é um cantor. Mas um padre que canta. Esta postura parece fazer diferença. "Ele fez tudo o que fez sem buscar méritos", comenta Domingues. "Ele vive aquilo que prega. E isso traz credibilidade."
Em 2019, o padre ganhou um espaço dedicado ao seu acervo, no convento onde reside. É o Memorial Padre Zezinho — que pode ser visitado sob agendamento.
Quanto à biografia, o religioso precisou ser convencido. Gabi Bonvechio disse que pediu autorização ao padre em agosto do ano passado. Ela entrevistou mais de 50 pessoas, além do próprio sacerdote.
"Passei a viver a vida do padre junto com ele, para poder contar sua história", diz ela.
O teólogo Raylson Araujo, pesquisador na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, diz que Padre Zezinho é um dos grandes evangelizadores da Igreja Católica no Brasil. "Seu impacto é enorme e de longa data. Marcou época muito antes das redes sociais e da consolidação das TVs católicas", diz Araujo.
"E mais: Tem padre que canta, mas não faz reflexão teológica. Tem padre que faz reflexão teológica, mas não canta. Padre Zezinho fez os dois e com maestria, traduzindo reflexões teológicas profundas e canções que há décadas está na boca do povo de Deus." Fonte: https://www.bbc.com/portuguese
Corpus Christi despedaçado. 4 de junho-2026, Festa de Corpus Christi.
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Por; Frei Petrônio de Miranda, O. Carm, Padre Carmelita e Jornalista.
Convento do Carmo, de São Paulo. 7 de junho-2012, Festa de Corpus Christi.
Atualização: Convento do Carmo de Mogi das Cruzes, São Paulo. 4 de maio-2026, Festa de Corpus Christi.
Ó Jesus no ventre materno
Em Maria a gerar.
Olha para as mães grávidas
Sem família e sem um lar.
Junta todos os pedaços
De sangue, suor e dor.
Ó meu Jesus Eucarístico
Vem mostrar o teu amor!
Sacramento de unidade
Pão da vida salutar.
Os Sem-Teto chorando
Nas ruas a caminhar.
Das balas e dos arrastões
No Rio de Janeiro vem livrar.
Ó meu Jesus Eucarístico
Venha logo nos saciar!
Com os Mártires da Guerra
Pela justiça a clamar.
No Oriente Médio
O sangue a derramar.
Estas vidas em pedaços
Na juventude a gritar.
Ó meu Jesus Eucarístico
A todos vem acalmar!
Partilhar a Boa Nova
Nas Mídias denunciar.
Os Missionários na Nigéria
O Sangue a derramar.
Ó meu Jesus Eucarístico
Vem logo nos libertar.
Livra-nos dos ditadores
E da violência a reinar!
A Natureza sangrando
O homem a dominar.
Destrói do nosso país
A Fake News a se espalhar.
Ó meu Jesus Eucarístico
Vem logo nos confortar.
Arranca dos corações
A divisão a se espalhar!
As vidas despedaçadas
Os cacos venha juntar!
As comunidades Quilombolas
Os indígenas a lutar.
Ó meu Jesus Eucarístico
Com eles vem caminhar.
As suas vidas quebradas
Os pedaços vem juntar.
A Inteligência Artificial
Entrando em nosso lar.
Deleta os homofóbicos
Venha nos iluminar.
Ó meu Jesus Eucarístico
Venha nos orientar.
E com o Papa Leão XIV
Pela paz vamos rezar!
O trabalhador rural
De sol a sol a lutar.
Nas Cracolândias da vida
Os adolescentes a vagar.
Ó meu Jesus Eucarístico
Vem conosco caminhar
Liberta dos nossos vícios
A todos venha curar!
Se depender de oração
Este povo vai salvar-se.
Com as novenas e rezas
Todos sempre a clamar.
Mas as vidas em pedaços
Quem poderá ajuntar?
Ó meu Jesus Eucarístico
Venha nos conscientizar!
Nas eternas noite escuras
das Guerras e do pavor.
Livra-nos dos governantes
Sem carinho e sem amor.
E neste Ano Eleitoral
Vem Jesus nos libertar
Das garras dos lobos famintos
Que querem nos devorar!
Alimento da Vida Eterna
Venha nos fortificar
Afasta-nos dos fanáticos
E da religião a explorar.
Ó meu Jesus Eucarístico
Neste mundo vem reinar
Dos Donald Trump`s da vida
Venha logo nos libertar!
Em cada cidade clamamos
Meu Jesus libertador.
Olha por estas famílias,
Sem carinho e sem amor.
Ó meu Jesus Eucarístico
Do tráfico vem libertar
A estas vidas em pedaços
A tua paz vem nos dar!
Papa: participar das procissões de Corpus Christi é um testemunho corajoso de fé
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Leão XIV, durante várias saudações aos peregrinos de diferentes idiomas na Audiência Geral desta quarta-feira (03/006), recorda a Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo: "que a participação nas procissões eucarísticas – sobretudo por parte das famílias, das crianças e dos jovens – seja um testemunho corajoso de fé".
Benedetta Capelli – Vatican News
Caminhar atrás do Santíssimo Sacramento para recordar que Deus está entre nós e ao nosso lado. É o que o Papa recorda nas saudações em várias línguas durante a Audiência Geral desta quarta-feira (03/06), referindo-se à Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo, que se celebra nesta quinta-feira, 4 de junho. Dirigindo-se aos peregrinos italianos, o Papa recorda o sentido e a importância das procissões que se realizam neste dia:
"Na Eucaristia, contemplamos Jesus, pão partido e oferecido por cada um de nós. Expressão da piedade eucarística popular são as procissões com o Santíssimo Sacramento que se realizam nas ruas de tantos países; a esse respeito, encorajo a manter viva essa bela manifestação de testemunho público da fé."
Audiência Geral do Papa Leão,
Deus conosco
Um pensamento reiterado também na saudação aos fiéis poloneses, na qual recorda que Jesus está vivo e caminha conosco:
"Que a participação nas procissões eucarísticas – sobretudo por parte das famílias, das crianças e dos jovens – seja um testemunho corajoso de fé e lembre a todos que Deus está presente no meio do seu povo e o acompanha na vida cotidiana."
Testemunhas do seu amor
O Papa Leão, na saudação aos peregrinos de língua inglesa, detém-se então na força que a Eucaristia nos dá:
"Enquanto nos preparamos para a solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, deixemo-nos fortalecer por este dom divino e tornemo-nos testemunhas do seu amor para com todos aqueles que encontramos."
Ao se despedir, o Papa Leão XIV dirige um pensamento aos sacerdotes e religiosos do Oriente Médio, aos quais garante orações e bênção pelo ministério e pelas “expectativas dos seus respectivos países”. Fonte: https://www.vaticannews.va
É possível ‘morrer de tristeza’, como ocorreu com a autora Marjane Satrapi? Especialistas respondem
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Comunicado enviado à agência de notícias AFP afirma que diretora franco-iraniana morreu de desgosto e tristeza por conta do falecimento do marido, em 2025
A escritora franco-iraniana Marjane Satrapi morreu nesta quinta-feira, 4, "de tristeza", pouco mais de um ano após a morte do marido Foto: Bertrand Guay/AFP
Por Roberta Jansen
A autora e diretora franco-iraniana Marjane Satrapi, mais conhecida pela graphic novel e pelo filme Persépolis, morreu aos 56 anos, nesta quinta-feira, 4. Em comunicado enviado à agência de notícias France Presse (AFP), uma pessoa próxima à família informou que Marjane “morreu de tristeza pouco mais de um ano depois da morte de Mattias Ripa, seu marido e amor da sua vida”. Mas será mesmo possível morrer de tristeza, desgosto?
Segundo Victor Cravo, coordenador das Unidades de Terapia Intensiva (UTI) dos hospitais Samaritano e Vitória, na Barra, na zona sudoeste do Rio de Janeiro, a medicina prevê o que ficou conhecido como síndrome do coração partido, tecnicamente chamada de cardiomiopatia de Takotsubo. Trata-se de um súbito e temporário enfraquecimento do músculo cardíaco tipicamente provocado por estresse físico ou emocional extremo, como a perda de uma pessoa amada, uma discussão acalorada ou mesmo um evento de intensa alegria.
Ainda de acordo com o especialista, os sintomas são muito parecidos ao de um infarto, mas sem a obstrução das artérias coronárias. Justamente por isso, aponta Cravo, é muito difícil morrer por esse tipo de cardiomiopatia.
A taxa de mortalidade hospitalar varia de 1% a 4%. Embora a condição seja reversível na maioria das vezes, o estresse extremo pode paralisar o músculo cardíaco de forma severa, levando a complicações fatais nas primeiras horas.
Conforme mostrou o Estadão em 2019, um estudo realizado por pesquisadores da Universidade do Arkansas, nos Estados Unidos, apontou que mulheres com menos de 55 anos são nove vezes mais propensas a sofrer com a chamada Síndrome do Coração Partido em relação aos homens dessa idade.
Os pesquisadores avaliaram um banco de dados de cerca de mil hospitais americanos. “A maior incidência são nas mulheres e geralmente no período pós menopausa. Caracteriza-se pelo enfarte do miocárdio com as artérias do coração normais, ou seja, sem obstruções. A única maneira de preveni-la é evitando situações de grande estresse emocional”, afirmou em entrevista ao jornal o cardiologista Dante Senra.
Um estudo ainda mais antigo, divulgado em 2012, indicou que, nos primeiros dias após a morte de uma pessoa querida, o risco de infarto do miocárdio aumenta até 21 vezes. Os especialistas consideram que os sentimentos são mais intensos no primeiro ano do luto. Nesse período, pode surgir uma sensação de peso no peito, semelhante à dor do infarto. Também pode haver falta de ar intensa, tal qual numa insuficiência cardíaca.
O cardiologista Jasvan Leite, do Hospital do Coração (Hcor), explicou ao Estadão que algumas partes do coração são mais suscetíveis às emoções. É o caso do ventrículo esquerdo, o mais afetado por descargas hormonais intensas. Por conta do excesso de estresse durante momentos como o luto, esse músculo se contrai de forma desordenada e não consegue distribuir o sangue de maneira normal.
Uma outra possibilidade para a morte de Marjane é que a família tenha optado por tratar dessa forma o óbito decorrente de uma depressão profunda ou até mesmo de um suicídio. Desde a morte do marido, a página do Instagram da autora consistia quase que exclusivamente de uma série de imagens que formavam a frase “Pois perdi o amor da minha vida”, juntamente com uma foto dele.
A tristeza extrema e a depressão enfraquecem o sistema imunológico. Com isso, o organismo fica mais suscetível a infecções graves. Além disso, pessoas em sofrimento profundo podem negligenciar cuidados básicos, como se alimentar direito, dormir ou tomar medicamentos essenciais para outras doenças crônicas. “Uma pessoa em depressão profunda pode simplesmente parar de comer”, exemplifica o médico intensivista Victor Cravo.
Quem foi Marjane Satrapi
A autora nasceu em Rasht, no Irã, em 1969, mas se mudou para a França em 1994. Sua trajetória profissional é marcada por temas como autoritarismo, exílio, memória, identidade e a vida das mulheres iranianas.
Conhecida por seu posicionamento firme em defesa dos direitos humanos, foi uma crítica ferrenha ao governo teocrático do Irã. Defendia a liberdade como princípio universal. Criticava a imposição do véu e também a proibição de seu uso e sob o argumento de que a autonomia das mulheres deveria estar acima de qualquer imposição política ou religiosa.
A autora se tornou uma porta-voz das mulheres do Irã após o início dos protestos na República Islâmica, que começaram por conta da morte, em 2022, de Mahsa Amini, uma mulher curda iraniana de 22 anos. Ela morreu enquanto estava sob custódia por supostamente ter violado o código de vestimenta para mulheres.
No ano passado, Satrapi recusou a condecoração da Legião de Honra francesa devido à “hipocrisia” do país em suas relações com o Irã, citando as políticas de visto francesas que impediam dissidentes de deixar o Irã para ir para o país europeu.
Ela dirigiu vários filmes, incluindo uma adaptação cinematográfica de 2007 de Persépolis, em parceria com Vincent Paronnaud. O filme ganhou o Prêmio do Júri no Festival de Cannes e foi indicado ao Oscar. Fonte: https://www.estadao.com.br
Homem mata ex-mulher a facadas em casa após filhos saírem para a escola: 'premeditado', diz delegada
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Camile Barbosa Duarte Antunes, de 30 anos, foi encontrada morta sobre a cama nesta terça-feira (2) em Campos (RJ). Ruan Henrique Oliveira de Souza, de 31 anos, entrou pelo portão um minuto após os filhos gêmeos saírem do local.
Para a Polícia Civil, Ruan Henrique de Oliveira premeditou o crime contra Camile Barbosa Duarte Antunes, de 30 anos, em Campos — Foto: Arquivo pessoal
Por Josué Amador, g1 — Campos
Feminicídio em Campos
Um homem matou a ex-mulher a facadas, dentro de casa, na manhã desta terça-feira (2), em Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense. Câmeras de segurança mostram que Ruan Henrique Oliveira de Souza, de 31 anos, entrou na residência um minuto após os filhos gêmeos, de 12 anos, saírem para a escola.
Camile Barbosa Duarte Antunes, de 30 anos, foi encontrada morta em cima da cama. Imagens de câmeras de segurança mostram que as crianças saíram em um carro às 7h21. Um minuto depois, às 7h22, Ruan, que tinha as chaves de casa, aparece entrando pelo portão do imóvel, localizado no Parque Califórnia. Para a polícia, o crime foi premeditado.
"Em maio, mais precisamente há duas semanas, ele pegou uma arma, foi até a casa, colocou na cabeça dela e disse que ia matá-la e depois se suicidar. Depois de esfaquear a ex-companheira, ele subiu numa escada e suicidou-se com uma corda no pescoço", disse a delegada adjunta da 134ª DP, Madeleine Dykeman.
O homem também aparece saindo da casa às 8h15, provavelmente, segundo a polícia, para buscar a corda usada no suicídio. Ele se enforcou nos fundos da residência.
"O que a gente viu foi uma cena brutal. Uma mulher teve a vida arrancada pelo ex-companheiro. Ele desferiu vários golpes de faca. Temos lesões na nuca, nos seios, nas mãos."
Histórico de violência
Segundo a polícia, Camile era natural de São José dos Campos (SP), e Ruan, de Muriaé (MG). Eles eram casados há cerca de 15 anos.
"Foi relatado que eles tinham um relacionamento antigo, mas era conturbado, de muitas brigas, agressões, inclusive, em fevereiro, ele deu uma surra nela, que ficou com o olho roxo. Mas nenhuma dessas vezes que ela foi agredida, foi à delegacia fazer o registro. Logo depois ela descobriu uma traição dele, e esse foi o motivo da separação", disse a delegada.
De acordo com a delegada, uma vez que o autor do crime também morreu, não há punibilidade a ser aplicada. O inquérito será fechado e o caso passa pelo que a polícia chama de extinção.
Os filhos do casal, que haviam ido para a escola na hora do crime, estão com parentes.
Os celulares do casal foram apreendidos para investigação. Os corpos foram encaminhados no início da tarde para o Instituto Médico Legal (IML). Fonte: https://g1.globo.com
Clã comanda 2 prefeituras em AL e desvia verba da educação para trator e arena de vaquejada
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OUTRO LADO: Prefeitos e secretários de Campo Grande e Olho D'Água Grande não atenderam a reportagem e não responderam aos questionamentos
Uso irregular aparece em extratos do Fundeb e notas fiscais obtidas pela Folha que chegam a R$ 6 milhões

Quadra da escola municipal Evanio Higino, em Campo Grande (AL), interditada por causa da infraestrutura danificada; telhado está caindo -
Alagoas
A família do político Arnaldo Higino, que controla dois municípios do interior de Alagoas, usa dinheiro da educação para pagar agrotóxicos, manutenção de carros particulares, obras fantasmas e até reforma de uma arena de vaquejada privada.
Escolas municipais das cidades de Campo Grande e Olho D’Água Grande enfrentam infraestrutura precária. Os salários dos professores, congelados desde 2024, estão 50% abaixo do piso nacional.
Mesmo sem obras em escolas, empresa de construção consome milhões do Fundeb, principal mecanismo de financiamento da educação básica. Ônibus escolares circulam em condições precárias, enquanto, no papel, recursos são gastos em manutenção.
Os desvios aparecem em extratos do Fundeb, em mais de 30 notas fiscais e relatos obtidos pela Folha, que esteve nas cidades. Valores identificados pela reportagem somam ao menos R$ 6 milhões em cinco anos.
A família Higino é uma dinastia no agreste alagoano: controla Campo Grande por mais de duas décadas e, em 2021, passou a dominar Olho D'Água Grande. As cidades vizinhas estão a cerca de 160 km de Maceió.
Arnaldo foi eleito prefeito de Campo Grande pela primeira vez em 1992 e, desde 2005, deixa o cargo apenas para parentes. Em 2017, foi preso sob suspeita de receber propina. O sobrinho Teo Higino (PSB) é o atual prefeito de Campo Grande, e a mulher de Arnaldo, Suzy Higino (PP), governa Olho D'Água Grande pelo segundo mandato.
A Folha procura todos desde 12 de maio por email e telefone. A reportagem também esteve presencialmente nas prefeituras e secretarias de Educação das duas cidades, mas não houve resposta.
O pai de Arnaldo, Evânio Higino, dá nome ao Parque de Vaquejada em Campo Grande. O espaço fica na entrada de uma das fazendas da família, com 700 das quase 20 mil cabeças de gado do grupo. Evânio Higino também é o nome de uma escola municipal que adiou o início do ano letivo por falta de carteiras.
Enquanto a quadra da escola Evânio Higino está interditada há pelo menos dois anos, com telhado destruído, o Parque de Vaquejada Evânio Higino, de propriedade da família, recebeu cobertura nova na arquibancada neste ano.
As melhorias para a vaquejada foram custeadas com dinheiro do Fundeb das duas cidades. A obra terminou em março, a tempo de receber uma competição, que deu R$ 380 mil em prêmios.
Em 23 de janeiro, as prefeituras pagaram a uma loja de materiais de construção de Arapiraca por 108 vigas metálicas perfil U e outros itens de serralheria. Cada aquisição, de R$ 8.000, saiu do fundo de Educação dos municípios com pouco mais de uma hora de diferença: às 16h33, de Olho D’Água Grande, e às 17h50, de Campo Grande.
Dias depois, as despesas apareceram nos extratos do Fundeb. Nenhuma das cidades registra reformas ou obras de escolas.
A Folha visitou o parque de vaquejada em 11 de maio e constatou a nova cobertura com vigas perfil U. Outro prédio no local aguarda cobertura e várias vigas estavam no chão, à espera de instalação.
Um dos responsáveis pela obra, sob anonimato, confirmou a compra dos materiais nas lojas Luminex e Aço Líder —as mesmas descritas nos extratos do Fundeb e notas fiscais.
Duas compras idênticas, de R$ 7.840 cada uma, foram registradas em 10 de fevereiro com dinheiro da educação das duas cidades. O material incluía telhas galvalume, tinta e vigas perfil U —material usado na arena de vaquejada que faz falta na quadra da escola de mesmo nome.
O Fundeb pagou ao menos R$ 53,8 mil nessas duas lojas desde 2021. Não há indícios de irregularidade das lojas, que não responderam à reportagem.
A Folha teve acesso a cinco notas fiscais de agrotóxicos pagos com dinheiro da educação. Em 2 de julho de 2025, Olho D’Água Grande pagou R$ 2.280 por 20 litros do herbicida Preciso XK. O Roundup Glifosato, da Monsanto, foi comprado em abril e julho de 2024. Em fevereiro do ano passado, uma compra de R$ 5.010,70 incluiu lonas para silo.
Três lojas de produtos agropecuários receberam R$ 222 mil do Fundeb de ambas prefeituras.
Há ainda compras com dinheiro da educação de brita, equipamentos e pneus para Hilux (carros usados pela família) e peças de tratores. Em 9 de setembro de 2025, por exemplo, peças para tratores no valor de R$ 9.142,80 foram adquiridas em Arapiraca também com divisão entre as duas cidades. Uma nota saiu às 11h04, e outra, às 11h35.
A unidade da loja Nascimento Tratores vende apenas peças para tratores, conforme confirmado no local. Os extratos do Fundeb mostram R$ 105 mil pagos, em geral classificados como manutenção de transporte escolar. A legislação proíbe gastos do Fundeb em obras de infraestrutura, e relatos feitos à Folha indicam que os tratores são usados nas fazendas da família.
A escola rural Apolinario G. dos Santos fica a menos de 15 minutos do centro de Campo Grande. Sem pátio ou portão, possui duas salas, uma pequena cozinha e dois banheiros. Alunos de séries diferentes estudam na mesma turma por falta de professor e espaço.
"Precisamos de reforma para garantir um ambiente mais atrativo, melhorar salas, a cozinha. E as crianças não têm espaço de recreação", diz a professora Edivânia de França, 50, diante de uma lousa deteriorada. Uma parede da unidade ameaça cair. "Não sinto segurança para as crianças aqui."
Com 28 anos de docência, Edivania recebe R$ 3.640 por mês. O piso nacional é R$ 5.130,63.
"Provavelmente nós temos os menores salários do estado, e um dos piores do Brasil", afirma Ivan Ponciano, presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de Campo Grande. Segundo ele, a negociação não é feita com os prefeitos, mas com Arnaldo Higino.
Em Olho D’Água Grande, a reportagem encontrou, em dia letivo, duas escolas fechadas por volta das 10h30, na comunidade de Ponta da Serra. "Aqui não tem horário para entrar ou sair. Às vezes falta professor, às vezes merenda", diz Erica Santos, 30, mãe de dois alunos da escola André Lima.
Na escola Cleonice Claudino, no mesmo povoado, parte do teto de uma saleta que funciona como secretaria e depósito de livros caiu.
Uma construtora recebeu R$ 452 mil do Fundeb de 2025 a março deste ano. Desde 2021, as contas do fundo das duas cidades enviaram para a Construtora Ambiental R$ 4,97 milhões. Desse total, R$ 3,1 milhões foram de Olho D’Água Grande. Não há registro de contrato da educação com a empresa.
O endereço da empresa é uma casa de Arapiraca onde funcionam outras três firmas. Quando a Folha esteve no local, não havia ninguém. O dono, Jean Carlos de Oliveira e Silva, não quis responder aos pedidos de esclarecimentos.
O FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação) afirmou que a fiscalização cabe aos órgãos de controle. O Tribunal de Contas de Alagoas foi procurado, mas não respondeu. Fonte: https://www1.folha.uol.com.br
SILÊNCIO
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"Pai, possam eles contemplar a glória que me concedestes, porque me amais". (Jo 17,24)

Frei Cláudio van Balen, O Carm
A espiritualidade carmelitana faz dedicar-nos a cultivar crescente sensibilidade para captar a atuação da graça ou a presença do transcendente contida em toda a realidade. Assim ajudamos outros a se deixarem tocar, envolver pelo mistério. Receber e transmitir o toque divino é ponto central do jeito carmelitano de ser.
Partimos do princípio de que todo encontro mais profundo consigo e com a realidade é encontro com Deus que liberta e melhora a qualidade de vida. Tal postura enobrece a pessoa e permite que, nela, Deus aconteça. O encontro com ele, aliás, é o objetivo de toda vivência cristã, de toda atividade e expressão da fé.
Nessa perspectiva, o cultivo do silêncio visa colocar as funções dos sentidos a serviço da fé. Ou seja, em vez de prender o coração a seus objetos sensoriais, esses poderão aguçar nossa receptividade interior, registrando a dimensão oculta na realidade visível: Deus com sua presença amiga e atuação salvadora.
Pratica o silêncio quem, bem integrado e interiormente iluminado, mergulha de tal maneira dentro de seu contexto existencial que, ao lidar com coisas e pessoas, fatos, problemas e emoções, aprofunda sua união com a interioridade que dá a tudo coesão e o relaciona com uma harmonia real ou projetada.
Graças ao silêncio, a vida, o mundo e a história são percebidos como o espaço do Transcendente. Tudo que ali ocupa um lugar ou desempenha uma função, também presta o serviço de imagem, sinal e mediação evocando seu potencial oculto, o poder e o amor de Deus e seu Projeto de Libertação integradora.
O silêncio não produz fugitivos, mas comprometidos; não faz a pessoa insensível, porém mais solidária; não cria alienados, mas conscientiza.. Mais do que estranhos no ninho, gera pessoas de vanguarda na renovação da vida, na melhoria das relações, no desenvolvimento da história e na construção da Igreja.
Como atitude, cultivar o silêncio é uma sensibilização por essa onipresença do “algo mais” que mantém tudo interligado. De fato, alguém só pode tornar-se contemplativo em atitude, se primeiro se dedica com afinco ao silêncio, a essa abertura ao transcendente na realidade, em busca de uma crescente sintonia.
No Carmelo, as pessoas são motivadas e ajudadas para que se coloquem e conservem sempre na presença de Deus. Sinalizado por tudo e todos, graças à clarividência da fé, ele é o mistério onienvolvente que integra o existir, interligando todas as suas facetas em uma densidade significativa que leva ao encontro.
Deus presente é dádiva que surpreende e abre novos horizontes; é luz que possibilita o nosso ir e vir, mesmo em meio à escuridão; é força que dá coragem nos embates da vida e é o alvo que sempre de novo encanta e atrai. Graças ao silêncio, o próprio ir e vir nos transporta para dimensões sempre além do “dado”.
Pela contemplação, tudo se encaminha para um sentido integrador, em que o drama não paralisa nem a euforia ilude. Tudo é incorporado ao conjunto e cada um com sua função, bem dentro da tessitura da própria existência, em benefício do todo. Não desperdicemos nada, tudo é prenhe de um significado.
Em seu esforço de espiritualização, o praticante do silêncio procura ver, através de tudo e por trás do imediatamente dado, uma realidade maior ou diferente, com ofertas e apelos; e de bom grado deixe instrumentalizar-se tanto pelo humilde como pelo grandioso. Assim permite que o universo conspire a seu favor.
Mediante o exercício persistente de, em tudo, captar o “lado de dentro”, o “mistério”, adquire um grau superior de sensibilidade, de modo que, qual cera maleável, tudo e todos possam contribuir para sua transformação. Passo a passo, vivendo fé, esperança e amor, apodera-se de uma leitura correta da vida.
O silêncio é uma ferramenta indispensável para a vida poder irromper em nós e a graça revelar-se em toda a sua pujança. Graças ao silêncio, Deus pode sussurrar a nosso coração o que tem para nos oferecer e como podemos andar por seus caminhos, superando fragmentação através de relações saudáveis.
A CONTEMPLAÇÃO QUE NASCE DA CRUZ
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A CONTEMPLAÇÃO QUE NASCE DA CRUZ: “EU VI E OUVI A AFLIÇÃO DO MEU POVO” (Ex 3,7) – Testemunho a partir de Vicente de Carvalho, Rio de Janeiro, RJ
Frei Petrônio de Miranda, O. Carm., Prior da Comunidade
(Com colaboração de Frei Gilvander Luiz Moreira, O. Carm)
“Violência! Opressão!”, bradava com veemência o profeta Jeremias, ao ser reprimido no seu sagrado direito de profetizar. Após ser torturado e preso, o profeta Jeremias, ao ser solto, não abaixou a cabeça e denunciou o sacerdote Fassur, administrador-chefe do templo, dizendo na cara dele: “Seu nome não será mais Fassur, mas Terror-ao-redor”. Este contexto de brutal violência física, psicológica, social, econômica, política e religiosa existia na época do profeta Jeremias (Jer 20,8-9,5) e atualmente é o que presenciamos em várias partes do Brasil e do mundo, especialmente no estado do Rio de Janeiro. E neste contexto desempenhar a missão de evangelização e denunciar a corrupção, a idolatria e opressão dos pobres se tornou um desafio imenso.
Eis alguns dados que não podem ser vistos friamente, pois por trás de números dramáticos estão milhares de pessoas e famílias destroçadas e violentadas. No estado do Rio de Janeiro, 124 jovens de bairros periféricos (favelas) foram mortos pela Polícia militar e civil no ano de 2025; 167 mortos e 188 feridos nos últimos três anos por balas perdidas. Dia 28 de outubro de 2025 aconteceu o maior massacre da história do Rio de Janeiro em uma megaoperação das polícias militar e civil: 121 mortos – algumas fontes dizem que foram 126 mortos - nos complexos do Alemão e da Penha, zona norte do Rio de Janeiro, RJ. O Instituto Médico Legal demonstrou que quase todos os mortos tinham sinais de execução. A população encontrou na mata ao lado da favela 70 corpos que foram colocados expostos em praça pública da comunidade. Cenas de guerra, barbárie, terror.
Vários Deputados, vereadores, prefeitos, governadores e juízes presos com envolvimento no mundo do tráfico nos últimos anos três anos. Comunidades entregue ao terror, ao medo e a morte. Vários padres foram obrigados a fecharem as igrejas por ordens de traficantes. Trabalhadores, mães e a população em geral com medo. “Aqui todo mundo tem olhos, mas não veem; tem ouvidos, mas não ouvem, pois se verem e denunciarem, se ouvirem e denunciar, morrem”. Eis uma regra para sobreviver no meio de fogo cruzado entre traficantes, milícias e o aparato repressor do Estado.
Estes dados retratam uma cidade completamente dominada por uma elite dominante, encastelada no Estado e nas grandes empresas que lucram e acumulam capital semeando violência no meio das comunidades periféricas. É Noite Escura. “O Rio de Janeiro!” Muitas vezes fica difícil encontrar a pequena luz no fim do túnel ou dentro do túnel e falar de Esperança em tal realidade que clama aos céus e mais parece uma sexta-feira da Paixão que um Domingo da Ressurreição.
O povo encurralado por um Estado cúmplice da violência, que mais faz campanha eleitoral com sangue humano. Ou seja, autoridades políticas ordenam repressão e a realização de massacres para angariar votos, pois sabem que os controladores maiores do tráfico não moram nas favelas, mas em bairros nobres e usam terno e gravata, via de regra. Entretanto, diante da insegurança social, situação em que as pessoas podem ser assaltadas ou receber uma bala perdida a qualquer momento, muitos são induzidos a acreditar que com repressão se conquistará segurança pública. Ledo engano! Políticos de direita e de extrema-direita se elegem e se reelegem e durante seus mandatos impedem justas e necessárias políticas públicas que de fato podem asfixiar o tráfico e as milícias, e construir um projeto popular de sociedade com justiça, respeito, paz e solidariedade.
Nós, Frades Carmelitas da Paróquia Nossa Senhora do Carmo da Vila Kosmos, no Rio de Janeiro, RJ, nos últimos dois anos, após os conflitos entre traficantes, milicianos e polícia, recolhemos 69 balas caídas em nossa Comunidade Conventual. Não são flores de Santa Teresinha que recolhemos em nosso claustro, mas balas (cápsulas) letais de metralhadoras e fuzis, que só chegam aos morros com a cumplicidade de autoridades do Estado. No meio deste fogo cruzado, a nossa Paróquia sofre as consequências de uma guerra civil não declarada na chamada “cidade maravilhosa”.
Neste contexto de sofrimento humano retratado no Poema A Noite Escura, de São João da Cruz, todos os dias enquanto carmelitas passamos pela purificação dos sentidos, da vocação carmelitana e da nossa próxima existência se protegendo contra as balas, os arrastões e a violência que apavora e aterroriza a todos nós, frades Irmãos(as) da Ordem Terceira do Carmo e paroquianos, procurando ser uma fonte de paz e serenidade para o povo Deus que vem até nós desesperado buscando um conforto espiritual e uma paz que dê sentido ao chamado carmelitano em uma realidade de terror.
As nossas atividades Missionárias e Pastorais foram ajustadas no que se refere os horários, seja as Festividades da Novena e Festa de Nossa do Carmo e até mesmo os horários normais das Missas e outras atividades para proteger as famílias que nos procura. Se antes tínhamos procissão e Missão, hoje se tornou impossível. As ruas estão fechadas com proteção dos próprios moradores para tentar barrar a entrada de traficantes e milicianos. Por sua vez a Polícia, também envolvida no mundo do crime, não garante proteção ou segurança. “Aqui os traficantes nos protegem, graças a Deus! Ninguém vem mexer com a gente”, nos relatam moradores que confiam mais nos jovens do tráfico do que na Polícia.
Em 2023 pelo menos 35 ônibus foram incendiados contra uma ação policial que resultou na morte do sobrinho de um miliciano. Cada bairro, morro ou região tem os seus “donos” e quando são ameaçados pelo Estado transformam o Rio de Janeiro em uma verdadeira Guerra. Desde o ano de 2023, 25 crianças e adolescentes inocentes foram mortas por balas perdidas.
“Sofrer não faz mal, desde que nos sintamos amados”. Este pensamento de São Tito Brandsma, Mártir Carmelita da 2ª Grande Guerra, podemos confirmar com certeza diariamente aqui no Rio de Janeiro através do carinho do povo de Deus para com o Carmelo. Às vezes, acordamos às 5 horas da manhã com o barulho de tiros e de helicópteros sobrevoando a nossa Igreja de Nossa Senhora do Carmo. Ficamos apreensivos, nervosos e tristes, mas somos amados pelo povo e isso nos fortifica para continuarmos em Missão a partir da Regra do Carmo e do nosso compromisso assumindo e falando pelo grande Profeta Elias, “Zelo zelatus sum pro Domino Deo exercituum“.
Enquanto carmelitas, somos presença não apenas de reza ou sacramentos, mas também de apoio psicológico, afetivo e humano por meio dos voluntários da Associação Beneficente São Martinho ao longo dos últimos 30 anos. Destacamos ainda as diversas campanhas sociais em favor das famílias vitimadas pela pobreza e pela violência nos morros.
Diante de tais dados e testemunho o que podemos dizer do nosso Profetismo e da nossa Espiritualidade Mariana? Impossível colocar em prática o tripé do Carisma/Espiritualidade dos Carmelitas – Contemplação, Fraternidade e Profetismo – se nos omitirmos e permanecermos em ambientes seguros, tranquilos de classe média, que são oásis na sociedade brasileira com brutal desigualdade. Temos que levar a sério as origens do Carmelo – mendicância – em tempos de teocracia que usava e abusava do nome de Deus e de textos bíblicos para fortalecer uma Igreja Instituição rica e que sustentava senhores feudais. O contexto de violência nos interpela para levarmos a sério o testemunho dos profetas Elia que, no meio das viúvas de Sarepta – marginalizadas – se tornou presença solidária e denunciava com atitudes de vida a idolatria que justificava a exploração dos pobres. A dupla porção do testamento espiritual herdada pelo profeta Eliseu de Elias indica que o discípulo deve superar o mestre e ser coerente empunhando a bandeira da profecia em estreita sintonia com a contemplação e na fraternidade ad intra e ad extra. Sentimos também um apelo para levarmos a sério o testemunho de Maria, mãe de Jesus e nossa mãe, tão bem retratado pelo Evangelho de Lucas no Cântico de Maria, que resgata a fina flor da experiência dos profetas e profetisas desde as parteiras do Egito, Moisés, Ana e todas as mulheres profetisas da Bíblia, que testemunharam a utopia do Deus da vida: “dispersar os soberbos de Coração, derrubar do trono os poderosos e elevar os humildes; saciar os famintos e despedir os ricos de mãos vazias” (Lc 1,51-53)
Como ser uma fonte de Esperança e conforto para quem chora a morte neste cenário de Guerra? Frei Sérgio Gorgen, franciscano, agente de pastoral da Comissão Pastoral da Terra (CPT), cofundador do Movimento dos Trabalhadores Rurais (MST) e do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), alguns dias antes da sua travessia para a vida em plenitude, escreveu: “Vivi em situações de muita dor (até hoje ecoam nos meus ouvidos o choro de crianças com fome nos barracos de acampamento e até me dói no mais fundo de mim a dor de enterrar crianças que morriam de fome) e muita tensão em tantos e tantos conflitos vividos, mas os tempos de alegria e confraternização foram infinitamente maiores. Não tive o direito de ter crise, nem vocacional, nem espiritual, nem de confiança no futuro, embora em meu interior, tenha passado por várias e tantas, porque sentia a responsabilidade e o peso do hábito de São Francisco sobre os ombros na vocação que abracei. E desde aquele dia em que, num conflito de terra na ocupação da Fazenda Anonni, em que a Brigada Militar avançava em direção ao povo e uma mulher puxou minha camisa e me disse “Frei, o senhor não vai fazer nada?” e eu, cheio de vergonha, avancei do meio do povo e fui para frente dos policiais, incapaz de dizer uma única palavra, abri os braços e parei bem próximo a eles – e as crianças com flores na mão, me seguiram e os policiais pararam - desde aquele dia, perdi também o direito à omissão.”
Resposta ou receita para resolver tal realidade não temos, o que podemos afirmar é que choramos com o povo, sonhamos com o povo, rimos com o povo e buscamos cicatrizar as nossas e as suas feridas por meio da Eucaristia, da convivência fraterna e do olhar para cruz, certos de que a cruz não é só sofrimento, mas de luz, de resistência miúda que insiste a cada dia em viver.
Noite Santa- Nova música do Frei Petrônio
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Noite Santa
Letra e Música: Frei Petrônio de Miranda, O. Carm
Rodovia Presidente Dutra- A Caminho de São Paulo- 1º de Março/ 2024. Complemento, 4 de dezembro-2025.
1-Quem foi que falou? Eu ouvi falar. A Estrela brilhou, vamos caminhar, seguindo Melchior, Baltasar e Gaspar, o Filho de Deus, vamos adorar.
2-Chegando em Belém, vamos cantar, com os santos pastores, adorar. Gloria a Deus nas alturas, vamos gritar! Entre os animais, Ele vai estar.
3-Olhando a família, sempre a pensar, Maria feliz com Jesus a brincar. O Filho de Deus entre nós está, louvores cantemos, a Paz vai reinar.
4- Esperança ó Esperança, vem renascer, esta pequena chama reacender. Nesta noite santa nada a temer, Ele está entre nós para defender.
5-Que cessem as trevas e a falta da fé, nossos olhos brilham ó São José. Com Francisco de Assis vamos adorar, nesta manjedoura, vamos nos curvar.
6-Crianças nas Guerras com fome a morrer, ó Menino Deus, vem proteger. Famílias chorando a peregrinar, dormindo nas ruas sem pão e sem lar.
7-Mulheres Marias, sempre a gritar, o feminicídio entre nós está. Derruba os muros da separação, liberta os jovens de toda prisão.
Três pessoas morrem em colisão entre dois carros em rodovia do PI; outras três ficaram feridas
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Três pessoas morrem em colisão entre dois carros em rodovia do PI; outras três ficaram feridas
Acidente aconteceu na noite de domingo (21), em Miguel Leão, a 88 km de Teresina. As vítimas estavam no mesmo veículo.
Três pessoas morrem em colisão entre dois carros em rodovia do PI
Por Gabriely Corrêa*, g1 PI
Um homem de 51 anos e duas passageiras morreram em um acidente entre dois carros de passeio na BR-316, na noite de domingo (21).
Outras três vítimas ficaram gravemente feridas. Elas foram encaminhadas ao Hospital de Urgência de Teresina.
Segundo a PRF, a principal suspeita é de que um dos carros trafegava na contramão.
Três pessoas morreram e outras três ficaram gravemente feridas em uma colisão entre dois carros na noite de domingo (21), na BR-316, em Miguel Leão, a 88 km de Teresina. As vítimas fatais estavam no mesmo veículo.
O acidente aconteceu por volta das 20h15, no km 80,4 da rodovia. Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), a suspeita é que um dos carros trafegava na contramão.
Entre os mortos estão um homem de 51 anos, uma mulher de 24 anos e outra pessoa do sexo feminino ainda não identificada.
Já entre os feridos estão um homem de 39 anos, uma mulher de 32 anos e outra pessoa do sexo feminino não identificada. Todos ficaram gravemente feridos.
O Corpo de Bombeiros ajudou no resgate das vítimas. Em seguida, elas foram socorridas pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e levadas ao Hospital de Urgência de Teresina (HUT).
Após a perícia, o Instituto Médico Legal (IML) removeu os corpos do local. Fonte: https://g1.globo.com
O Presépio como escola de fé
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Dom Leomar Antônio Brustolin
Arcebispo de Santa Maria (RS)
Quando chegam os primeiros dias do Advento, minha memória sempre retorna àquela cena doméstica que marcou a minha infância: meu pai começando a preparar o material para o presépio. Era quase um ritual. Enquanto minha mãe cuidava da árvore, que nós chamávamos de “pinheirinho” meu pai assumia a missão de transformar um canto da sala da casa numa pequena Belém. E ele fazia isso de modo pedagógico, envolvendo os filhos na construção da gruta, como quem ensina um ofício sagrado.
Lembro-me do cuidado dele ao tingir a serragem que seria a grama do presépio, espalhando os tons de verde para dar mais vida ao cenário. Depois, vinham os papéis pintados à mão, pacientemente amassados e moldados, para parecerem pedras reais. A gruta se erguia devagar, entre risos, poeira colorida, pincéis, cola e aquela expectativa que só as crianças conhecem. Meu pai também cuidava das luzes, porque – como ele dizia – a manjedoura precisava brilhar, mas brilhar com humildade.
Meu pai partiu cedo. Mas, até hoje, nos dias que antecedem o Natal, é como se suas mãos continuassem ali, ensinando, orientando, construindo. Essa memória não é apenas lembrança; é formação. Foi ali, naquele presépio simples, que aprendi que a fé se transmite pelos olhos, pelas mãos, pelo convívio, pelo amor concreto de uma família que prepara o coração para o Natal. Montar o presépio era mais que montar um cenário: era aprender a viver o Nascimento de Jesus Cristo.
O presépio como escola de fé
É nesse espírito que o Papa Francisco escreveu a carta apostólica Admirabile Signum, recordando ao mundo a importância de manter viva essa tradição. Segundo ele, o presépio é um “sinal admirável”, capaz de reacender a memória da fé e tocar o coração. O presépio nos educa porque fala através dos símbolos e desperta aquela ternura que nos aproxima de Deus.
De fato, montar o presépio hoje é um gesto contracultural. Em meio à pressa, ao consumo exacerbado e à superficialidade das imagens, o presépio nos obriga a parar e contemplar. Ele devolve profundidade ao Natal, lembrando que o centro da festa não é a árvore iluminada nem os presentes, mas o Deus que se faz pequeno numa manjedoura. O presépio é uma miniatura da humildade divina — um Evangelho moldado em figuras simples.
Cada peça carrega significados que atravessam gerações. Os pastores representam os pobres e esquecidos que Deus coloca em primeiro lugar. Os Magos lembram a universalidade da fé, que abraça todos os povos. A luz discreta nos conta que a esperança não entra no mundo com estrondo, mas com suavidade. A gruta evoca nossas próprias sombras, que Cristo vem iluminar. E no centro, sempre, o Menino – tão frágil que cabe no colo, tão grande que sustenta o mundo.
Tradição que se torna missão
Por isso, montar o presépio é também criar memória espiritual. É oferecer às crianças — como fez meu pai — a herança de uma fé concreta, vivida, encarnada. O presépio instalado na casa se torna catequese visual: fala de proximidade, simplicidade, humildade e amor.
O Papa Francisco destaca que o presépio toca o coração mesmo de quem não participa da vida da Igreja. Ele revela a ternura de Deus e recorda que a fé cristã nasce da contemplação de um mistério que se entrega. Por isso, o presépio não é apenas tradição; é anúncio. Ele evangeliza porque emociona. Ele ensina porque comove. Ele reúne porque desperta comunhão. E quando as mãos das crianças ajustam a gruta, quando colocam a serragem, quando alinham as figuras, um aprendizado precioso se transmite: o Natal começa no coração. Fonte: https://www.cnbb.org.br
O que Leão XIV diz em sua biografia sobre mulheres, fiéis LGBTQIA+ e escândalos de abuso na Igreja
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Papa afirma que casamento é entre homem e mulher, mas também condena uso político dessa discussão

Papa Leão XIV assina biografia escrita por Elise Ann Allen Foto: Reprodução/Twitter Elise Ann Allen
A nova biografia “Leão XIV: Cidadão do Mundo, Missionário do Século XXI” oferece o retrato mais completo até agora do primeiro papa americano, um líder que, aos 70 anos, assumiu o trono de São Pedro com a ambição de reduzir polarizações e devolver serenidade a uma Igreja de 1,4 bilhão de fiéis.
Escrita pela jornalista Elise Ann Allen, do portal católico Crux, a obra se baseia em três horas de entrevistas realizadas em julho e na convivência que ela desenvolveu com o então Robert Prevost desde 2018, quando ele ainda era bispo no Peru.
A biografia acompanha a trajetória de Leão XIV desde a infância em Chicago até sua eleição no Vaticano, e revela um pontífice cauteloso, avesso aos holofotes, mas disposto a definir pessoalmente a narrativa de sua própria história. As conversas ocorreram na Villa Barberini, residência papal de verão, e depois na moradia provisória do papa na Santa Sé, enquanto os aposentos oficiais passavam por reforma.
Apesar do estilo reservado, Leão XIV expõe no livro algumas das posições mais importantes de seu pontificado. Ele afirma não ter intenção de ordenar mulheres, embora garanta que continuará nomeando lideranças femininas para cargos-chave da igreja, e diz estar aberto a ouvir opiniões divergentes. Também reforça que acolherá “todos, todos, todos”, inclusive fiéis LGBTQIA+, mas sem alterar a doutrina católica sobre sexualidade ou casamento.
“O casamento é para um homem e uma mulher”, diz Leão, que define “família” como “pai, mãe e filhos”. Ao mesmo tempo, ele condena o uso político dessa discussão e lamenta que, em alguns círculos europeus, bênçãos pastorais estejam sendo transformadas em rituais que extrapolam o que a Igreja ensina.
Leão XIV descreve a crise de abusos sexuais como um dos temas mais dolorosos da Igreja que exige proximidade com as vítimas, mas alerta que o drama dos abusos não pode se tornar o único foco dos católicos: “A grande maioria dos padres e religiosos nunca abusou de ninguém”.
O papa também aborda a geopolítica mundial. Sobre a Faixa de Gaza, classifica as cenas de sofrimento como “terríveis” e afirma temer que o mundo se torne insensível ao drama humano. Diz que a Santa Sé, por ora, não considera possível declarar tecnicamente se há um genocídio em curso.
Primeiro pontífice nascido nos Estados Unidos, Leão XIV afirma não querer interferir na política de seu país natal, nem mesmo em relação ao presidente Donald Trump, embora não fuja de conversas quando se trata de temas urgentes. / COM INFORMAÇÕES DO THE WASHINGTON. Fonte: https://www.estadao.com.br
Cardeal Tempesta: somos chamados a superar o ódio, a vingança e a indiferença
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O arcebispo do Rio de Janeiro, cardeal Orani João Tempesta emitiu uma nota sobre os últimos acontecimentos na capital fluminense. “Diante dessa dolorosa realidade, como Pastor desta Igreja, não posso deixar de expressar minha dor por tanto sofrimento e de reafirmar que a vida e a dignidade humana são valores absolutos”.

Silvonei José – Vatican News
Um fato sem precedentes sacudiu nesta terça-feira a cidade do Rio de Janeiro. Uma grande operação envolvendo todas as forças de segurança do Rio de Janeiro prendeu mais de 80 suspeitos de integrar o CV (Comando Vermelho) e resultou na morte de ao menos 64 pessoas.
As pessoas foram mortas durante ação realizada nos complexos do Alemão e da Penha, sendo quatro policiais (dois militares e dois civis), segundo a Polícia Civil. De acordo com informações da imprensa local, outras nove pessoas foram baleadas, sendo três moradores e seis agentes, quatro civis e dois militares. Entre os mortos, estão lideranças da facção em outros estados que estavam refugiados na região.
Ação mobilizou 2.500 policiais militares e civis para cumprir mandados de busca e apreensão nos dois Complexos na capital fluminense. A ação - segunda a imprensa - é resultado de um ano de investigação envolvendo, também, o Ministério Público do Rio de Janeiro na tentativa de atingir lideranças do CV.
O arcebispo do Rio de Janeiro, cardeal Orani João Tempesta emitiu uma nota sobre o que ocorreu. Eis a íntegra da mesma:
“Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus” (Mt 5,9)
Amados irmãos e irmãs em Cristo,
Hoje vivemos um dia muito difícil no Rio de Janeiro. Com profundo pesar, acompanhamos os trágicos acontecimentos deste dia, em que tantas vidas foram ceifadas. A violência e o medo têm ferido o coração da nossa cidade e tirado a paz de muitos lares. Diante dessa dolorosa realidade, como Pastor desta Igreja, não posso deixar de expressar minha dor por tanto sofrimento e de reafirmar que a vida e a dignidade humana são valores absolutos. A vida humana é dom sagrado de Deus e deve ser sempre defendida e preservada.
Quero elevar minhas preces e minha profunda solidariedade às famílias que choram a perda de seus entes queridos. Que Cristo, o Príncipe da Paz, envolva cada coração ferido com Sua ternura, restaure a esperança e faça brotar, mesmo entre as lágrimas, a certeza de que o amor é mais forte do que a morte. Que Ele transforme a dor em fé e a saudade em semente de vida nova.
Somos chamados, como discípulos de Cristo, a ser construtores da paz, a superar o ódio, a vingança e a indiferença que corroem o tecido social. É urgente que unamos nossas forças pela reconciliação, pelo respeito mútuo e, sobretudo, pela proteção da vida, pela promoção da justiça e pela construção de uma sociedade pacífica, que promova a dignidade de cada pessoa, especialmente dos mais pobres e vulneráveis.
Mesmo diante do caos, creio firmemente que o amor e o bem são mais fortes que qualquer violência. Peço a cada um que seja instrumento dessa paz. Não podemos alimentar o ódio, nem responder com indiferença. O Rio de Janeiro nasceu com vocação para a alegria e a acolhida. Que, com fé e perseverança, possamos devolver à nossa cidade o brilho da paz e a força da fraternidade. E, como diz o hino da nossa cidade: “Que Deus te cubra de felicidade — Ninho de sonho e de luz.”
Convido a todos a permanecerem firmes na oração e na construção da paz. Que nossas palavras e atitudes sejam sementes de reconciliação, e que cada gesto de amor seja um passo rumo a uma cidade mais fraterna e justa. Que o Senhor da vida converta nossos corações, cure as feridas da violência e nos faça instrumentos de Sua PAZ. Que Maria, Rainha da Paz, interceda por nossa cidade, por nossas autoridades e por todas as famílias atingidas pela tragédia de hoje.
Invoco, sobre todos, a bênção de Deus, sinal de esperança e consolo neste momento de dor.
Orani João Cardeal Tempesta, O. Cist. Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro
Fonte: https://www.vaticannews.va
Congresso Carmelita- Apontamentos da Conferência da Teresa Matos de Sousa
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1º - Congresso da Família Carmelitana do Brasil. 2-3 de agosto 2025, Aparecida, São Paulo.
Apontamentos da Conferência da Teresa Matos de Sousa, irmã do Sodalício da Vila Kosmos- Vicente de Carvalho/RJ. Tema: Rumo ao Monte Carmelo em Comunidade: Um olhar para a vida fraterna na Espiritualidade da Ordem Terceira do Carmo.
“O Carmelita que não ora é falso Carmelita”.
“A contemplação tem que me levar ao encontro do próximo”.
“Na contemplação eu encontro o meu próximo”.
“Se a contemplação não me leva ao encontro do irmão, isso não é contemplação”
“O Carmelita tem que juntar, não separar”
“O amor ao próximo é um caminho que nos ajuda a encontrar Deus”.
“Se você deixar o Espírito Santo agir na vida, você faz coisa que até você dúvida e se pergunta: Será que fui eu mesmo que fiz isso”?
“Se a Palavra de Deus não me faz uma pessoa melhor, essa Palavra é nula”.
“A Eucaristia tem que ser constante, se ela for diária, Graças a Deus”.
“A oração sai e vai ao encontro do nosso próximo, ela não é estática”.
“Não é possível sermos orantes e contemplativos sem ficarmos sensíveis as pessoas”.
“Na vida muitas vezes temos que engolir as desavenças da vida e depois de engolir aproveita e faz uma oração”.
“Se os nossos filhos se tornassem carmelitas não ficaríamos preocupados com o futuro do nosso Sodalício”.
“Não somos carmelitas apenas na Igreja, nas reuniões ou nos congressos. Em casa temos que provar a nossa carmelitíssima”.
Por que o Brasil está perdendo padres?
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Secularização, celibato e descrédito institucional explicam desinteresse pelas vocações religiosas no País, segundo especialistas
Por Edison Veiga e José Maria Tomazela
Há uma queda no número de padres no Brasil, tendência que ecoa o que ocorre em boa parte do mundo, incluindo a América Latina, onde o papa Leão XIV passou três décadas anos da sua vida religiosa (no Peru). Segundo especialistas, a perda do interesse pelas vocações sacerdotais será um dos desafios do novo pontífice.
Maior país católico do mundo em termos absolutos, o Brasil tem um número de padres proporcionalmente baixo se comparado à Itália, coração tradicional do catolicismo. Conforme os dados da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), são 22,1 mil religiosos ordenados no País — um para cada 9,5 mil brasileiros. Na Itália, a cada mil habitantes, há um padre.
O cenário é de queda. Em 1970, eram 13 mil sacerdotes, mas uma população de pouco mais de 93 milhões. Cada padre, portanto, tinha potencialmente 7,1 mil fiéis para atender. Em 2010, eram 22 mil padres — pela população à época, cada um dava conta de 8,7 mil brasileiros.
“Isso se deve principalmente à crescente secularização (desinteresse geral pelas religiões) e à ideia, hoje amplamente aceita, de que é possível viver uma vida santa como leigo”, disse ao Estadão o padre jesuíta americano James Martin, consultor do Vaticano.
O historiador e teólogo Gerson Leite de Moraes vê a tendência como um problema a ser enfrentado pelas religiões no mundo contemporâneo, processo que avança gradualmente desde o Iluminismo.
Ou seja: a Igreja enfrenta um cenário que combina desinteresse com descrédito.
“Existem lugares onde a Igreja perdeu espaço ou o cristianismo católico é pouco efetivo. Há menos padres do que a Igreja gostaria para o trabalho de evangelização”, analisa Moraes, professor na Universidade Presbiteriana Mackenzie.
Também afastam os jovens os escândalos de abusos sexuais no clero, seguidos de denúncias de omissão nos níveis mais altos da hierarquia. Segundo o padre Eliomar Ribeiro, diretor nacional da Rede Mundial de Oração do Papa e do Movimento Eucarístico Jovem, essa é uma “preocupação da Igreja”.
Ribeiro diz ainda que Francisco cobrava “que fossem levados a Roma os casos, sobretudo os ligados à pedofilia, e que os bispos não negligenciassem a questão em suas dioceses.”
Leão XIV já disse que o “silêncio não é a resposta” para esses casos e defendeu transparência e sinceridade para lidar com esse problema. Ele, porém, já foi acusado de omissão sobre denúncias do tipo na Diocese de Chiclayo, onde atuou, pela Rede de Sobreviventes de Abusos por Padres (Snap). Tanto a conferência dos bispos peruana quanto a diocese negam que houve negligência e dizem ter investigado os casos.
Por fim, há a questão do celibato obrigatório, “definitivamente um obstáculo para muitos homens que desejariam entrar no sacerdócio”, afirma padre Martin.
O papa Francisco permitiu, em 2014, que as igrejas de rito oriental tivessem padres casados no Ocidente. Trata-se de uma tradição que sempre existiu nos territórios de origem dessas igrejas. Ainda não se sabe se o papa Leão XIV fará mais mudanças em relação ao celibato de sacerdotes.
O padre Ribeiro, também diretor geral da Edições Loyola, ainda atribui a crise à diminuição do número e de filhos nas “famílias católicas”. Para ele, o ideal seria um sacerdote para cada 5 mil pessoas.
Escassez de seminaristas
Conforme o Anuário Pontifício, publicado em março pela Igreja, o número global de seminaristas caiu de aproximadamente 108 mil para pouco mais de 106 mil de 2022 para 2023, último ano registrado pelas estatísticas oficiais.
Em todo o planeta, há 407 mil padres, distribuídos em 3.041 circunscrições. A queda global é de 0,2% ao ano. A Igreja cresce na África e na Ásia e diminui no resto do planeta, com destaque para a Europa — recuo anual de 1,6%.
Padre Martin acredita que essas diferenças regionais possam ser explicadas porque algumas áreas experimentam “maior secularização” e “em comparação a outras. E há “lugares onde os abusos sexuais foram mais generalizados”, deixando a instituição em maior descrédito social.
Os europeus ainda são maioria dos sacerdotes do mundo. As maiores demandas estão nas seguintes regiões:
Europa: 38,1% do total, onde há 20,4% dos católicos
América do Sul: 12,4%, onde há 27,4% de católicos
África: 13,5%, onde há 20% dos católicos
América Central: 5,4%, onde há 11,6% dos católicos
Desejo de formar família dificulta formação
A vida solitária e o desejo de constituir família dificultam a formação de novos padres, segundo o ex-seminarista Mário Hugo Furlan, de 43 anos. Ele cita ainda a necessidade de renunciar às facilidades da vida comum, como o celular.
Após sete anos de estudo em um seminário de frades franciscanos da Ordem dos Capuchinhos Menores, Furlan abriu mão da vocação sacerdotal. Morador de Santa Bárbara d’Oeste (SP), ele hoje é casado e pai de um menino de 10 anos.
Optou pelo seminário motivado pela vida religiosa que levava com a família, especialmente os avós, indo a missas e participando de ações pastorais. Mas foi uma mudança drástica para o então jovem de 19 anos.
“No seminário, você vai contra as facilidades que o mundo oferece. É como estar no mundo, mas fora dele. Vive a realidade que todos vivem e tem de ser um sinal de luz, dedicação diária ao estudo, reflexão, muita oração e jejum.”
Os religiosos franciscanos e os agostinianos, como o papa Leão XIV, fazem votos de pobreza, castidade e obediência. Isso faz com que o acesso a tecnologias seja restrito. “A exigência de renunciar a celular e computador, entrando agora na inteligência artificial, é outro agravante que impede muitos seminaristas de chegarem ao final e serem ordenados”, diz.
A renúncia ao chamado para ser padre foi refletida por um ano. “Observava que a vida religiosa, solitária, embora comunitária, não fazia mais sentido para mim do ponto de vista existencial. Analisei que, constituindo família, seria mais realizado. Tive a ajuda dos freis para resolver esses questionamentos e deixei o seminário.”
Pesou também o fato de seu pai ter morrido na época. “Mexeu muito comigo e reforçou o desejo de constituir família. Hoje considero que foi a melhor decisão.”
Furlan conta que o aprendizado com os frades, de cuidados com o próximo e a natureza, será levado para a vida toda. “Ter sido religioso franciscano capuchinho por sete anos foi gratificante. Minha formação humana e científica me deu bagagem enorme.”
Mário cursou Engenharia de Produção e trabalha como líder de produção em uma indústria metalúrgica. Também é professor tutor em uma faculdade no interior.
Na periferia, padre mais distante impulsiona evangélicos
Católica e coordenadora do União dos Movimentos de Moradia de São Paulo, Sheila Cristiane Nobre atua em mais de dez comunidades no extremo sul da capital e na maioria delas não existe Igreja Católica. “Para ir à missa, confessar, comungar, os fiéis precisam pegar condução e muitas vezes não têm dinheiro”, reclama.
“Antigamente o padre era pessoa do povo. Hoje não é fácil o acesso, a gente sente falta. Nos locais em que piso, a maioria não tem Igreja Católica e a gente vai perdendo vez para as evangélicas, que vão ocupando espaço dentro da favela”, diz ela, de 49 anos, que faz trabalhas em regiões como Parelheiros e Grajaú.
O Brasil tinha, em 2019, cerca de 109,5 mil igrejas evangélicas de diversas denominações, ante cerca de 20 mil em 2015. O predomínio é das pentecostais (48.781 templos).
É superimportante que a Santa Igreja Católica adote medidas para voltar a ocupar espaço nas periferias. Senão daqui a pouco vai virar religião de nicho, perdendo cada vez mais espaço para esse pessoa. Fonte: https://www.estadao.com.br
Vai com Deus Chico.
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Vai com Deus Chico!
Frei Petrônio de Miranda, O. Carm. Padre Carmelita e Jornalista da Ordem do Carmo.
Comunidade Carmelitana da Vila Kosmos- Vicente de Carvalho- Rio de Janeiro.
Segunda-feira, 21 de abril- 2025. www.instagram.com/freipetronio
Vai com Deus Chico! Ele esteve do teu lado nas noites escuras e dor, em favor dos Migrantes e das vítimas das Guerras e Ditaduras.
Vai com Deus Chico! Ele estive do teu lado na luta incansável pelo planeta através dos Documentos Laudato Si e Laudate Deum- A nossa casa em Comum.
Vai com Deus Chico! Ele te inspirou na defesa de uma Igreja “hospital de campanha, não um posto alfandegário", onde os pobres- indígenas, quilombolas e famílias em situação de vulnerabilidade- fossem amados e os idosos fossem amparados.
Vai com Deus Chico! Tu nos ensinaste a sermos sacerdotes com os pés no chão e sem “renda da vovó”, mas apaixonados pelo Evangelho em uma Igreja Sinodal e Peregrinos de Esperança.
Vai com Deus Chico! No Documento Gaudete et exsultate, indicastes o caminho da santidade para o povo de Deus, e não apenas para um grupo seleto atrás dos muros Monásticos, Conventuais e Seminarísticos.
Vai com Deus Chico! Apontaste para os jovens os novos areópagos da Evangelização das Mídias Sociais e da Inteligência Artificial.
Vai com Deus Chico! Tu olhaste para o ser humano e não para opções sexuais, porque a Igreja é de todos, DE TODOS! DE TODOS! Papa Francisco, vai com Deus Chico!
Bispa de Washington que peitou Trump fala em honrar quem pensa diferente
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Reverenda Mariann Budde diz à Folha que nacionalismo cristão distorce ensinamentos de Jesus e lança livro no Brasil
A reverenda Mariann Edgar Budde e o presidente Donald Trump, em janeiro - Kevin Lamarque/REUTERS
São Paulo
A reverenda Mariann Edgar Budde começou a escrever "Como Aprendemos a Ser Corajosos", livro que lança nesta segunda-feira (31) no Brasil, quando foi sua vez de absorver essa lição.
Em 2020, ela teve o que define como seu primeiro grande ato de coragem. Donald Trump, no fim do seu primeiro mandato, posou com uma Bíblia em frente à sua igreja. Budde criticou o "uso de símbolos sagrados" com propósitos políticos. Na mesma praça em Washington, a polícia havia desmantelado um protesto contra a morte de George Floyd, homem negro morto por um agente branco semanas antes.
Em 2025, num culto com presença de Trump, recém-empossado para sua segunda rodada como presidente dos Estados Unidos, a reverenda pediu ao convidado "misericórdia das pessoas em nosso país que estão assustadas agora". Fez menções a imigrantes e à comunidade LGBTQIA+.
Trump disse depois que aquele "não foi um bom culto".
Em entrevista à Folha, a bispa episcopal de Washington reconhece o avanço do nacionalismo cristão, "uma distorção da mensagem cristã", e enxerga falhas no campo democrata, visto com suspeita por muitos americanos que se sentiram escanteados pela elite intelectual.
É preciso estender a mão a quem pensa diferente, insiste Budde. "Eu preciso honrar [essas pessoas] e tratá-las com dignidade, mesmo que não concorde com elas. E tentar ver se podemos criar uma sociedade em que possamos ter conversas sem transformar as pessoas que discordam de nós em monstros."
Como a sra. relaciona sua fé com a decisão de confrontar Trump?
Não sei se eu diria que o confrontei. Falei com ele no contexto do sermão, que foi sobre unidade. Não estou certa de que ele absorveu a mensagem. Mas quis trazê-la como uma lembrança de que a misericórdia é algo do qual todos precisamos.
Alguns evangélicos diriam que a compaixão não tem sido muito mainstream em boa parte do cristianismo dos EUA e também do Brasil. Concorda?
Há uma interpretação da cristandade que não tem tanto a ver com os ensinamentos de Jesus. Dizer que é cristão expulsar pessoas que são diferentes ou tratar os que são estrangeiros tão mal é o contrário do que Jesus ensinou.
Não sou uma seguidora perfeita dos ensinamentos de Jesus, mas acho importante ser clara sobre como ele nos encorajou a nos tratarmos de forma digna, com paciência e amizade. Isso não significa que não temos leis e que as pessoas não precisam segui-las. Mas que podemos partir de uma posição um pouco mais gentil do que o que estamos experimentando agora com líderes cristãos mais influentes no governo.
Por que o nacionalismo cristão cresce tanto nos EUA?
O alinhamento de religião e poder político é tão antigo quanto a humanidade. Mas nós estamos testemunhando o crescimento disso por muitas razões. Muitas pessoas têm medo das mudanças que veem na sociedade.
Também acho que é um movimento financiado por mídias sociais que beneficiam certos grupos sociais. É uma distorção da mensagem cristã com um grande apelo para muitos que se consideram cristãos.
O que move esse lobby cristão a que a sra. se refere?
Dinheiro, poder, influência. A capacidade de elaborar leis percebidas como parte de uma agenda social cristã, para proteger certos grupos de pessoas.
Há uma crença forte, que volta à nossa fundação, de que há um plano particular de Deus para os EUA, mas essa sociedade é tipicamente definida como branca, com compreensões muito restritivas sobre o papel das mulheres e a natureza da família. [Essa visão] não fala para o bem de todos e para o tipo de sociedade multicultural que somos. E certamente não mantém os valores do evangelho cristão. Isso não é o que Cristo ensinou.
Como falar com esse EUA que a sra. apresenta?
Quero entender e conversar com as pessoas que têm essa visão. Preciso honrá-las e tratá-las com dignidade, mesmo que não concorde com elas. E tentar ver se podemos criar uma sociedade em que possamos ter conversas sobre essas coisas sem transformar as pessoas que discordam de nós em monstros e, portanto, deslegitimá-las como parte do diálogo.
O que aprendeu até agora com essas conversas?
As pessoas estão apoiando o presidente e sua agenda por muitas razões diferentes. Muitas estão preocupadas com o futuro financeiro, o aumento da imigração e a nossa capacidade de absorver tantos que querem vir para esse país. Há muito medo, e esses movimentos [nacionalistas cristãos] são construídos em cima do medo.
Vê uma forma de recolocar a misericórdia no centro no cristianismo americano?
Claro que sim. Não sei como... Mas, mesmo se eu não fosse bem-sucedida, eu ainda assim tentaria. E não estou dizendo que não há misericórdia entre os nacionalistas cristãos, mas ela é reservada para um grupo específico de pessoas.
No Brasil, fala-se sobre como a esquerda deixou de representar alguns grupos sociais. Isso acontece nos EUA?
Com certeza. Política e socialmente. Há suspeitas profundas em relação às classes educadas, com diplomas universitários e que vivem principalmente na costa leste ou oeste [como Nova York e Califórnia]. Há uma sensação de que muitos americanos se sentiam como se fossem menos valorizados, que seus empregos não eram importantes, que suas visões sobre como educar seus filhos estavam sendo desreguladas.
Esse descontentamento foi construído e encorajado. Temos um pouco de trabalho a fazer para reconstruir o tecido da nossa sociedade.
O que a Bíblia diz sobre imigrantes?
Você pode encontrar quase tudo que quiser na Bíblia. É complicado. Há partes dela muito tribais, nas quais as tribos não interagem com outras, e Deus parece feliz quando as pessoas fazem isso. Essa é uma compreensão mais antiga sobre como Ele se sente sobre as diferenças entre seres humanos.
E há passagens muito claras, como quando Deus diz ao povo de Israel, e Jesus aos seus seguidores, para antes de tudo se lembrarem de que fomos todos estrangeiros uma vez. Então devemos tratar o imigrante com amizade e respeito.
Sobre a comunidade LGBTQIA+, é comum ouvir nas igrejas o discurso sobre "amar o pecador, não o pecado".
A tradição a qual eu pertenço chegou a uma aceitação total de um espectro da sexualidade humana. Homossexuais e transgêneros são expressões saudáveis da vida cristã.
Como a sra., como líder evangélica, navega em tempos tão polarizados?
Com cuidado e com humildade. É importante [...] tratar aqueles que experimentam a fé de uma forma diferente com respeito. É direito deles como filhos de Deus.
Raio-x | Mariann Edgar Budde, 64
Bispa da Diocese Episcopal de Washington desde 2011, é uma das líderes religiosas mais influentes dos EUA. Conhecida por sua defesa da justiça social e dos direitos humanos, criticou publicamente Donald Trump em 2020 por usar a Bíblia como símbolo político. Formada em história pela Universidade de Rochester, obteve mestrado em divindade pela Escola de Teologia da Virgínia. Fonte: https://www1.folha.uol.com.br
Obrigado a Venerável Ordem Terceira do Carmo- Sodalício de Diamantina/MG.
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Queremos de público agradecer aos irmãos e irmãs da OTC do Carmo de Diamantina, na pessoa do seu prior Davi e do articulador da região Marcione, que se colocaram à disposição para colaborar na caminhada da OTC do Serro.
Em reunião ontem, dia 20 de março de 2025 com o Prior, Paulo Júnior e os irmãos e irmãs daquele Sodalício, foi acolhida com alegria a proposta de “1 Ano de Missão” ou, acompanhamento, formação, animação e Espiritualidade Carmelitana naquela cidade. Tal proposta é uma tentativa de reanimar e suscitar novas vocações, uma vez que aquele sodalício passa por sérias dificuldades.
Um ponto positivo do nosso encontro foi – finalmente- a aprovação do Estatuto enquanto marco de organização jurídica, uma vez que o grupo necessita zelar e cuidar do templo, e para tal é necessário uma maior organização e aquisição de recursos.
Proposta concreta:
1-Todos os meses promover uma tarde- ou manhã- de Espiritualidade Carmelitana aberta aos paroquianos e simpatizantes do Carmelo. (Agendar, divulgar e convidar em todas as Missas da Paróquia)
(Formação, Animação, Adoração ao Santíssimo, Oração, Lectio Divina... ). Na medida do possível, convidar os frades de Belo Horizonte para se fazerem presentes.
2- Visitar os irmãos que estão afastados do Sodalício
3- Motivar para o Encontro da Família Carmelitana em Aparecida em agosto próximo.
Que a nossa Mãe, a Virgem do Carmo e nosso Pai e Guia, Santo Elias, nos ajude e não nos deixe esmorecer em nossa caminhada afinal, todos nós estamos CAMINHANDO RUMO AO MONTE CARMELO ENQUANTO PEREGRINOS DE ESPERANÇA. Boa Missão e conte sempre com as nossas orações
Frei Petrônio de Miranda, O. Carm., Delegado Provincial para Ordem Terceira do Carmo e Paulo Daher, Coordenador da Comissão Provincial.
Comunidade Carmelitana de Vicente de Carvalho, Rio de Janeiro. 21 de março-2025.
A renovação católica se desprende do PT, partido que a Igreja ajudou a fundar
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Há um movimento de ressurgimento na religião, mas ao invés de buscar proximidade, o dogma petista está tão desvirtuado de sua origem, que parece cada vez mais impossível esse reencontro
Igreja Católica: em 1989, católicos representavam 83%, hoje, mesmo sem os dados oficiais do Censo, atrasado pelo IBGE, as pesquisas de opinião apontam para uma média de 50% Foto: Werther Santana/Estadão
Por Bruno Soller
Cada vez mais distante do título que ostentou por décadas, o Brasil deixou há muito de ser a grande potência católica do mundo. O País caminha a passos largos para se tornar mais evangélico do que católico e as projeções menos otimistas, mostram que em uma década essa já deve ser a realidade. Essa mudança religiosa é a grande transformação sociológica brasileira no que concerne a sua essência de pensamento. Trazendo a análise para números, os evangélicos eram 9% nas eleições de 1989, enquanto os católicos representavam 83%, hoje, mesmo sem os dados oficiais do Censo, atrasado pelo IBGE, as pesquisas de opinião apontam para uma média de 35% de evangélicos e 50% de católicos.
Essa queda vertiginosa da população católica encontra guarida em diversos argumentos. O principal deles, medido qualitativamente, é a necessidade por respostas mais rápidas e o engessamento da estrutura ritualística da Igreja. As diferentes ramificações do protestantismo, sejam elas as reformistas clássicas ou as pentecostais e neopentecostais, têm cultos mais dinâmicos, cheios de musicalidade e uma interação entre pastor e rebanho mais próxima e menos protocolar. A alta presença dessas igrejas nas mídias são um outro ponto de contato que atrai a conversão de fiéis. Cultos na madrugada acabam por fisgar pessoas que se sentem desoladas por seus problemas cotidianos e enxergam um caminho para sua consolação.
A Teologia da Prosperidade é uma outra e importante razão pela qual muitos acabam por abandonar o catolicismo, que dogmaticamente defende o voto de pobreza, por uma linha de que é possível alcançar o crescimento material e que isso tem fundamento Bíblico para justificar a vontade de Deus para a vida de quem adere. Esse motivo traz uma reflexão para um embate que é o que muda por completo a percepção social dos fiéis. A Santa Sé propõe que a vida aqui é passageira, que o benefício final está após a morte, enquanto as igrejas protestantes, que ramificaram do Calvinismo, mostram que a recompensa já pode ser recebida em vida, em um mundo em que a materialidade tem grande importância e representa a vitória, dentro do sistema capitalista.
O crescimento em outra ponta do progressismo e a afirmação de direitos minoritários têm feito com que as religiões de matrizes africanas tenham dado um salto de presença na sociedade. Encobridas pelo catolicismo, principalmente pelo histórico de sincretismo religioso, muitos fiéis da umbanda, do candomblé, da quimbanda e das demais denominações têm se assumido publicamente como pertencentes a essas vertentes. Por muitos anos, questionados sobre qual a sua religião, praticantes desses dogmas, respondiam que eram católicos, com receio de julgamentos e preconceito. Vale lembrar que durante a Era Vargas, 40 anos após o fim da escravidão, a prática de religiões africanas sofreu uma grande repressão, sendo extraoficialmente proibida no País.
Com o conservadorismo da Igreja Católica, regida por homens brancos e de origem europeia, as ações afirmativas de comunidades negras e LGBTQIA+ têm encontrado cada vez mais guarida nas religiões de matriz africana, que têm entre suas adorações os orixás, com características humanas, tendo mais identidade com os percalços dos fiéis, do que a figura das santidades imaculadas do catolicismo. A culpa que é um dos pilares do catolicismo é uma outra vertente que tem afastado fiéis. Ao iniciar uma missa, o padre exige dos fiéis que peçam perdão pelos seus pecados e confessem suas culpas. Há um protocolo para aceitação, que com as políticas afirmativas do progressismo moderno parecem não mais ornar.
Com essa perda de fiéis, a Igreja Católica tem tido ramificações internas que buscam se renovar. Em um mundo que vive o maior dilema da sua história entre a clássica guerra do antropocentrismo e do teocentrismo, as religiões têm precisado serem mais imperativas e defender pautas do que apenas se apoiar em seu histórico para sobreviverem. Essa talvez seja a explicação para que no mundo do mais radicalizado conhecimento com tantas inovações tecnológicas e científicas, vemos um crescimento vertiginoso do islamismo e dentro do cristianismo uma substituição paulatina do catolicismo pelo protestantismo.
Mesmo com o sucesso midiático de alguns padres como Marcelo Rossi ou Fábio de Melo, a Igreja Católica tem visto uma diminuição considerável de novos batismos e o envelhecimento do seu rebanho. Como experiência social, vale observar a média de idade do público que vai regularmente às missas dominicais, por exemplo. Para conter isso, alguns padres têm buscado as redes sociais para alcançar novos fiéis ou pelo menos preservá-los. Frei Gilson, que tem sido acusado por petistas de ser simpatizante de Jair Bolsonaro, por algumas declarações dadas, é um fenômeno de popularidade em tem conseguido atrair milhões de seguidores na madrugada, às 4 horas da manhã, rezando o Santo Rosário, no que tem sido chamada de Quaresma Digital, em função do período entre carnaval e Páscoa, que é de suma importância para o catolicismo.
Com um discurso mais afirmativo e realçando um certo conservadorismo, que é dogmático da Igreja Católica, mas com a característica da solidariedade, algo que é muito caro aos fiéis dessa religião, Frei Gilson tem sido um instrumento de renovação dessa fé. O período quaresmal e a própria situação crítica de saúde do sumo pontífice, o Papa Francisco, parecem criar uma liga ainda mais propícia para esse movimento de resgate do catolicismo. O Partido dos Trabalhadores, no entanto, que foi formado com apoio de setores relevantes da Igreja, principalmente aqueles que defendiam a Teologia da Libertação, além das Comunidades Eclesiais de Base, com teólogos como Leonardo Boff, D. Pedro Casaldaliga e Frei Beto, por exemplo, não tem conseguido dialogar mais com esse público.
Preso ao assistencialismo e aí se encontrando com o catolicismo envelhecido, muito presente nos bolsões de pobreza do País, principalmente no sertão nordestino, onde há a maior concentração de classe D, do Brasil, onde 48,3% dos habitantes vivem nessa faixa social, o PT tem se afastado do público religioso. Com muita dificuldade de diálogo com os evangélicos, presentes em sua imensa maioria na periferia dos grandes centros urbanos e de ramificação social mais ativa na classe C2, que corresponde a 26,3% de todo o País, o novo embate parece se dar em um terreno em que o PT já teve dominância. A perda dos novos católicos pode ser o solapamento final do partido, que sobrevive muito ainda da figura de seu líder máximo, o presidente Lula.
Enquanto instituição, o PT mesmo com Lula na Presidência da República, foi apenas o nono partido em números de prefeituras nas últimas eleições. Fazendo um comparativo com 2012, ainda sob o efeito dos primeiros governos lulistas, o PT desabou de 625 prefeituras para 252, em 2024. Além disso, o partido não tem qualquer nome, hoje, que tivesse condições ou tamanho para sequer se aproximar da representatividade de Lula. Com o fracasso de Dilma, com Fernando Haddad, que desde que foi derrotado ainda em primeiro turno para prefeito de São Paulo, em sua reeleição, já foi testado em todas as posições e nunca mais emplacou nenhuma vitória, e com governadores de perfil mais técnico, que ainda não têm dimensão nacional, o partido está envelhecendo junto do catolicismo que o ajudou lá atrás. Há um movimento de ressurgimento na religião, mas ao invés de buscar proximidade, o dogma petista está tão desvirtuado de sua origem, que parece cada vez mais impossível esse reencontro. Fonte: https://www.estadao.com.br
Exercícios Espirituais no Vaticano, 10ª Meditação: "Deixar-se transformar"
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O pregador da Casa Pontifícia, Pe. Roberto Pasolini, fez na manhã desta sexta-feira, 14 de março, a décima meditação no âmbito dos Exercícios Espirituais da Quaresma à Cúria Romana sobre o tema "A esperança da vida eterna: Deixar-se transformar". Publicamos a síntese da reflexão.

Vatican News
A vida, com sua beleza e suas dificuldades, nos coloca diante de uma pergunta crucial: qual é o sentido de nossa peregrinação neste mundo quando tudo está destinado a acabar? Sem a esperança na eternidade, o peso da realidade pode nos esmagar ou nos tornar cínicos, levando-nos à resignação. São Paulo propõe que fixemos nosso olhar nas coisas invisíveis, que são eternas.
A humanidade é marcada pelo declínio físico, mas há uma renovação interior que ocorre dia após dia. Tudo o que parece desaparecer tem, na verdade, um destino maior: Deus nos criou para a ressurreição, e isso não é um sonho utópico, mas a lógica natural de uma existência chamada à plenitude.
No mistério da cruz e da ressurreição de Cristo, Deus completou seu desígnio de amor. A aparente derrota do Crucificado é, na verdade, a revelação de um Pai que não desiste de seus filhos. Isso significa que nossa vida não é deixada ao acaso, mas faz parte de um projeto de adoção e redenção que nos torna filhos amados e destinados à eternidade. Tudo o que experimentamos - alegrias, tristezas, conquistas e fracassos - faz parte de uma transformação contínua, semelhante à de uma semente que, ao morrer, gera uma nova vida. Assim, também nós, mesmo atravessando o limite da morte, estamos destinados a uma vida nova e gloriosa.
Essa transformação não é apenas futura, mas já começa agora. Na Eucaristia, de fato, ocorre uma troca misteriosa: oferecemos a Deus nossa vida e recebemos em troca o próprio Cristo, que nos transforma em seu amor. Em cada missa que celebramos, tudo o que somos é assumido na vida de Cristo, que o leva consigo perante o Pai. Não se trata de um rito simbólico, mas de um processo real de transformação de nossa pessoa, que nos torna partícipes da vida eterna já no presente.
Não sabemos exatamente o que vai acontecer no final, mas sabemos que o que seremos já está germinando dentro de nós. Não somos destinados ao nada, mas a um futuro cheio de esperança. Esta certeza muda tudo: nossa vida não é um filme sem sentido, mas uma obra escrita e dirigida por um Diretor extraordinário, que nos convida a fixar o olhar na eternidade e a caminhar em direção a Ele com confiança. É um fato real: Deus gerou filhos, e entre esses filhos estamos também nós. O futuro permanece diante de nós como um desenho de amor apenas parcialmente revelado. Entretanto, o que vemos hoje já é maravilhoso: somos filhos amados, cidadãos do céu, vivendo para Deus e para sempre. Fonte: https://www.vaticannews.va
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