Depois de cinco semana e 38 dias de internação, Francisco finalmente pôde saudar os fiéis. Foram poucas palavras, mas repletas de significado.

 

Vatican News

“Obrigado a todos!” 

Essas foram as palavras do Papa ao saudar os fiéis, romanos e turistas que foram ao Hospital Gemelli para ver o Pontífice depois de 38 dias de internação, a mais longa do seu pontificado.

Em meio à multidão, Francisco reconheceu uma senhora, Carmela, que todas as quartas-feiras participa da Audiência Geral para lhe entregar um maço de flores: "E vejo essa senhora com as flores amarelas. É uma boa pessoa", disse ainda o Papa do 5º andar do Hospital, e não do 10º, onde estava internado, justamente para ficar mais próximo dos fiéis, como pediu o Pontífice.

Enquanto os fiéis emocionados viam o seu pastor, a Sala de Imprensa da Santa Sé divulgou o texto preparado para o Angelus:

 

"Queridos irmãos e irmãs, bom domingo!

A parábola que encontramos no Evangelho de hoje nos fala da paciência de Deus, que nos exorta a fazer de nossa vida um tempo de conversão. Jesus usa a imagem de uma figueira estéril, que não produziu os frutos esperados e que, no entanto, o agricultor não quer cortar: deseja adubá-la mais uma vez para ver "se dará fruto no futuro" (Lc 13,9). Esse agricultor paciente é o Senhor, que trabalha com zelo o terreno de nossa vida e aguarda confiante o nosso retorno a Ele.

Neste longo período de recuperação, tive a oportunidade de experimentar a paciência do Senhor, que vejo também refletida na dedicação incansável dos médicos e dos profissionais da saúde, assim como nos cuidados e nas esperanças dos familiares dos doentes. Essa paciência confiante, ancorada no amor de Deus que nunca falha, é verdadeiramente necessária à nossa vida, especialmente para enfrentar as situações mais difíceis e dolorosas.

Entristece-me a retomada dos pesados bombardeios israelenses na Faixa de Gaza, com tantas mortes e feridos. Peço que as armas se calem imediatamente e que se tenha a coragem de retomar o diálogo, para que todos os reféns sejam libertos e se alcance um cessar-fogo definitivo. Na Faixa de Gaza, a situação humanitária é novamente gravíssima e exige o compromisso urgente das partes beligerantes e da comunidade internacional.

Alegra-me, por outro lado, que a Armênia e o Azerbaijão tenham acordado o texto definitivo do Acordo de Paz. Espero que seja assinado o quanto antes e possa, assim, contribuir para estabelecer uma paz duradoura no sul do Cáucaso.

Com tanta paciência e perseverança, vocês continuam a rezar por mim: agradeço-lhes muito! Eu também rezo por vocês. E juntos imploramos pelo fim das guerras e pela paz, especialmente na martirizada Ucrânia, na Palestina, em Israel, no Líbano, em Mianmar, no Sudão e na República Democrática do Congo.

Que a Virgem Maria nos proteja e continue a nos acompanhar no caminho rumo à Páscoa.". Fonte: https://www.vaticannews.va

A resposta do pontífice divulgada pela mídia do Vaticano ocorreu durante podcast onde Francisco ouvia e respondia mensagens de áudios enviados por jovens

Durante a participação em um podcast do Vaticano nesta terça-feira (25/7), o Papa Francisco disse a um jovem trans que "Deus nos ama assim como somos". O pontífice estava respondendo perguntas enviadas via áudio por jovens, entre eles, Giona, um jovem italiano de 20 anos que disse estar "dividido pela dicotomia entre a fé católica e a identidade transgênero".

"Cultivar uma fé que sentisse ser verdadeiramente minha me ajudou a me aceitar no meu corpo com deficiência, atípico, a não me sentir nunca verdadeiramente só, nem mesmo nas dificuldades, porque sei que quem me conhece desde sempre jamais me entregaria uma cruz pesada demais para os meus ombros", disse ele no áudio.

 "Quando tomei consciência de ser uma pessoa trans, teria preferido muito não acreditar. E aquele corpo maravilhoso e perfeito que é obra Dele? Me sentia arrasado pela dicotomia entre a fé e a identidade transgênero, braços do mesmo corpo, o meu", adicionou.

 

As informações e transcrições do áudio são do portal italiano  Tgcom24 .

Ao escutar o áudio, Francisco declarou que "Deus nos ama como somos”. "O Senhor sempre caminha conosco, sempre. O Senhor não tem desgosto por nenhum de nós. Mesmo nos casos em que somos pecadores, ele se aproxima para nos ajudar. O Senhor não tem desgosto pelas nossas realidades, nos ama como somos. E esse é o amor louco de Deus", disse o papa ao responder o questionamento do jovem incentivando-o em outro trecho a não desistir e seguir em frente.

O responsável pelo Popecast é o site oficial de notícias Vatican News, e segundo o portal, os jovens não sabiam inicialmente que seus áudios seriam ouvidos pelo Papa. O episódio teria sido pensado com o intuito de convidar os jovens a participar da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), marcada para acontecer entre os dias 1º e 6 de agosto, em Lisboa. Fonte: https://www.em.com.br

Papa Francisco: “Que todos nós possamos, com o especial auxílio da graça de Deus neste tempo jubilar, mudar nossas convicções e práticas para deixar que a natureza descanse das nossas explorações gananciosas”.

 

Vatican News

A cada ano, os bispos do Conselho Episcopal Pastoral (CONSEP) da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), acolhendo as sugestões vindas dos regionais, dos organismos do Povo de Deus, das ordens e congregações religiosas e dos fiéis leigos e leigas, escolhem um tema e um lema para a Campanha da Fraternidade, com o objetivo de chamar a atenção sobre uma situação que, na sociedade, necessita de conversão, em vista do bem de todos.

Neste ano de 2025, motivados pelos 800 anos da composição do Cântico das Criaturas de São Francisco de Assis; pelos 10 anos de publicação da Carta Encíclica Laudato si’; pela recente publicação da Exortação Apostólica Laudate Deum; pelos 10 anos de criação da Rede Eclesial PanAmazônica (REPAM) e pela realização da COP 30, em Belém (PA), a primeira na Amazônia, acolhendo a sugestão da Comissão Episcopal Especial para a Mineração e a Ecologia Integral, foi escolhido o tema: Fraternidade e Ecologia Integral e o lema: “Deus viu que tudo era muito bom” (Gn 1,31).

A Ecologia é a questão mais tratada pelas CF’s ao longo destes 61 anos de existência. Foram 8 as CF’s que de alguma forma abordaram essa temática.

Neste ano, a Campanha da Fraternidade aborda outra vez a temática ambiental, com o objetivo de “promover, em espírito quaresmal e em tempos de urgente crise socioambiental, um processo de conversão integral, ouvindo o grito dos pobres e da Terra” (Objetivo Geral da CF 2025).

“Estamos no decênio decisivo para o planeta! Ou mudamos, convertemo-nos, ou provocaremos com nossas atitudes individuais e coletivas um colapso planetário. Já estamos experimentando seu prenúncio nas grandes catástrofes que assolam o nosso país. E não existe planeta reserva! Só temos este! E, embora ele viva sem nós, nós não vivemos sem ele. Ainda há tempo, mas o tempo é agora! É preciso urgente conversão ecológica: passar da lógica extrativista, que contempla a Terra como um reservatório sem fim de recursos, donde podemos retirar tudo aquilo que quisermos, como quisermos e quanto quisermos, para uma lógica do cuidado”.

Como todos os anos, também neste ano de 2025 o Santo Padre envia uma mensagem para o início da Quaresma no Brasil e para o início da Campanha da Fraternidade. Eis a íntegra da mensagem o Papa Francisco enviou para a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, CNBB, com data de 11 de fevereiro de 2025, memória litúrgica de Nossa Senhora de Lourdes:

 

Queridos irmãos e irmãs do Brasil,

Com este dia de jejum, penitência e oração, iniciamos a Quaresma deste Ano Jubilar da Encarnação. Nesta ocasião, desejo manifestar a minha proximidade à Igreja peregrina nessa Nação e felicitar os meus irmãos da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil pela iniciativa da Campanha da Fraternidade, que se repete há mais de 60 anos e que neste ano tem como tema “Fraternidade e Ecologia Integral” e como lema a passagem da Escritura na qual, contemplando a obra da criação, “Deus viu que tudo era muito bom” (cf. Gn 1,31).

Com a Campanha da Fraternidade, os bispos do Brasil convidam todo o povo brasileiro a trilhar, durante a Quaresma, um caminho de conversão baseado na Carta Encíclica Laudato Si’, que publiquei há quase 10 anos, em 24 de maio de 2015, e que senti necessidade de complementar com a Exortação Apostólica Laudate Deum, de 4 de outubro de 2023.

Nestes documentos, quis chamar a atenção de toda a humanidade para a urgência de uma necessária mudança de atitude em nossas relações com o meio ambiente, recordando que a atual «crise ecológica é um apelo a uma profunda conversão interior» (Laudato Si’, 217). Neste sentido, o meu predecessor de venerável memória, São João Paulo II, já alertava que era «preciso estimular e apoiar a “conversão ecológica”, que tornou a humanidade mais sensível» (Audiência, 17 de janeiro de 2001) ao tema do cuidado com a Casa Comum.

Por isso, louvo o esforço da Conferência Episcopal em propor mais uma vez como horizonte o tema da ecologia, junto à desejada conversão pessoal de cada fiel a Cristo. Que todos nós possamos, com o especial auxilio da graça de Deus neste tempo jubilar, mudar nossas convicções e práticas para deixar que a natureza descanse das nossas explorações gananciosas.

O tema da Campanha da Fraternidade deste ano expressa também a disponibilidade da Igreja no Brasil em dar a sua contribuição para que, durante a COP 30 do próximo mês de novembro, que se realizará em Belém do Pará, no coração da querida Amazônia, as nações e os organismos internacionais possam comprometer-se efetivamente com práticas que ajudem na superação da crise climática e na preservação da obra maravilhosa da Criação, que Deus nos confiou e que temos a responsabilidade de transmitir às futuras gerações.

Desejo que esse itinerário quaresmal dê muitos frutos e nos encha a todos de Esperança, da qual somos peregrinos neste Jubileu. Faço votos que a Campanha da Fraternidade seja novamente um poderoso auxílio para as pessoas e comunidades desse amado País no seu processo de conversão ao Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo e de compromisso concreto com a Ecologia Integral.

Confiando estes votos aos cuidados de Nossa Senhora Aparecida, concedo de bom grado a Bênção Apostólica a todos os filhos e filhas da querida nação brasileira, de modo especial àqueles que se empenham no cuidado com a Casa Comum, pedindo que continuem a rezar por mim.

Roma, São João de Latrão, 11 de fevereiro de 2025, memória

litúrgica de Nossa Senhora de Lourdes.

Franciscus

Fonte: https://www.vaticannews.va

Na catequese da Audiência Geral desta quarta-feira (12/02), Francisco refletiu sobre o nascimento de Jesus e a visita que os pastores lhe fizeram, "as primeiras testemunhas da salvação". O encontro aconteceu num estábulo, sinal da humildade e fragilidade de Jesus e ondem encontraram o poder de Deus que salva a humanidade: "os pastores aprendem que num lugar muito humilde, reservado aos animais, nasce o Messias tão esperado e nasce para eles, para ser o seu Salvador, o seu Pastor".

 

Andressa Collet - Vatican News

“Caros irmãos e irmãs, bom dia! No nosso percurso jubilar de catequeses sobre Jesus, que é a nossa esperança, hoje nos detemos no evento do seu nascimento em Belém. Agora tomo a liberdade de pedir ao sacerdote, ao leitor, que continue lendo, porque eu, com a minha bronquite, ainda não posso. Espero que da próxima vez eu possa.”

Assim o Papa Francisco compartilhou a sua impossibilidade de ler a catequese durante a Audiência Geral desta quarta-feira (12/02) na Sala Paulo VI, já que ainda se recupera de uma bronquite. O texto, que deu continuidade à reflexão sobre "Jesus Cristo, nossa esperança", foi lido então pelo Pe. Pierluigi Giroli, funcionário da Secretaria de Estado, e dedicado ao nascimento de Jesus e à visita que os pastores lhe fizeram.

 

Deus não se manifesta no clamor, mas na humildade

O Filho de Deus entra na história sujeito a inúmeros contratempos, tal como nós. Por causa de um recenseamento, estando ainda no ventre da Virgem Maria, teve de viajar de Nazaré a Belém. Assim, explicam as palavras do Papa, "o tão esperado Messias, o Filho do Deus Altíssimo, deixa-se recensear, isto é, contar e registrar, como qualquer outro cidadão". E em Belém se completam os dias do parto para Maria, onde nasce Jesus.

Mas, por não haver lugar para Ele na hospedaria, nasceu num estábulo e foi deitado numa manjedoura. "O Filho de Deus não nasce num palácio real, mas nos fundos de uma casa, no espaço onde estão os animais", comentou Francisco no texto. O evangelista Lucas mostra, assim, "que Deus não vem ao mundo com grandes proclamações, não se manifesta em clamor, mas inicia o seu caminho na humildade". 

Os primeiros a visitá-lo foram os pastores que, embora fossem homens de pouca cultura, "malcheirosos devido ao contato constante com os animais", vivendo "à margem da sociedade", souberam acolher o anúncio dos anjos e, por isso, testemunharam em primeira mão a boa notícia do nascimento do Salvador, que veio para todos. Como eles fizeram, exortaram as palavras do Papa, identifiquemos na humildade e fragilidade de Jesus o poder de Deus que salva a humanidade:

 

"Os pastores aprendem assim que num lugar muito humilde, reservado aos animais, nasce o Messias tão esperado e nasce para eles, para ser o seu Salvador, o seu Pastor. Uma notícia que abre os seus corações à admiração, ao louvor e ao anúncio alegre. 'Ao contrário de tanta gente ocupada a fazer muitas outras coisas, os pastores tornam-se as primeiras testemunhas do essencial, isto é, da salvação que nos é oferecida. São os mais humildes e os mais pobres que sabem acolher o acontecimento da Encarnação'. Irmãos e irmãs, peçamos também a graça de sermos, como os pastores, capazes de nos maravilharmos e louvarmos diante de Deus, e capazes de salvaguardar aquilo que Ele nos confiou: os nossos talentos, os nossos carismas, a nossa vocação e as pessoas que Ele coloca ao nosso lado."

“Peçamos ao Senhor que saibamos discernir na fraqueza a força extraordinária do Menino Deus, que vem renovar o mundo e transformar a nossa vida com o seu projeto cheio de esperança para toda a humanidade.” Fonte: https://www.vaticannews.va

"Jesus revela o critério para julgar toda a história e o seu drama, e também a vida de cada um de nós. E qual é este critério? É o amor: quem ama vive, quem odeia morre. Isto é: Jesus é a salvação, Jesus é a luz e Jesus é o sinal de contradição".

 

Queridos irmãos e irmãs, bom domingo!

Hoje o Evangelho da liturgia (Lc 2,22-40) nos fala de Maria e José que levam o menino Jesus ao Templo de Jerusalém. Segundo a Lei, eles o apresentam na morada de Deus, para recordar que a vida vem do Senhor. E enquanto a Sagrada Família cumpre aquilo que sempre se fazia no povo de Israel, de geração em geração, acontece algo que nunca havia acontecido antes.

Dois anciãos, Simeão e Ana, profetizam sobre Jesus: ambos louvam a Deus e falam do menino «a todos os que esperavam a libertação de Jerusalém” (v. 38). Suas vozes comovidas ressoam entre as velhas pedras do Templo, anunciando o cumprimento das expectativas de Israel. Verdadeiramente Deus está presente no meio do seu povo: não porque habita entre quatro paredes, mas porque vive como homem entre os homens. E esta é a novidade de Jesus...Na velhice de Simeão e Ana, acontece a novidade que muda a história do mundo.

Da sua parte, Maria e José «estavam admirados com o que diziam» a respeito de Jesus. De fato, quando Simeão toma o menino nos braços, o chama de três maneiras belíssimas, que merecem uma reflexão. Três modos, dá a ele três nomes. Jesus é a salvação; Jesus é a luz; Jesus é sinal de contradição.

Antes de tudo, Jesus é a salvação. Assim diz Simeão, rezando a Deus: «Meus olhos viram a tua salvação, que preparaste diante de todos os povos». Isso sempre nos maravilha: a salvação universal concentrada em um só! Sim, porque em Jesus habita toda a plenitude de Deus, do seu Amor.

Segundo aspecto: Jesus é «luz para iluminar as nações» (v. 32). Assim como o sol que surge sobre o mundo, este menino o resgatará das trevas do mal, da dor e da morte. Como precisamos, também hoje de luz, dessa luz!

Por fim, o menino abraçado por Simeão é sinal de contradição «assim serão revelados os pensamentos de muitos corações». Jesus revela o critério para julgar toda a história e o seu drama, e também a vida de cada um de nós. E qual é este critério? É o amor: quem ama vive, quem odeia morre. Isto é: Jesus é a salvação, Jesus é a luz e Jesus é o sinal de contradição.

Iluminados por este encontro com Jesus, podemos então nos perguntar: eu, tu, tu , tu ,eu, o que espero na minha vida? Qual é a minha grande esperança? Meu coração deseja ver a face do Senhor? Aguardo a manifestação do seu plano de salvação para a humanidade?

Rezemos juntos a Maria, mãe puríssima, para que nos acompanhe nas luzes e nas sombras da história, que nos acompanhe sempre ao encontro com o Senhor. Fonte: https://www.vaticannews.va

Na Audiência Geral desta quarta-feira (29/01), Francisco deu continuidade ao ciclo jubilar de catequeses sobre “Jesus Cristo, nossa esperança” e dedicou sua reflexão à figura de São José. O Santo Padre destacou a confiança silenciosa do pai putativo de Jesus, que, ao invés de palavras vazias, expressou sua fé por meio de ações concretas.

 

Thulio Fonseca – Vatican News

Na manhã desta quarta-feira, 29 de janeiro, na Sala Paulo VI, o Papa prosseguiu com as catequeses sobre Jesus Cristo, nossa esperança, aprofundando-se na história da infância do Salvador. Francisco se deteve na figura de José, que emerge como um homem “justo”, assume a paternidade legal de Jesus e o insere na descendência de Jessé, cumprindo assim a promessa feita a Davi.

 

A provação de José

Ao refletir sobre a narrativa evangélica, o Papa explicou que o Evangelho de Mateus apresenta José como noivo de Maria. Na tradição hebraica, o noivado era um vínculo jurídico que precedia o casamento, momento em que a mulher passava da casa paterna para a do esposo e se dispunha ao dom da maternidade. Foi nesse período que José descobriu a gravidez de Maria, sendo posto diante de uma grande provação: “A Lei sugeria duas possíveis soluções: ou um ato legal de natureza pública, como a convocação da mulher a um tribunal, ou uma ação privada, como a entrega de uma carta de repúdio à mulher”, explicou o Pontífice.

 

Homem justo

O evangelista Mateus, porém, define José como “justo” (zaddiq), ou seja, um homem fiel à Lei do Senhor e guiado pela sabedoria divina. Diante da difícil situação, ressaltou o Papa, ele não se deixa levar por impulsos ou medos, mas decide separar-se de Maria sem alarde, em segredo:

“Esta sua sabedoria permite-lhe não cometer erros e fazer-se aberto e dócil à voz do Senhor.”

 

José e os sonhos de Deus

Em seguida, o Santo Padre fez um paralelo entre José de Nazaré e José, filho de Jacó, que no Antigo Testamento era chamado de “sonhador”. Ambos receberam de Deus mensagens fundamentais por meio dos sonhos.

“O que sonha José de Nazaré? Ele sonha com o milagre que Deus realiza na vida de Maria, e também com o milagre que Ele realiza na sua própria vida: assumir uma paternidade capaz de guardar, proteger e transmitir uma herança material e espiritual.”

Francisco sublinhou que o ventre de Maria trazia a promessa de Deus, e essa promessa tinha um nome que garantiria a salvação a todos: Jesus. No seu sono, José escutou a mensagem do anjo: “José, filho de Davi, não temas receber Maria por esposa, pois o que nela foi concebido vem do Espírito Santo", e o Papa completou: 

"Perante esta revelação, José não pede mais provas, confia em Deus, aceita o sonho de Deus para a sua vida e a da sua esposa prometida. Assim, ele entra na graça daqueles que sabem viver a promessa divina com fé, esperança e amor."

 

Um exemplo de fé silenciosa

Ao destacar que José não pronunciou uma só palavra nas Escrituras, mas demonstrou sua fé por meio de atitudes, Francisco recordou que o pai adotivo de Jesus pertence à linhagem dos que, segundo São Tiago, “põem em prática a Palavra”, traduzindo-a em obras, em carne, em vida. Na conclusão de sua catequese, o Papa convidou os fiéis a seguirem o exemplo de José, cultivando o silêncio que escuta e obedece à Palavra de Deus:

“Irmãs e irmãos, peçamos nós também ao Senhor a graça de ouvirmos mais de quanto falamos, de sonhar os sonhos de Deus e de acolher com responsabilidade o Cristo que, desde o momento do batismo, vive e cresce na nossa vida.” Fonte: https://www.vaticannews.va

Cerca de 6.500 fiéis participaram na Basílica Vaticana da missa presidida por Francisco por ocasião do Domingo da Palavra de Deus. Durante a celebração, o Pontífice conferiu o ministério do leitorado a 40 leigos de vários países.

 

Bianca Fraccalvieri – Vatican News

O Papa presidiu à Santa Missa na Basílica de São Pedro por ocasião da sexta edição do Domingo da Palavra de Deus, com a participação de milhares de jornalistas de mais de 130 países, presentes em Roma para o Jubileu dos Comunicadores.

Na homilia, o Pontífice refletiu sobre o Evangelho deste III Domingo do Tempo Comum, em que Jesus diz na sinagoga de Nazaré: «Cumpriu-se hoje esta passagem da Escritura, que acabais de ouvir» (Lc 4, 21).

“Ele é a Palavra viva, em quem toda a Escritura encontra o seu pleno cumprimento”, explicou o Pontífice. E nós, no hoje da Sagrada Liturgia, somos seus contemporâneos: também nós, cheios de admiração, abrimos o coração e a mente para O escutar. 

“Eu disse uma palavra: admiração. Quando nós ouvimos o Evangelho, as palavras de Deus, não se trata somente de ouvir, compreender. Não. Deve chegar ao coração e produzir o que disse: admiração. A Palavra de Deus sempre nos deslumbra, sempre nos renova, entra no coração e nos renova sempre.”

 

As cinco ações de Jesus

Francisco então identificou cinco ações que caracterizam a missão do Messias.

Antes de mais, Ele é enviado «para anunciar a Boa-Nova aos pobres». Eis o “evangelho”, a Boa-Nova que Jesus proclama: o Reino de Deus está próximo! O Senhor vem visitar o seu povo, cuidando dos humildes. Este Evangelho é palavra de compaixão, que nos chama à caridade, a um generoso compromisso social.

A segunda ação de Cristo é «proclamar a libertação aos cativos». O mal tem os dias contados, porque o futuro pertence a Deus. Jesus nos redime de toda a culpa e liberta o nosso coração de todas as amarras interiores. Este Evangelho é palavra de misericórdia, que nos chama a ser testemunhas apaixonadas de paz, solidariedade e reconciliação.

A terceira ação é dar «aos cegos, a recuperação da vista». O Messias abre-nos os olhos do coração, muitas vezes ofuscados pelo fascínio do poder e da vaidade: doenças da alma. Este Evangelho é palavra de luz, que nos chama à verdade e à coerência de vida.

A quarta ação de Jesus é «mandar em liberdade os oprimidos». Nenhuma escravatura resiste à ação do Messias, que nos faz irmãos no seu nome. Este Evangelho é palavra de liberdade, que nos chama à conversão do coração.

Por fim, a quinta ação: Jesus é enviado «a proclamar um ano favorável da parte do Senhor». É um Jubileu, como este que iniciamos, preparando-nos com esperança para o encontro definitivo com o Redentor. Este Evangelho é palavra de alegria, que nos chama a caminhar, como peregrinos, em direção ao Reino de Deus.

 

Responder com ardor ao anúncio de Cristo

“Irmãos e irmãs, no domingo dedicado de modo especial à Palavra de Deus, agradeçamos ao Pai por nos ter dirigido o seu Verbo, feito homem para a salvação do mundo”, exortou o Papa. Quando lemos, rezamos e estudamos as Escrituras, não recebemos apenas informações sobre Deus, mas acolhemos o Espírito que nos recorda tudo o que Jesus disse e fez. O Santo Padre reiterou sua recomendação de sempre termos conosco uma edição de bolso do Evangelho para, durante o dia, ler um ou dois versículos e meditar.

Assim, o pedido de Francisco é para que respondamos com ardor ao alegre anúncio de Cristo. Com efeito, o Senhor não nos falou como a ouvintes mudos, mas como a testemunhas, chamando-nos a evangelizar em todos os tempos e lugares.

Na sequência, Francisco conferiu o ministério do leitorado a a 40 fiéis leigos, homens e mulheres de diferentes nações, sendo quatro do Brasil, e reforçou o que disse na homilia de sempre levarem consigo o Evangelho: "Este é nosso alimento cotidiano".

Ao final da missa, foi distribuída uma cópia do Evangelho de Lucas a todos os presentes. Fonte: https://www.vaticannews.va

 

Na Audiência Geral desta quarta-feira (22/01), o Papa Francisco deu continuidade ao ciclo de catequeses jubilares sobre “Jesus Cristo, nossa esperança”. A reflexão de hoje foi inspirada no Evangelho da Anunciação. “Maria não busca respostas fora, mas dentro de si. E ali, no profundo de seu coração aberto e sensível, ela sente o convite para confiar em Deus”, afirmou o Santo Padre.

 

Thulio Fonseca - Vatican News

Na manhã desta quarta-feira, 22 de janeiro, na Sala Paulo VI, o Papa Francisco retomou as catequeses sobre Jesus Cristo, nossa esperança, com a segunda reflexão do ciclo jubilar dedicada à infância de Jesus, sob o tema: “A Anunciação a Maria: a escuta e a disponibilidade”. Francisco sublinhou a força transformadora da Palavra de Deus, que chega até o coração humano e gera mudanças profundas, como na experiência da Virgem Maria.

 

O anúncio em Nazaré

Ao abordar a narrativa da Anunciação, o Papa recordou que o Evangelho de Lucas destaca o envio do anjo Gabriel a Nazaré, uma pequena aldeia da Galileia, situada nas periferias de Israel e considerada irrelevante no contexto bíblico da época. Ali, Gabriel anuncia a Maria uma mensagem inédita e repleta de significado:

“A saudação do anjo é incomum: em vez do clássico ‘a paz esteja contigo’, Gabriel proclama ‘alegra-te!’, convite que ecoa os anúncios proféticos da vinda do Messias. É o chamado à alegria que marca o fim do exílio e a presença ativa de Deus no meio do povo.”

Além disso, Deus chama Maria por um título singular: kecharitoméne, ou “cheia de graça divina”. “Este nome indica que o amor de Deus habita no coração de Maria há muito tempo, tornando-a uma obra-prima da graça divina”, afirmou o Papa.

 

Não temer a vontade de Deus

O Santo Padre destacou que, diante do anúncio do anjo, Maria experimenta perturbação, mas também confiança. Gabriel a tranquiliza com as palavras “Não temas!”, e completou:

"Deus diz isso também a nós: 'Não temas, siga em frente; não temas!' 'Padre, eu tenho medo disso'; 'E o que você faz, quando…'; “Me desculpe, padre, vou lhe dizer a verdade: eu vou à vidente…'; 'Você vai à vidente!'; 'Ah, sim, faço leitura de mãos.' Por favor, não temas! Não temas! Não temas! Isso é bonito. Eu sou o teu companheiro de caminhada: e é isso que Ele diz a Maria."

 

A missão da Mãe de Deus

Francisco também explicou a missão anunciada a Maria: ser a mãe do Messias, que será rei não de forma humana, mas divina. O nome do menino, “Jesus”, significa “Deus salva”, recordando que a salvação vem exclusivamente de Deus. “Maria foi chamada a confiar totalmente no Senhor, permitindo que Ele realizasse em sua vida uma obra única e extraordinária”.

"Esta maternidade abala Maria profundamente. E, como a mulher inteligente que é, capaz de interpretar os acontecimentos, ela busca compreender, discernir o que está acontecendo com ela. Maria não busca respostas fora, mas dentro de si. E ali, no profundo de seu coração aberto e sensível, ela sente o convite para confiar em Deus."

 

O exemplo de Maria para os cristãos

Ao concluir a catequese, Francisco destacou a confiança luminosa de Maria, uma verdadeira “lâmpada de muitas luzes”. Maria acolheu o Verbo na sua carne e lançou-se na maior missão já confiada a uma mulher, a uma criatura humana. “Ela se colocou ao serviço: plena de tudo”, enfatizou o Papa, que, por fim, exortou os fiéis a se inspirarem na Mãe do Salvador e nossa Mãe:


“Irmãs e irmãos, aprendamos de Maria a permitir que a Palavra divina abra os nossos ouvidos, que a acolhamos e a guardemos, para que transforme os nossos corações em tabernáculos da sua presença, em casas hospitaleiras onde a esperança possa crescer.” Fonte: https://www.vaticannews.va

"Hoje, a Igreja celebra a manifestação de Jesus, e o Evangelho concentra-se nos Magos, que no final de uma longa viagem vão a Jerusalém para adorar Jesus", disse Francisco no Angelus da Solenidade da Epifania do Senhor.

 

Mariangela Jaguraba - Vatican News

O Papa Francisco rezou a oração mariana do Angelus, nesta segunda-feira (06/01), Solenidade da Epifania do Senhor, com os fiéis e peregrinos reunidos na Praça São Pedro. No Brasil, assim como em muitas Igrejas locais, a Solenidade da Epifania foi celebrada no último domingo (05/01).

 

“Hoje, a Igreja celebra a manifestação de Jesus, e o Evangelho concentra-se nos Magos, que no final de uma longa viagem vão a Jerusalém para adorar Jesus.”

 

Os magos e os riscos que enfrentam

Segundo o Papa, "se prestarmos atenção, descobriremos algo um pouco estranho: enquanto aqueles sábios chegam de longe para encontrar Jesus, aqueles que estavam perto não dão um passo em direção à gruta de Belém". "Atraídos e guiados pela estrela, os Magos tiveram enormes despesas, colocam à disposição o seu tempo e aceitam muitas coisas, os muitos riscos e incertezas que nunca faltavam naqueles tempos. Mesmo assim, superam todas as dificuldades para ver o Rei Messias, porque sabem que está acontecendo algo único na história da humanidade e não querem faltar ao encontro. Tinham a inspiração dentro e a seguiram", disse ainda Francisco.

 

Não se movem de suas “cátedras”

Em vez disso, aqueles que vivem em Jerusalém, que deveriam ser os mais felizes e mais prontos para ir, permanecem parados. 

“Os sacerdotes e os teólogos interpretam corretamente as Sagradas Escrituras e dão indicações aos Magos sobre onde encontrar o Messias, mas não se movem das suas “cátedras”.”

Estão satisfeitos com o que têm e não buscam, não pensam que valha a pena sair de Jerusalém.

 

A que categoria pertencemos?

"Este fato, irmãs e irmãos, nos faz refletir e num certo sentido nos provoca, porque suscita a pergunta: nós, hoje, a que categoria pertencemos?" Perguntou o Pontífice.

Somos mais parecidos com os pastores, que naquela mesma noite vão com pressa para a gruta, ou com os Magos do Oriente, que partem confiantes em busca do Filho de Deus feito homem; ou somos mais parecidos com aqueles que, mesmo estando fisicamente muito próximos a Ele, não abrem as portas do seu coração e da sua vida, permanecendo fechados e insensíveis à presença de Jesus?

"Façamo-nos esta pergunta. A que grupo de pessoas pertenço?" Perguntou novamente o Papa.

 

Imitar os pastores e os magos

A seguir, contou uma história. "Um quarto Rei Mago chega tarde a Jerusalém, bem na época da crucificação de Jesus, esta é uma bela história; não é histórica, mas é uma bela história", sublinhou Francisco, "porque ele parou no caminho para ajudar todos os necessitados, entregando os presentes preciosos que tinha levado para Jesus. No final, um idoso se aproximou dele e disse: 'Em verdade vos digo: tudo o que fizestes ao último de nós, irmãos, fizestes por mim'".

O Papa concluiu, convidando todos a pedirem "à Virgem Maria que nos ajude, para que, imitando os pastores e os Magos, saibamos reconhecer Jesus próximo no pobre, na Eucaristia, no abandonado, no irmão e na irmã". Fonte: https://www.vaticannews.va

“Sabeis por que a Sagrada Família de Nazaré é um modelo? Porque é uma família que dialoga, que conversa. O diálogo é o elemento mais importante para uma família! Uma família que não se comunica não pode ser uma família feliz”: disse Francisco no Angelus ao meio-dia deste domingo, 29 de dezembro, festa da Sagrada Família

 

Raimundo de Lima – Vatican News

“Na família é mais importante ouvir do que entender”, disse Francisco no Angelus ao meio-dia deste domingo (29/12), festa da Sagrada Família, ao rezar a oração mariana com os fiéis peregrinos reunidos na Praça São Pedro.

Atendo-se à liturgia dominical, o Pontífice destacou que o Evangelho conta que Jesus, aos doze anos de idade, no final da peregrinação anual a Jerusalém, perdeu-se de Maria e José, que o encontraram no Templo discutindo com os doutores (Lc 2,41-52). O evangelista Lucas revela o estado de espírito de Maria, que pergunta a Jesus: “Meu Filho, por que agiste assim conosco? Olha que teu pai e eu, aflitos, te procurávamos”. Jesus lhe respondeu: “Por que me procuráveis? Não sabíeis que devo estar na casa de meu Pai?”

O Papa frisou tratar-se da experiência de uma família que alterna entre momentos tranquilos e dramáticos. Parece a história de uma crise familiar de nossos dias, de um adolescente difícil e dois pais que não conseguem entendê-lo. Dito isso, o Santo Padre convidou-nos a olhar para essa família:

“Sabeis por que a Sagrada Família de Nazaré é um modelo? Porque é uma família que dialoga, que conversa. O diálogo é o elemento mais importante para uma família! Uma família que não se comunica não pode ser uma família feliz”.

É belo quando uma mãe não começa com uma reprovação, mas com uma pergunta. Maria não acusa nem julga, mas tenta entender por meio da escuta como acolher esse Filho que é tão diferente.

Apesar desse esforço, observou Francisco, o Evangelho diz que Maria e José “não compreenderam o que lhes dissera”, mostrando que na família é mais importante ouvir do que entender. Ouvir é dar importância ao outro, reconhecer seu direito de existir e pensar por si mesmo. Os filhos precisam disso.

 

Um momento privilegiado para o diálogo e a escuta na família é a hora das refeições. É bom estar juntos à mesa e conversar. Isso pode resolver muitos problemas e, acima de tudo, une as gerações: filhos conversando com os pais, netos conversando com os avós... Nunca ficar fechados em si mesmos ou, pior ainda, com a cabeça no celular. Conversar, ouvir uns aos outros, esse é o diálogo que é bom e que faz crescer!

 

A família de Jesus, Maria e José é santa, disse o Papa. “No entanto, vimos que até mesmo os pais de Jesus nem sempre o compreendiam. Podemos refletir sobre isso e não nos surpreender se, às vezes, acontecer conosco na família de não nos entendermos uns aos outros. Quando isso acontecer conosco, perguntemo-nos: temos ouvido uns aos outros? Lidamos com os problemas ouvindo uns aos outros ou nos fechamos em silêncio, ressentimento e orgulho? Reservamos tempo para o diálogo? “O que podemos aprender hoje com a Sagrada Família é a escuta mútua”, reiterou.

Francisco concluiu convidando-nos a confiarmos à Virgem Maria e pedindo a Nossa Senhora o dom da escuta para nossas famílias. Fonte: https://www.vaticannews.va

“Infelizmente, ainda hoje, há em várias partes do mundo muitos homens e mulheres perseguidos, às vezes até à morte, por causa do Evangelho”, recordou Francisco no Angelus de hoje, 26 de dezembro, festa do mártir Santo Estevão.

 

Thulio Fonseca - Vatican News

Nesta quinta-feira, 26 de dezembro, data em que a Igreja celebra Santo Estêvão, o primeiro mártir cristão, o Santo Padre reuniu-se com os fiéis na Praça São Pedro, para a oração do Angelus, e destacou o profundo significado dessa memória litúrgica.

“Ainda que à primeira vista Estêvão pareça sofrer impotentemente uma violência, na realidade, como um homem verdadeiramente livre, ele continua a amar até mesmo os seus assassinos e a oferecer sua vida por eles, como Jesus, oferece sua vida para que se arrependam e, perdoados, possam receber o dom da vida eterna.”

 

Sinais vivos do amor

O Pontífice sublinhou que Estêvão é testemunha de um Deus que deseja “que todos os homens sejam salvos”, e seu exemplo reflete a vontade divina de acolher e perdoar, sempre buscando o bem de todos:

“Infelizmente, ainda hoje, há em várias partes do mundo muitos homens e mulheres perseguidos, às vezes até a morte, por causa do Evangelho. Também para eles vale o que dissemos sobre Estêvão. Eles não se deixam executar por fraqueza, nem para defender uma ideologia, mas para tornar todos participantes do dom da salvação. E fazem isso, em primeiro lugar, precisamente para o bem dos seus algozes, dos seus assassinos, e rezam por eles."

 

Testemunhas corajosas do Evangelho

Ao concluir, o Papa convidou os fiéis a se perguntarem: “Sinto o desejo de que todos conheçam a Deus e sejam salvos? Sei querer o bem até mesmo daqueles que me fazem sofrer? Interesso-me e rezo por tantos irmãos e irmãs perseguidos por causa da fé?”.

Que Maria, Rainha dos Mártires, finalizou Francisco, "nos ajude a sermos testemunhas corajosas do Evangelho para a salvação do mundo". Fonte: https://www.vaticannews.va

 

Com o rito solene da abertura da Porta Santa da Basílica de São Pedro, o Papa Francisco inaugurou o Jubileu de 2025, o "Jubileu da esperança". Na sequência, o Santo Padre presidiu à celebração da Santa Missa na noite de Natal do Senhor, no interior da Basílica.

 

Bianca Fraccalvieri - Vatican News

“Ancorados em Cristo, cruzamos o limiar deste templo santo e entramos no tempo da misericórdia e do perdão, para que a cada homem e a cada mulher seja aberto o caminho da esperança que não desilude.” 

Com esta oração, o Papa Francisco abriu a Porta Santa da Basílica de São Pedro, inaugurando o 28º Jubileu da história da Igreja Católica.

A abertura da Porta Santa foi precedida por um momento de preparação, com a proclamação das profecias bíblicas do nascimento do Salvador.

Ao abrir-se da porta, o Santo Padre em silêncio deteve-se em oração, enquanto soavam os sinos da Basílica. O Pontífice foi o primeiro a atravessá-la, seguido por ministros, 54 representes do povo de Deus provenientes dos cinco continentes e alguns concelebrantes, que se dirigiram ao Altar da Confissão para dar prosseguimento à celebração eucarística enquanto se entoava o hino do Jubileu, intitulado “Peregrinos de esperança”.

Depois da leitura da calenda, a imagem do Menino Jesus foi desvendada, e após as flores oferecidas por algumas crianças, incensada.

 

Há esperança para você!

Em sua homilia, o Papa leu o anúncio contido no Evangelho de Lucas: “Hoje, na cidade de David, nasceu-vos um Salvador, que é o Messias Senhor”.  

“É esta a nossa esperança. Deus é o Emanuel, é Deus conosco. (...) A esperança não está morta, a esperança está viva e envolve a nossa vida para sempre!”

Deus perdoa sempre e tudo, recordou o Pontífice. Com a abertura da Porta Santa, afirmou, a porta da esperança foi escancarada para o mundo e Deus diz a cada um: “Há esperança também para você!”. E há esperança para todas as situações de desolação: "E há tantas desolações neste tempo. Pensemos nas guerras, nas crianças metralhadas, nas bombas nas escolas ou nos hospitais".

O Evangelho relata que os pastores, tendo recebido o anúncio do anjo, «foram apressadamente» (Lc 2, 16). Para Francisco, esta é a indicação para reencontrar a esperança: apressadamente. 

 

“Apressadamente, vamos ver o Senhor que nasceu para nós, para podermos então traduzir a esperança nas situações da nossa vida. Porque a esperança cristã não é um "final feliz de um filme" que deve ser aguardado passivamente: é a promessa do Senhor a ser acolhida aqui e agora, nesta terra que sofre e geme.”

 

Não nos detenhamos na mediocridade e na preguiça, exortou o Pontífice. Devemos nos indignar com as coisas que não estão bem e ter a coragem de as mudar; devemos ser “sonhadores que nunca se cansam”.

 

A esperança não tolera a indolência dos sedentários e a preguiça dos que se acomodaram no seu próprio conforto; não admite a falsa prudência dos que não se arriscam por medo e o calculismo dos que só pensam em si próprios; é incompatível com a vida tranquila dos que não levantam a voz contra o mal e contra as injustiças cometidas diretamente sobre os mais pobres. 

Pelo contrário, a esperança cristã exige de nós a audácia de antecipar hoje essa promessa, através da nossa responsabilidade e compaixão. "E aqui, talvez, nos fará bem nos perguntas sobre a própria compaixão: eu tenho compaixão? Sei 'sentir com'? Pensemos nisso."

 

É tempo de esperança!

“Irmãos e irmãs, este é o Jubileu, este é o tempo da esperança!”

É tempo de transformação para a nossa mãe Terra, desfigurada pela lógica do lucro; para os países mais pobres, sobrecarregados de dívidas injustas; para todos aqueles que são prisioneiros de antigas e novas escravidões; para os lugares profanados pela guerra e pela violência.

“Nesta noite, irmã, irmão, é para você que se abre a ‘porta santa’ do coração de Deus. Jesus, Deus-conosco, nasce para você, para nós, para cada homem e mulher. E com Ele a alegria floresce, com Ele a vida muda, com Ele a esperança não desilude.” Fonte: https://www.vaticannews.va

Devido ao frio intenso, unido aos sintomas de um resfriado que se manifestaram nos últimos dias neste domingo, 22 de dezembro, o Papa Francisco conduziu a oração do Angelus na capela da Casa Santa Marta. Abençoou os "Bambinelli".

 

Silvonei José – Vatican News

“Sinto muito não estar na Praça com vocês, mas é preciso tomar precauções”. Foi o que disse o Papa Francisco, dirigindo-se aos fiéis presentes na Praça São Pedro, em relação ao seu estado de saúde, no início da alocução que precedeu a oração mariana do Angleus. “Estou melhorando”, garantiu o pontífice.

Devido ao frio intenso, unido aos sintomas de um resfriado que se manifestaram nos últimos dias neste domingo, 22 de dezembro, o Papa Francisco conduziu a oração do Angelus na capela da Casa Santa Marta, também em vista dos compromissos da próxima semana, destacou o diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Matteo Bruni, em um comunicado divulgado na tarde deste sábado através do canal Telegram.

Francisco em seguida recordou que o Evangelho deste 4º domingo do Advento nos apresenta Maria que, após o anúncio do Anjo, visita Isabel, sua parente idosa, que também está esperando um filho. Trata-se, portanto, do encontro de duas mulheres felizes pelo extraordinário dom da maternidade: Maria acaba de conceber Jesus, o Salvador do mundo, e Isabel, apesar de sua idade avançada, carrega no ventre João, que preparará o caminho para o Messias

Francisco sublinhou que ambas as mulheres “têm muito com o que se alegrar, e talvez possamos senti-las distantes, protagonistas de milagres tão grandes, que normalmente não ocorrem em nossa experiência”. No entanto, a mensagem que o evangelista quer nos transmitir, poucos dias antes do Natal, é diferente. De fato, contemplar os sinais prodigiosos da ação salvífica de Deus não deve nos fazer sentir distantes d’Ele, mas nos ajudar a reconhecer a sua presença e o seu amor perto de nós, por exemplo, no dom de cada vida, de cada criança carregada no ventre pela sua mãe.

“Nenhuma criança é um erro” enfatizou o Papa, dizendo que leu isso no programa “A Sua imagem”. “Nenhuma criança é um erro, o dom da vida”.

O Santo Padre, olhando para a Praça disse que ali havia certamente mães com seus filhos, e talvez houvessem algumas que estejam “grávidas”.

“Por favor, não fiquemos indiferentes à presença delas, aprendamos a nos maravilhar com sua beleza e, como fizeram Isabel e Maria, a beleza das mulheres grávidas. Abençoemos as mães e louvemos a Deus pelo milagre da vida!”

“Eu gosto - disse Francisco, eu gostava, porque agora não posso fazer isso - quando, na outra diocese, eu costumava pegar o ônibus, quando uma mulher que estava esperando entrava no ônibus, imediatamente lhe davam um lugar para sentar: é um gesto de esperança e respeito!”

Nestes dias gostamos de criar uma atmosfera festiva com luzes, decorações e músicas natalinas. Lembremo-nos, porém, - continuou o Papa - de expressar sentimentos de alegria toda vez que encontrarmos uma mãe que leva seu filho nos braços ou no ventre. E quando isso acontecer, rezemos em nossos corações e também digamos, como Isabel: “Bendita és tu entre as mulheres, e bendito é o fruto do teu ventre!”; cantemos como Maria: “A minha alma engrandece o Senhor”, para que toda maternidade seja abençoada, e em cada mãe do mundo seja agradecido e exaltado o nome de Deus, que confia aos homens e às mulheres o poder de dar vida às crianças!

Em seguida o Papa disse que iria abençoar os “Bambinelli” (imagens do Menino Jesus) que as crianças trouxeram. “Eu trouxe o meu, afirmou o Papa apontando para a imagem de um Menino Jesus sobre a mesa. Este – confidenciou -, foi-me dado pelo arcebispo de Santa Fé; foi feito pelos aborígenes equatorianos”.

Podemos nos perguntar, então, continuou Francisco: agradeço ao Senhor porque Ele se tornou homem como nós, para compartilhar em tudo, exceto o pecado, a nossa existência? Eu O louvo e O abençoo por cada criança que nasce? Quando encontro uma mamãe grávida sou gentil? Apoio e defendo o valor sagrado da vida dos pequeninos desde sua concepção no ventre materno?

O Santo Padre concluiu pedindo que Maria, a Bendita entre todas as mulheres, nos torne capazes de sentir admiração e gratidão diante do mistério da vida que nasce. Fonte: https://www.vaticannews.va 

Na Audiência Geral desta quarta-feira (18/12), o Papa Francisco deu início ao ciclo de catequeses que acompanhará o Ano Jubilar. “Jesus Cristo, nossa esperança: Ele é a meta de nossa peregrinação e o caminho a ser percorrido”, afirmou o Santo Padre.

 

Thulio Fonseca - Vatican News

O Papa Francisco introduziu, na manhã desta quarta-feira, 18 de dezembro, o novo ciclo de catequeses que terá como tema: “Jesus Cristo, nossa esperança”, e que se desenvolverá no decorrer do Ano Santo. Aos milhares de fiéis reunidos na Sala Paulo VI, o Pontífice destacou que a reflexão será dividida em partes, começando com a infância de Jesus, narrada pelos Evangelistas Mateus e Lucas. “Os Evangelhos da infância relatam a concepção virginal de Jesus, seu nascimento do ventre de Maria, e a paternidade legal de José, que insere o Filho de Deus na dinastia de Davi”, explicou Francisco.

“Jesus nos é apresentado como recém-nascido, criança e adolescente, submisso a seus pais e, ao mesmo tempo, consciente de estar totalmente dedicado ao Pai e ao seu Reino.”

 

A genealogia de Jesus 

O Papa ressaltou a importância da genealogia apresentada no Evangelho de Mateus, que inaugura o Novo Testamento: “A genealogia de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão” (Mt 1,1). Trata-se de uma lista que demonstra “a verdade da história e da vida humana”, disse Francisco, sublinhando que ela revela uma narrativa rica em significado espiritual:

“A genealogia do Senhor é constituída a partir da história verdadeira, onde se encontram nomes no mínimo problemáticos e se sublinha o pecado do rei Davi... Tudo, porém, conclui-se e floresce em Maria e em Cristo”.

O Santo Padre destacou três elementos presentes na genealogia: um nome, que contém uma identidade e missão únicas; a pertença a uma família e povo; e a adesão de fé ao Deus de Israel.

 

O papel das mulheres 

Uma particularidade do Evangelho de Mateus é a inclusão de cinco mulheres na genealogia de Jesus: Tamar, Raab, Rute, Betsabéia e Maria. Francisco enfatizou que, enquanto as primeiras quatro são estrangeiras, o que sinaliza a universalidade da missão de Cristo, Maria inaugura algo completamente novo:

“Maria marca um novo início, porque em sua história já não é a criatura humana a protagonista da geração, mas o próprio Deus. ‘Jacó gerou José, o esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, que é chamado o Cristo’ (Mt 1,16).”

 

Jesus, verdadeiro Deus e verdadeiro homem 

"Jesus é filho de Davi, inserido por José nessa dinastia e destinado a ser o Messias de Israel, mas é também filho de Abraão e de mulheres estrangeiras, destinado a ser 'Luz das nações' (cf. Lc 2,32)."

Francisco se deteve também na dimensão profundamente humana de Jesus, que, apesar de sua missão divina, foi reconhecido em Nazaré como “filho de José” ou “filho do carpinteiro” (Jo 6,42; Mt 13,55). “O Filho de Deus entrou no mundo como todos os filhos dos homens, tanto que em Nazaré será chamado assim”, sublinhou o Pontífice.

 

Gratidão aos antepassados e à Igreja 

Concluindo a catequese, o Papa convidou os fiéis a despertarem a memória grata pelos seus antepassados e pela Igreja, que nos transmite a vida eterna em Jesus Cristo: “Rendamos graças a Deus, que, por meio da mãe Igreja, nos gerou para a vida eterna, a vida de Jesus, nossa esperança.” Fonte: https://www.vaticannews.va

 

Na missa no Vaticano com os novos cardeais, Francisco deseja que o modo como a Virgem viveu a filiação, a esponsalidade e a maternidade “nos conquiste”, porque a Imaculada não é um mito, mas um projeto bonito e concreto. Toda presunção de autossuficiência, de fato, não gera nem amor, nem felicidade: “de que adiantam os altos níveis de crescimento econômico dos países privilegiados, se metade do mundo morre de fome e de guerra, e outros ainda observam com indiferença?”

 

Antonella Palermo - Vatican News

Na Solenidade da Imaculada Conceição, que este ano coincide com o segundo Domingo do Advento, o Papa Francisco preside a Santa Missa na Basílica Vaticana, onde neste sábado (07/12) criou 21 cardeais, “portadores de uma única Sabedoria com muitas faces”, que neste domingo (08/12) participam da celebração de ação de graças com o Pontífice. A homilia se concentrou na beleza de Maria, “serva” não no sentido de “subjugada”, mas de “estimada”. Uma existência, a dela, a ser tomada como critério praticável de vida, no aqui e agora, capaz de fecundar com amor autêntico tanto a esfera familiar quanto as relações sociais e entre as nações.

 

Não há salvação sem a mulher, a Igreja é a mulher 

A contemplação da Virgem oferecida pelo Papa a torna particularmente próxima e familiar. Maria, Francisco nos lembra, teve uma infância que não é contada nos textos sagrados. E, no entanto, nesse mesmo anonimato - que nos Evangelhos dá lugar à sugestão de uma vida rica em fé, humilde e simples, toda harmonia e candura - o reflexo do amor de Deus floresce e se irradia muito além do desconhecido vilarejo de Nazaré. É “uma flor que cresceu sem ser notada”. Uma filha de “coração puro” com o “perfume da santidade”. A vida de Maria é uma doação contínua. Como esposa, é definida como “serva do Senhor”; mas aqui o Papa faz questão de esclarecer: “serva” não no sentido de “subjugada” e “humilhada”, mas de uma pessoa “confiável”, “estimada”, a quem o Senhor confia os tesouros mais preciosos e as missões mais importantes. E mais uma ênfase, acrescentada pelo Pontífice:

O Concílio diz o seguinte: Deus escolheu Maria, escolheu uma mulher como companheira para o seu projeto de salvação. Não há salvação sem a mulher, porque a Igreja também é mulher.

 

A Imaculada Conceição não é uma doutrina abstrata ou um ideal impossível

A maternidade de Maria, que se tornou a característica que mais interessou aos artistas na história da Igreja, sugere uma generatividade que está totalmente atenta à exaltação do outro, o Filho. Com um coração livre de pecado, dócil à ação do Espírito Santo. A fecundidade da Imaculada, observa o Papa, é bonita precisamente porque ela sabe morrer para dar vida, “em seu esquecer-se de si mesma para cuidar daqueles que, pequenos e indefesos, a Ela se agarram”. Entretanto, é uma figura que encarna uma beleza que não é muito alta, inatingível. 

A Imaculada, portanto, não é um mito, uma doutrina abstrata ou um ideal impossível: é a proposta de um bonito e concreto projeto, o modelo plenamente realizado de nossa humanidade, por meio do qual, pela graça de Deus, todos nós podemos contribuir para mudar o nosso mundo para melhor.

 

A beleza de Maria salva o mundo da autossuficiência

A beleza de Maria é uma beleza “que salva o mundo” e, portanto, deve nos conquistar e nos converter, espera o Sucessor de Pedro. Uma beleza em que as famílias são um espaço de verdadeira partilha e em que os pais estão “presentes em carne e osso junto dos filhos”. Se esse estilo for internalizado, poderão surgir atitudes de abertura, solidariedade, empatia e harmonia, afetando todas as áreas da vida que, com muita frequência, são condicionadas por pretensões de autossuficiência. É essa preocupação em “ser como Deus”, diz o Papa, que continua a ferir a humanidade e não gera nem amor nem felicidade.

 

De que serve o dinheiro se metade do mundo morre?

Ele prossegue listando uma série de situações críticas: “quem exalta como uma conquista a rejeição de qualquer vínculo estável e duradouro, concretamente não fomenta liberdade. Aqueles que não respeitam o pai e a mãe, que não querem ter filhos, que consideram os outros como um objeto ou um incômodo, que avaliam a partilha como uma perda e a solidariedade como um empobrecimento, não espalham alegria nem futuro”. Em seguida, o Pontífice faz algumas perguntas, provocações que analisam algumas contradições óbvias nas sociedades contemporâneas:

De que serve o dinheiro no banco, o conforto nos apartamentos, as falsas “amizades” do mundo virtual, se os corações permanecem frios, vazios, fechados? De que adiantam os altos níveis de crescimento econômico dos países privilegiados, se metade do mundo morre de fome e de guerra, e outros ainda observam com indiferença? De que adianta viajar pelo mundo inteiro, se cada encontro é reduzido à emoção de um momento, a uma fotografia que, em alguns dias ou meses, ninguém se lembrará mais? Fonte: https://www.vaticannews.va

Na catequese desta quarta-feira (04/12), Francisco ressaltou a importância da obra evangelizadora do Espírito Santo e o seu papel na pregação da Igreja. "Pregação com a unção do Espírito é transmitir vida e profunda convicção, evitando o uso de meras palavras persuasivas de sabedoria”, afirmou o Pontífice.

 

Thulio Fonseca – Vatican News

Na Audiência Geral desta quarta-feira, 4 de dezembro, o Papa Francisco continuou sua série de catequeses sobre o Espírito Santo e a Igreja, enfocando a obra evangelizadora do Espírito Santo, ou seja, o seu papel na pregação da Igreja. Inspirado na Primeira Carta de São Pedro, o Santo Padre destacou que os apóstolos são definidos como "aqueles que vos pregaram o Evangelho da parte do Espírito Santo" (1Pd 1,12). A partir dessa definição, o Pontífice explicou os dois pilares da pregação cristã: seu conteúdo, que é o Evangelho, e o seu meio, que é o Espírito Santo.

Francisco recordou que, no Novo Testamento, a palavra “Evangelho” possui dois significados principais. Primeiramente, refere-se à boa nova anunciada por Jesus durante sua vida terrena, conforme descrito nos quatro Evangelhos canônicos: Mateus, Marcos, Lucas e João. Após a Páscoa, o termo assume uma nova conotação: a boa nova é a mensagem central sobre Jesus Cristo, especialmente o mistério pascal de sua morte e ressurreição.

Ao citar a carta de São Paulo aos Romanos, o Papa sublinhou que o Evangelho é “uma força vinda de Deus para a salvação de todo o que crê” (Rm 1,16). Contudo, alertou que a pregação não deve colocar a lei acima da graça, nem as obras acima da fé. “Devemos sempre começar pelo anúncio do que Cristo fez por nós”, explicou o Santo Padre, reiterando a importância do querigma, o primeiro anúncio que é essencial em toda renovação eclesial, conforme ensinado em sua exortação Evangelii gaudium:

"Não se deve pensar que, na catequese, o querigma é deixado de lado em favor de uma formação supostamente mais 'sólida'. Nada há de mais sólido, mais profundo, mais seguro, mais consistente e mais sábio que esse anúncio.”

 

O Espírito Santo como meio indispensável

O Papa enfatizou também que a eficácia da pregação não se limita a palavras ou doutrinas, mas depende do Espírito Santo, e relembrou que Jesus, no início de seu ministério, proclamou: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu; e enviou-me para anunciar a boa nova aos pobres” (Lc 4,18). Pregação com a unção do Espírito, explicou Francisco, é transmitir vida e profunda convicção, evitando o uso de meras “palavras persuasivas de sabedoria”. Para os que se perguntam como colocar isso em prática, o Pontífice ofereceu duas orientações fundamentais. Primeiro, a oração:

"O Espírito Santo chega a quem reza, porque o Pai celeste – está escrito – 'dará o Seu Espírito aos que lhe pedirem' (Lc 11,13), sobretudo se o pedirem para anunciar o Evangelho do seu Filho! Ai de quem pregar sem rezar! Torna-se naquilo que o Apóstolo define como 'um bronze que ressoa ou um címbalo que retine' (cf. 1Cor 13,1). Portanto, a primeira coisa que depende de nós é rezar."

 

Não pregar a si mesmo

A segunda orientação do Santo Padre é a humildade de não pregar a si mesmo, mas a Cristo. E neste sentido, o Papa exortou, de maneira específica, os pregadores:

"Muitas vezes há essas pregações longas, de 20 minutos, 30 minutos... Mas, por favor, os pregadores devem pregar uma ideia, um sentimento e um convite a agir. Mais de 8 minutos e a pregação se perde, não se entende. (...) Por favor, a pregação deve ser uma ideia, um sentimento e uma proposta de ação. E não deve passar de 10 minutos. Nunca! Isso é muito importante."

 

Colaborar com as iniciativas comunitárias

Ao concluir a catequese, o Santo Padre sublinhou que não querer pregar a si mesmo implica também não dar sempre prioridade às iniciativas pastorais promovidas por nós e ligadas ao próprio nome, mas colaborar de boa vontade, se solicitado, em iniciativas comunitárias ou que nos são confiadas por obediência, e completou:

"Que o Espírito Santo nos ajude, nos acompanhe e ensine a Igreja a pregar assim o Evangelho aos homens e mulheres deste tempo!" Fonte: https://www.vaticannews.va 

"Se as preocupações sobrecarregam o coração e nos levam a nos fecharmos em nós mesmos, Jesus, ao contrário, nos convida a erguer a cabeça, a confiar em Seu amor que quer nos salvar e que se aproxima de nós em toda situação de nossa existência", foi a exortação do Papa Francisco em sua reflexão antes da oração mariana do Angelus deste I Domingo do Advento.

 

Thulio Fonseca - Vatican News

“O convite de Jesus é este: erguer a cabeça para o alto e manter o coração leve e vigilante.”

Foi o que recordou o Papa Francisco, durante a oração mariana do Angelus deste I Domingo do Advento (01/12), com os fiéis reunidos na Praça São Pedro. Em sua reflexão, o Santo Padre, ao meditar sobre o evangelho proposto pela liturgia neste tempo em que a Igreja convida os fiéis a se prepararem para o Natal, destacou o convite de Jesus para enfrentar as ansiedades da vida com um coração vigilante e livre, confiando no amor divino que nos sustenta.

"O Mestre quer que nossos corações não fiquem pesados pelas angústias ou preocupações", afirmou o Pontífice ao comentar os eventos catastróficos e as tribulações descritas no Evangelho. "Ao contrário, Ele nos convida a erguer a cabeça, confiando em Seu amor e em Sua promessa de salvação, mesmo nos momentos mais difíceis."

 

Superar o medo com confiança em Deus

O Papa ressaltou que, nos tempos de Jesus, muitos interpretavam os acontecimentos dramáticos como sinais do fim do mundo, sendo tomados pelo medo. No entanto, Francisco enfatizou que Cristo oferece uma perspectiva diferente: "Ele nos liberta das falsas convicções e nos ajuda a interpretar os fatos à luz do projeto de Deus, que realiza Sua salvação mesmo nas situações mais dramáticas da história."

Francisco também convidou os fiéis a refletirem sobre suas próprias vidas: "Meu coração está sobrecarregado pelas preocupações e pelo medo do futuro? Ou consigo olhar para as circunstâncias diárias com os olhos de Deus, em oração, com um horizonte mais amplo?"

 

Vigilância e oração

Durante sua alocução, o Pontífice destacou ainda a importância de manter a vigilância espiritual, prevenindo que o coração se torne "pesado" com as preocupações mundanas, pois "todos nós, em muitos momentos da vida, nos perguntamos: como ter um coração 'leve', vigilante e livre que não se deixa esmagar pela tristeza?"

"Pode acontecer, de fato, que as ansiedades, os medos e as preocupações com nossa vida pessoal ou com o que acontece no mundo atualmente pesem sobre nós como pedras e nos lancem no desânimo. Se as preocupações sobrecarregam o coração e nos levam a nos fecharmos em nós mesmos, Jesus, ao contrário, nos convida a erguer a cabeça, a confiar em Seu amor que quer nos salvar e que se aproxima de nós em toda situação de nossa existência, a abrir espaço para Ele e, assim, reencontrar a esperança."

 

Acolher o projeto de Deus

Ao concluir sua reflexão, Francisco expressou seu desejo de que "este tempo do Advento seja uma oportunidade preciosa para levantar o olhar para o Senhor, que alivia o coração e nos sustenta no caminho", e acrescentou:

"Invoquemos a Virgem Maria, que, mesmo nos momentos de prova, esteve pronta para acolher o projeto de Deus." Fonte: https://www.vaticannews.va

Alegria, fruto do Espírito Santo, foi o tema da catequese do Santo Padre na Audiência Geral desta quarta-feira, 27 de novembro. “A alegria do Evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus”, afirmou Francisco.

 

Thulio Fonseca - Vatican News

Na Audiência Geral desta quarta-feira (27/11), o Papa Francisco, rodeado por adolescente que ele mesmo convidou para estarem ao seu lado na Praça São Pedro, dedicou sua catequese aos frutos do Espírito Santo, com especial ênfase na alegria. Inspirado pela Epístola aos Gálatas, onde São Paulo descreve os frutos do Espírito como “caridade, alegria, paz, paciência, afabilidade, bondade, fidelidade, brandura, temperança” (Gl 5,22), o Pontífice destacou que esses frutos nascem de uma colaboração entre a graça divina e a liberdade humana e exprimem sempre "a criatividade da pessoa, na qual ‘a fé opera pela caridade’ (Gl 5,6), por vezes de forma surpreendente e alegre”.

"Nem todos na Igreja podem ser apóstolos, profetas, evangelistas; mas todos nós, sim, devemos ser caridosos, devemos ser pacientes, devemos ser humildes, construtores de paz e não de guerra."

 

A alegria evangélica, uma fonte inesgotável

Francisco relembrou as palavras iniciais de sua Exortação Apostólica Evangelii gaudium, sublinhando que “a alegria do Evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus”. Essa alegria, explicou o Santo Padre, não se desgasta com o tempo e se multiplica quando compartilhada. Diferente de qualquer outra alegria humana, marcada pela transitoriedade, a alegria evangélica pode renovar-se diariamente e tornar-se contagiosa:

“Somente graças a este encontro – ou reencontro – com o amor de Deus, que se converte em amizade feliz, é que somos resgatados da nossa consciência isolada e da autorreferencialidade."

 

Com Jesus, há sempre alegria e paz

Ao recordar que, na vida, haverá momentos tristes, o Papa sublinhou que sempre haverá paz, pois com Jesus há alegria e paz:

"Tudo passa rápido. Pensemos juntos: a juventude, a mocidade – passa rápido –, a saúde, as forças, o bem-estar, as amizades, os amores... Duram cem anos, mas depois... não mais que isso. Passa rápido. Aliás, mesmo que essas coisas não passassem tão rápido, depois de um tempo já não bastam ou até se tornam tediosas, porque, como dizia Santo Agostinho dirigindo-se a Deus: 'Tu nos fizeste para Ti, Senhor, e o nosso coração está inquieto enquanto não repousa em Ti'. Existe essa inquietação do coração na busca pela beleza, pela paz, pelo amor, pela alegria."

 

O exemplo de São Filipe Neri

O Papa destacou que a palavra “Evangelho” significa boa nova e, por isso, não pode ser comunicada com “rostos sombrios e caras fechadas”. Ao recordar a exortação de São Paulo aos Filipenses: “Alegrai-vos sempre no Senhor. Repito: alegrai-vos!” (Fp 4,4), o Pontífice enfatizou a importância da alegria na evangelização e citou São Filipe Neri, conhecido como o “santo da alegria”:

"São Filipe Neri tinha tanto amor por Deus que, por vezes, parecia que o seu coração ia explodir no peito. A sua alegria era, no sentido mais pleno, um fruto do Espírito. O santo participou do Jubileu de 1575, que ele enriqueceu com a prática, mantida mais tarde, de visitar as Sete Igrejas. Foi, no seu tempo, um verdadeiro evangelizador pela alegria. E ele tinha isso justamente de Jesus, que sempre perdoava, perdoava tudo. Talvez alguém de nós possa pensar: 'Mas eu cometi este pecado, e este não terá perdão…'. Escutem bem isto: Deus perdoa tudo, Deus perdoa sempre. E essa é a alegria: ser perdoado por Deus. E aos padres e confessores eu sempre digo: 'Perdoem tudo, não perguntem demais; mas perdoem tudo, tudo e sempre'."

 

A força da evangelização

Ao concluir a catequese, o Papa incentivou os fiéis a refletirem sobre como compartilham a alegria do Evangelho em sua vida diária. “A alegria de quem encontrou o tesouro escondido e a pérola preciosa é a verdadeira força da evangelização”, afirmou o Pontífice, convidando todos a viver e comunicar o Evangelho com um coração transbordante de alegria.

"Caros irmãos e irmãs, sejam alegres com a alegria de Jesus em nosso coração." Fonte: https://www.vaticannews.va 

Jesus é o meu Rei ou tenho outros "reis"? Foi a pergunta que Francisco fez aos fiéis reunidos na Praça São Pedro para o Angelus na Solenidade de Cristo Rei do Universo.

 

Vatican News

Já com a árvore de Natal na Praça São Pedro, o Papa rezou com os fiéis o Angelus dominical na Solenidade de Cristo Rei, que encerra o ano litúrgico. Em sua alocução, Francisco comentou o trecho do Evangelho narrado em João (18,33-37), que apresenta Jesus diante de Pôncio Pilatos. Entre os dois, tem início um breve diálogo e o Pontífice se deteve em duas palavras que, entre as perguntas e respostas, adquirem um novo significado: “rei” e “mundo”.

Num primeiro momento, Pilatos pergunta a Jesus: “És tu o rei dos judeus?”. Raciocinando como funcionário do império, quer perceber se o homem que tem diante de si constitui uma ameaça, e um rei para ele é a autoridade que governa todos os seus súbditos. Em resposta, Jesus afirma que é rei, sim, mas de uma forma muito diferente! Jesus é rei porque é testemunha: é Aquele que diz a verdade. O poder real de Jesus, Verbo encarnado, reside na sua palavra verdadeira e eficaz, que transforma o mundo.

Mundo: eis o segundo momento. O “mundo” de Pôncio Pilatos é aquele onde o forte triunfa sobre o fraco, o rico sobre o pobre, o violento sobre o manso. "Um mundo que, infelizmente, conhecemos bem", constatou Francisco. Jesus é Rei, mas o seu reino não é deste mundo. De fato, o mundo de Jesus é o mundo novo, o mundo eterno, que Deus prepara para todos, dando a sua vida para a nossa salvação. É o reino dos céus, que Cristo traz à terra, derramando graça e verdade.

 

“O mundo do qual Jesus é Rei redime a criação arruinada pelo mal com a força do amor divino, que liberta e perdoa, que doa paz e justiça.”

 

“Mas é verdade isto, padre?”. Sim, como é a sua alma? Há algo de pesado ali dentro? Alguma culpa antiga? Jesus perdoa sempre. Jesus não se cansa de perdoar. Este é o Reino de Jesus. Se há algo ruim dentro de você, peça perdão. E Ele perdoa sempre.

 

O diálogo entre eles, prosseguiu o Papa, não se transforma em entendimento, Pilatos não se abre à verdade, apesar de estar perante ela. Manda crucificar Jesus e ordena que se escreva na cruz: “O Rei dos Judeus”, mas sem compreender o significado dessas palavras. No entanto, Cristo veio ao mundo, a este nosso mundo: quem é da verdade, ouve a sua voz. É a voz do Rei do universo, que se fez servo de todos. Francisco então se dirigiu aos fiéis com as seguintes perguntas:

"Posso dizer que Jesus é o meu “rei”? Ou dentro do coração tenho outros 'reis'? Em que sentido? A sua Palavra é o meu guia, a minha certeza? Vejo Nele a face misericordiosa de Deus que sempre perdoa, que está nos esperando para nos dar o perdão? Rezemos juntos a Maria, serva do Senhor, enquanto esperamos com esperança o Reino de Deus." Fonte: https://www.vaticannews.va

O caminho da santidade, recordou o Papa no Angelus desta sexta-feira, 1º de novembro e Dia de Todos os Santos, começa pelo comprometimento em primeira pessoa em "praticar as Bem-aventuranças do Evangelho nos ambientes em que vivo". Tantos os santos venerados nos altares como aqueles da "porta ao lado" são "pessoas 'cheias de Deus', incapazes de permanecer indiferentes às necessidades do próximo; testemunhas de caminhos luminosos, possíveis também para nós".

 

Andressa Collet - Vatican News

Neste 1º de novembro a Igreja celebra o Dia de Todos os Santos, feriado na Itália, mas não no Brasil que o faz no domingo, dia 3 de novembro. Na Praça São Pedro, também ponto de partida para a tradicional Corrida dos Santos na sua décima sexta edição com 4 mil atletas, o Papa refletiu no Angelus sobre o Evangelho do dia (cf. Mt 5,1-12) e as Bem-aventuranças proclamadas por Jesus, que são "a carteira de identidade do cristão e o caminho da santidade", aquele feito por amor, "que Ele mesmo percorreu primeiro ao se tornar homem, e que para nós é tanto um dom de Deus quanto a nossa resposta".

 

O caminho da santidade

É dom de Deus, explicou Francisco, porque, é para Ele "que pedimos que nos faça santos, que torne o nosso coração semelhante ao seu", de modo que em nós, como dizia o Beato Carlo Acutis, "tenha sempre 'menos de mim para dar lugar a Deus'". O que nos leva ao segundo ponto, continuou o Pontífce, a nossa resposta:

 

 O Pai do céu, de fato, nos oferece a sua santidade, mas não a impõe a nós. Ele a semeia em nós, nos faz sentir o gosto e ver a beleza, mas depois espera e respeita o nosso “sim”. Deixa a nós a liberdade de seguir as suas boas inspirações, de nos deixarmos envolver por seus projetos, de fazer nossos os seus sentimentos (cf. Dilexit nos, 179), colocando-nos, como Ele nos ensinou, a serviço dos outros, com uma caridade cada vez mais universal, aberta e dirigida a todos, ao mundo inteiro.

 

Tudo isso vemos na vida dos santos, apronfundou o Papa, ao citar o caminho da santidade feito por "São Maximiliano Kolbe, que em Auschwitz pediu para tomar o lugar de um pai de família condenado à morte; ou em Santa Teresa de Calcutá, que passou sua existência a serviço dos mais pobres entre os pobres; ou no bispo São Óscar Romero, assassinado no altar por ter defendido os direitos dos últimos contra os abusos dos prepotentes". Santos "moldados pelas Bem-aventuranças" que são venerados nos altares, sem esquecer "aqueles que estão 'na porta ao lado', com quem convivemos todos os dias" e são "pessoas 'cheias de Deus', incapazes de permanecer indiferentes às necessidades do próximo; testemunhas de caminhos luminosos, possíveis também para nós".

“Perguntemo-nos então: eu peço a Deus, em oração, o dom de uma vida santa? Deixo-me guiar pelos bons impulsos que o seu Espírito desperta em mim? E me comprometo em primeira pessoa a praticar as Bem-aventuranças do Evangelho nos ambientes em que vivo?” Fonte: www.vaticannews.va