As novidades do ambiente digital 

Uma realidade invasiva

  1. O ambiente digital caracteriza o mundo contemporâneo. Amplas camadas da humanidade estão mergulhadas nele de maneira normal e contínua. Não se trata apenas de «usar» instrumentos de comunicação, mas de viver numa cultura amplamente digitalizada, que tem impactos extremamente profundos sobre a noção de tempo e de espaço, sobre a percepção de si, do próximo e do mundo, sobre a maneira de comunicar, aprender, obter informações, entrar em relação com os outros. Uma abordagem da realidade que tende a privilegiar a imagem relativamente à escuta e à leitura influencia o modo de aprender e o desenvolvimento do sentido crítico. Já se tornou evidente que «o ambiente digital não é um mundo paralelo nem puramente virtual, mas faz parte da realidade quotidiana de muitas pessoas, especialmente dos mais jovens» (Bento XVI, Mensagem para o XLVII Dia Mundial das Comunicações Sociais).

A rede de oportunidades

  1. webe as redes sociais constituem uma «praça» onde os jovens transcorrem muito tempo e se encontram facilmente, embora nem todos tenham igual acesso às mesmas, de modo particular em determinadas regiões do mundo. Contudo, elas constituem uma extraordinária oportunidade de diálogo, encontro e intercâmbio entre as pessoas, bem como de acesso à informação e ao conhecimento. Além disso, o mundo digital é um âmbito de participação sociopolítica e de cidadania ativa, e pode facilitar a circulação duma informação independente, capaz de tutelar eficazmente as pessoas mais vulneráveis, revelando as violações dos seus direitos. Em muitos países, a web e as redes sociais já constituem um lugar indispensável para alcançar e envolver os jovens nas próprias iniciativas e atividades pastorais.

O lado obscuro da rede

  1. O ambiente digital é também um território de solidão, manipulação, exploração e violência, até ao caso extremo da dark web. Os meios de comunicação digitais podem expor ao risco de dependência, isolamento e perda progressiva de contato com a realidade concreta, impedindo o desenvolvimento de relações interpessoais autênticas. Novas formas de violência propagam-se através das redes sociais, por exemplo o cyberbullying; de igual modo, a webconstitui um canal de divulgação da pornografia e de exploração das pessoas para fins sexuais ou através do jogo de azar.
  2. Por fim, no mundo digital existem gigantescos interesses económicos, capazes de atuar formas de controle que são tão cavilosas quão invasivas, criando mecanismos de manipulação das consciências e do processo democrático. Frequentemente, o funcionamento de muitas plataformas acaba por favorecer o encontro entre pessoas que pensam do mesmo modo, obstruindo o confronto entre as diferenças. Estes circuitos fechados facilitam a divulgação de informações e notícias falsas, fomentando preconceitos e ódio. A proliferação de notícias falsas é expressão duma cultura que perdeu o sentido da verdade e adapta a realidade a interesses particulares. A reputação das pessoas é comprometida através de processos