Deixaram tudo e seguiram a Jesus!
Dom Anuar Battisti
Arcebispo Emérito de Maringa (PR)
A liturgia deste domingo fala-nos de “vocação”. Lembra-nos que Deus conta conosco para concretizar o seu projeto de salvação para o mundo e para os homens. Desafia-nos a responder com generosidade ao chamamento de Deus. A Palavra de Deus nos motiva a dar a resposta da fé: aqui estamos, envia-nos! Acolher a Palavra de Deus significa nos deixarmos moldar pela graça divina e nos dispormos a avançar na missão de anunciar o Evangelho.
A primeira leitura – Is 6,1-8 – traz-nos a descrição plástica do chamamento de um profeta – Isaías. Enquanto dialoga com Deus, Isaías apercebe-se de que Deus tem planos para ele. Apesar de se sentir frágil e indigno, Isaías abraça o convite de Deus e responde, com toda a convicção: “eis-me aqui: podeis enviar-me”. A resposta de Isaías poderia muito bem ser o modelo da nossa resposta ao Deus que chama. Diante da arca da Aliança, o profeta adquire profunda consciência da grandeza de Deus e, ao mesmo tempo, reconhece sua pequenez. Ao ser purificado pelo Senhor, põe-se à sua disposição.
No Evangelho – Lc 5,1-11 –, Lucas oferece-nos uma imagem do “barco de Simão Pedro”, metáfora da comunidade cristã. Jesus está lá, sentado a ensinar todos aqueles que se dispõem a escutá-l’O. Os que viajam nesse barco devem orientar-se pela Palavra e pelas indicações de Jesus. O Mestre quer entregar-lhes uma missão: serem “pescadores de homens”. Eles são chamados a trabalhar com Jesus na libertação de todos os homens e mulheres afogados no sofrimento sem sentido. Ao mandato do Mestre Jesus, os apóstolos conseguem grande pescaria e são desafiados a lançar as redes em “águas mais profundas”. De pescadores de peixes tornam-se “pescadores de gente”. Não importam os fracassos e desafios, o importante é lançar as redes.
Terminado seu discurso para o povo, Jesus se volta para Simão e lhe faz uma proposta: Avança para águas mais profundas, e lançai vossas redes para a pesca” (Lc 5, 4). Lançam-se as redes e acontece a pesca milagrosa. O versículo 8 é o reconhecimento de Pedro de quem era Jesus. No versículo 10b, Jesus chama diretamente a Simão. O Senhor continua a chamar, incansavelmente, cada um de nós em nossas realidades, desafios e esperança.
O desafio que se nos apresenta é anunciar o Evangelho ao mundo, s em ser do mundo (cf. Jo 15,19), ainda que sob o risco de enfrentar tempestades. Essa missão realizamos juntos. A tarefa se inicia com poucos, mas logo se torna abrangente: “fizeram sinal aos companheiros da outra barca, para que viessem ajudá-los” (Lc 5, 7).
A missão nunca é desempenhada solitariamente. Devemos anunciar o Evangelho de maneira sinodal e comunitária. É no diálogo e na participação que a Igreja se renova. Desse modo, as redes dos primeiros discípulos tornam-se imagem de uma Igreja “rede de relações”.
Que este Jubileu da Esperança possa ser um momento de encontro vivo e pessoal com o Senhor Jesus, porta de salvação (Jo 10,7.9); com ele, que a Igreja tem por missão anunciar sempre, em toda parte e a todos, como sendo a nossa esperança.
Na segunda leitura – 1Cor 15,1-11 –, São Paulo fala-nos da ressurreição de Cristo, uma realidade que nos abre perspectivas novas e que nos permite encarar a vida com esperança. Recorda-nos que somos chamados – como o próprio Paulo foi – a acreditarmos e a sermos testemunhas da vida nova que brota de Jesus e da sua proposta. São Paulo reconhece sua fraqueza ao perseguir a Igreja, mas deixa tudo isso para trás a fim de se dedicar à evangelização. Todo bem que fazemos deve ser atribuído à graça de Deus, na qual podemos confiar, deixando para trás o que passou e assumindo nosso compromisso.
Nossas comunidades são chamadas por Jesus e pela Igreja a ouvir a sua Palavra de Salvação, acolhê-la com afetuosa atenção e lançar as redes em águas mais profundas. Levemos a doçura do Evangelho para aspergir esperança no mundo! Deixemos tudo para seguir a Jesus e anunciá-Lo ao mundo que precisa de esperança cristã! Fonte: https://www.cnbb.org.br