Papa Francisco aceita renúncias de bispos chilenos após escândalo de abuso sexual
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O Papa Francisco aceitou a renúncia de três bispos chilenos após vir à tona o escândalo de abuso sexual envolvendo clérigos do país sul-americano, anunciou o Vaticano na manhã desta segunda-feira.
Segundo um comunicado, Francisco aceitou a renúncia do bispo Juan Barros, de Osorno, que está no centro das denúncias, do bispo Gonzalo Duarte, de Valparaíso, e do bispo Cristian Caro, de Puerto Montt.
Dos três, apenas Barros, de 61 anos, está abaixo da idade de aposentadoria de 75 anos. Ele ficou no centro do escândalo de abuso sexual no Chile, após ser nomeado bispo de Osorno, em 2015. Barros foi acusado pelas vítimas de testemunhar e ignorar os abusos de um padre. O bispo negou as acusações.
Em uma ação sem precedentes, todos os 34 bispos do Chile ofereceram uma renúncia em massa no último mês, depois de uma reunião sobre a crise com o Papa, em que foram abordadas as alegações de encobrimento de abuso sexual no país.
O pontífice prometeu aos católicos chilenos afetados pelos abusos sexuais do clero que "nunca mais" a Igreja vai ignorá-los ou acobertar os abusos em seu país.
O escândalo gira em torno do padre Fernando Karadima, que foi considerado culpado em uma investigação do Vaticano em 2011 por abusar de meninos em Santiago nos anos 1970 e 1980. Agora com 87 anos e vivendo em uma casa de repouso no Chile, ele sempre negou qualquer irregularidade.
O mais experiente investigador de abuso sexual do Vaticano, o arcebispo Charles Scicluna, visitou o Chile no início deste ano para investigar o escândalo. Ele foi enviado de volta ao Chile para reunir mais informações. Fonte: https://extra.globo.com
SEGUNDA-FEIRA 11. HOMILIA DO PAPA: “Que os evangelizadores não sejam carreiristas”.
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Na homilia da Missa celebrada na capela da Casa Santa Marta, o Papa Francisco refletiu sobre as três dimensões da evangelização: anúncio, serviço e gratuidade.
Barbara Castelli – Cidade do Vaticano
A evangelização tem três dimensões fundamentais: o anúncio, o serviço e a gratuidade. Foi o que sublinhou o Papa Francisco na homilia da Missa celebrada na manhã desta segunda-feira, 11, na capela da Casa Santa Marta.
Escolhas que não transformam o coração
Inspirando-se nas leituras do dia, o Pontífice esclarece que o Espírito Santo é o “protagonista” do anúncio, que não apresenta uma simples “pregação” ou a “transmissão” de algumas ideias, mas é um movimento dinâmico capaz de “transformar os corações”, graças à ação do Espírito.
“Vimos planos pastorais bem feitos, perfeitos – precisa Francisco – mas que não eram instrumento de evangelização”, simplesmente porque eram finalizados em si mesmos, “incapazes de transformar os corações”:
"Não é uma atitude empresarial que Jesus nos manda ter, com uma atitude empresarial, não. É com o Espírito Santo. Isso é coragem. A verdadeira coragem da evangelização não é uma teimosia humana, assim... Não. É o Espírito Santo que nos dá coragem e leva você em frente".
Na Igreja é preciso servir
A segunda dimensão da evangelização destacada pelo Papa, é a do serviço, oferecido também “nas pequenas coisas”.
Equivocada, de fato, é a presunção de querer ser servido depois de ter feito carreira, na Igreja ou na sociedade: “o subir na Igreja – acrescenta – é um sinal que não se sabe o que é a evangelização”: “aquele que manda, deve ser como aquele que serve”:
“Nós podemos anunciar coisas boas, mas sem serviço não é anúncio, parece, mas não é. Porque o Espírito não somente leva você me frente para proclamar as verdades do Senhor e a vida do Senhor, mas leva você também aos irmãos, irmãs, para servi-los. Também nas coisas pequenas. É feio quando nos deparamos com evangelizadores que se fazem servir e vivem para serem servidos. É feio. São como príncipes da evangelização”.
Gratuidade da evangelização
Por fim, a gratuidade, porque ninguém pode redimir-se pelos próprios méritos. “Gratuitamente recebestes – nos recorda o Senhor - gratuitamente deveis dar”:
“Todos nós fomos salvos gratuitamente por Jesus Cristo e portanto devemos dar gratuitamente. Os agentes pastorais da evangelização devem aprender isto, a vida deles deve ser gratuita, a serviço, ao anúncio, conduzidos pelo Espírito. A própria pobreza os impele a abrirem-se ao Espírito”. Fonte: www.vaticannews.va
DOMINGO 10: MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO: "Acusar alguém por inveja é veneno mortal"
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Diante da Praça São Pedro completamente tomada por fiéis, romanos e turistas, o Papa Francisco fez a sua reflexão deste domingo (10/06/2018) comentando o Evangelho de Marcos, que narra os dois tipos de incompreensão que Jesus enfrentou: a dos escribas e a dos seus próprios familiares.
Cidade do Vaticano
“Pode acontecer que a forte inveja pela bondade ou pelas boas ações de alguém leve uma pessoa a acusar falsamente outra. Este é o verdadeiro veneno mortal: a malícia premeditada que destrói a boa fama do outro”. Diante da Praça São Pedro completamente tomada por fiéis, romanos e turistas, o Papa Francisco fez a sua reflexão deste domingo (10/06) comentando o Evangelho de Marcos. Como explicou, a liturgia do dia apresenta dois tipos de incompreensão que Jesus enfrentou: a dos escribas e a de seus próprios familiares, uma “advertência para todos nós”.
A tentação de falar mal do outro
“Deus nos liberte desta terrível tentação... e se examinando nossa consciência, percebermos que esta semente maligna esta germinando dentro de nós, corramos a confessá-lo no sacramento da Penitência, antes que cresça e produza efeitos ruins. Isso é incurável”. Francisco recordou que os escribas eram homens instruídos na lei e nas Sagradas Escrituras e encarregados de explicá-las ao povo. Alguns deles foram enviados à Galileia, onde a fama de Jesus começava a se alastrar, “para desacreditá-lo, serem fofoqueiros e destruí-lo”.
Jesus reage com palavras forte
“Estes escribas chegaram com uma acusação terrível. Diziam que Jesus estava possuído por Belzebu e que expulsava os demônios pelo príncipe dos demônios. Isto queria dizer mais ou menos ‘este homem é um endiabrado’. De fato, Jesus curava muitos doentes... mas queriam fazer crer que Ele o fazia com o Espírito de Satanás”.
Jesus não tolerou isso e reagiu com palavras fortes, pois os escribas, talvez sem se dar conta, estavam caindo no pecado mais grave: negar e blasfemar o Amor de Deus que existe e atua em Jesus. “O pecado contra o Espírito Santo é o único pecado imperdoável, porque parte do fechamento do coração à misericórdia de Deus que age em Jesus ”
Acrescentando espontaneamente, o Papa exortou:
“Fiquem atentos, vocês, porque este comportamento destrói famílias, amizades, comunidades e até mesmo a sociedade”.
Uma família unida pelo respeito ao Senhor
Em seguida, Francisco evidenciou outra incompreensão sofrida por Jesus: a de seus familiares, “que estavam preocupados porque a sua nova vida de itinerante lhes parecia uma loucura e ele não tinha nem tempo para comer”. Quando o procuram para levá-lo de volta a Nazaré, Jesus olha para as pessoas que estavam à sua volta e afirma: “Eis minha mãe e meus irmãos!".
“Aquele que faz a vontade de Deus é irmão, irmã e mãe para mim ”.
“Jesus formou uma nova família, não mais baseada em relações naturais, mas na fé Nele, em seu amor que nos acolhe e nos une, no Espírito Santo. Todos aqueles que acolhem a palavra de Jesus são filhos de Deus e irmãos entre si”, destacou Francisco, segundo quem “aquela resposta de Jesus não foi uma falta de respeito por sua mãe e seus parentes; ao contrário. Para Maria, foi o maior reconhecimento, porque precisamente ela é a perfeita discípula que obedeceu totalmente à vontade de Deus”. Fonte: www.vaticannews.va
SEXTA-FEIRA DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS, 8 DE JUNHO: HOMILIA DO PAPA: “Hoje é a festa do amor de Deus”.
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O Papa Francisco celebrou a missa na capela da Casa Santa Marta e dedicou a sua homilia ao amor de Deus.
Adriana Masotti - Cidade do Vaticano (8/6/2018)
No dia em que a Igreja celebra a Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, o Papa Francisco iniciou a sua homilia na Casa Santa Marta afirmando que se poderia dizer que hoje é a festa do amor de Deus. “Não somos nós que amamos Deus, mas é Ele que “nos amou por primeiro, Ele é o primeiro a amar”, disse o Papa. Uma verdade que os profetas explicavam com o símbolo da flor de amêndoa, o primeiro a florescer na primavera. “Deus é assim: sempre por primeiro. Ele nos espera por primeiro, nos ama por primeiro, nos ajuda por primeiro”.
Mas não é fácil entender o amor de Deus. De fato, Paulo, na segunda Leitura do dia, fala de ‘impenetráveis riquezas de Cristo’, de um mistério escondido.
É um amor que não se pode entender. Um amor de Cristo que supera todo conhecimento. Supera tudo. Tão grande é o amor de Deus. E um poeta dizia que era como “o mar, sem margens, sem fundo …”: mas um mar sem limites. E este é o amor que nós devemos entender, o amor que nós recebemos.
Na história da salvação, o Senhor nos revelou o seu amor, “foi um grande pedagogo”, disse o Papa e, relendo as palavras do profeta Oséias, explica que não o revelou através da potência: “Não. Vamos ouvir: ‘Eu ensinei meu povo a dar os primeiros passos, tomei-o em meus braços, eu cuidava dele’. Tomar nos braços, próximo: como um pai”.
Deus, como manifesta o amor? Com as grandes coisas? Não: se rebaixa, se rebaixa, se rebaixa com esses gestos de ternura, de bondade. Faz-se pequeno. Aproxima-Se. E com esta proximidade, com este rebaixamento, Ele nos faz entender a grandeza do amor. O grande deve ser entendido por meio do pequeno.
Por último, Deus envia o seu Filho, mas “o envia em carne” e o Filho “humilhou a si mesmo” até a morte. Este é o mistério do amor de Deus: a grandeza maior expressa na menor das pequenezas. Para Francisco, assim se pode entender também o percurso cristão.
Quando Jesus nos quer ensinar como deve ser a atitude cristã, nos diz poucas coisas, nos faz ver aquele famoso protocolo sobre o qual todos nós seremos julgados (Mateus 25). E o que diz? Não diz: “Eu creio que Deus seja assim. Entendi o amor de Deus”. Não, não… Eu fiz o amor de Deus em pequenas coisas. Dei de comer ao faminto, dei de beber ao sedento, visitei o doente, o detento. As obras de misericórdia são justamente a estrada do amor que Jesus nos ensina em continuidade com este amor de Deus, grande! Com este amor sem limites, que se aniquilou, se humilhou em Jesus Cristo; e nós devemos expressá-lo assim.
Portanto, concluiu o Papa, não são necessários grandes discursos sobre o amor, mas homens e mulheres “que saibam fazer essas pequenas coisas por Jesus, para o Pai”. As obras de misericórdia “são a continuidade deste amor, que se rebaixa, chega a nós e nós o levamos avante”. Fonte: www.vaticannews.va
Papa aos padres: o celibato é um desafio. Cuidado com o que se olha na internet
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Depois de 50 dias exatos desde o seu pronunciamento, a Santa Sé divulgou na tarde dessa terça-feira, 5, o texto completo do diálogo do Papa Francisco com cerca de 2.000 estudantes dos Colégios superiores eclesiásticos romanos durante uma audiência ocorrida no dia 16 de março passado, na Sala Paulo VI. A reportagem é de Salvatore Cernuzio, publicada em Vatican Insider, 05-06-2018. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
Um discurso muito longo, todo de improviso, no qual o pontífice, em meio a piadas e metáforas, fornece sugestões úteis para a formação e para viver a vocação e o sacerdócio. O texto não havia sido publicado naquele dia pela Sala de Imprensa vaticana por vontade do próprio pontífice (à tarde, no entanto, havia sido publicado um relato conciso no L’Osservatore Romano e uma nota do Vatican News que relatava alguns conteúdos a mais do encontro).
Em um contexto evidentemente descontraído e confidencial, Francisco respondeu amplamente às perguntas de cinco seminaristas, diáconos e sacerdotes: um francês, um sudanês, um mexicano, um ítalo-americano e um filipino.
Discípulos missionários a caminho
Ao primeiro, chamado Louis, que perguntava sobre como “perseverar no caminho do discipulado”, Francisco explicou, acima de tudo, que “o discípulo missionário não pode caminhar sozinho”.
“O missionário está a caminho. Se você é padre, não pode ser um padre ‘quieto’, um padre de sacristia, de escritório paroquial, um padre que escreveu na porta: ‘Aberto apenas segundas, quartas e sextas-feiras de tal a tal hora’ e ‘Confissões em tal dia, de tal a tal hora’: ‘Pequem antes, porque depois não se confessa’... Não se pode. Você está a caminho”, explica Francisco.
E, nesse caminho, há surpresas para descobrir através da “escuta”. A escuta “do Senhor”, naturalmente, mas também “das necessidades da humanidade, dos problemas”. Escuta que, portanto, se torna “oração” para não correr o risco de se tornar “surdos” às palavras de Deus. E, se a Palavra está “desligada” para você, isso significa que “você desligou o zelo, você mudou um pouco de registro e só aprendeu a escutar outras coisas”.
Caminho e escuta, mas também “fraternidade”. “‘Mas isso é fácil!’. Não é fácil – diz o Papa Francisco –. agora é fácil, porque vocês estão todos reunidos, todos em um colégio com tantos sacerdotes a seu serviço e em sua ajuda. Mas quando você estiver em uma paróquia, quando você estiver em uma universidade fazendo escola, isso não será fácil, porque a comodidade, o mundanismo levarão você a não estar a caminho. Porque estar a caminho cansa”.
Atenção, porém, porque, depois, “a vida começa a encolher” e se torna “como aqueles surdos que não escutam certas coisas, mas escutam as outras”. “Surdo por escolha”, afirma Bergoglio. Se você não estiver vigilante, acabará assim. Por isso, é importante viver a “fraternidade”: com os amigos, com os padres mais próximos e com o próprio pai espiritual. Que não deve ser necessariamente um presbítero, porque a direção espiritual é “um carisma leigo”.
O papa aconselha até a se deixar “acompanhar” por dois guias diferentes: um como confessor, outro como pai espiritual. O importante é que tenham “o carisma para acompanhá-lo” e "a capacidade de escutar”.
O acompanhamento é fundamental, de fato, quando começam a se soltar os “demônios da vida”. O “demônio meridiano”, o famoso “cuarentazo” como o chamam na Argentina, o diabo da “meia-idade”, que se apresenta em meio a “tantas outras dificuldades, todas nascidas do pecado original e da tentação”.
Por falar em diabo, o Papa Francisco traz uma anedota pessoal: “No outro dia, aproximou-se um padre que tinha lido algo que eu tinha escrito sobre a vida espiritual, não me lembro o quê, e me disse: ‘Tenha cuidado, porque o senhor nomeou o diabo naquela vez, e ele vai se vingar! É melhor não nomear o diabo, fingir que ele não existe’. Não, o diabo existe! E o diabo – como diz Pedro – faz a ronda, como ‘leo rugens’”.
Discernimento e senso de humor
Respondendo, depois, a Nebil, proveniente da África, que abordou o tema do discernimento, o bispo de Roma tira uma pedra do sapato: “As más línguas dizem que, ‘agora, o discernimento está na moda: este papa veio aqui com essa história... O que isso tem a ver?’ Mas o discernimento está no Evangelho!’”.
Toda a história da Igreja “é uma história de discernimento”. “Saber entender, na vida: isto está certo, isto não está certo; isto vem de Deus, isto vem de mim, isto vem do diabo. Isso é elementar, é elementar: é uma linguagem fundamental para a vida de cada cristão, ainda mais de um sacerdote”.
E para que o discernimento seja “justo e verdadeiro”, são necessárias duas condições. Primeira: a oração; depois o confronto, talvez com “uma testemunha próxima, que não fala, mas escuta e depois dá orientações”. Uma pessoa que “não resolve [o problema] para você, mas lhe diz: ‘Olhe isto... Esta não parece ser uma boa inspiração por este motivo. Esta sim...’”.
Isso ajuda muito. Jorge Mario Bergoglio experimentou isso por conta própria: “Descobri o desejo do discernimento quando estudava filosofia. Tinha feito dois anos de noviciado... sem discernimento”, diz entre as risadas dos presentes. Depois, lembrou o seu professor de metafísica, “um jesuíta muito bom, padre Fiorito”, que “era um ‘fã’ da espiritualidade inaciana e um especialista, não apenas teórico, mas também prático, no discernimento”, e que o ajudou tanto na nomeação como provincial, quanto para “outro cargo”.
“O discernimento é importante”, continua o papa. Na vida sacerdotal, quando não há discernimento, “há rigidez e casuística”. E tudo se torna “fechado”, o Espírito Santo “não trabalha”, e se apaga qualquer “emoção espiritual”. Isto é, entra-se na “prisão da casuística” e “na rigidez”. O contrário não é fazer tudo o que se quiser, especifica o papa, mas sim usar “outra linguagem”, deixar-se envolver “de uma maneira diferente”. “Não deixe aos livros que digam uma coisa ou outra”, em síntese.
“Tantos, tantos padres, tantos padres – e eu isso digo com bom espírito, com ternura e com amor – tantos padres vivem bem, na graça de Deus, mas como se o Espírito não existisse. Sim, eles sabem que existe um Espírito Santo, mas ele não entra na vida”, observa Francisco, acrescentando também que “a bondade está sempre na bondade interior unida ao diálogo com o Espírito”.
E, quando ele está, o Espírito Santo também traz “o senso de humor”. “Para entender se uma pessoa chegou a uma grande maturidade espiritual, perguntemo-nos: ‘Ela tem senso de humor?’. É a atitude humana mais próxima da graça”, reitera Francisco.
“É aquele ‘relativismo’ bom, o relativismo da alegria.” Por isso, aos jovens também, muitas vezes “narcisistas”, que se olham no espelho, se penteiam...”, às vezes faria bem se olharem no espelho e rirem de si mesmos. “Riam de vocês mesmos. Isso vai lhes fazer bem.”
Desenvolvimento da personalidade e sociabilidade
Na mesma linha, o papa dialoga com o mexicano Jorge Moreno falando daqueles sacerdotes “bons”, mas que “têm uma falta de desenvolvimento da personalidade, uma falta de educação”. “Você encontra um sacerdote assim, por exemplo um sacerdote triste, mas que humanamente é incapaz de chorar; ou que é incapaz – este critério me foi dado uma vez por um sacerdote, quando eu era estudante – para brincar com as crianças... Este é um critério de maturidade, de integridade”, observa o papa.
Quando se encontra um padre “incapaz de se alegrar, até mesmo de passar tempo com outros sacerdotes amigos”, falta alguma coisa aí, afirma, “falta a formação humana”, falta “a parte humana”. E “tantos sacerdotes sofrem porque não são capazes de expressar aquilo que trazem dentro de si: foram bloqueados, cortaram da sua personalidade coisas muito boas, capacidades grandes, e não cresceram nisso”.
Por outro lado, é importante salvaguardar “a capacidade social, a sociabilidade, a capacidade de respeitar os outros, até mesmo aqueles que pensam de outro modo, a capacidade de se alegrar com os amigos, de fazer um bom jogo de futebol... Dessas coisas sobre as quais [alguém pensa]: ‘Não, mas um sacerdote não pode...’. Tantas capacidades humanas que não se desenvolvem...”.
Infelizmente, observa Francisco, “em alguns lugares, em alguns tempos, a capacidade humana de se inserir socialmente não foi ajudada na formação”. Alguns presbíteros foram “educados mal”: “Você deve se comportar assim, rigidamente”, e assim por diante.
“Isso faz mal à capacidade humana da espontaneidade.” É verdade que ela “pode levar a algo ruim, mas este é um perigo que você deve discernir e se defender dele. Mas uma pessoa normal – digo normal, humana – que vai visitar um doente e o escuta, e pega em sua mão, em silêncio: isso é humano”.
Humano também é “ser pais”, não padrastos. Humano é saber “acariciar bem”. “Sintam bem isto”, diz Bergoglio: “Se vocês não sabem acariciar bem como pais e como irmãos, é possível que o diabo leve vocês a pagarem para acariciar. Estejam atentos”.
A partir daí, mais uma vez, a recomendação a não se tornarem “funcionários do sagrado”, “empregados de Deus” que são “bons, fazem o seu trabalho”, mas “não sabem dar vida”. “Quantos dentre nós são solteirões!”, exclama Francisco, “que, quando você os ouve pregar ou os ouve falar, tem vontade de perguntar: ‘Mas, me diga, o que você tomou no café da manhã hoje? Café com leite ou vinagre?’”.
Diocesanidade
Respondendo ao diácono Luigi, o papa aborda ainda o tema da “diocesanidade” entendida como a relação com o bispo, que nem sempre pode ser fácil, mas que é basilar, porque, quando ela está ausente, “falta a relação com o pai”.
“Cada um de vocês deve se perguntar: como é a minha relação com o bispo? ‘Mas ele é mau, é neurótico...’ Como é a minha relação com o meu pai, que é mau e neurótico? O que você aconselharia a um rapaz que vem e lhe diz que seu pai está na prisão, por exemplo? Ou que o pai bate na mãe – o bispo que bate na Igreja. Vocês dariam um conselho: ‘Reze pelo seu pai, aproxime-se do seu pai’, mas nunca diriam: ‘Apague o seu pai da sua vida’”, explica Francisco.
Há também uma advertência sobre a “fofoca”, que “é a lepra do presbítero” e é algo muito diferente do falar com lealdade e franqueza. “Você se permite dizer tudo o que lhe vem à mente” no corpo presbiteral “ou aprendeu a ter censuras para não causar uma má impressão?”, pergunta o pontífice.
Quando “fala alguém que você não gosta, você o julga imediatamente ou tenta escutar bem e entender o que ele disse?”. Ou, talvez, depois do encontro, você sai com dois ou três amigos dizendo: “Mas veja o que aquele estúpido disse, o que aquele e aquele outro disseram...”.
Atenção, portanto, para salvaguardar a própria relação com o pai (o bispo) e com os irmãos (os outros presbíteros). Disso depende também a futura relação com os fiéis.
Fraquezas
Por último, o Papa Francisco fala de “fraquezas”, sexuais e relacionadas com a comunicação virtual. O tema é levantado pela pergunta do Pe. Michael Aguilar, das Filipinas (foi simpática a conversa entre o papa e o sacerdote, que disse: “Eu venho do continente da Ásia, onde Jesus nasceu, onde a Igreja nasceu”, e Francisco, que respondeu: “Eu não entendi bem: Jesus nasceu em Manila?”).
Francisco explica que “a formação permanente nasce um pouco da experiência da própria fraqueza. Não lhe dão um certificado de santidade perpétua quando lhe ordenam: mandam você para lá, para trabalhar, e que Deus lhe ajude e que os corvos não lhe comam”.
Por isso, é preciso estar “conscientes” da própria fraqueza, especialmente nesta cultura contemporânea hipertecnologizada que “entra na alma”. “Como eu entro no meu celular, nas minhas comunicações virtuais? Vocês sabem do que eu estou falando: o que eu procuro olhar, por curiosidade? E vocês sabem disso”, pergunta Bergoglio.
De mãos dadas com os riscos da web, caminha “a atração do poder e das riquezas”. É sempre assim, há “três degraus”, como ensinava Santo Inácio: “O primeiro é a riqueza, o segundo é a vaidade, e o terceiro é a soberba, isto é, o poder”. E o diabo se enfia por um deles.
O papa também fala do “desafio do celibato”. “Estejam preparados porque: ‘Se eu tivesse conhecido esta mulher antes de me ordenar!’ Em espanhol se diz: ‘tarde piaste’, isto é, ‘você percebeu tarde’. Mas vocês são homens normais, vocês têm o desejo de ter uma mulher, para amar. E quando viesse essa possibilidade, como vocês reagiriam? Vocês têm o desejo de gerar filhos? Não só espirituais, mas de outro tipo? Isso é algo que temos na nossa natureza, dada por Deus. E, depois, a comodidade no próprio ministério: ‘Mas, se for um pouco mais cômodo, não faça com tanto esforço...’”.
Todas essas coisas, agora no tempo dos estudos, “são fáceis de resolver, mas, depois, na vida, vocês estarão sozinhos, e essas coisas existirão. Algumas são más, outras boas; mas existirão”, adverte o papa. Por isso, ele convida a uma sólida “formação permanente” baseada em “quatro pilares”: espiritual, intelectual, apostólico e comunitário. Essa formação é necessária não só “para resolver as tentações, mas também para estar um pouco na atualidade, no desenvolvimento da pastoral, da teologia, da vida da Igreja”. Fonte: http://www.ihu.unisinos.br
QUINTA-FEIRA, 7: HOMILIA DO PAPA: “Os cristãos “sem memória” perdem o sal da vida”.
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"Memória" foi a palavra-chave na homilia da missa celebrada na Casa Santa Marta. Francisco pediu que os fiéis façam memória dos encontros com Cristo, dos antepassados e da lei do amor.
Alessandro Di Bussolo – Cidade do Vaticano
A memória cristã é o sal da vida, voltar para ir para frente: devemos recordar e contemplar os primeiros momentos nos quais encontramos Jesus. Palavras do Papa Francisco na missa celebrada na manhã de quinta-feira (07/06/2018) na capela da Casa Santa Marta. A sua homilia foi inspirada na exortação de São Paulo a Timóteo, na Primeira Leitura: “Lembra-te de Jesus Cristo”.
Sal da vida
Trata-se de voltar com a memória para encontrar Cristo, explicou o Papa, “para encontrar forças e poder caminhar para frente. A memória cristã é sempre um encontro com Jesus Cristo”.
A memória cristã é como o sal da vida. Sem memória não podemos ir para frente. Quando encontramos cristãos “desmemorados”, logo vemos que perderam o sabor da vida cristã e acabaram como pessoas que cumprem os mandamentos, mas sem a mística, sem encontrar Jesus Cristo. E Jesus Cristo devemos encontrá-lo na vida.
Encontros, antepassados e lei
Francisco acrescentou que são três as situações em que podemos encontrar Jesus Cristo: "nos primeiros momentos, nos nossos antepassados e na lei”. A Carta aos Hebreus nos indica como fazer:
“Evoquem na memória aqueles primeiros tempos, depois da conversão, em que eram tão fervorosos …" “Cada um de nós tem momentos de encontro com Jesus”. Na nossa vida, prosseguiu o Papa, houve “um, dois, três momentos em que Jesus se aproximou, se manifestou. Não esqueçam esses momentos: devemos ir para trás e retomá-los porque são momentos de inspiração, onde nós encontramos Jesus Cristo”.
Cada um de nós tem momentos assim: quando encontrou Jesus Cristo, quando mudou de vida, quando o Senhor lhe fez ver a própria vocação, quando o Senhor o visitou num momento difícil… Nós no coração temos esses momentos. Busquemo-los. Contemplemos esses momentos. Memória daqueles momentos nos quais eu encontrei Jesus Cristo. Memória daqueles momentos nos quais Jesus Cristo encontrou a mim. São a fonte do caminho cristão, a fonte que me dará as forças.
“Eu recordo esses momentos?", perguntou Francisco. "Momentos de encontro com Jesus quando a minha vida mudou, quando me prometeu algo?” "Se nós não lembramos, vamos procurá-los. Cada um de nós tem os seus."
Não recebemos a fé por correio
O segundo encontro com Jesus, disse ainda o Papa, acontece através da memória dos antepassados, que a Carta aos Hebreus chama “os seus chefes, que lhes ensinaram a fé”. Também Paulo, sempre na segunda carta a Timóteo, o exorta assim: “Lembre-se de sua mãe e de sua avó que lhe transmitiram a fé”. “Não recebemos a fé por correio”, afirmou o Papa, mas “homens e mulheres nos transmitiram a fé” e diz a Carta aos Hebreus: “Olhem para eles que são uma multidão de testemunhas e se fortaleçam neles, eles que sofreram o martírio”.
Sempre quando a água da vida se torna um pouco turva, destacou Francisco, “é importante ir à fonte e encontrar nela a força para ir avante. Podemos nos perguntar: eu evoco os meus antepassados? Eu sou um homem, uma mulher com raízes? Ou me tornei desarraigado? Somente vivo no presente? Se é assim, é preciso imediatamente pedir a graça de voltar às raízes”, àquelas pessoas que nos transmitiram a fé.
A lei do coração
Por fim, a lei, que Jesus nos faz recordar no Evangelho de Marcos. O primeiro mandamento é: “Escutai, Israel, o Senhor nosso Deus”.
A memória da lei. A lei é um gesto de amor que o Senhor fez conosco porque nos indicou o caminho, nos disse: por esta estrada não vai errar. Evocar na memória a lei. Não a lei fria, que parece simplesmente jurídica. Não. A lei do amor, a lei que o Senhor inseriu no nosso coração.
“Eu sou fiel à lei, lembro da lei, respeito a lei?", questionaou ainda o Papa. Algumas vezes, nós cristãos, inclusive consagrados, temos dificuldade de dizer de cor os mandamentos: ‘Sim, sim, eu lembro, mas depois a um certo ponto erro, não lembro”.
Memória e esperança
Lembrar-se de Jesus Cristo, concluiu o Papa, significa ter “o olhar fixo no Senhor” nos momentos da minha vida nos quais eu O encontrei, momentos de provação, nos meus antepassados e na lei. E a memória “não é somente um ir para trás”. É ir para trás para ir para frente. Memória e esperança vão juntas. São complementares, se completam. “Lembre-se de Jesus Cristo, o Senhor que veio, pagou por mim e que virá. O Senhor da memória, o Senhor da esperança”.
O convite final do Papa é que cada um de nós hoje pegue um minuto para se perguntar como está a memória dos momentos nos quais encontrei o Senhor, a memória dos meus antepassados e a memória da lei. Depois, como vai a minha esperança, naquilo que espero. “Que o Senhor nos ajude neste trabalho de memória e de esperança.” Fonte: www.vaticannews.va
Audiência Geral do Papa- Catequeses sobre o Sacramento da Crisma- “A paz é para ser doada. A fofoca não é obra do Espírito Santo”
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O Papa Francisco voltou a falar da destruição causada pela fofoca na Audiência Geral desta quarta-feira, na Praça São Pedro.
Bianca Fraccalvieri – Cidade do Vaticano
A paz que recebemos do Espírito é para dar aos outros, não devemos destruí-la com as fofocas! Na Audiência Geral desta quarta-feira (06/06) o Papa Francisco deu continuidade ao ciclo de catequeses sobre o Sacramento da Crisma, falando dos efeitos que o dom do Espírito Santo faz amadurecer na vida dos crismados.
O Pontífice reforçou que o Espírito Santo é um dom e as graças que recebemos devemos dar aos outros, e não para armazená-las. “As graças são recebidas para dar aos demais. Isso faz o cristão.”
A Igreja somos nós
O Espírito nos descentraliza do nosso “eu” para nos abrir ao “nós” da comunidade cristã, como também ao bem da sociedade em que vivemos.
“Algumas pessoas pensam que a Igreja tem dono: o papa, os bispos, os sacerdotes e os operários, que são os demais. Não! A Igreja somos todos nós e todos temos a responsabilidade de santificar uns aos outros, cuidar dos outros. A Igreja somos nós. Cada um tem o seu trabalho, mas a Igreja somos todos nós.”
Assim, a Confirmação une mais fortemente como membro vivo ao corpo místico da Igreja, vinculando à Igreja universal e fortalecendo o compromisso com a vida da Igreja particular, em união com o Bispo. Este, enquanto sucessor dos Apóstolos, é o ministro originário deste sacramento.
Na conclusão do rito da Crisma, explicou ainda o Papa, o Bispo diz a cada crismando: “A paz esteja contigo”, recordando a saudação de Cristo aos discípulos.
A fofoca não é obra do Espírito
Improvisando, o Papa pediu que pensemos na nossa própria comunidade paroquial. O Bispo dá a paz ao crismando e depois a damos entre nós. “Isso significa paz”, disse o Papa. O problema é o que acontece depois ao sairmos da Igreja.
“Começam as fofocas e as fofocas são guerras. Isso não está bem. Se recebemos o sinal da paz do Espírito Santo, devemos ser homens e mulheres de paz e não destruir a paz do Espírito. Pobre do Espírito Santo com o trabalho que ele tem conosco, com o hábito de fofocar. Pensem bem, a fofoca não é obra do Espírito Santo, não é obra de unidade da Igreja. A fofoca destrói aquilo que Deus faz. Por favor, vamos parar de fofocar!”
Semente que deve ser cultivada
Outra característica da Crisma é que este sacramento se recebe uma só vez, mas o seu dinamismo espiritual perdura ao longo do tempo. Além do mais, ninguém recebe a Confirmação somente para si mesmo, mas para cooperar para o crescimento espiritual dos outros.
Aquilo que recebemos de Deus como dom deve ser de fato doado para que seja fecundo e não, ao invés, sepultado por temores egoístas. “Quando temos a semente em mãos não é para colocá-la no armário, é para semear. Toda a vida deve ser semente para que dê fruto. ”
O Papa então concluiu:
“Exorto os crismandos a não ‘enjaular’ o Espírito Santo, a não opor resistência ao Vento que sopra para impulsioná-los em liberdade, a não sufocar o fogo ardente da caridade, que leva a viver a vida por Deus e pelos irmãos. Que o Espírito Santo conceda a todos nós a coragem apostólica de comunicar o Evangelho com as obras e as palavras aos que se encontram no nosso caminho. Mas as palavras boas, aquelas que edificam, não as palavras de fofocas. Por favor, quando saírem da Igreja, pensem que a paz recebida é para dar aos outros e não para destruí-la com a fofoca. Não se esqueçam.”
Rezar pelos sacerdotes
Ao final da catequese, o Papa recordou que na próxima sexta-feira celebra-se a Solenidade do Sagrado Coração de Jesus. Francisco então convidou a rezar durante todo o mês de junho ao Coração de Jesus e a apoiar com a proximidade e o afeto os sacerdotes, para que sejam imagem daquele Coração repleto de amor misericordioso. Fonte: www.vaticannews.va
Papa: as redes sociais são um espaço de encontro e solidariedade
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“Peçamos juntos para que as redes sociais não anulem a própria personalidade, mas que favoreçam a solidariedade e o respeito pelo outro na sua diferença”. Esta é a intenção de oração do Santo Padre para o mês de junho: “A Internet é um dom de Deus e também uma grande responsabilidade”, acrescentou.
Cidade do Vaticano
O Papa Francisco, em O Vídeo do Papa de junho, afirma que as redes sociais são uma oportunidade de encontro e solidariedade, mas adverte que devem ser usadas respeitando a dignidade dos outros. Ele também enfatiza a importância de construir uma cidadania na rede como um lugar rico em humanidade.
“Peçamos juntos para que as redes sociais não anulem a própria personalidade, mas que favoreçam a solidariedade e o respeito pelo outro na sua diferença”, diz o Papa. “A Internet é um dom de Deus e também uma grande responsabilidade”, acrescentou.
No mundo, atualmente existem 3.196 bilhões de usuários ativos nas redes sociais, que representam 42% da população mundial. Entre as regiões onde tem uma maior concentração, destacam-se América do Norte, com 70% de usuários ativos em relação à população; o norte de Europa, com 66%; a Ásia Oriental, com 64%; e a América do Sul, com 63%.
“Aproveitemos as possibilidades de encontro e de solidariedade que as redes sociais oferecem”, pediu Francisco. “Vamos construir uma verdadeira cidadania na rede e que a rede digital não seja um lugar de alienação”, acrescentou.
“Convivemos com as redes sociais quase sem percebermos, mas, muitas vezes, ao invés de servir como um instrumento de verdadeira comunicação e comunhão, tornam-se um meio de discórdia e desinformação”, comenta o Pe. Frédéric Fornos, SJ, diretor internacional da Rede Mundial de Oração do Papa e do Movimento Eucarístico Juvenil. “Façamos das redes sociais um lugar de humanização, de abertura ao outro, à sua cultura, à sua tradição religiosa e espiritual, à sua diferença; lugar de diálogo a serviço de uma cidadania responsável”, acrescentou.
Fonte: www.vaticannews.va
Comunhão nos matrimônios interconfessionais: o Papa pede aprofundamentos
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Comunhão nos matrimônios interconfessionais: o Papa pede aprofundamentos
Uma carta da Congregação para a Doutrina da Fé esclarece o pensamento do Papa Francisco sobre o tema dos matrimônios interconfessionais, levantado pelo episcopado alemão: são necessários mais estudos para aprofundar um tema ecumênico que se refere a toda a Igreja.
Cidade do Vaticano
Uma questão sobre a qual os bispos são convidados a esperar uma normativa que seja comum a toda a Igreja. É a essência da carta do prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, enviada em nome do Papa, ao presidente da Conferência Episcopal da Alemanha sobre o delicado tema da admissão à Eucaristia nos matrimônios interconfessionais, ou seja, quando um dos cônjuges é católico e outro protestante. No texto, sublinha-se a necessidade de avaliar com atenção as consequências que cada decisão no mérito da questão possa comportar aos equilíbrios alcançados no diálogo ecumênico.
A posição dos bispos alemães
O tema dos matrimônios interconfessionais – possibilidade reconhecida pelo Direito Canônico em determinadas condições – tinha sido contemplado em fevereiro passado pelos bispos alemães em um subsídio pastoral intitulado “Caminhar com Cristo – nas pegadas da unidade. Matrimônios mistos e participação comum na Eucaristia”. O documento, votado por dois terços da assembleia, abria a possibilidade ao cônjuge protestante de receber a Comunhão durante a Missa católica depois de um aprofundado diálogo com o pároco.
Decide o bispo
Aos sete bispos que em sede plenária não expressaram parecer favorável – e que escreveram uma carta com suas perplexidades ao Papa Francisco – o próprio Pontífice concedeu em 3 de maio o poder de levar o parecer comum para ser analisado pela cúpula da Congregação da Doutrina da Fé e pelos Dicastérios para a Unidade dos Cristãos e para os Textos Legislativos. Portanto, depois da carta do prefeito da Doutrina da Fé e na espera de ulteriores aprofundamentos que serão dedicados ao tema, o bispo diocesano permanece com a possibilidade de avaliar os casos assinalados e estabelecer as medidas necessárias. Fonte: https://www.vaticannews.va
QUARTA-FEIRA, 30: AUDIÊNCIA COM O PAPA FRANCISCO: A Crisma é a marca indelével que nos une a Cristo.
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O Pontífice deu sequência à catequese sobre a Crisma, recordando que o Espírito é um dom a ser protegido, deixando-se plasmar, como cera, pela sua caridade ardente para refletir Jesus Cristo no mundo de hoje.
Bianca Fraccalvieri - Cidade do Vaticano
Milhares de fiéis e peregrinos participaram na manhã de quarta-feira (30/05/2018) da Audiência Geral na Praça S. Pedro.
O Papa prosseguiu sua série de catequeses sobre a Crisma, falando desta vez do selo do Espírito.
Espírito Santo, criador da unidade
Antes de receber a unção espiritual que confirma e reforça a graça do Batismo, explicou Francisco, o crismando é chamado a renovar as promessas que um dia foram feitas em seu nome pelos respectivos pais e padrinhos. Agora, é o próprio fiel a professar a fé da Igreja, pronto a responder «creio» às perguntas que lhe faz o Bispo, em particular que está disposto a crer «no Espírito Santo.
“O único Espírito distribui os múltiplos dons que enriquecem a única Igreja: é Autor da diversidade, mas ao mesmo tempo o Criador da unidade”, recordou o Papa.
Óleo do crisma
O sacramento da Confirmação ou Crisma realiza-se com a imposição das mãos do Bispo sobre os crismandos, enquanto suplica ao Pai do Céu que infunda neles o Espírito Paráclito. A este gesto bíblico, para melhor expressar a efusão do Espírito, logo se acrescentou a unção do óleo perfumado, chamado crisma, que é usado ainda hoje seja no Oriente, seja no Ocidente.
O óleo, acrescentou Francisco, é substância terapêutica e cosmética, que entra nos tecidos do corpo, cura as feridas e perfuma os membros. Depois da imposição das mãos, a fronte de cada um é ungida seguida destas palavras: «Recebe, por este sinal, o Espírito Santo, o dom de Deus». “O Espírito Santo é o dom invisível recebido, e a Crisma é a marca visível.”
Marca indelével
Assim, ao receber na fronte o sinal da cruz com o óleo perfumado do crisma, o crismando recebe uma marca espiritual indelével, o «caráter», que o configura mais perfeitamente a Cristo e lhe dá a graça de espargir entre os homens o bom perfume de Cristo.
“O Espírito é um dom imerecido”, concluiu Francisco, a ser acolhido com gratidão, fazendo espaço à sua criatividade inesgotável.
“É um dom a ser protegido com cuidado e respeitado com docilidade, deixando-se plasmar, como cera, pela sua caridade ardente, para refletir Jesus Cristo no mundo de hoje. ”
Fonte: www.vaticannews.va
TERÇA-FEIRA 29. HOMILIA DO PAPA: “Sem liberdade não se pode ser santos”
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Entrar nos esquemas mundanos nos tira a liberdade, e para andar na santidade, devemos ser livres: a liberdade de andar olhando para a luz, de seguir em frente. Sem liberdade não se pode ser santos. A liberdade é a condição para poder caminhar olhando a luz à frente.
Cidade do Vaticano
Nos momentos de provação não voltar aos esquemas do mundo, que tiram a liberdade. É preciso, pelo contrário, permanecer no caminho para a santidade. Foi o que afirmou o Papa Francisco na Missa celebrada na manhã desta terça-feira (29/05) na inspirando-se na primeira leitura (1Pd 1,10-16) do dia, na qual Pedro exorta a caminhar para a santidade: E o chamado à santidade, que é o chamado normal, é o chamado a viver como cristão, isto é, viver como cristão é o mesmo que dizer “viver como santo”. Tantas vezes nós pensamos na santidade como algo extraordinário, como ter visões ou orações elevadíssimas… ou alguns pensam que ser santo significa ter uma cara de santinho. Não! Ser santos é outra coisa. É caminhar no que o Senhor nos diz sobre a santidade. E, o que é caminhar na santidade? E Pedro diz: “ponde toda a vossa esperança na graça que vos será oferecida na revelação de Jesus Cristo”.
“Caminhar para a santidade” consiste portanto no caminhar para aquela graça que vem ao encontro, caminhar para a esperança, estar em tensão rumo ao encontro com Jesus Cristo.
É como quando se caminha em direção à luz: tantas vezes não se vê bem o caminho porque a luz nos ofusca. “Mas não erramos – observa o Papa – porque vemos a luz e conhecemos o caminho”. Quando, ao invés disso, se caminha com a luz nas costas, se vê bem a estrada, mas na realidade, porém, diante de nós existe a sombra, não luz.
Para caminhar para a santidade, depois, é necessário “ser livres e sentir-se livres”. O Papa adverte porém que existem tantas coisas que escravizam. Por isso Pedro exorta a não conformar-se aos desejos “do tempo da vossa ignorância.” Também Paulo na Primeira leitura aos Romanos diz: “não conformai-vos”, que significa “não entrem nos esquemas”:
“Esta é a tradução correta destes conselhos - não entrem nos esquemas do mundo, não entrem nos esquemas, no modo de pensar mundano, no modo de pensar e de julgar que o mundo oferece a você, porque isso tira sua liberdade". E para andar na santidade, devemos ser livres: a liberdade de andar olhando a luz, de seguir em frente. E quando voltamos, como diz aqui, ao modo de viver que tínhamos antes do encontro com Jesus Cristo ou quando nós voltamos aos padrões do mundo, perdemos a liberdade.
No livro do Êxodo vemos, de fato, como tantas vezes o povo de Deus não quis olhar para frente, para a salvação, mas voltar atrás. Lamentavam-se e "imaginavam a bela vida que passavam no Egito", onde comiam cebolas e carne, destaca Francisco.
"Nos momentos de dificuldade, o povo volta atrás", "perde a liberdade": é verdade que comiam coisas boas, mas na "mesa da escravidão":
Nos momentos de provação, sempre temos a tentação de olhar para trás, de olhar para os esquemas do mundo, para os padrões que tínhamos antes de iniciar o caminho da salvação: sem liberdade. E sem liberdade não se pode ser santos. A liberdade é a condição para poder caminhar olhando a luz à frente. Não entrar nos esquemas da mundanidade: caminhar em frente, olhando para a luz que é a promessa, na esperança; essa é a promessa como o povo de Deus no deserto: quando olhavam para frente, iam bem; quando vinha a nostalgia porque não podiam comer as coisas boas que lhes davam lá, erravam e esqueciam que lá não tinham liberdade.
O Senhor, portanto, chama à santidade de todos os dias. E há dois parâmetros para saber se estamos no caminho para a santidade: antes de tudo, se olhamos para a luz do Senhor na esperança de encontrá-lo e, depois se, quando chegam as provações, olhamos em frente e não perdemos a liberdade, refugiando-nos nos esquemas mundanos que "prometem tudo e não te dão nada".
"Sejam santos porque eu sou santo", é o mandamento do Senhor. Francisco recorda isso ao concluir, exortando a pedir a graça de entender bem o que é o caminho da santidade: "um caminho de liberdade, mas em tensão de esperança rumo ao encontro com Jesus". E entender bem também o que é ir em direção aos "esquemas mundanos que todos nós tínhamos antes do encontro com Jesus". Fonte: www.vaticannews.va
SEGUNDA-FEIRA 28. HOMILIA DO PAPA: “A paz é a verdadeira alegria do cristão, não a "dolce vita".
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“Ser homem e mulher de alegria” significa “ser homem e mulher de paz, significa ser homem e mulher de consolação”, disse Francisco.
Barbara Castelli – Cidade do Vaticano
A alegria “é o respiro do cristão”, uma alegria feita de verdadeira paz e não falsa como aquela que a cultura de hoje oferece, que “inventa tantas coisas para nos divertir”, inúmeros “momentos de dolce vita”. Na Missa celebrada na manhã de segunda-feira (28/05/2018) na capela da Casa Santa Marta, o Papa voltou a falar de uma das características do cristão: a alegria, não obstante as provações e as dificuldades.
O respiro do cristão
Na homilia, comentando um trecho da primeira carta de São Pedro apóstolo e do Evangelho de São Marcos, em que se fala de um jovem rico que não consegue renunciar aos próprios interesses, o Pontífice destaca que um verdadeiro cristão não pode ser “tenebroso” ou “triste”. “Ser homem e mulher de alegria”, insiste, significa “ser homem e mulher de paz, significa ser homem e mulher de consolação”.
“A alegria cristã é o respiro do cristão, um cristão que não é alegre no coração não é um bom cristão. É o respiro, o modo de se expressar do cristão, a alegria. Não é algo que se compra ou que faço com esforço, não: é um fruto do Espírito Santo. Quem faz a alegria no coração é o Espírito Santo”.
O primeiro passo da alegria é a paz
A rocha sólida sobre a qual se apoia a alegria cristã é a memória: nã podemos de fato esquecer “aquilo que o Senhor fez por nós”, “regenerando-nos” a uma nova vida; assim como a esperança daquilo que nos aguarda, o encontro com o Filho de Deus. Memória e esperança são os dois elementos que permitem aos cristão viver na alegria, não uma alegria vazia, mas uma alegria cujo “primeiro grau” é a paz.
“A alegria não é viver de risada em risada. Não, não é isso. A alegria não è ser engraçado. Não, não é isso. É outra coisa. A alegria cristã é a paz. A paz que está nas raízes, a paz do coração, a paz que somente Deus pode nos dar. Esta é a alegria cristã. Não é fácil preservar esta alegria”.
A cultura dos “momentos de dolce vita”
No mundo contemporâneo, prossegue o Papa, infelizmente nos contentamos de uma “cultura pouco alegre”, “uma cultura onde inventam tantas coisas para nos divertir”, tantos “momentos de dolce vita”, mas que não satisfazem plenamente. A alegria, de fato, “não é algo que se compra no mercado”, “é um dom do Espírito” e vibra também no “momento do turbamento, no momento da provação”.
“Há uma inquietação positiva, mas outra que não é positiva, a de buscar as seguranças em qualquer lugar, de buscar o prazer em qualquer lugar. O jovem do Evangelho tinha medo de que se abandonasse as riquezas não poderia ser feliz. A alegria, a consolação: o nosso respiro de cristãos”. Fonte: www.vaticannews.va
DOMINGO DA TRINDADE SANTA: “Não acreditamos em uma entidade distante, Deus é papai”. Papa Francisco.
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O Papa pediu a Nossa Senhora que “nos ajude a cumprir com alegria A missão de testemunhar ao mundo, sedento de amor, que o sentido da vida é precisamente o amor infinito, o amor concreto do Pai, do Filho e do Espírito Santo”.
Silvonei José – Cidade do Vaticano
“O cristão não é uma pessoa isolada, pertence a um povo, esse povo que forma Deus. Não se pode ser um cristão sem tal pertença e comunhão: somos povo, o povo de Deus”: foi o que afirmou o Papa Francisco na alocução que precedeu a oração mariana do Angelus neste domingo (27/05/2018), na Praça São Pedro, na festa da Santíssima Trindade.
As leituras bíblicas de hoje – explicou o Santo Padre - nos fazem entender como Deus não queira tanto revelar que Ele existe, mas sim que é o 'Deus conosco’, perto de nós, que nos ama, que caminha conosco, é interessado em nossa história pessoal e cuida de cada um, desde os pequeninos até aos mais necessitados.
O Espírito Santo tudo transforma
"Ele e 'Deus lá no céu' mas também 'aqui embaixo na terra'- continuou -. Portanto, não acreditamos em uma entidade distante, não, em uma entidade indiferente, não, mas ao contrário no Amor que criou o universo e gerou um povo, e se fez carne, morreu e ressuscitou por nós, e como o Espírito Santo tudo transforma e leva à plenitude ".
"São Paulo, que primeiro experimentou essa transformação realizada por Deus-Amor, nos comunica seu desejo de ser chamado Pai, ou melhor, 'papai', Deus é papai - disse o Papa -, com a total confiança de uma criança que se abandona nos braços de quem lhe deu a vida. O Espírito Santo - recorda o Apóstolo - agindo em nós faz com que Jesus Cristo não seja reduzido a um personagem do passado, mas que nos o sintamos próximo, nosso contemporâneo, e experimentemos a alegria de sermos filhos amados por Deus".
Ele sempre escolheu caminhar com a humanidade
"Deus caminhando conosco nos enche de alegria e a alegria é um pouco a primeira linguagem do cristão", disse o Pontífice. Então, a festa da Santíssima Trindade "nos faz contemplar o mistério de um Deus que incessantemente cria, redime e santifica, sempre com amor e por amor, e a cada criatura que o acolhe faz refletir um raio de sua beleza, bondade e verdade. Ele sempre escolheu caminhar com a humanidade e formar um povo que é bênção para todas as nações e para todas as pessoas, nenhuma excluída".
O Papa concluiu suas palavras pedindo a Nossa Senhora que “nos ajude a cumprir com alegria a missão de testemunhar ao mundo, sedento de amor, que o sentido da vida é precisamente o amor infinito, o amor concreto do Pai, do Filho e do Espírito Santo”. Fonte: www.vaticannews.va
SEXTA- FEIRA 25. HOMILIA DO PAPA: “O matrimônio é a beleza cristã”
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"Que todos nós possamos entender e contemplar que no matrimônio há a imagem e a semelhança de Deus”, disse o Papa Francisco na homilia da missa celebrada na Casa Santa Marta.
Adriana Masotti – Cidade do Vaticano (25/05/2018)
A beleza do matrimônio foi o tema homilia do Papa Francisco na missa celebrada na manhã de sexta-feira na capela da Casa Santa Marta. Entre os fiéis, havia sete casais que celebravam 50 e 25 anos de casamento.
O trecho do Evangelho segundo São Marcos fala da intenção dos fariseus de colocar Jesus à prova fazendo-lhe uma pergunta que o Papa define “casística”, isto é, quando se reduz a fé a “um sim ou um não”. E explica:
Não o grande "sim" ou o grande "não" dos quais ouvimos falar, que é Deus. Não: se pode ou não se pode. E a vida cristã, a vida segundo Deus, segundo essas pessoas, está sempre no ‘se pode’ e ‘não se pode’.
A pergunta diz respeito ao matrimônio, querem saber se é lícito ou não que um marido repudie a própria mulher. Mas, afirma Francisco, Jesus vai além, eleva o nível e “chega até a Criação e fala do matrimônio que é talvez a coisa mais bela” que o Senhor criou naqueles sete dias.
A desgraça da separação
‘Desde o início da criação [Deus] os fez homem e mulher; o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher e os dois se tornarão uma só carne’. “É forte o que diz o Senhor”, comenta o Papa, fala de “uma carne” que não se pode dividir. Jesus “deixa o problema da divisão e vai à beleza do casal que deve caminhar como um só”. Francisco destaca que o homem e a mulher devem abandonar aquilo que eram antes “para começar uma nova estrada, um novo caminho”. E depois toda a vida realizam este caminho de “ir avante juntos: não dois, um”. O Papa então recomenda: “Não devemos nos deter, como esses doutores, num ‘se pode’ ou ‘não se pode’ dividir um matrimônio. Às vezes, acontece a desgraça de não funcionar e é melhor se separar para evitar uma guerra mundial, mas isso é uma desgraça. Devemos ver o positivo”.
Francisco citou um casal que festejava 60 anos de casamento e, diante da pergunta se eram felizes, os dois se olharam nos olhos, que ficaram repletos de lágrimas pela comoção, e responderam: "Somos apaixonados!”.
É verdade que existem dificuldades, que existem problemas dos filhos ou do próprio matrimônio, do próprio casal, discussões, brigas... mas o importante é que a carne permaneça uma e superam, superam, superam isso. E este não é somente um sacramento para eles, mas também para a Igreja, como se fosse um sacramento que chama a atenção, que atrai a atenção: “Mas olhem que o amor é possível!”. E o amor é capaz de fazer viver apaixonados toda uma vida: na alegria e na dor, com o problema dos filhos e os próprios problemas... mas ir sempre avante. Na saúde e na doença, mas ir sempre avante. Esta é a beleza.
O matrimônio feliz não é notícia
O homem e a mulher foram criados à imagem e semelhança de Deus e o próprio matrimônio se torna assim Sua imagem. E é por isso, afirma o Papa, que é tão bonito: “O matrimônio é uma pregação silenciosa a todos os outros, uma pregação de todos os dias”.
É doloroso quando isso não faz notícia: os jornais, os telejornais não veem isso como notícia. Aquele casal tantos anos juntos.. não é notícia. Sim, a notícia é o escândalo, o divórcio ou que se separam – às vezes se devem separar, como disse, para evitar um mal maior... Mas a imagem de Deus não é notícia. E esta é a beleza do matrimônio. São a imagem e a semelhança de Deus. E esta é a nossa notícia, a notícia cristã.
Francisco repete que a vida matrimonial e familiar não é fácil, e cita a Primeira Leitura extraída da carta de São Tiago Apóstolo, que fala da paciência. Diz que talvez seja a virtude mais importante no casal – seja do homem, seja da mulher – e conclui com uma oração ao Senhor “para que dê à Igreja e à sociedade uma consciência mais profunda, mais bela do matrimônio, que todos nós possamos entender e contemplar que no matrimônio há a imagem e a semelhança de Deus”. Fonte: www.vaticannews.va
QUINTA- FEIRA 24. HOMILIA DO PAPA: “Explorar o trabalhador é pecado mortal”
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Dedicando a missa na Casa Santa Marta ao “nobre povo chinês”, que hoje festeja Nossa Senhora de Sheshan, Francisco exorta a tomar distância das riquezas que seduzem e escravizam.
Giada Aquilino – Cidade do Vaticano
Tomar distância das riquezas, porque estas nos foram oferecidas por Deus para doá-las aos outros. A este tema o Papa Francisco dedicou a missa celebrada na manhã de quinta-feira (24/04) na Casa Santa Marta.
Na memória de Nossa Senhora Auxiliadora, o Pontífice celebrou a missa na intenção do “nobre povo chinês”, que festeja a Virgem de Sheshan em Xangai.
Riqueza apodrecida
O Papa se inspirou Leitura de São Tiago apóstolo, que fala do salário não pago aos trabalhadores e o seu clamor que chega aos ouvidos do Senhor. Francisco destaca que Tiago usa expressões contundentes para falar aos ricos, sem meias palavras, condenando a “riqueza apodrecida”, como fez Jesus:
“Ai de vós ricos!”, é o primeiro ataque depois das Bem-aventuranças na versão de Lucas. “Ai de vós ricos!”. Se alguém fizer uma pregação assim, no dia seguinte nos jornais aparece: “Aquele padre é comunista!”. Mas a pobreza está no centro do Evangelho. A pregação sobre a pobreza está no centro da pregação de Jesus: “Bem-aventurados os pobres” é a primeira das Bem-aventuranças. E a carteira de identidade com a qual Jesus se apresenta quando volta ao seu vilarejo, a Nazaré, na sinagoga, é: “O Espírito está sobre mim, fui enviado para anunciar o Evangelho, a Boa Nova aos pobres, o alegre anúncio aos pobres”. Mas na história sempre tivemos esta fraqueza de tentar tirar esta pregação sobre a pobreza, acreditando se tratar de algo social, político. Não! É Evangelho puro, é Evangelho puro.
Dois senhores
Francisco convidou a refletir sobre o porquê de uma pregação assim “tão dura”. A razão está no fato de que “as riquezas são uma idolatria”, são capazes de “seduzir”. O próprio Jesus, explicou o Papa, disse que “não se pode servir a dois senhores: ou você serve a Deus ou às riquezas”: dá, portanto, uma “categoria de ‘senhor’ às riquezas, isto é, a riqueza “o pega e não o larga e vai contra o primeiro mandamento”, amar a Deus com todo o coração.
As riquezas vão também contra o segundo mandamento, porque destroem a relação harmoniosa “entre nós homens”, “estragamos a vida”, “estragamos a alma”. O Papa recordou a Parábola do rico - que pensava na “boa vida”, nas festas, nas roupas luxuosas – e do mendicante Lázaro, “que não tinha nada”.
Tiago sindicalista
As riquezas, reiterou, “nos levam embora a harmonia com os irmãos, o amor ao próximo, nos fazem egoístas”. Tiago reivindica o salário dos trabalhadores que cultivaram a terra dos ricos e não foram pagos: “alguém poderia confundir o apóstolo Tiago com um sindicalista”, afirmou Francisco. E na verdade, acrescentou, o apóstolo “fala sob a inspiração do Espírito Santo”. Parece uma coisa dos nossos dias, disse o Papa:
Também aqui, na Itália, para salvar os grandes capitais deixam as pessoas sem trabalho. Vai contra o segundo mandamento e quem faz isto: “Ai de vós!”. Não eu, Jesus. Ai de vocês que exploram as pessoas, que exploram o trabalho, que pagam de maneira informal, que não pagam a contribuição para a aposentadoria, que não dão férias. Ai de vós! Fazer “economias”, fraudar o que se deve pagar, o salário, é pecado, é pecado. “Não, padre, eu vou à missa todos os domingos e participo daquela associação católica e sou muito católico e faço a novena disso…”. Mas você não paga? Essa injustiça é pecado mortal. Você não está nas graças de Deus. Não sou eu que estou dizendo, é Jesus, é o apóstolo Tiago. Por isso as riquezas nos afastam do segundo mandamento, do amor ao próximo.
Rezar pelos ricos
As riquezas, portanto, têm uma capacidade que nos tornar “escravos”: por isso Francisco exorta a “fazer um pouco mais de oração e um pouco mais de penitência” não pelos pobres, mas pelos ricos.
Você não é livre diante das riquezas. Você para ser livre diante das riquezas deve tomar distância e rezar para o Senhor. Se o Senhor lhe deu riquezas é para distribui-las aos outros, para fazer em seu nome tantas coisas boas para os outros. Mas as riquezas têm esta capacidade de nos seduzir e nesta sedução nós caímos, somos escravos das riquezas.
Fonte: www.vaticannews.va
Papa pede aos bispos italianos redução do número de dioceses
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“Quem crê não pode falar de pobreza e viver como um faraó”, Francisco
O Papa Francisco abriu, no final da tarde desta segunda-feira (21/05), a 71ª Assembleia Geral da Conferência Episcopal Italiana (CEI). Com o tema “Qual presença eclesial no atual contexto comunicativo”, os trabalhos da plenária prosseguirão até esta quinta-feira, 24 de maio.
Cidade do Vaticano
Se na região do Piemonte há poucas vocações e na Puglia há muitas, pensem numa partilha “fidei donum” dos sacerdotes. Administrem sempre de modo transparente os recursos das dioceses e se convidarem alguém para o jantar, usem o dinheiro de vocês, não da Igreja. Por fim, reduzam o número das dioceses, juntando as menores, como fazia Paulo VI em 1964.
Essas foram as preocupações expostas pelo Papa Francisco aos bispos italianos, ao abrir, no final da tarde desta segunda-feira (21/05) na Sala Nova do Sínodo, no Vaticano, a 71ª Assembleia Geral da Conferência Episcopal Italiana (CEI). Com o tema “Qual presença eclesial no atual contexto comunicativo”, os trabalhos da plenária prosseguirão até esta quinta-feira, 24 de maio.
Hemorragia de vocações, devido também ao testemunho morno
Sobre a hemorragia das vocações, num país de grande tradição como a Itália e em toda a Europa, o Santo Padre reiterou que este é “o fruto envenenado da cultura do provisório, do relativismo e do culto ao dinheiro”, que distancia os jovens da vocação, somando-se a isso os escândalos e o testemunho morno.
Partilha “fidei donum” de sacerdotes entre as dioceses
A proposta prática é a de uma mais concreta partilha “fidei donum” entre as dioceses italianas, que enriquece as dioceses que doam e as que recebem. No Piemonte, por exemplo, há uma grande aridez, e na Puglia, ao invés, há uma abundância de vocações. “Pensem numa criatividade bonita, vejamos se serão capazes disso”, exortou o Pontífice.
Pobreza evangélica e transparência
A segunda preocupação expressa por Francisco aos bispos italianos diz respeito à pobreza evangélica e à transparência. Para mim, como jesuíta, “a pobreza é sempre mãe e muro da vida apostólica, mãe porque a faz nascer e muro porque a protege.” Sem pobreza não há zelo apostólico, frisou.
Coerência dos pastores entre fé professada e fé vivida
“Quem crê não pode falar de pobreza e viver como um faraó”, observou. É escandaloso “administrar os bens da Igreja como se fossem bens pessoais”. E me faz mal ouvir que um eclesiástico deixou-se manipular administrando “os trocados da viúva”. É preciso regras claras e comuns, acrescentou.
Não convidem para o jantar com o dinheiro da diocese
“Conheço um de vocês que jamais convida alguém para o jantar utilizando o dinheiro da diocese, mas paga do próprio bolso. São pequenos gestos, mas são importantes”, contou o Papa. Tenho consciência e sou reconhecedor de “que na CEI se fez muito no âmbito da pobreza e da transparência, mas se pode fazer mais ainda”, acrescentou Francisco.
Dioceses maiores e em menor número; aspecto funcional
Por fim, sobre a redução e anexação das dioceses, “não é fácil, mas há dioceses que podem ser anexadas”, reconheceu o Pontífice. Já acenei isso em 23 de maio de 2013. Trata-se de “uma exigência pastoral estudada reiteradas vezes. Paulo VI em 1964, e depois em 1966, pediu a fusão de várias dioceses”, para criar circunscrições com territórios, habitantes, clero e obras suficientes para uma organização diocesana verdadeiramente funcional.
Concluir projeto de reforma solicitado pela Congregação para os Bispos
“Em 2016 a Congregação para os Bispos pediu às Conferências episcopais regionais que enviassem um projeto de reforma. É um projeto amadurecido e atual. É chegado a hora de concluí-lo o mais rápido possível!”
Agradeço a todos pela parresia (audácia, coragem, destemor, ndr) – foi o agradecimento final do Santo Padre. “Agora, a palavra a vocês bispos.” As portas da Sala do Sínodo se fecham para todos, menos para o Papa e os coirmãos bispos, concluiu Francisco. Fonte: www.vaticannews.va
QUARTA-FEIRA 23: CATEQUESE DO PAPA SOBRE O SACRAMENTO DA CRISMA: “Com o Sacramento da Crisma ser sal e luz do mundo”
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QUARTA-FEIRA 23: CATEQUESE DO PAPA SOBRE O SACRAMENTO DA CRISMA: “Com o Sacramento da Crisma ser sal e luz do mundo”
O Pontífice deu início a um novo ciclo de catequeses, desta vez dedicado ao Sacramento da Confirmação.
Bianca Fraccalvieri - Cidade do Vaticano
Apesar do mau tempo, milhares de fiéis participaram com o Papa Francisco da Audiência Geral desta quarta-feira (23/05/2018). Na Praça S. Pedro, os peregrinos ouviram o Pontífice iniciar um novo ciclo de catequeses, desta vez dedicado ao sacramento da Crisma, também chamado Confirmação, quando os fiéis recebem o dom do Espírito Santo.
Sal e luz do mundo
Aos seus discípulos, Jesus confiou uma grande missão: ser sal da terra e luz do mundo. “São imagens que nos levam a pensar no nosso comportamento, porque seja a carência, seja o excesso de sal comprometem o alimento, assim como a falta ou excesso de luz impedem de ver”, disse o Papa, acrescentando que somente o Espírito de Cristo nos dá o sabor e a luz que clareia o mundo.
Este dom é recebido justamente no Sacramento da Confirmação. “Confirmação porque confirma o Batismo e reforça a sua graça; assim também “Crisma” porque recebemos o Espírito mediante a unção com o “crisma” – óleo consagrado pelo Bispo – termo que remete a “Cristo”, o Ungido pelo Espírito.
Nada podemos sem o Espírito Santo
Renascer para a vida divina no Batismo é o primeiro passo, explicou o Papa, depois é preciso se comportar como filhos de Deus, ou seja, conformar-se ao Cristo que atua na santa Igreja. “Sem a força do Espírito Santo não podemos fazer nada. Assim como toda a vida de Jesus foi animada pelo Espírito, assim também a vida da Igreja e de cada seu membro está sob a guia do mesmo Espírito.”
A carteira de identidade de Cristo
Francisco ressaltou o modo com o qual Jesus se apresenta na sinagoga de Nazaré, a sua a carteira de identidade, isto é, Ungido pelo Espírito. «O Espírito do Senhor está sobre mim; por isso me consagrou com a unção e me enviou a levar aos pobres o alegre anúncio » (Lc 4,18).
O “Respiro” do Cristo Ressuscitado enche de vida os pulmões da Igreja. Pentecostes é para a Igreja aquilo que para Cristo foi a unção do Espírito recebida no Jordão, isto é, o impulso missionário a viver a vida pela santificação dos homens, a glória de Deus.
Deixar-se guiar pelo Espírito
No momento de fazer a unção, explicou ainda Francisco, o bispo diz estas palavras: “Receba o Espírito Santo que lhe foi confiado como dom”.
“É o grande dom de Deus”, finalizou o Pontífice. “Todos nós temos o Espírito dentro, o Espírito está no nosso coração, na nossa alma. E o Espírito nos guia para que nos tornemos sal e luz na medida certa aos homens. O testemunho cristão consiste em fazer somente e tudo aquilo que o Espírito de Cristo nos pede, concedendo-nos a graça de o realizar.” Fonte: www.vaticannews.va
SEGUNDA-FEIRA 21: HOMILIA DO PAPA: “A Igreja é mulher e mãe, como Maria”.
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Na homilia, o Santo Padre ressaltou que nos Evangelhos, Maria sempre é indicada como “Mãe de Jesus”, não “a Senhora” ou “a viúva de José”: a sua maternidade percorre toda a Sagrada Escritura, desde a Anunciação até o fim.
Cidade do Vaticano
“A Igreja é feminina”, “é mãe” e quando falta esta identidade ela se torna “uma associação beneficente ou um time de futebol”; quando “é uma Igreja masculina”, infelizmente se torna “uma Igreja de solteirões”, “incapaz de amor, incapaz de fecundidade”.
Foi o que disse o Papa Francisco na missa celebrada nesta segunda-feira (21/05/2018), na capela da Casa Santa Marta, dia em que a Igreja recorda a Beata Virgem Maria, Mãe da Igreja. Esta memória é celebrada pela primeira vez, este ano, após a publicação em 3 de março passado, do decreto “Ecclesia Mater” da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos.
O Papa Francisco quis que esta memória fosse celebrada na segunda-feira depois de Pentecostes para “favorecer o crescimento do sentido materno da Igreja nos pastores, nos religiosos e fiéis, como também a genuína piedade mariana”.
A Igreja é feminina
Na homilia, o Santo Padre ressaltou que nos Evangelhos, Maria sempre é indicada como “Mãe de Jesus”, não “a Senhora” ou “a viúva de José”: a sua maternidade percorre toda a Sagrada Escritura, desde a Anunciação até o fim. Uma especificidade que os Padres da Igreja entenderam rapidamente, bem que alcança e cinge a Igreja.
“A Igreja é feminina, porque é igreja, esposa: é feminina. É mãe, dá à luz. Esposa e mãe. E os Padres vão além e dizem: ‘A sua alma também é esposa de Cristo e mãe’. Nessa atitude de Maria, que é Mãe da Igreja, neste comportamento podemos entender essa dimensão feminina da Igreja que, quando não existe, a Igreja perde a verdadeira identidade e se torna uma associação beneficente ou um time de futebol ou qualquer outra coisa, mas não a Igreja.”
Somente uma Igreja feminina poderá ter “comportamentos de fecundidade”, segundo as intenções de Deus, que “quis nascer de uma mulher para nos ensinar este caminho de mulher”.
Não a uma Igreja de solteirões
“O importante é que a Igreja seja mulher, que tenha esta atitude de esposa e mãe. Quando nos esquecemos disso, é uma Igreja masculina, sem esta dimensão, e se torna tristemente uma Igreja de solteirões, que vivem no isolamento, incapazes de amor, incapazes de fecundidade. Sem a mulher, a Igreja não vai adiante, porque ela é mulher. Esta atitude de mulher vem de Maria, porque Jesus quis assim.”
A ternura de uma mãe
Uma das virtudes que mais distingue uma mulher, observou o Papa Francisco, é a ternura, como Maria que “deu à luz seu filho primogênito, o enfaixou e o colocou numa manjedoura”: cuidar, com mansidão e humildade são as qualidades fortes das mães”.
“Uma Igreja que é mãe segue o caminho da ternura. Conhece a linguagem da sabedoria do carinho, do silêncio, do olhar cheio de compaixão, que tem gosto de silêncio. E, também, uma alma, uma pessoa que vive essa pertença à Igreja, sabendo que também é mãe, deve seguir o mesmo caminho: uma pessoa afável, terna, sorridente e cheia de amor”.
Fonte: www.vaticannews.va
HOMILIA DO PAPA NESTE DOMINGO DE PENTECOSTES: "A Força do Espírito é um reconstituinte para a vida"
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(Festa do Divino em Angra dos Reis, Rio de Janeiro)
Em sua homilia, o Papa afirmou que "o Espírito lembra à Igreja que não obstante os seus séculos de história, é sempre uma jovem de vinte anos, a Noiva jovem por quem está perdidamente apaixonado o Senhor".
Cidade do Vaticano
A Basílica de São Pedro ficou lotada na manhã deste domingo (20/05/2018) para a celebração da missa de Pentecostes, presidida pelo Papa Francisco. Cardeais, bispos e sacerdotes, usando paramentos vermelhos, concelebraram a liturgia com o Papa.
A homilia do Papa Francisco começou com a explicação da primeira leitura do dia, que narra a rajada de vento que veio do céu com um ruído e que encheu toda a casa em que os discípulos se encontravam: a vinda do Espírito Santo no Pentecostes é a força divina que muda o mundo.
Muda os corações
“Aqueles discípulos que antes viviam no medo, fechados em casa, mesmo depois da ressurreição do Mestre, são transformados pelo Espírito e – disse o Papa, desta vez mencionando o Evangelho do dia – «dão testemunho d’Ele»”.
“De hesitantes, tornam-se corajosos e, partindo de Jerusalém, lançam-se até aos confins do mundo. Medrosos quando Jesus estava entre eles, agora são ousados sem Ele, porque o Espírito mudou os seus corações”.
“ A experiência ensina que nenhuma tentativa terrena de mudar as coisas satisfaz plenamente o coração do homem ”
"A mudança do Espírito é diferente: não revoluciona a vida ao nosso redor, mas muda o nosso coração, transformando-o de pecador em perdoado”.
O Espírito como um reconstituinte de vida
A partir desta reflexão, o Papa sugeriu que quando precisarmos de uma verdadeira mudança, quando as nossas fraquezas nos oprimem, quando avançar é difícil e amar parece impossível, faria bem tomar diariamente este reconstituinte de vida: é Ele, a força de Deus.
Muda as vicissitudes
Prosseguindo a homilia, o Papa disse que depois dos corações, o Espírito, como o vento, sopra por todo o lado e chega às situações mais imprevistas.
“Como na família, quando nasce uma criança, esta complica os horários, faz perder o sono, mas traz uma alegria que renova a vida, impelindo-a para a frente, dilatando-a no amor, do mesmo modo o Espírito traz à Igreja um «sabor de infância»; realiza renascimentos contínuos. Reaviva o amor do começo".
“ O Espírito lembra à Igreja que, não obstante os seus séculos de história, é sempre uma jovem de vinte anos, a Noiva jovem por quem está perdidamente apaixonado o Senhor ”
Gaza, nome que suscita dor
Citando o episódio dos Atos dos Apóstolos em que o diácono Filipe é impelido “por uma estrada deserta, de Jerusalém a Gaza”, o Papa acrescentou: “como este nome soa doloroso, hoje! Que o Espírito mude os corações e as vicissitudes e dê paz à Terra Santa!”.
Terminando, o Papa pediu que Espírito Santo, rajada de vento de Deus, sopre sobre nós: “Soprai nos nossos corações e fazei-nos respirar a ternura do Pai. Soprai sobre a Igreja e impeli-a até aos últimos confins; vinde, Espírito Santo, mudai-nos por dentro e renovai a face da terra”. Fonte: www.vaticannews.va
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