CARTA ABERTA DE APOIO E SOLIDARIEDADE AO PADRE MOACIR PINTO.
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Dom Paulo Bosi Dal’Bó, o corpo clérigo da Diocese de São Mateus-ES e o povo santo de Deus vem a público repudiar as declarações de ofensas e de humilhação pública sofridas pelo Pe. Moacir Pinto durante uma homília no dia 01/02/2023 nos festejos de Nossa Senhora dos Navegantes, na Paróquia de Guriri, em São Mateus. Na ocasião, o Padre Moacir refletia sobre a situação de abandono e morte dos indígenas yanomamis no estado de Roraima, quando o Sr. Eliezer Nardoto o confrontou afirmando que ele estava fazendo campanha político/partidária dentro da Igreja.
Diante desse fato, é importante lembrar e ressaltar que toda a ação profética da Igreja em defesa da VIDA é fundamentada nas sagradas escrituras, na Doutrina Social da Igreja e no testemunho de tantos homens e mulheres de fé que doaram seu sangue para defender outras vidas. A proteção da VIDA não é pautada em nenhum viés de cunho ideológico ou partidário, uma vez que a VIDA é um dom de Deus e todo aquele que se sente cristão e é cristão tem o compromisso de defendê-la, independente do país, continente ou hemisfério que a VIDA estiver sendo ameaçada.
Dessa forma, Dom Paulo Bosi Dal’bó, o Clero e o povo santo de Deus se solidarizam com o Pe. Moacir e ratificam sua pregação profética em defesa da VIDA dos indígenas yanomamis.
Que Deus nos ilumine e nos abençoe na missão em defesa da vida!
São Mateus, 03 de fevereiro de 2023.
Dom Paulo Bosi Dal’Bó
Bispo da Diocese de São Mateus.
Fonte: http://diocesedesaomateus.org.br
3 DE FEVEREIRO: SÃO BRÁS, BISPO DE SEBASTE E MÁRTIR
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Brás, Escola de Novgorod
Sobre a vida de São Brás - protetor da garganta e dos otorrinolaringologistas, dos pecuaristas e das atividades agrícolas -dispomos de poucas notícias: a única coisa certa era a sua fé em Cristo, que manteve até à morte por decapitação, após cruéis torturas indescritíveis.
Bispo e médico
A tradição diz que Brás era natural de Sebaste, na Armênia, onde passou a sua juventude, dedicando-se, sobretudo, aos estudos de Medicina.
Ao tornar-se Bispo, entregou-se aos cuidados físicos e espirituais do povo, realizando, segundo a tradição, até curas milagrosas.
Naqueles anos, as condições de vida dos fiéis da fé cristã pioraram por causa dos contrastes entre o imperador do Oriente, Licínio, e do Ocidente, Constantino, que causaram novas perseguições. Brás, para fugir das violências, refugiou-se em uma caverna, no Monte Argeu, onde viveu na solidão e na oração, guiando a sua Igreja, apesar da distância, com mensagens secretas.
O milagre da garganta
Porém, Brás foi encontrado e preso pelos guardas do governador Agrícola e levado a julgamento. Ao longo do caminho, encontrou uma mãe desesperada, com seu filhinho nos braços, que estava sendo sufocado por um espinho ou isca de peixe cravado em sua garganta. O bispo abençoou-o e a criança recobrou imediatamente a saúde. Este fato, porém, não foi suficiente para poupá-lo do martírio, após torturas atrozes, que não conseguiram mudar seu espírito.
O naufrágio das relíquias
Com a sua morte, São Brás foi enterrado na catedral de Sebaste, mas, em 723, parte dos seus restos mortais foi transferida para Roma. No entanto, durante a viagem, uma tempestade repentina fez com que as relíquias permanecessem em Maratea, na costa da atual região italiana da Basilicata. Esta terra, na verdade, ainda hoje mantém uma grande devoção a São Brás.
O culto de São Brás
São Brás é um dos santos, cuja fama de santidade chegou a muitos lugares e, por isso, é venerado em quase todas as partes do mundo.
O milagre da garganta, que realizou em uma criança, é recordado no dia 3 de fevereiro, com um rito litúrgico particular, durante o qual o sacerdote abençoa a garganta dos fiéis com duas velas cruzadas diante da garganta. Fonte: https://www.vaticannews.va
CNBB EMITE NOTA EM SOLIDARIEDADE AOS YANOMAMI: “AS DORES DE CADA INDÍGENA SÃO TAMBÉM DA IGREJA”
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A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou nesta terça-feira, 31 de janeiro, uma nota intitulada “Em defesa dos povos originários” motivada pela realidade vivida pelo povo Yanomami que, segundo o documento, é a “síntese da ofensiva contra os direitos dos povos indígenas agravada nos últimos anos”. A realidade, segundo a nota, foi denunciada pelo Conselho Indigenista Missionário (CIMI) em seu relatório anual.
De acordo com a nota da presidência da CNBB, “a realidade vivida pelo povo Yanomami é, pois, síntese do que apresenta o relatório do CIMI. Os povos originários, integrados à natureza, têm sido desrespeitados de modo contumaz, a partir da ganância, da exploração predatória do meio ambiente, que propaga a morte em nome do dinheiro”.
Essa realidade, defende a Conferência, deve despertar santa indignação no coração de cada pessoa, especialmente dos cristãos, que não podem fazer da defesa da vida uma simples bandeira a ser erguida sob motivação ideológica. “A vida tem que ser efetivamente defendida, não apenas em uma etapa específica, mas em todo o seu curso. E a defesa da vida humana é indissociável do cuidado com o meio ambiente”, reitera o documento.
Na nota, a CNBB pede às autoridades um adequado tratamento dedicado ao povo Yanomami e a cada comunidade indígena presente no território brasileiro. A CNBB pede ainda que “diante da gravidade do que se verifica no Norte do País, das mortes, principalmente de crianças e de idosos, sejam apontados os responsáveis, para que a justiça prevaleça”.
A CNBB reforça que a Igreja Católica no Brasil está unida ao povo Yanomami, solidariamente, com sua rede de comunidades de fé. “As dores de cada indígena são também da Igreja, que, a partir de sua doutrina, do magistério do Papa Francisco, vem ensinando a importância dos povos originários na preservação do planeta”. Conheça, abaixo, a íntegra da nota
Em defesa dos povos originários
A ofensiva contra os direitos dos povos indígenas, agravada nos últimos anos, foi denunciada pelo Conselho Indigenista Missionário (CIMI), em seu relatório anual. A realidade vivida pelo povo Yanomami é, pois, síntese do que apresenta o relatório do CIMI. Os povos originários, integrados à natureza, têm sido desrespeitados de modo contumaz, a partir da ganância, da exploração predatória do meio ambiente, que propaga a morte em nome do dinheiro.
Essa realidade deve despertar santa indignação no coração de cada pessoa, especialmente dos cristãos, que não podem fazer da defesa da vida uma simples bandeira a ser erguida sob motivação ideológica. A vida tem que ser efetivamente defendida, não apenas em uma etapa específica, mas em todo o seu curso. E a defesa da vida humana é indissociável do cuidado com o meio ambiente.
A CNBB pede às autoridades um adequado tratamento dedicado ao povo Yanomami e a cada comunidade indígena presente no território brasileiro. Diante da gravidade do que se verifica no Norte do País, das mortes, principalmente de crianças e de idosos, sejam apontados os responsáveis, para que a justiça prevaleça. O genocídio dos Yanomamis seja capítulo nunca esquecido na história do Brasil, para que não se repita crime semelhante contra a vida de nossos irmãos.
A Igreja Católica no Brasil está unida ao povo Yanomami, solidariamente, com sua rede de comunidades de fé. As dores de cada indígena são também da Igreja, que, a partir de sua doutrina, do magistério do Papa Francisco, vem ensinando a importância dos povos originários na preservação do planeta.
O momento é de tristeza e desolação, mas a Igreja Católica continuará a trabalhar, intensificando sempre mais as suas ações, em união com muitos segmentos da sociedade e do poder público, para que prevaleça a esperança, confiante de que cada Yanomami será respeitado em sua dignidade de filho e filha de Deus.
Brasília-DF, 31 de janeiro de 2023
Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo de Belo Horizonte (MG)
Presidente da CNBB
Dom Jaime Spengler
Arcebispo de Porto Alegre (RS)
Primeiro Vice-Presidente da CNBB
Dom Mário Antônio da Silva
Arcebispo de Cuiabá (MT)
Segundo Vice-Presidente da CNBB
Dom Joel Portella Amado
Bispo auxiliar da arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro (RJ)
Secretário-geral da CNBB.
Fonte: https://www.cnbb.org.br
Transfobia é mal interreligioso que vai do terreiro à igreja
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Transfobia é mal interreligioso que vai do terreiro à igreja
Transgêneros contam, no Dia da Visibilidade Trans, suas experiências de preconceito em casas de fé
A reverenda trans Alexya Salvador - Eduardo Anizelli - 6.jun.18/Folhapress
SÃO PAULO
Há algo que une todas as principais religiões do Brasil, e não estamos falando do amor a Deus ou a deuses, seja qual for sua crença. Aliás, amor não tem qualquer espaço aqui. A transfobia é uma fístula que lacera relações sociais em múltiplas casas de fé, do terreiro à igreja.
Mesmo religiões tidas como trincheira contra o preconceito com pessoas LGBTQIA+ têm um histórico de marginalizar transgêneros, apontam cinco deles às vésperas do Dia Nacional da Visibilidade Trans, comemorado neste domingo (29).
A modelo Ariadna Arantes, 38, primeira trans no Big Brother Brasil, fez um desabafo no dia seguinte à data que celebrou a causa em 2020. "Estou sofrendo intolerância dentro da própria religião."
Havia acabado de ser iniciada no candomblé. Virou notícia: a ex-BBB de saião, blusa e turbante brancos. Mas muita gente, inclusive nos terreiros, torceu o nariz. Se a biologia não lhe fez mulher desde sempre, ela não podia se vestir como uma, alegavam.
"Vocês são o que, professores de anatomia?", Ariadna esbravejou. Luyza Nogueira dos Santos, 24, já viu esse filme antes, e passou por maus bocados antes de conseguir seu final feliz.
Ela conhece o preconceito desde pequena. Andou com fé primeiro numa igreja pentecostal, e depois na Igreja Católica, onde chegou a fazer a primeira comunhão. Voltou a ser evangélica porque os católicos lhe pareciam mais certinhos, e ela "sentia falta do transe".
Até que se descobriu médium ao receber no templo o Caboclo Laço de Ouro, uma entidade da umbanda, diz. Os fiéis em volta se horrorizaram. "Acordei lavada de óleo de unção dos pés à cabeça."
Foi aí que Luyza encontrou a religiosidade afrobrasileira, mas sem se encontrar por completo nela, não num primeiro momento. Tinha uma tia de santo, uma parente espiritual, que apanhou com sandália da avó de santo porque havia chegada maquiada na casa.
"Era travesti declarada, mas dentro do terreiro a tratavam pelo nome morto [o que recebeu ao nascer], e vestia roupas ditas masculinas", conta.
Luyza ainda não havia feito a transição de gênero e vivia sendo amolada para se assumir gay. Mas ela era uma mulher, não um homem homossexual. E se sentia desconfortável com regras como não poder baixar entidades femininas. "Até que uma pomba-gira pegou minha cabeça, a Maria Navalha do Cabaré."
Conta que recebia ameaças, inclusive físicas, toda vez que aparecia com trajes femininos, como tranças de cabelo ou uma saia.
Para Ronan Gaia, 28, que escreveu uma tese de mestrado sobre mulheres trans no candomblé, a religiosidade afrobrasileira não está isenta de preconceitos que encharcam toda a sociedade.
"Em alguns terreiros, sobretudo os mais tradicionais, apenas mulheres dançam o xirê, ritual que antecede a evocação dos orixás. Mulheres trans são excluídas desse processo, e homens trans, inseridos".
E esse é só um exemplo. O corpo é fundamental para o rito candomblecista, diz Gaia. Daí um destaque maior para a biologia, como se os orixás só compreendessem o gênero a partir do sistema reprodutor com que a pessoa nasceu.
Para o pesquisador, ainda que reproduzam dinâmicas transfóbicas, os terreiros são redes importantes para acolher a população trans.
É como a reverenda trans Alexya Salvador, 42, vê muitas das chamadas igrejas inclusivas. Elas, ao contrário da maioria do meio evangélico, não percebem a identidade LGBTQIA+ como pecado. O problema é que esses templos não discriminam o fiel trans, mas nem sempre o aceita na liderança, diz.
Vide a amiga Jacque Chanel, que escolheu seu nome mesclando Jackie Kennedy com a grife de luxo. Após ter sua ordenação como pastora negada por uma igreja que se dizia livre de preconceitos, ela abriu a Séforas, pioneiro templo trans.
Hoje líder na Igreja da Comunidade Metropolitana, Alexya cresceu na Igreja Católica. Fora dela, era saco de pancadas de colegas. Piores que os hematomas na carne, só os deixados na alma por padres que excluíam os LGBTQIA+ da "obra de Deus".
A psicóloga e pesquisadora Cris Serra, 49, é católica praticante. E diz mais. "Foi justamente a minha experiência de sagrado a partir da sacralidade do meu corpo que permitiu que eu compreendesse minha experiência para além dessa norma cis-heterossexual tão dominante", afirma.
Ela hoje usa o pronome feminino para se referir a si, mas gosta "quando a fronteira fica confusa" e lhe tascam o masculino. Cris se define como pessoa não binária. Entende-se portanto como trans, sem se identificar com o gênero que lhe foi atribuído no nascimento.
Sabe da longa ficha corrida do Vaticano na transfobia. Recentemente, um post nas redes sociais ilustrou bem do que Cris está falando: lamentava "ver travecão comungando" nas missas modernas.
Papa Francisco, nesse sentido, emite sinais dúbios. Na quarta (25), declarou que a homossexualidade não é crime, mas é pecado. Imagina então o que acham deles, se perguntam os transgêneros.
Em 2016, o pontífice disse que a teoria de gênero, "grande inimiga" do casamento tradicional e da família, quer propagar a "colonização ideológica". Alas conservadoras da Igreja vibraram.
O mesmo Francisco já recepcionou um homem trans em audiência e lavou os pés de uma travesti numa Quinta-Feira Santa. "Para além de encarar com otimismo ou pessimismo gestos do papa", diz Cris, "trata-se de construir uma Igreja com ênfase mais no acolhimento pastoral e menos em teologias normativas e descoladas das realidades concretas das pessoas".
Lembra de dom Luciano Bergamin, bispo-emérito de Nova Iguaçu (RJ). Certo dia, veio até ele o pai de uma jovem trans, "muito atordoado com a situação da filha, chamando-a várias vezes pelo nome morto, masculino". O bispo, "com bom humor, perguntou como era o nome dela e, rindo e alegando estar surdo, fez o grupo todo repetir o nome [feminino] várias vezes, cada vez mais alto".
Ser homossexual, em casos extremos, já rendeu pena de morte em nações de maioria muçulmana. Não que trans sejam plenamente aceitos, mas a transfobia pode ser mais branda a depender do país, aponta a antropóloga Francirosy Campos Barbosa, coordenadora do Gracias (Grupo de Antropologia em Contextos Islâmicos), da USP.
O Irã permite a cirurgia de redesignação sexual desde 1983. Há inclusive relatos de gays pressionados a mudar de sexo para escapar da execução pelo Estado, isso porque as autoridades religiosas toleram a ideia de que uma pessoa nascida no corpo errado, mas não de relações homoafetivas.
Já os pares religiosos de Lilyth Ester Grove, 31, se incomodava menos "quando eu era bicha", segundo essa antropóloga judia. Até ela perceber que não era um homem gay e fazer a transição de gênero. Aí já era demais.
No fim, a comunidade judaica reflete a sociedade como um todo, diz Lilyth. "Sobre o Brasil em particular, a visão da travesti é muito precarizada. Somos vistas como apenas trabalhadoras de sexo, barraqueiras. É mais aceitável ser um homem gay do que uma pessoa trans."
Para Alexya, a pastora evangélica, a força maior que transgêneros podem mostrar "é que nossos corpos também são templos de Deus". Os incomodados que se mudem. Fonte: https://www1.folha.uol.com.br
SER IGREJA DOS BEM-AVENTURADOS.
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Dom Adimir Antonio Mazali
Bispo de Erexim (RS)
Minha saudação aos irmãos e irmãs que acompanham a Voz da Diocese. Ao celebrarmos o 4º. Domingo do Tempo Comum, refletimos a centralidade da proposta de Jesus, ou seja, o Reino de Deus expresso no texto das Bem-aventuranças como programa de vida a todo cristão. Todos chamados a ser bem-aventurados, sinônimo de santidade e compromisso na construção do Reino.
Caríssimos irmãos e irmãs! Jesus Cristo propõe uma vida de santidade e esta não se vive no isolamento, na indiferença, no individualismo. Esta é uma proposta de vida de fé em comunidade. Uma comunidade que forma a Igreja, que tem por missão aperfeiçoar os meios para facilitar a vivência cristã no caminho da salvação. Por isso, quero aproveitar mais uma vez, neste retorno de férias, na retomada das atividades paroquiais, no início de um novo ano, refletir sobre os Mandamentos da Igreja, e, como tenho dito com frequência, muitas vezes eles estão esquecidos por nós. Eles nos indicam a importância de nossa participação consciente na comunidade cristã e na vivência dos valores do Reino de Deus inaugurado por Jesus Cristo.
Em breve explicação que retomo do ano passado, os Mandamentos da Igreja são:
1-Participar da missa inteira aos domingos e dias santos de guarda: Este é um compromisso para todos os cristãos que tem uso da razão, entendendo a importância da missa e da comunidade, consciente de ser pecado a não participação por preguiça ou qualquer desculpa que não se justifique. A pandemia passou e é tempo de participar;
2-Confessar-se ao menos uma vez cada ano: Esta confissão é o mínimo que se pede ao cristão, mas que consciente deve buscar mais vezes ao longo do ano. A confissão também é curativa para a alma e nos restaura na graça de Deus. Confessar é sinal de confiança na misericórdia de Deus por nós e compromisso de vida nova;
3-Comungar ao menos pela Páscoa da Ressurreição: A Eucaristia é um mistério de fé e de amor. É o centro da nossa participação na vida de Cristo e a Igreja nos aponta para a importância de comungar frequentemente. A Eucaristia é o alimento para a vida eterna. Deve ser, como disse o Beato Carlo Acutis, “nossa autoestrada para o céu”;
4-Jejuar e abster-se de carne quando manda a Santa Mãe Igreja: isto é, na quarta-feira de cinzas e sexta-feira santa. Aprendemos a controlar nossos impulsos e desejos e compartilhamos do sofrimento de Cristo e de nossos irmãos e irmãs, com quem devemos partilhar a nossa própria vida;
5-Doar o Dízimo, segundo o costume: O dízimo é expressão de comunhão eclesial; da capacidade madura de partilhar com a vida da comunidade. O dízimo não é pagamento, mas doação segundo a generosidade do coração. Este possui a dimensão religiosa, expressão de gratidão a Deus; a dimensão eclesial para a manutenção das celebrações e da vida da comunidade paroquial; a dimensão missionária e evangelizadora da Igreja, e a dimensão caritativa que tem como preocupação a ajuda aos mais necessitados.
Prezados irmãos e irmãs. Entendemos que os Mandamentos da Igreja são orientações que nos ajudam a viver o valor do bem comum e da comunidade cristã, como resposta aos desafios de hoje. Eles ajudam na construção de um mundo de bem-aventurados, sinais do Reino de Deus.
Que Maria, a fiel discípula de Jesus e primeira Bem-Aventurada, nos ensine a fazermos a vontade de seu Filho Jesus e a empenharmo-nos mais no cumprirmos dos Mandamentos da Igreja como mediação para as bem-aventuranças do Evangelho.
Que Deus abençoe a todos e um bom domingo. Fonte: https://www.cnbb.org.br
Não basta ser contra o aborto, é preciso falar sobre sexualidade, diz bispo que casou Lula
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Dom Angélico fala sobre relação com o presidente da República, diz rezar por Bolsonaro e afirma nunca ter visto tanta miséria no país em 90 anos de vida
Dom Angélico Sândalo Bernardino afirma já ter vivido diversas fases de um mesmo Brasil. Do país predominante rural que tateou reformas ao que repousou sob a penumbra de uma ditadura militar, do que foi palco das greves do ABC paulista ao que se redemocratizava e via, novamente, a sua população ir às ruas e reivindicar melhores condições de vida. De todos eles, o clérigo guarda histórias e a lembrança de preservar um voto de fé. "Eu sempre, teimosamente, tenho esperança", diz ele.
O bispo emérito de Blumenau (SC) recebeu a coluna em sua casa no Jardim Primavera, na zona norte da capital paulista, um dia após completar 90 anos de idade —ou 90 anos e nove meses, como se apressa em corrigir. "Somados os nove meses no ventre da Dona Catarina, minha mãe querida", explica.
Ao longo do dia de celebração, conta, não pôde desgrudar do telefone. "Foi gente da Espanha, do povo, de favela, de quando eu morei em Ribeirão Preto, gente branca, gente japonesa, gente negra. Ô, meu Deus do céu", diz ele, entre um sorriso e um suspiro, ao revisitar as ligações que recebeu na quinta-feira (19).
"Um deles [dos que telefonaram] é meu amigo de quando eu era bispo da Pastoral Operária e ele era do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Ficamos amigos. Batizei o filho dele, o neto dele... Quando a segunda esposa estava no hospital —a primeira foi para o céu—, me perguntou: ‘Dom Angélico, o senhor viria aqui benzer a minha esposa?’. ‘É claro’. Quando ela morreu, fui abençoar o corpo. Depois, se casou. ‘Dom Angélico, viria celebrar o casamento?’. ‘É claro’", emenda, antes de confirmar que o amigo de longa data a quem se refere é o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Amigo do petista desde os anos 1970, quando comandava a Pastoral Operária, o bispo esteve ao lado de Lula em momentos de alegria, como o casamento com a socióloga Rosângela da Silva, a Janja, no ano passado, e de perdas irreparáveis. Um deles foi o sacramento dado a dona Marisa Letícia na véspera de sua morte, ocorrida em 2017.
"Lula estava com as mãos postas, em silêncio, ao lado da cama. O salão [quarto] estava repleto de pessoas. Eu fiz a cerimônia da unção dos enfermos. Ao término, peguei a mão da esposa dele e pus a mão no ombro do Lula. Rezamos o Pai Nosso, que é a oração que Jesus nos ensina", relembra o bispo.
Nascido em Saltinho, no interior paulista, Dom Angélico cursou filosofia e teologia e atuou como jornalista em publicações como os jornais "Diário de Notícias" e "O São Paulo", ambos de natureza católica. Nesta última profissão não chegou a se graduar, mas guarda até hoje, dentro de sua carteira, o seu registro junto ao Sindicato dos Jornalistas de São Paulo.
Nesta conversa com a coluna, o bispo emérito defende que, diante da perda de fiéis no Brasil, o catolicismo atue "corajosamente na evangelização" e lance mão de meios modernos de comunicação, diz rezar constantemente pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), afirma nunca ter visto tanta miséria no país e defende que a Igreja e a sociedade discutam mais sobre sexualidade e alternativas ao aborto.
"Nós precisamos nos aprofundar. Nós não falamos claramente a respeito de pênis, a respeito de vagina, a respeito de bumbum, a respeito do prazer, a respeito da evolução", afirma.
O Brasil do tempo da minha ordenação de padre era um Brasil que estava crescendo. Era um Brasil de muita esperança, de muita luta pacífica. Depois, conhecemos a ditadura —ou melhor, o golpe militar, que foi dado porque havia já movimentos reivindicatórios por condições melhores de vida, de maneira particularmente especial no campo. Eu era jornalista e diretor do jornal Diário de Notícias, da arquidiocese de Ribeirão Preto. A gente estava ao lado dos trabalhadores rurais.
Já naquele tempo, era um Brasil de luta, mas também um Brasil de sofrimento e de repressão.
Fui nomeado bispo em 1974 pelo grande papa Paulo 6º. Naquela ocasião, eu morava na periferia. Sempre fui um bispo da periferia de São Paulo. Primeiro na Vila Carvalho, depois na Vila Fraternidade, e assim por diante.
Fui nomeado bispo-auxiliar em São Paulo e integrei, meu Deus do céu, a equipe de dom Paulo Evaristo [Arns]. Minha ordenação aconteceu na Catedral da Sé, em 1975. Era o Brasil de muita luta, de muita organização, e dom Paulo me encarregou, então, da Pastoral Operária. Fiquei durante 25 anos nela.
Quantas vezes não saímos da periferia, da praça do Forró lá em São Miguel, e caminhávamos —olhe!—, milhares de pessoas, até a praça da Sé.
Diminuiu muito o número das comunidades eclesiais de base. O que aconteceu? Irmãos evangélicos começaram a montar pequenas igrejas de culto na periferia. Dom Angélico, bispo emérito
Tive contato com o [ex-governador de São Paulo] Mario Covas [do PSDB]. E ele disse: "Vou lá numa assembleia de vocês". Nós, então, esperamos. Havia muitas pessoas reunidas, reivindicando sarjeta na calçada, creche, saúde e uma porção de coisas de que tinham necessidade. Era o Brasil de então. Vi o povão, mas o Mario Covas não apareceu. Falei: "Ele não veio". Daqui a pouco, ele chega e fala: "Eu tô aqui" [risos]. Ficamos amigos caminhando juntos.
A BALA ASSASSINA
Foi um tempo de muita luta na Pastoral Operária. Eu tive na equipe, por exemplo, trabalhadores que foram presos. Eles não tinham nada a ver com subversão, e não eram subversivos, apenas reivindicavam trabalho e salário justo para todo trabalhador. E eu cito de maneira especial o Santo Dias [metalúrgico assassinado por um policial militar quando participava de uma das primeiras greves da categoria em São Paulo]. Ele era da minha equipe de Pastoral Operária.
Dom Paulo chegou e falou: "Angélico, o corpo do Santo Dias está lá no Instituto Médico Legal. Vamos até lá?". Eu falei: "Vamos". Dom Paulo chegou, foi abrindo caminho, e eu atrás dele. Um dos corpos era do Santo Dias. Nu. E varado o corpo pela bala do repressor.
Tenho dito pelo Brasil afora: nunca vi a imagem de Jesus com o peito varado pela lança como naquele momento vi o corpo do Santo Dias, militante da Pastoral Operária. Varado pela bala assassina.
Era o Brasil de muita luta. E ressalto e insisto: mas luta pacífica. Nunca armados, a não ser alimentados por Jesus, que é o nosso mestre.
MINHA TEIMOSIA
Eu sempre, teimosamente, tenho esperança. Naqueles tempos de luta, dom Paulo sempre dizia o seguinte: "Coragem, vamos avante. De esperança em esperança, na esperança sempre".
Eu, teimosamente, cultivo o positivo nas pessoas e na sociedade. Vejo erros enormes, mas, de esperança em esperança, vou caminhando.
Agora, o mundo de hoje, que tristeza a guerra da Ucrânia, a maldita guerra da Ucrânia. E depois o mundo dos armamentos militares, inclusive o Brasil entra nisso. O dinheiro que é gasto em armas de destruição no mundo não tem cabimento. Se uma parcela mínima fosse destinada para o pão, para o alimento, para a moradia, saúde, educação, todos os bens que Deus ensinou a todos, e que se acumulam nas mãos de poucos, não haveria miséria no mundo.
No Brasil, querido e amado, nós vemos também muita dificuldade, muita miséria. Na minha vida de 90 anos, nunca vi tanta miséria, tanto morador de rua, tanta gente batendo na porta [perguntando] "tem um pãozinho aí? Tem alguma coisa?". Nunca vi também violência tamanha —contra a mulher, na família, na sociedade.
"Não tenho nenhum partido político, eu tenho opções quando voto". Dom Angélico, bispo emérito
Por isso, nós gritamos com Jesus. E eu repito com alegria aquilo que o meu amigo pessoal, o arcebispo de Aparecida [dom Orlando Brandes], já disse e por isso foi até desrespeitado: o Brasil precisa de "amai-vos", e não "armai-vos".
Sempre tenho esperança de um mundo e de um Brasil diferente. Mas eu tenho muita esperança no Brasil de agora.
O CATOLICISMO EM BAIXA
Precisamos nos renovar como igreja. A igreja, antes de tudo, tem a missão de ser comunidade de Jesus, atenta ao que Jesus manda. E ser uma igreja em saída, que vá realmente às periferias. Bispos, padres, religiosos, religiosas, leigos e leigas formando realmente uma comunidade evangelizadora, anunciadora do Reino de Deus, que é feito de Justiça, amor e paz.
Diminuiu muito o número das comunidades eclesiais de base. O que aconteceu? Irmãos evangélicos começaram a montar pequenas igrejas de culto na periferia. E em atendimento a que, prioritariamente? Às necessidades básicas do povo.
Eu sempre digo que eu não sou filho da igreja, eu sou cria, porque eu não me compreendo a não ser na igreja.
Sempre acho que nós, cristãos, precisamos nos converter constantemente àquilo que Jesus quer de nós. Porque muitas vezes a gente fica mais preocupado com edifícios, com organizações, isso e mais aquilo, quando o templo vivo do Espírito Santo é cada pessoa.
Tenho confiança de que as igrejas cristãs se renovem, e que, inclusive, certas igrejas que se proliferam nas periferias também sejam atentas não a promessas eleitoreiras, simplesmente alienantes, mas que se comprometam como nós, Igreja Católica, com as reais necessidades do povo.
A igreja precisa entrar corajosamente na evangelização, inclusive se utilizando desses meios moderníssimos de comunicação.
RELAÇÃO COM A POLÍTICA
Eu não tenho nenhum partido político, eu tenho opções quando voto. Isso eu tenho. Tenho amigos de diversos partidos e faço questão de valorizar a política.
Nós não estamos atrelados, como Igreja, a nenhum candidato. Não. Nós somos favoráveis àqueles candidatos que realmente lutam para que haja emprego para todos, salário justo, trabalho para todos, moradia, saúde. Aí nós apoiamos. E é nesse ímpeto que eu caminho também.
Quando me convidam, por exemplo, para a posse política disso e daquilo, eu digo não. Agora, para um ato religioso, eu vou. Preciso fazer essas distinções fundamentais.
Fui batizar o filho do Lula? Fui. O neto, a bisneta? Fui. Por quê? Eu sou ministro. Fui dar unção dos enfermos para a esposa do Lula, fui ao funeral? Fui. Marquei presença. Fui convidado para o casamento? É claro, estou lá, presente, com alegria. Querem que eu benza a casa onde vão morar? Conte comigo.
ABORTO
[Dom Angélico é questionado sobre revogações feitas pelo governo Lula de portarias que dificultavam o acesso ao aborto legal] Eu vi pelos jornais e não aprofundei ainda com a própria CNBB [Conferência Nacional dos Bispos do Brasil]. O que eu faço votos é que esse governo dê muita esperança para esse país. Tenho confiança de que esse governo realmente seja favorável plenamente à vida.
A igreja —de uma forma, eu digo, até radical— é a favor, e não contra isso ou aquilo. Ela é a favor. E, nesse caso, a igreja é a favor da vida.
Na questão do aborto também é preciso que nós mudemos. Nós temos que mudar, mudar a educação na família, na escola, nos seminários, nos colégios e assim por diante. A respeito do quê? Da afetividade e da sexualidade.
Nós precisamos nos aprofundar. Nós não falamos claramente a respeito de pênis, a respeito de vagina, a respeito de bumbum, a respeito do prazer, a respeito da evolução. Quando nós ficamos jovens, adolescentes, na puberdade, vem a fecundidade. Nós precisamos falar da fecundidade. E qual é a finalidade e a prioridade disso tudo? É a vida.
Como é o funcionamento do sexo num casal? Um celibatário é diferente, como eu, mas como é que funciona a questão sexual? Nós não falamos sobre isto. Nós somos, afetiva e sexualmente, uma sociedade de tabus. Não se conversa. Então só é "eu sou contra aborto, eu sou favorável". Espera um pouquinho.
Nós também precisamos nos perguntar se alguém que engravidou, se engravidou muitas vezes sendo profanada na própria família, aquela menina, aquela jovenzinha... Então engravidou, vai abortar? Não, a gente pode perguntar: não há outros meios de a gente adotar aquela criança e efetivamente apoiar aquela aquela mãe?
A gente precisa se perguntar qual é o amparo que se dá a uma menina que muitas vezes é profanada dentro da própria família e comete um aborto.
LULA E IGREJAS
O Lula realmente é católico, respeita profundamente todas as religiões e tem proclamado que o governo dele respeita o culto religioso. Essa é a posição dele. Vamos separar, não vamos instrumentalizar a religião. Não vamos usar o nome santíssimo de Deus em vão.
"Rezo constantemente pela saúde do ex-presidente [Jair Bolsonaro]. Rezo, também, para que ele possa, quem sabe, mudar a maneira de agir". Dom Angélico, bispo emérito
Nós precisamos respeitar os Poderes para que não aconteça esse desastre que aconteceu no dia 8 [de janeiro], em que vimos realmente depredações verdadeiramente criminosas. Em nome de quê?
Não é por aí. Temos que respeitar realmente o voto popular, mesmo que seja contra o nosso candidato.
JAIR BOLSONARO
Quando vejo que atacam o Bolsonaro dessa forma ou daquela forma, muitas vezes com desrespeito à pessoa, eu tenho dito: rezo constantemente pela saúde do ex-presidente. Rezo, também, para que ele possa, quem sabe, mudar a maneira de agir. Por quê? Porque eu reconheço, não estando de acordo com as ideias e atitudes dele, que ele é filho de Deus, é meu irmão. Somos todos irmãos, porque somos filhos do mesmo pai.
O Lula é meu irmão, meu amigo. Tem gente que diz: "Ah, mas ele é comunista". É lamentável.
Nós precisamos, nos seminários, entre nós, bispos, evoluir no conhecimento da doutrina social da igreja. A igreja não é a favor do comunismo nem a favor do capitalismo que está aí. A igreja anuncia uma sociedade numa economia verdadeiramente solidária. Não é possível que a riqueza se acumule vergonhosamente nas mãos de poucos, e multidões não tenham saúde, educação, moradia, não tenham nada.
A igreja prega isto porque porque ela é fiel à mensagem de Jesus, de tal forma que aí nós precisamos evoluir no conhecimento e na prática da doutrina social da igreja.
A ALEGRIA DE CADA DIA
Para mim, é preciso que a gente viva. O que Jesus diz? Ele não diz "se preocupe com o passado" ou "se preocupe com o futuro". Não. A cada dia, basta o seu peso, basta o seu fardo. Então, o meu empenho é viver diariamente com alegria e com entusiasmo.
Eu tenho dor, "ai", na perna, e fico muitas vezes "ai, minha coluna". Agora, quando me perguntam "como vai, dom Angélico?", a minha resposta é a seguinte: eu vou bem, graças a Deus. Nas mãos de Deus que é Pai, forte e alegre, e vamos para frente.
É assim que procuro viver a cada dia. E tendo um companheiro que nunca me abandona, que é o caminho, a verdade e a vida: Jesus. Eu repito e grito a honra que eu tenho na vida. Eu devo tudo, mas tudo, a Ele. Fonte: https://www1.folha.uol.com.br
Evangélicos racharam em apoiar ou resistir à ditadura militar
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Boa parte das igrejas endossaram regime ou se omitiram, mas fiéis também foram vítimas
Anivaldo Padilha, ex-preso político, durante reunião da Comissão Nacional da Verdade, em 2012 - Silva Junior/Folhapress
SÃO PAULO
Em 1969, dois fiéis delataram membros da própria igreja para a ditadura militar. Informantes do Dops (Departamento de Ordem Política e Social), um dos órgãos mais violentos do regime, o pastor e o bispo acusaram jovens metodistas de "subverter e doutrinar para a esquerda".
Anivaldo Padilha foi um desses delatados. Estudante de ciências sociais da USP, acabou preso meses depois e recepcionado na sala de interrogação com um soco no estômago. "Começaram, então, a aplicar em mim o ‘telefone’, que consiste em golpear os ouvidos da vítima com as duas mãos ao mesmo tempo."
O pior ainda estava por vir. Nas sessões de tortura que se seguiram, conheceu a "cadeira do dragão", revestida com folhas de metal conectadas a um regulador de voltagem. "Fui colocado nu, com mãos e pés amarrados. Exigiram que desse todas as informações que possuía. A cada negativa, o torturador girava a manivela para aumentar a intensidade dos choques. Para tornar os efeitos mais fortes, colocaram uma toalha úmida sob minhas nádegas."
De volta à cela, foi apresentado a uma outra forma de tortura: a fome. A janta, muitas vezes única refeição do dia, eram sobras do quartel trazidas em caldeirões. Arroz, feijão e tomate picado. Com as mãos inchadas, que mal conseguiam segurar a colher, tinha dificuldade para engolir a comida.
No ano seguinte, o líder da juventude metodista, que também militava na AP (Ação Popular) contra a ditadura, partiu para o exílio. Não conseguiu assistir ao nascimento, naquele mesmo 1971, de Alexandre Padilha, filho recém-empossado ministro de Relações Institucionais do governo Lula.
O depoimento foi dado ao Brasil: Nunca Mais, projeto ecumênico idealizado por um católico (dom Paulo Evaristo Arns), um presbiteriano (reverendo Jaime Wright) e um judeu (rabino Henry Sobel). O octogenário Anivaldo também é um dos quatro autores de "As Igrejas Evangélicas na Ditadura Militar - Dos Abusos do Poder à Resistência Cristã".
Organizado pelo Coletivo Memória e Utopia, o livro recupera o engajamento evangélico contra e a favor do período militar num momento em que boa parte das igrejas se acastela no bolsonarismo, abertamente simpático àqueles anos.
A obra lembra sete vítimas evangélicas da ditadura. A história delas passou pela Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos, extinta por Jair Bolsonaro (PL) no apagar das luzes de seu governo e recomposta por Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Heleny Telles Ferreira Guariba, fiel da Igreja Metodista Central de São Paulo, desapareceu aos 30 anos. Inês Etienne Romeu, tida como única sobrevivente da Casa da Morte, centro de tortura em Petrópolis (RJ) onde por três dias recebeu choques elétricos na vagina, testemunhou acreditar que uma das colegas de cativeiro era Heleny.
Outro caso emblemático é o do presbiteriano Paulo Stuart Wright, filho de missionários americanos eleito deputado estadual por Santa Catarina e cassado no primeiro ano da ditadura por "falta de decoro parlamentar" —não usava paletó e gravata.
Militante da AP, ele desapareceu em 1973. Dois anos depois, o pastor Jaime Wright, seu irmão, participou do culto em memória a Vladimir Herzog, também assassinado pelo Estado.
Coautora do livro, Magali Cunha aponta três posturas distintas de líderes evangélicos ante o recrudescimento autoritário daqueles tempos. "A mais prevalente foi de silêncio e indiferença, o que acaba se configurando em apoio. Eles se omitiram diante de perseguições", afirma.
Houve também uma minoria progressista entre fiéis e outros que, mesmo sem alinhamento ideológico à esquerda, "por princípios éticos se colocaram contra a ditadura". Alguns foram denunciados ao governo opressor pelos próprios pastores, como o pai do ministro Alexandre Padilha.
Por fim, uma parcela evangélica apoiou contida ou explicitamente os golpistas.
Mesmo antes do golpe, o segmento já se agitava contra o que via como ameaça esquerdista. O pastor batista Enéas Tognini narrou ter ouvido em 1963, de um oficial do serviço secreto do Exército, que os evangélicos eram a esperança para "salvar o Brasil das garras do comunismo", uma "força espiritual do diabo".
A adesão fica clara com uma leitura de jornais de igrejas.
Em março de 1964, na porta do golpe, O Estandarte Evangélico, da Assembleia de Deus no Pará, publicou: "Nós podemos comparar [o comunismo] a um monstro horrível que subjuga 900 milhões de pessoas em sua cortina de ferro. Tudo isto é o cumprimento das Escrituras. O final dos tempos chegou".
No mês seguinte, com a tomada de poder pelos generais, o presidente da igreja enviou uma mensagem de congratulações à Junta Militar.
O Brasil Presbiteriano expressou em junho de 1964 sua confiança no governo militar, merecedor do "apoio dos cristãos". "Cremos que os presbiterianos, seja qual for o partido, devem a si mesmo, a Cristo e a Nação uma atitude positiva de participação nas tarefas que aguardam o país."
Magali Cunha lembra que, com o endurecimento do regime, igrejas promoveram expurgos de membros progressistas demais para o gosto da cúpula.
Para a pesquisadora do Iser (Instituto de Estudos da Religião), o momento é oportuno para que evangélicos tirem lições do passado. As lembranças, diz, "têm que ser avivadas para que nós percebamos que apoiar regimes não democráticos é uma questão incompatível com a memória do que significa o protestantismo no mundo". Fonte: https://www1.folha.uol.com.br
Religiões afro ainda são maior alvo de intolerância, apesar de pretensa cristofobia
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Religiões afro ainda são maior alvo de intolerância, apesar de pretensa cristofobia
Estudo lançado do Dia de Combate à Intolerância Religiosa sugere aparelhamento de canal de denúncias nos anos Bolsonaro
SÃO PAULO
Não era um lugar agradável de se estar, mas ano após ano adeptos de crenças afrobrasileiras permaneciam inabaláveis como as principais vítimas de intolerância religiosa no Brasil. Não mais. Dados do Disque 100, serviço do governo federal para receber casos de violações contra os direitos humanos, mostram que, desde 2020, a maioria das denúncias passou a vir de cristãos.
Não, o Brasil não virou um celeiro de cristofobia. Sim, as religiões de matriz africana, como umbanda e candomblé, ainda são os alvos preferenciais de discriminação por conta de fé —em boa parte vinda de evangélicos. O que aconteceu, segundo especialistas em estudos religiosos, tem outro nome: distorção de dados.
O governo Jair Bolsonaro confeccionou uma narrativa de perseguição que ajudou a inflar o número de denunciantes cristãos no canal oficial, afirmam os estudiosos.
Com lançamento marcado para este sábado (21), não por acaso o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, um levantamento do Iser (Instituto de Estudos da Religião) com o data_labe revela que cristãos agora aparecem na frente como alvos de intolerância. Entre o segundo semestre de 2020 e o primeiro semestre de 2022, os que procuraram o Disque 100 eram 46% católicos, 30% evangélicos, 3% espíritas e 2% afrorreligiosos. Uma parcela de 12% não especificou uma religião, e o resto se dividiu entre outras fés.
No Relatório sobre Intolerância e Violência Religiosa no Brasil, feito pela Assessoria de Direitos Humanos e Diversidade Religiosa com dados de 2011 a 2015, a porção cristã (8% de católicos e 16% de evangélicos) era inferior à de quem informou ter uma religião afrobrasileira (27%). Uma em cada três pessoas não quis identificar uma crença. O estudo não foi repetido nos anos seguintes.
Estatísticas do mesmo Disque 100 contabilizam, em 2018, 506 denúncias de discriminação religiosa, entre as quais 30% vinham de religiões de matriz africana, enquanto o bloco cristão somava 13%. Metade do grupo preferiu omitir a filiação religiosa.
O ano precede a chegada de Bolsonaro à Presidência. Quando discursou na Assembleia-Geral da ONU de 2020, o então presidente fez um apelo pelo "combate à cristofobia". A aversão a crentes em Jesus Cristo é real em vários países e provoca até assassinatos, mas residual no Brasil, onde 8 em cada 10 pessoas são cristãs.
Damares Alves, sua ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, cimentou essa versão em diversos momentos, como ao postar, em 2020, a foto de uma igreja incendiada durante protestos no Chile. A pastora questionou se "ainda existem dúvidas sobre a cristofobia" e pregou: "Somos o povo que prega o amor, o respeito e a paz".
Amor, respeito e paz inexistiram nos atentados em série sofridos por terreiros nos últimos anos, de autoria quase sempre evangélica. A violência é praticada por uma minoria do segmento, mas a demonização de crenças afro é popular em igrejas, o que colabora para um clima de desconfiança generalizada com a minoria religiosa.
Para se ter uma ideia, de acordo com o censo de 2010, 0,3% da população se identificava como praticante de umbanda ou candomblé. E mesmo assim eles sempre correspondiam à maior fatia das vítimas dos intolerantes.
Para a antropóloga Lívia Reis, pesquisadora do Iser, Bolsonaro deu legitimidade estatal à falsa trama de que cristãos brasileiros são acossados pelo que creem. "Para comprovar esse ponto, fez-se necessário que o governo estimulasse o uso de canais de denúncia entre pessoas cristãs, de modo que as estatísticas corroborassem essa narrativa."
A alta de cristãos acionando o Disque 100 também está, segundo Reis, "intimamente ligada à forma negacionista como o governo federal encarou a pandemia de Covid-19, desencorajando medidas sanitárias de prevenção à doença, entre elas o fechamento das igrejas". Ordens para suspender cultos foram tomadas como um ataque à liberdade religiosa.
"Houve manipulação do Disque 100, isso é óbvio", afirma o babalaô Ivanir dos Santos, professor da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).
A má qualidade dos dados é outro problema, afirma Reis. "É uma lacuna que precisa ser sanada com urgência. As delegacias estaduais nas quais as denúncias são feitas muitas vezes não sistematizam dados básicos como a religião da vítima, por exemplo."
Em alguns casos, as denúncias de intolerância são tipificadas como racismo. No caso de crenças afrobrasileiras, não deixam de ser, diz a antropóloga. "Mas ao mesmo tempo isso ajuda a invisibilizar o dado."
São altas as expectativas sobre o novo governo, e aqui a comparação com o anterior ajuda. Para Reis, a nomeação de pessoas negras, especialmente as afrorreligiosas, na chefia de ministérios "já é um aceno importante de que esse debate não apenas será retomado, como será retomado de forma séria no âmbito federal". A posse de Anielle Franco na pasta da Igualdade Racial e de Sonia Guajajara na dos Povos Indígenas, por exemplo, teve saudação a Xangô, o orixá da Justiça.
Para Ivanir dos Santos, a troca de um presidente que proclamava frases como "o Estado é laico, mas eu sou cristão", ou "a minoria vai se curvar à maioria", já é um passo de elefante. "Agora temos ministros com sensibilidade e compromisso com essa causa."
O primeiro sinal veio após o presidente Lula sancionar, semana passada, uma legislação que endurece penas para crimes de intolerância religiosa. Condenados por eles terão a pena ampliada: antes era de 1 a 3 anos, agora, de 2 a 5 anos. A mudança faz parte de uma recauchutagem na Lei de Crime Racial, de 1989, e fala em "racismo religioso".
Ivanir dos Santos só pede zelo com o cumprimento das leis que criminalizam o preconceito por motivos de fé. Do que elas adiantam se há falhas lá na ponta? "Tem problema no treinamento dos operadores de direito. Se na delegacia o policial não registra como intolerância, não vira processo."
O caso de Juliana Arcanjo Ferreira, 34, virou, mas pela razão avessa. O Ministério Público de São Paulo a acusou de lesão corporal e violência doméstica após mãe e filha participarem de um ritual de iniciação no candomblé.
Elas passaram 21 dias juntas, no chamado quarto de santo, território sagrado para a crença. O cômodo tinha banheiro, e elas faziam três refeições fixas por dia: às 4h, um mingau, e às 12h e às 18h, arroz, feijão e carne, diz Juliana. Nos intervalos, pãozinho, biscoitos e chá.
Também integravam a liturgia pequenos cortes na pele das duas, vistos como cura no preceito candomblecista.
A maior parte do tempo elas passaram no quarto, com exceções diárias para banho. "E a mãe de santo a liberou duas vezes pra ver desenho", conta a mãe.
O pai da menina, que segundo Juliana é evangélico, tentou enquadrá-la em cárcere privado, maus-tratos e violência doméstica. A Justiça já absolveu Juliana duas vezes, e mesmo assim ela não conseguiu reaver a guarda da filha, retirada dela em janeiro de 2021. O pai ainda recorre da decisão. Procurada, a Promotoria não respondeu.
A Folha também tentou falar com representantes da gestão Bolsonaro, como a senadora eleita Damares (Republicanos-DF). Também não obteve resposta.
O Dia do Combate à Intolerância Religiosa homenageia mãe Gilda de Ogum, ialorixá de um terreiro na Bahia alvejada pela Igreja Universal. O jornal da instituição neopentecostal publicou uma foto sua no texto "Macumbeiros charlatões lesam o bolso e a vida dos clientes".
A saúde de mãe Gilda andava frágil após as agressões e até uma invasão de seu terreiro que se seguiram à publicação. Ela infartou aos 65 anos e morreu no dia 21 de janeiro de 2000. Fone: https://www1.folha.uol.com.br
Presos por atos antidemocráticos recusaram vacinas para Covid, hepatite, tétano e tríplice viral.
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Sistema prisional do DF recebeu mais de 900 pessoas em virtude dos atos antidemocráticos
Por Nelson Lima Neto
Bolsonaristas são presos após invasão ao Planalto Infoglobo
Um detalhamento encaminhado pela Secretaria de Saúde do DF à Justiça apontou o resultado inicial do processo de vacinação de presos em virtude dos atos antidemocráticos em Brasília.
Entre os dias 9 e 11 de janeiro, cinco servidores vacinaram 134 pessoas - dos 904 encaminhados ao Centro de Detenção Provisória II, na Papuda.
Dos 134 vacinados, 64 presos negaram receber uma dose da vacina contra a Covid-19. Também foram registrados 19 casos de recusas para hepatite B, tétano e tríplice viral.
Ao repassar o relatório à Justiça do DF, a Secretaria de Saúde informou que a imunização de presos acontecia de "forma gradual", diante da "necessidade de pesquisa do histórico do esquema vacinal individual". Fonte: https://oglobo.globo.com
Nigéria, um sacerdote católico morto e outro ferido em sua casa paroquial
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Padre Isaac Achi, morto na manhã de domingo na Nigéria, no ataque à sua casa paroquial
Segundo a polícia do país africano, o padre Isaac Achi teria morrido no incêndio causado por bandidos que tentaram entrar na residência da paróquia de São Pedro e Paulo, em Kafin-Koro, na região de Paikoro, enquanto o padre Collins teria sido ferido nas costas ao tentar fugir. Iniciadas as investigações para prender os agressores.
Vatican News
Neste de domingo (15/01), na Nigéria, um grupo de bandidos atacou, na madrugada, a casa paroquial da Igreja católica dos santos São Pedro e Paulo, em Kafin-Koro, na região de Paikoro, matando o padre Isaac Achi e ferindo o pe. Collins nas costas enquanto tentava fugir. Com a chegada das forças de segurança, os agressores saíram da casa incendiando-a e causando a morte do pe. Achi.
Morto no incêndio causado por bandidos
Confirmando o violento e trágico ataque, ocorrido por volta das 3h da manhã, o chefe de relações públicas da polícia do Estado, Wasiu Abiodun, declarou que "os bandidos tentaram entrar na residência, mas não conseguiram, e atearam fogo na casa, e o sacerdote morreu carbonizado”. Equipes táticas da polícia de Kafin-Koro, relatou Abiodun, "foram imediatamente enviadas ao local, mas os bandidos fugiram antes de elas chegarem".
O que resta da casa paroquial da igreja dos santos Pedro e São Paulo após o ataque de bandidos
O sacerdote ferido foi levado ao hospital para tratamento
O corpo sem vida do padre Isaac foi recuperado, "enquanto o padre Collins foi levado ao hospital para ser tratado". O comissário de Polícia, do Comando do Estado, Ogundele Ayodeji, enviou uma equipe de reforço para a área "e esforços estão sendo feitos para prender os agressores. Foi iniciada a investigação sobre o trágico ataque". Fonte: https://www.vaticannews.va/
EIS O CORDEIRO DE DEUS
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Dom Rodolfo Weber
Arcebispo de Passo Fundo (RS)
Celebradas as festividades do Natal, a liturgia inicia o Tempo Comum com o início da vida pública e as pregações de Jesus Cristo. Quando João Batista viu Jesus aproximar-se (João 1,29-34), dá testemunho do Messias apresentando de imediato as suas credenciais: Jesus é o “Cordeiro de Deus que tira o pecado o mundo”. “Eu vi o Espírito descer, como uma pomba do céu, e permanecer sobre ele”. Ele “é quem batiza com o Espírito Santo”. “Este é o Filho de Deus”. Sem rodeios, João Batista realiza sua missão de testemunhar que o Salvador estava entre eles e era hora de ouvir e acolher os seus ensinamentos, reconhecer os sinais e crer nele.
Em todas as celebrações eucarísticas proclamamos Jesus o “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”. A expressão no contexto cultural e religioso judaico e para os primeiros cristãos de origem judaica era muito conhecida e muito bem compreendida. Era um dos títulos messiânicos aplicados a Jesus conforme o profeta Isaías 53,7. “Como cordeiro que é levado ao matadouro ou como ovelha, que emudece diante do tosquiador, ele não abriu a boca”.
Para nós hoje e na nossa cultura temos algumas dificuldades em compreender a profundidade da afirmação de João Batista. A expressão faz parte da liturgia e é muito rica em ressonâncias bíblicas. Ela refere-se ao cordeiro pascal da libertação do Egito (Êxodo 12). A noite da libertação foi marcada pelo sacrifício do cordeiro para servir de ceia e o sangue aspergido na porta era sinal de identificação e proteção. A partir daquela data, todos os anos a Páscoa judaica, isto é a Passagem, será realizada desta forma. Tradição se mantém viva na Páscoa Judaica. A segunda referência está nos sacrifícios habituais de cordeiros realizados no templo para a expiação dos pecados do povo, conforme Êxodo 29,38 e Levítico 16,21. Estes sacrifícios de cordeiros aconteciam regularmente no Templo de Jerusalém realizados pelos sacerdotes do Antigo Testamento.
Jesus é o novo Cordeiro pascal imolado no dia da Páscoa e na hora em que eram sacrificados os cordeiros pascais no templo. Ele é o sacrifício da Nova Aliança que supera e anula o sangue dos sacrifícios animais (Hebreus 10,1-18). Ele é a nova Vítima e o Sacerdote, simultaneamente (Hb 7,27). “Nele, e por seu sangue, obtemos a redenção e recebemos o perdão de nossas faltas” (Efésios 1,7). “Tende consciência que fostes resgatados da vida fútil, transmitida pelos antepassados, não ao preço de coisas perecíveis, como a prata ou o ouro, mas pelo precioso sangue de Cristo, cordeiro sem defeito e sem mancha. (1Pedro 1,18-19).
João Batista apresenta Jesus como o libertador do homem. O grande mal e a fonte de todos os males é o pecado. A afirmação é feita no singular “o pecado”, pois engloba todos os pecados numericamente, mas principalmente acentua do pecado do mundo que escraviza o homem.
A realidade do pecado se faz presente entre nós e dentro de cada um nós, hoje como ontem e como sempre. É verdade que fomos redimidos e vocacionados para a santidade como nos ensina São Paulo na segunda leitura da liturgia dominical. “Aos que foram santificados em Cristo Jesus, chamados a ser santos junto com todos os que, em qualquer invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso” (1 Coríntios 1,1-3). O sangue de Cristo não nos torna impecáveis. O pecado está no meio de nós, embora a palavra “pecado” pareça defasada. Basta lançar um olhar ao redor para percebermos que o pecado abunda na sociedade, no ambiente de trabalho, na família e no plano pessoal. Convivemos com estruturas que induzem as pessoas ao mal, basta acompanhar os fatos anunciados e as conversas. O caminho da libertação passa por Jesus Cristo, o “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”. Fonte: https://www.cnbb.org.br
O TESTEMUNHO DE SÃO JOÃO BATISTA
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Dom Vital Corbellini
Bispo de Marabá (PA)
A pessoa de São João Batista esteve muito presente nos evangelhos e na pregação da Igreja antiga. Ele ganhou considerações da parte de Jesus, por ser ele o precursor do Messias, preparando as pessoas para que Jesus fosse bem acolhido entre o povo. A liturgia lhe concedeu leituras que são proclamadas nas comunidades para serem aprofundadas, meditadas no tempo do advento, do natal e no tempo comum. No mundo atual é fundamental dar testemunho de Jesus, da Igreja, porque é preciso viver a Palavra de Jesus na família, na comunidade e na sociedade. Como João, testemunhamos o Senhor na realidade atual.
Testemunho da Luz.
É fundamental a compreensão da palavra testemunho que vem do verbo latino: testificari, do substantivo testimonium cujo significado é testemunhar, atestar, pessoa que viu, assistiu o fato e declara a verdade das coisas1. João testemunhou Jesus. O Prólogo de São João (Jo 1,6-8) fala que houve um homem enviado por Deus, chamado João. Ele veio como testemunha, para dar testemunho da Luz, para que todas as pessoas cressem por meio dele. O fato era claro que ele não era a luz, mas ele testemunhou em favor da Luz. João Batista testemunhou Jesus Cristo, a luz verdadeira que ilumina todo o ser humano. Os padres da Igreja diziam que ele era uma lâmpada diante da Luz, o Senhor que dissipou todas as trevas do erro e da maldade. João testemunhou Jesus Cristo, luz verdadeira.
Cordeiro de Deus.
São João Batista é também conhecido pela expressão usada na liturgia eucarística, antes da comunhão: Cordeiro de Deus. Quando ele viu Jesus que estava vindo ao seu encontro ele disse que Jesus era o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Jo 1,29). Sendo uma expressão de fé dita a Jesus por João, é a objetividade da pessoa do Senhor, o Cordeiro de Deus, único, imolado, sem mancha de pecado, na cruz para a salvação da humanidade. Muitos animais e cordeiros eram imolados por ocasião da Páscoa judaica. Mas com a vinda do Senhor e depois com o cristianismo não será mais necessária a imolação de animais, mas as atenções são dadas à imolação de Jesus como Cordeiro de Deus que na cruz ocorreu a maior manifestação do amor de Deus ao mundo. O evangelista São João coincidiu a morte de Jesus na cruz com a imolação de animais no Templo para dizer que daquele momento em diante o verdadeiro Cordeiro é Jesus, imolado para a redenção da humanidade.
Filho de Deus.
João também testemunhou que Jesus era o Filho de Deus. Esta definição é sem dúvida uma das maiores manifestações que as pessoas diziam a Jesus, encontrando-se, as referências nos evangelhos. Jesus veio do Pai ao mundo, sendo gerado desde sempre por Ele. Ele é o Filho de Deus. O prólogo de São João colocou o dado que a visão de Deus não foi vista por ninguém, no entanto o Deus Unigênito que está no seio do Pai ele no-lo revelou (Jo 1, 18). Diante do pedido do discípulo Filipe que Jesus mostrasse o Pai, o Senhor respondeu que quem o viu, viu o Pai (Jo 14, 8-9). Jesus continuou a sua palavra em relação a Filipe que Jesus está no Pai e o Pai está nele (Jo 14,11). Marta também disse que Jesus era o Filho de Deus, diante do fato da morte de Lázaro, irmão seu e de Maria, pois, na ocasião, o Senhor disse que ele era a ressurreição, a vida e que ele ressurgiria Lázaro, morto já alguns dias (Jo 11, 25-27). Na morte de cruz, o centurião romano disse que Jesus era o Filho de Deus (Mc 15, 39). João Batista esteve na linha das grandes profissões de fé, de amor ditas a Jesus, como Filho de Deus na carne.
João disse a Jesus que ele deveria ser batizado pelo Cristo
São Gregório de Nazianzo, bispo de Constantinopla, século IV tendo como base o evangelho de Mateus, disse que João relutou quando Jesus se aproximou dele para ser batizado, pois ele desejava ser batizado pelo Senhor (Mt 3,14). Se João tentou resistir, Jesus insistiu. Jesus não tinha pecado, mas ele assumiu com o seu batismo o pecado da humanidade. Ele santificou as águas do Jordão, para assim iniciar a todos nos sacramentos mediante o Espírito e na água. São Gregório de Nazianzo disse também que João era uma lâmpada diante do Sol, a voz à Palavra, o amigo ao Esposo, o maior entre todos os nascidos de mulher ao Primogênito de toda a criatura, aquele que estremeceu de alegria no seio materno de Isabel ao que fora adorado no seio de Maria, sua Mãe, o Precursor diante do Salvador2;
João Batista e Elias.
Jesus pediu o silêncio aos discípulos Pedro, Tiago e João ao descerem da montanha, quando Jesus foi lá para a transfiguração solicitando a eles que não contassem a ninguém até que Ele tivesse ressuscitado dos mortos. No entanto os discípulos perguntaram a Jesus o fato de que primeiro deveria vir Elias, que eram as afirmações dos escribas, segundo eles. Mas Jesus afirmou aos seus discípulos que Elias restaurará tudo e tinha vindo, mas ele não recebeu o reconhecimento. As autoridades fizeram tudo com ele com o que desejavam dele. Jesus disse que também o Filho do Homem sofreria por causa deles. Os discípulos entenderam que Jesus lhes falava de João Batista (Mt 17,9-13). Elias veio primeiro, na pessoa do Precursor, João Batista e o Senhor passará pelo sofrimento, a cruz, para chegar à glória da ressurreição.
João e Jesus.
Jesus disse às multidões que João Batista era uma pessoa simples, mais que um profeta, porque ele foi mandado por Deus para preparar o caminho do Senhor. Ele seria o maior entre os nascidos de mulher, no entanto o menor no Reino dos céus era maior do que ele (Mt 11, 7-11). Jesus é maior que João Batista, porque ele veio de Deus para redimir a toda a humanidade.
O testemunho de João Batista reforça sempre a necessidade de viver a Palavra de Jesus no mundo de hoje. O testemunho coloca a necessidade para a realização do bem na família, na comunidade e na sociedade. Nós somos chamados a amar a Deus, ao próximo como a si mesmo. Fonte: https://www.cnbb.org.br
Como eu queria ter fé
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Se a dor é um deserto, o do ateu é sem estrelas
O escritor chileno Roberto Bolaño - Basso Cannarsa/Divulgação
Dei meu primeiro grito ateu aos oito anos. Convocada por meus pais a fazer a primeira comunhão, recusei-me, argumentando que não sabia se Deus existia. Não sei de onde tirei tamanho disparate estando no seio de uma família ítalo-católica, mas funcionou: não precisei vestir a bata branca nem matei a curiosidade, ainda pendente, de saber o sabor da hóstia.
Vivi bem na descrença por muitos anos, enquanto a vida não entortava com seu peso inevitável as minhas costas. Mas claro que o dia chegou, como chega para todos, trazendo um problema tão desorientador que não houve ninguém, de carne e osso, capaz de me dar um norte.
Nesse momento, senti inveja de Gilberto Gil, que, na música e na vida, anda com fé sem fazer esforço. Se a dor é um deserto, o do ateu é sem estrelas. Durante meses, tentei acender nesse céu algumas lâmpadas, tentei ter fé de várias formas e a qualquer custo, ciscando no budismo, passando por centros espíritas e terreiros e, por fim, apelando ao terço, que então ganhei da minha prima, aquela que comungou com os mesmos oito anos enquanto eu trocava figurinhas do lado de fora da igreja.
Desse período de peregrinação pelo interminável catálogo das crenças, aprendi que a fé não é geladeira para se adquirir à vista ou em 12 vezes. Tem a ver com aptidão e exercício. Ou quem sabe até com genética: às vezes tenho a impressão de que alguns nascem com esse receptáculo a ser preenchido e outros não.
Para piorar, sou romancista. Treino, quase diariamente, o músculo oposto. Meu trabalho é criar dramas. Imaginar que alguma coisa vai dar errado para que nasça o conflito, tão necessário para o êxito de uma narrativa. Ou seja, minha rede neuronal é uma atleta em projetar cenários adversos, exercício contrário à positividade da fé.
Quando a coisa aperta, apelo ao único templo que frequentei com assiduidade: a biblioteca. Foi ali que o escritor Roberto Bolaño me estendeu a mão quando fui confrontada com uma doença e a sombra da morte. Em seus ensaios, escritos no hospital poucas semanas antes de seu falecimento precoce, aos 50 anos, Bolaño não oferece respostas nem alívio, mas se aferra à vida com tanta paixão que o leitor acaba por fechar o livro acreditando em alguma coisa.
Que coisa é essa não sei, mas sei que precisei dela para combater a citada doença. Para começar a escrever livros que consomem três anos de trabalho e nunca sei se vão ficar bons. Para acordar num país atacado por extremistas e acreditar que as coisas ainda podem dar certo. Para criar uma filha em um planeta confrontado com a devastadora crise climática.
Será fé? Quem sabe. Sem receptáculo, sem ânfora, sem aquele cálice de prata levantado aos céus pelos padres. Uma crença assim, mais comezinha, mas que às vezes também enche de luz o meu singelo copo de requeijão. Fonte: https://www1.folha.uol.com.br
CNBB CONDENA OS ATAQUES CRIMINOSOS AO ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO, PEDE CONTENÇÃO E RESPONSABILIZAÇÃO NO RIGOR DA LEI
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A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), perplexa com as graves e violentas ocorrências em Brasília (DF), manifestou-se neste domingo, 8 de janeiro, pelo seu canal no Twitter, sobre os atos antidemocráticos e de vândalos que invadiram e destruíram os prédios públicos, que simbolicamente representam o Estado brasileiro: a sedes do Congresso Nacional, do Supremo Tribunal Federal e o Palácio do Planalto.
A presidência da CNBB pede serenidade, paz e o imediato cessar dos ataques criminosos ao Estado Democrático de Direito. “Estes ataques devem ser imediatamente contidos e seus organizadores e participantes responsabilizados com os rigores da lei. Os cidadãos e a democracia precisam ser protegidos”, disse a mensagem. Fonte: https://www.cnbb.org.br
O adeus a Bento XVI: "Pai, nas tuas mãos entregamos o seu espírito"
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"Bento, fiel amigo do Esposo, que a tua alegria seja perfeita escutando definitivamente e para sempre a sua voz!", com estas palavras, Francisco encerrou a homilia das exéquias do Papa emérito, diante de milhares de fiéis.
Bianca Fraccalvieri – Vatican News
A cidade de Roma amanheceu encoberta por uma forte neblina, que impedia até mesmo de ver a cúpula da Basílica Vaticana, diante da qual milhares de fiéis se reuniram para o funeral do Papa emérito Bento XVI.
As imagens remetem a abril de 2005, quando o mundo se despediu de São João Paulo II: o caixão de madeira, simples, posicionado diante do altar, sobre o qual foi apoiado o Evangelho aberto. Ao ser depositado no chão, recebeu um beijo do seu então secretário particular Dom Georg Gänswein. Estima-se que cerca de 50 mil pessoas participaram do funeral, entre as quais inúmeras autoridades e chefes de Estado. Celebraram com o Pontífice, além do cardeal-decano Giovanni Battista Re no altar, mais de 120 cardeais, 400 bispos e quase quatro mil sacerdotes.
Dom Gänswein beija o caixão
O funeral seguiu o protocolo de um Papa reinante, com algumas modificações. Na homilia, o Papa comentou a leitura extraída de Lucas 23, 46, de modo especial a seguinte frase: «Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito».
“São as últimas palavras que o Senhor pronunciou na cruz; quase poderíamos dizer, o seu último suspiro, capaz de confirmar aquilo que caraterizou toda a sua vida: uma entrega contínua nas mãos de seu Pai. Mãos de perdão e compaixão, de cura e misericórdia, mãos de unção e bênção.”
Francisco citou Bento uma única vez, no final, mas as referências são extraídas de textos do Papa emérito: a Encíclica “Deus caritas est”, a homilia na Missa Crismal de 2006 e a missa do início do seu pontificado.
Citações que traçam o perfil do seu pastoreio, que se deixou cinzelar pela vontade do Pai, carregando aos ombros todas as consequências e dificuldades do Evangelho até ao ponto de ver as suas mãos chagadas por amor. Até ao ponto de fazer palpitar no próprio coração os mesmos sentimentos de Cristo Jesus de dedicação agradecida, orante e sustentada pela consolação do Espírito.
A oração do Papa Francisco
Foram essas três “dedicações” explanadas por Francisco.
Dedicação agradecida feita de serviço ao Senhor e ao seu Povo que nasce da certeza de se ter recebido um dom totalmente gratuito. Dedicação orante, que se plasma e aperfeiçoa silenciosamente por entre as encruzilhadas e contradições que o pastor deve enfrentar e o esperançado convite a apascentar o rebanho. Como o Mestre, carrega sobre os ombros a canseira da intercessão e o desgaste da unção pelo seu povo, especialmente onde a bondade é contrastada e os irmãos veem ameaçada a sua dignidade. Dedicação sustentada pela consolação do Espírito, que sempre o precede na missão e transparece na paixão de comunicar a beleza e a alegria do Evangelho.
“Também nós, firmemente unidos às últimas palavras do Senhor e ao testemunho que marcou a sua vida, queremos, como comunidade eclesial, seguir as suas pegadas e confiar o nosso irmão às mãos do Pai: que estas mãos misericordiosas encontrem a sua lâmpada acesa com o azeite do Evangelho, que ele difundiu e testemunhou durante a sua vida.”
Simplicidade marcou o funeral de Bento XVI
Para Francisco, Bento XVI cultivou a consciência do pastor que não pode carregar sozinho aquilo que, na realidade, nunca poderia sustentar sozinho e, por isso, soube abandonar-se à oração e ao cuidado do povo que lhe está confiado.
É o Povo fiel de Deus que, congregado, acompanha e confia a vida de quem foi seu pastor. E o faz com o perfume da gratidão e o unguento da esperança, com a mesma unção, sabedoria, delicadeza e dedicação que o Papa emérito soube dispensar ao longo dos anos.
“Queremos dizer juntos: «Pai, nas tuas mãos entregamos o seu espírito». Bento, fiel amigo do Esposo, que a tua alegria seja perfeita escutando definitivamente e para sempre a sua voz!”. Fonte: https://www.vaticannews.va
SOLENIDADE DA EPIFANIA DO SENHOR
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Dom Carmo João Rhoden
Bispo Emérito de Taubaté (SP)
Solenidade da Epifania do Senhor: 08/01/2023 ( Mt 2, 1-12)
Texto inspirador: “Onde está o Rei dos judeus que acaba de nascer? Vimos sua estrela no Oriente e viemos adorá-Lo. Quando, ouviu isso, o rei Herodes ficou atordoado e, com ele, toda Jerusalém.” (Mt 2,2)
1º Viver cristãmente, significa manter-se lúcido, consciente e bem relacionado com todos: consigo, com os outros e principalmente com Deus, o Criador. Por isso, é necessário sair de si (do seu egoísmo) e ir ao encontro. Buscar. Os magos o fizeram. Juntos (eram 3) se puseram a caminho, procurando Aquele que a estrela indicara. Acharam-no e adorando-o, lhe ofereceram seus presentes. Mostraram, que é preciso buscar juntos. Sem desanimar. Para consegui-lo, é preciso conhecer-se, amar-se e ser livre. Repito: é necessário ir ao encontro do outro. Do Outro: Deus. Quem não O encontrou na vida, lhe falta, certamente, a bússola da fé. Não sabe de onde veio, talvez nem o que faz e desconhece seu fim. Está perdido no tempo e no espaço. Será alguém angustiado: infeliz ou até revoltado. Não o constatamos todos os dias?
2º É preciso, por isso, buscar. Encontra-se com Outro: Deus. Conhece-lo. Como? Lendo as Escrituras, aprofundando o sentido das coisas e respeitando o próximo, inclusive servindo-o. A Deus, porém, servi-lo, significa adorá-Lo, obedecer-lhe, oferecendo-lhe nossos presentes. Outrora, foram: ouro, incenso e mirra. Hoje, são outros os presentes: amor, adoração, respeito à natureza e promoção, principalmente dos mais necessitados (justiça social). Aliás, isso significa imitar Jesus Cristo na construção do Reino de Deus.
3º A caminhada, nesse mundo, nunca será fácil, pois, se intrometem sempre, principalmente hoje, novos Herodes: falsos e sanguinários. Acompanhados, ainda de Pilatos medrosos, gananciosos e amantes do poder, bem como, dos eviternos fariseus que fingindo adorar a Deus, apenas são falsos e sem caráter. Na pós-modernidade, surgem ainda novos Anás e Caifás: usam de muito incenso (fumaça), criando não poucas vezes, novas religiões, comprometendo o verdadeiro culto, contudo, não conseguindo abandonar, o sentido religioso da vida, acabam criando novas denominações religiosas, apelando até ao ridículo. Não o estamos constatando, diariamente?
4º Nós, hoje, não precisamos ir à Belém como os magos de outrora, mas voltando-nos para nossa interioridade ajudar a construir, neste ano de 2023, um mundo melhor, de mais paz, amor, justiça e respeito. Estaremos, assim, prestando o verdadeiro culto a Deus, sempre esperado de nós. Continuaremos então, lutando para obtenção de nossa felicidade e salvação. Hoje, nossos presentes serão: amor e comunhão, bem como verdadeira vivência da justiça na sociedade.
5º Um feliz e abençoado ano de 2023. Façamos, como o grande Papa, Bento XVI, que afirmou: “não me preparo para o fim, mas para o encontro.” Com quem? A Trindade. Que belo encontro, Bento XVI. Imitemo-lo. Fonte: https://www.cnbb.org.br
A homenagem de milhares de fiéis ao Papa emérito Bento XVI
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Pelo segundo dia consecutivo continuam as homenagens de fiéis e peregrinos de todas as partes do mundo que desde as primeiras horas desta terça-feira se colocaram em fila para poder entrar na Basílica Vaticana onde se encontram os restos mortais do Papa Emérito Bento XVI, que faleceu na manhã do último sábado, 31 de dezembro de 2022. Na fila três gerações: crianças, adultos, pessoas idosas. Leigos e religiosos. Será possível homenagear os restos do Papa Emérito até quarta-feira à noite.
Silvonei José – Vatican News
Pouco depois das 5 da manhã desta terça-feira os primeiros fiéis chegaram à Via di Porta Angelica, a poucos passos da Praça São Pedro, para se alinharem para entrar na Basílica de São Pedro e poder homenagear o Papa emérito Bento XVI. Tantos jovens presentes e para muitos deles, foi o primeiro Papa.
O corpo de Bento XVI em exposição em São Pedro
Após um rito particular, os restos mortais do Papa Emérito foram transferidos na manhã de ontem, segunda-feira, do Mosteiro Mater Ecclesiae, para a Basílica de São Pedro, junto ao Altar da Confissão. O corpo do Papa emérito permanecerá no interior da Basílica por três dias, até o funeral no dia 5 de janeiro, na Praça São Pedro. Após a primeira entrada do presidente italiano Mattarella no dia de ontem cerca de 65.000 pessoas prestaram sua última homenagem a Joseph Ratzinger, que será enterrado nas Grutas do Vaticano, no local onde se encontrava o túmulo de João Paulo II.
Imediatamente após o presidente italiano Mattarella, a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, chegou a São Pedro, assim como Alfredo Mantovano, Subsecretário da Presidência do Conselho, e o Ministro da Agricultura, Francesco Lollobrigida.
O rito presidido por Gambetti
Na pequena capela, no Mosteiro Mater Ecclesiae onde o corpo de Bento descansou todo o dia de domingo ao lado de um grande crucifixo, de um presépio e de uma árvore de Natal, estava o fiel secretário dom Gänswein, e as Memores Domini que ajudaram Ratzinger diariamente ao longo dos anos. Presentes também os antigos ajudantes de câmara e um pequeno grupo da Mater Ecclesiae que recitaram uma breve oração. Os restos mortais do Papa Emérito foram então transportados para a Basílica em procissão através da Porta de Oração. Um percurso de apenas alguns metros por uma estrada de curvas e árvores que durante todo o dia de domingo, começando com as primeiras visitas privadas de bispos e cardeais, foi ocupada por centenas de pessoas que não queriam esperar pela abertura nesta segunda-feira da Basílica e foram cumprimentar o Papa Emérito. Um fluxo que durou até o final da tarde de domingo.
65 mil pessoas em São Pedro
Muitos retornaram à Praça de São Pedro nesta segunda-feira, esperando em fila dupla desde as primeiras horas da manhã. Estimativas iniciais falaram de 40 mil pessoas que foram prestar suas últimas homenagens ao Pontífice Emérito após cinco horas da abertura, tornando-se 65 mil no final do dia. Um grande afluxo é esperado também hoje e amanhã nos dias da exposição do corpo de Bento XVI. No dia 5 de janeiro, quinta-feira, dia do funeral presidido pelo Papa Francisco, são esperadas aproximadamente 50-60 mil pessoas. Fonte: https://www.vaticannews.va
Fiéis prestam homenagem ao Papa emérito na Basílica de São Pedro
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O corpo em exposição até quarta-feira, funeral na quinta-feira.
Silvonei José – Antonella Palermo – Vatican News
Centenas de fiéis chegaram à Praça São Pedro no Vaticano quando ainda era madrugada nesta segunda-feira, 2 de janeiro, para prestar suas últimas homenagens ao Papa emérito Bento XVI. O corpo do Papa Ratzinger, que faleceu no último dia de 2022, 31 de dezembro, aos 95 anos de idade no mosteiro Mater Ecclesiae, no Vaticano, foi trazido para a Basílica de São Pedro pouco depois das 7 da manhã desta segunda-feira e permanecerá em exposição até quarta-feira. Na quinta-feira, dia 5, o funeral às 9h30 da manhã "solene, mas sóbrio", presidido pelo Papa Francisco.
O corpo do Papa emérito Bento XVI está no interior da Basílica enquanto milhares de pessoas fazem fila para prestar suas homenagens. As portas da Basílica de São Pedro foram abertas ao público pouco depois das 9 horas da manhã. A exibição pública do corpo de Bento XVI dura 10 horas nesta segunda-feira. Doze horas de exibição estão programadas para terça-feira e quarta-feira antes do funeral da manhã de quinta-feira. Os oficiais de segurança dizem que pelo menos 25.000 pessoas passarão diante do corpo de Bento XVI neste primeiro dia de visita.
O afeto dos fiéis ao Papa emérito
Amigos, ex-colaboradores, estudantes, famílias, religiosos e religiosas. É a procissão daqueles que quiseram prestar suas homenagens a Bento XVI. A nossa colega Antonella Palermo esteve presente e conversou com alguns dos fiéis.
"Eu o conhecia desde criança. Ele era como uma segunda família para mim": disse uma mulher, mãe de dois filhos pequenos, junto com o seu marido. Uma família inteira, entre muitas, que nas últimas horas da tarde deste domingo visitou a câmara-ardente com o corpo de Bento XVI instalada na capela do mosteiro Mater Ecclesiae, no Vaticano.
A doçura e a sua fé inabalável
Uma procissão de poucas pessoas, que gradualmente se tornou mais espessa, que em estrito silêncio prestaram homenagem ao Papa emérito que no último dia do ano subiu à Casa do Pai. Uma data muito impressa em uma das mulheres da Família Espiritual “A obra” que, com um sorriso e uma gentileza muito semelhante aos do Papa emérito, abraça e saúda continuamente conhecidos e amigos: "Seu maior legado permanece para mim sua doçura", diz ela, superando a timidez e a discrição, "e sua fé inabalável". O fato que tenha falecido no 31 de dezembro foi como uma coroação de uma vida inteira, porque depois se cantou o Te Deum".
Uma inteligência que expressava a simplicidade da fé
Monsenhor Georg Gänswein, secretário de Ratzinger, está na porta de entrada do Mosteiro. Ele aperta a mão, consola, acolhe palavras de emoção e condolências de antigos colaboradores, religiosos e religiosas, estudantes, pessoas ligadas às atividades do Papa emérito, mas também pessoas comuns, fora da esfera estritamente vaticana. Uma mulher idosa se esforça para entrar apoiada em duas muletas, é um avanço lento de um microcosmo internacional, que procede de forma composta, ajoelha-se, chora. "Lembro-me dele acima de tudo por sua inteligência distinta e fascinante porque, por trás da elaboração conceitual de seus discursos, no final, a simplicidade veio à tona. Aqui", diz outro casal, "esta simplicidade de fé é o que sempre permaneceu em meu coração e ainda permanece dentro de mim".
Ela apoiou a Igreja, a nave de Pedro
Dois escritores poloneses tinham vindo a Roma para completar um livro sobre Maria. E eles se encontravam ali, jamais teriam pensado: "Sua fé, sua perseverança", dizem-nos. Da "doce firmeza" fala outra religiosa estrangeira. Enquanto isso, passam alguns prelados, funcionários do Vaticano, e entre eles há um membro da banda de gendarmaria mostrando uma foto do último espetáculo com a presença de Ratzinger. "Estávamos todos aqui juntos. Ele se alegrou". Na capela do antigo mosteiro há uma estátua de Santo Agostinho, inspirador da teologia do Papa emérito. Fiel à tradição, mas não um tradicionalista", recorda um jornalista, "tanto que Francisco não é sua antítese". Só temos que expressar muita gratidão porque ambos apoiam a Igreja, a nave de Pedro". Fonte: https://www.vaticannews.va
Reflexão: Santa Maria, Mãe de Deus
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Primeiro de janeiro, oitava de Natal, é celebrado o nome de Jesus dado ao pequeno recém-nascido, mas sobretudo é a solenidade de Maria, sua Mãe, como Mãe de Deus.
Vatican News
O nome Jesus significa Deus Salva e ele é o Príncipe da Paz. Por isso hoje é também comemorado o Dia Mundial da Paz!
Iniciamos o Ano Civil com a solenidade da maternidade divina, quando Maria dá à Humanidade aquele que é a bênção do Pai, a própria paz, Jesus Cristo!
A imposição do nome Jesus ao Menino, enfoca nessa criança todo o significado, todo o conhecimento das palavras vida e bênção. JESUS significa DEUS SALVA. Portanto esse Menino é a própria salvação, a própria bênção, a perfeita bênção, a paz. Como ele dirá mais tarde sobre si mesmo: EU SOU O CAMINHO, A VERDADE, A VIDA.
A Humanidade que tanto desejava a bênção, a paz, a Vida, agora recebe todos esses dons nesse Menino, em Jesus.
Bênção é um voto de desejo de que a força de Deus venha sobre as pessoas que a recebem, para que saibam enfrentar os desafios que terão no ano que se inicia. E como é pronunciada sobre a pessoa, em nome de Deus, é certo que isso acontecerá pela força da vontade do próprio Deus. A fé em Deus, de saber-se amado por Ele, é importantíssima nesse momento.
Portanto, Jesus é a própria força de Deus, é a resposta ao nosso desejo de sermos amados pelo Pai, que – de fato – nos amou por primeiro.
Por outro lado, como a bênção não é magia, mas desejo do coração de Deus e do Homem, ela supõe compromisso da parte deste. É necessário que o Homem desejoso da bênção da paz, mude seu coração, deixe de lado a inveja, a cobiça, a maledicência. A paz só virá para um coração desprendido e ele será, onde estiver, artífice da paz.
Deus é nosso Pai e isso nos compromete a vivermos como filhos. O Evangelho nos diz que a salvação e a paz são frutos da humildade, da simplicidade de vida.
É importante que se diga que apesar de a bênção ter sido dita sobre nós em nome de Deus, no dia a dia nem tudo ocorrerá como desejamos. Quem espera que a bênção de Deus seja um ato mágico, supersticioso que nos livra de contrariedades, transforma Deus em um xamã, esquecendo-se de que Ele é Pai.
O autêntico cristão, aquele que crê que tudo colabora para o bem dos que são amados por Deus, sabe que o Pai é o Senhor da História, que nada acontece sem seu conhecimento e que tudo está sob seu poder. Seria muito estranho, muito humano se Deus protegesse apenas aqueles que buscam seu socorro.
Deus é Pai de todos, faz chover sobre os bons e os maus. A diferença está em que os humildes, aqueles que se reconhecem criaturas, sabem que tudo está nas mãos de Deus e n’Ele confiam. O modo de enfrentar uma situação difícil distingue quem tem fé e esperança e quem em nada crê.
Mais um tempo dado pelo Senhor para nos aprofundarmos na vivência de Seu amor e no serviço aos irmãos.
Feliz Ano Novo! Fonte: https://www.vaticannews.va
Morre Bento XVI, "humilde trabalhador na vinha do Senhor"
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Papa emérito morreu às 9h34 deste sábado, 31 de dezembro. O funeral será na quinta-feira, 5 de janeiro, às 9h30 locais na Praça São Pedro, presidido pelo Papa Francisco.
Vatican News
Comunicado do diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Matteo Bruni:
“Com pesar informo que o Papa Emérito Bento XVI faleceu hoje às 9h34, no Mosteiro Mater Ecclesiae, no Vaticano. Assim que possível, serão enviadas novas informações”
Desde quarta-feira passada, quando o Papa Francisco afirmou que seu predecessor estava muito doente, fiéis do mundo inteiro se uniram em oração pela saúde do Papa emérito. Bento XVI tinha 95 anos e vivia no Mosteiro Mater Ecclesiae desde sua renúncia ao ministério petrino, em 2013.
O corpo do Papa emérito estará na Basílica de São Pedro para a saudação dos fiéis a partir da segunda-feira, 2 de janeiro. O funeral será na quinta-feira, 5 de janeiro, às 9h30 locais na Praça São Pedro, presidido pelo Papa Francisco. Fonte: https://www.vaticannews.va
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