A defasagem da imunização infantil em um país mundialmente reputado por sua cobertura vacinal é uma anomalia que tem nome e sobrenome

 

Conforme apurou o Estadão, com 15 dias de campanha de imunização infantil, o Brasil poderia ter vacinado 75% das crianças, mas vacinou apenas 10%. O SUS teria capacidade de aplicar 1 milhão de doses por dia, mas a média está em 130 mil. Neste ritmo, a campanha levará seis meses. As causas são múltiplas – escassez de imunizantes, falhas de planejamento, desinformação –, mas apontam para um mesmo epicentro: o Palácio do Planalto.

A defasagem, que coincide com o retorno às aulas e o aumento das mortes e da pressão hospitalar pela variante Ômicron, é tanto mais chocante quando se considera que o Brasil tem uma infraestrutura e uma cultura vacinal, sobretudo infantil, mundialmente reputadas. Esse sistema prevaleceu na imunização dos adultos, que aderiram massivamente à vacinação, mas, justamente na hora de vacinar as crianças, sua resistência imunológica começa a dar mostras de comprometimento ante a virulência do presidente e suas hostes negacionistas.

Há meses a imunização infantil está em curso nos países desenvolvidos. Entre os vizinhos, o Chile já vacinou 77% de suas crianças e a Argentina, 72%. Não fosse o descaso do governo, boa parte das crianças teria começado o ano letivo já imunizada com duas doses. Mas as primeiras doses só chegaram à maioria das cidades no dia 17, um mês após a aprovação da Anvisa. Somadas as vacinas em estoque e contratadas, 5,5 milhões de crianças ainda não têm vacina garantida. O Instituto Butantan afirma ter 10 milhões de doses para pronta entrega. Mas, no caso da Coronavac, a desídia de Jair Bolsonaro pela vacinação se soma ao seu temor de associá-la ao governador de São Paulo, João Doria, seu concorrente na eleição.

Em ano eleitoral, a politicagem combinada à incompetência cria uma tempestade perfeita que ameaça as crianças e dá sobrevida ao vírus. A sabotagem bolsonarista à vacinação adulta está se repetindo na infantil, mas, qual uma nova variante, com mais eficiência e virulência.

A quantidade e a sofisticação das informações falsas estão muito maiores do que no ano passado. As investidas contra a imunização infantil são tanto mais graves na medida em que hoje se tem mais informação sobre a segurança e eficácia das vacinas, e são especialmente cruéis, por manipularem os instintos de proteção dos pais, produzindo o efeito inverso de expor seus filhos a riscos evitáveis.

Jair Bolsonaro e seu sabujo no Ministério da Saúde têm feito – quase que literalmente – o diabo para incentivar a hesitação vacinal. Bolsonaro já disse que nenhuma criança brasileira morreu de covid, mas, após os acidentes de trânsito, a doença foi a principal causa de morte de crianças, cerca de 600, e as taxas de mortalidade são de 5 a 10 vezes maiores do que na Europa ou EUA. Além disso, o presidente questionou a honestidade dos técnicos da Anvisa e faz terrorismo sobre os efeitos adversos da vacina em aberrante contraposição aos consensos pediátricos sobre riscos e benefícios. Ainda hoje o Ministério da Saúde dá sinais trocados sobre a eficácia e a segurança das vacinas e faz campanha para condicionar a vacinação infantil a um atestado médico inédito na cobertura vacinal brasileira.

Bolsonaro – que, em vez de esboçar um gesto de compaixão aos aflitos pelo vírus, lhes reservou apenas escárnio – foi às redes sociais se solidarizar com um podcaster americano notório por disseminar teses negacionistas e que hoje é pivô de um debate sobre responsabilidade editorial e liberdade de expressão. Tivesse o presidente um currículo liberal, vá lá, mas quando esse “paladino da liberdade” é o mesmo que prestigia torturadores e instrumentaliza o Ministério da Justiça para perseguir críticos, a manobra para excitar suas bases eleitorais se mostra indisfarçável. “Prefiro morrer a perder minha liberdade”, bravateou recentemente. Esse risco inexiste. Mas a sua defesa insana de uma suposta “liberdade individual” de se infectar e infectar os outros, que já condenou inúmeros brasileiros à morte, agora está ameaçando aqueles que nem sequer têm a liberdade de escolher entre se imunizar ou se expor ao vírus mortal: as crianças. Fonte: https://opiniao.estadao.com.br

 

Os candidatos Eduardo Leite, Arthur Virgilio e João Doria nas prévias tucanas | Foto: Divulgação

 

Por Bela Megale

Coordenador das prévias do PSDB, o ex-deputado federal Marcus Pestana afirmou à coluna que faz parte do grupo de filiados que não conseguiu votar na eleição interna do partido. Pestana disse que só dois motivos podem explicar a instabilidade do sistema que impediu a conclusão da escolha do tucano que disputará a eleição para Presidência em 2022: “incompetência ou ataque hacker”.

— As empresas foram contratadas para prestar esse serviço e não criaram nenhuma tecnologia nova. O trabalho foi implementar sistemas que já existem. Há duas opções para explicar a falha: incompetência ou ataque hacker — disse Pestana à coluna.

As empresas responsáveis pelo desenvolvimento do aplicativo de votação das prévias do PSDB chegaram a sugerir que o processo acontecesse ao longo de três dias, para que os 45 mil filiados pudessem participar. A eleição interna da legenda estava marcada para este domingo (21), mas terminou frustrada por problemas na ferramenta. Apenas 10% dos inscritos conseguiram votar e a eleição interna foi suspensa.

Pestana informou que a própria Fundação de Apoio à Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Faurgs), que desenvolveu o aplicativo, e a empresa de segurança cibernética Kryptus, responsável pela sua auditoria, voltaram atrás na proposta de três dias de votação. A avaliação feitas por ambas era que o longo período deixaria o sistema mais vulnerável a ataques hackers, em especial nas madrugadas.

A ferramenta apresentou instabilidade desde a manhã deste domingo, o que fez o prazo do término da votação ser estendido das 15h para as 18h. O início foi às 7h. Com a permanência do problema, a votação foi suspensa. Concorrem ao posto os governadores João Doria (São Paulo), Eduardo Leite (Rio Grande do Sul) e o ex-prefeito de Manaus Arthur Virgílio. Fonte: https://blogs.oglobo.globo.com

Negacionismo como critério

Ao revogar condecorações de cientistas respeitados, Bolsonaro deixou claro que só respeita quem aplaude o charlatanismo

 

Notas&Informações, O Estado de S.Paulo

Ao excluir dois respeitados cientistas brasileiros da lista dos pesquisadores que foram agraciados com condecorações da Ordem Nacional do Mérito Científico, Marcus Guimarães Lacerda e Adele Schwartz Benzaken, apenas por não endossarem as bandeiras políticas do governo na área da saúde pública, o presidente Jair Bolsonaro foi muito além da grosseria e do primarismo que sempre o caracterizaram. 

Acima de tudo, revelou a dimensão do inconsequente negacionismo científico de seu governo, o que ocorreu no mesmo dia em que o País totalizou mais de 610 mil mortes causadas pela pandemia. Especialista em infectologia, Lacerda desenvolveu pesquisas que revelaram não haver benefícios no uso de altas doses de cloroquina em pacientes graves de covid-19. Especialista em HIV e aids, consultora da Organização Mundial da Saúde (OMS) e premiada pela Unesco e pelo Unicef, Benzaken formulou políticas para prevenção, vigilância e controle de infecções sexualmente transmissíveis e preparou uma cartilha voltada para a saúde de homens transexuais.

Com essa iniciativa desastrosa, do ponto de vista da liturgia de seu cargo, e torpe, do ponto de vista moral, Bolsonaro também acabou gerando uma fortíssima reação por parte da comunidade científica. Ela tem tudo para ser mais uma prova arrasadora para fundamentar as contundentes acusações feitas a ele pelo relatório da CPI da Covid-19, recém-concluída pelo Senado.

Em desagravo a Lacerda e Benzaken, que foram excluídos da Ordem Nacional do Mérito Científico dias após seus nomes terem sido anunciados por um decreto assinado pelo próprio Bolsonaro como agraciados com honrarias oficiais “na classe de comendador”, por seus “conhecimentos sobre saúde pública”, mais de 20 cientistas também recusaram a homenagem que lhes seria prestada. Em carta pública enviada ao Palácio do Planalto, afirmaram que, apesar de as condecorações da Ordem Nacional do Mérito Científico serem as mais importantes na vida acadêmica do País, eles não poderiam aceitá-las por estarem sendo concedidas por um governo que vem boicotando reiteradamente as recomendações da epidemiologia e da saúde coletiva. 

“Enquanto cientistas, não compactuamos com a forma pela qual o negacionismo em geral, as perseguições a colegas cientistas e os recentes cortes federais para a ciência e tecnologia têm sido utilizados como ferramentas para fazer retroceder os importantes progressos alcançados pela comunidade científica brasileira nas últimas décadas”, declararam os cientistas, com o apoio de entidades médicas, como a Sociedade Brasileira de Imunologia, e de organismos vinculados à Organização das Nações Unidas (ONU). 

Com esse duro protesto, que desmoraliza ainda mais a imagem do País no exterior, a comunidade científica brasileira desnudou a principal diretriz de Bolsonaro em matéria de saúde pública: em seu governo, não há lugar para quem não faz parte do charlatanismo por ele estimulado nem para quem se recusa a tocar bumbo para aplaudir seu negacionismo. Fonte: https://opiniao.estadao.com.br

 

Há 132 anos, o marechal Deodoro da Fonseca se juntava a tropas de rebelados no Campo de Santana, no Centro do Rio. Sem resistência, monarquia caiu, e Dom Pedro II e sua família foram expulsos do país no dia seguinte.

 

O Brasil comemora nesta segunda-feira, 15 de novembro, o Feriado da Proclamação da República.

Há exatos 132 anos, em 1889, o marechal Deodoro da Fonseca se juntava a tropas de rebelados no Campo de Santana, no Centro do Rio, com os quais depôs o gabinete de Dom Pedro II. O imperador e sua família partiriam em exílio para a Europa no dia seguinte.

O 15 de novembro é feriado nacional desde 1949, segundo a Lei Federal 662, do presidente Eurico Gaspar Dutra.

 

O texto também fixava como datas comemorativas os dias:

1º de janeiro — Confraternização Universal;

21 de abril — Tiradentes;

1º de maio — Dia do Trabalho;

7 de setembro — Independência do Brasil;

2 de novembro — Finados;

25 de dezembro — Natal.

 

‘Abram esta merda!’

Ao contrário do grito do Ipiranga de Dom Pedro I no 7 de setembro de 1822, com o qual declarou a Independência, Deodoro não foi de muitas palavras naquele novembro, 67 anos depois.

“O problema é que não houve uma ‘proclamação da República’”, ensina o historiador Milton Teixeira.

Na tarde daquele 15 de novembro, Deodoro, mesmo se recuperando de uma crise de asma, decidiu apoiar o crescente movimento contra Pedro II. Vizinho do então chamado Campo da Aclimação, desceu de casa e se encontrou com militares enfileirados diante do Quartel-General do Império — onde hoje é o Palácio Duque de Caxias.

“Deodoro não proclamou a República de imediato. Ele queria derrubar o presidente do conselho de ministros, Afonso Celso de Assis Figueiredo. Derrubou, mandou prendê-lo. E pediu que o imperador designasse um substituto. Aí o imperador designa Gaspar da Silveira Martins, que era arqui-inimigo do Deodoro”, lembra o professor.

“Deodoro recebe a notícia, à noite, e diz: ‘Então derruba logo todo o sistema’”, emendou.

Quando Deodoro chegou ao Quartel-General do Exército, a porta estava fechada. “‘Abram esta merda!’”, cita Milton.

Afonso Celso acabou deposto. Não muito longe dali, no Arco do Teles, na Praça 15, a Câmara de Vereadores realizava a solenidade que pôs fim ao Império do Brasil.

“A República, na verdade, foi proclamada à noite. Por isso, na bandeira do Brasil, estão as estrelas visíveis na noite do dia 15”, destaca.

 

Contexto para a queda do Império

O regime monárquico já não correspondia às vontades da população. Em paralelo, desde a Guerra do Paraguai, nos anos 1870, o Exército pleiteava mais participação no governo — no que não era atendido.

Também havia atritos entre Pedro II e a elite agrária, que exigia indenização pela libertação dos escravos com a Lei Áurea, de 1888.

E crescia no Sudeste, que substituiu o Nordeste como polo econômico, a influência do positivismo — de onde veio o lema “Ordem e progresso” estampado em nossa bandeira. Fonte: https://g1.globo.com

Trump perdeu as eleições, presidente da Tanzânia morreu de covid, Boris Johnson mudou estratégia após adoecer e Bolsonaro é acusado de crimes contra a humanidade

 

Renato Vasconcelos, O Estado de S.Paulo

No início da pandemia, eles formavam a “Aliança do Avestruz”, clube informal de líderes que optaram por enfiar a cabeça no chão e fingir que o coronavírus era uma gripe passageira. Hoje, com a vacinação e a redução das contaminações, a estratégia parece ter sido um tiro n’água. Donald Trump saiu das urnas derrotado nos EUA. Jair Bolsonaro foi acusado de charlatanismo e crimes contra a humanidade no Brasil. E o presidente da Tanzânia, John Magufuli, morreu de covid-19.

O grupo reúne ainda outros populistas – de esquerda e de direita –, como Andrés Manuel López Obrador, do México, o britânico Boris Johnson, Daniel Ortega, na Nicarágua, e os ditadores Alexander Lukashenko, de Belarus, e Gurbanguli Berdymukhamedov, do Turcomenistão. Até agora, Bolsonaro é o único acusado formalmente de crimes durante a pandemia.

A reação é variada, segundo analistas, porque depende da reação ao negacionismo em cada sociedade. “Há fatores que fazem com que a taxa de aprovação de um governo reaja de forma mais ou menos sensível à posição negacionista de um governante, como a presença de uma oposição coesa, uma sociedade civil vibrante e instituições funcionais capazes de articular propostas alternativas e de incentivar a correção de curso, quando necessário”, disse Oliver Stuenkel, professor de relações internacionais da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV-SP).

Essa tendência é observada quando comparados os casos de líderes negacionistas em países democráticos e autocracias. Bolsonaro passou pelo escrutínio de uma CPI e a condução da pandemia foi um fator determinante para a derrota de Trump, em 2020. Mas em regimes autoritários, que mantêm uma fachada democrática, a contestação é quase nula.

 

Paralelos

“É impossível listar todos os absurdos ditos por esses demagogos populistas e tiranos. Todos os líderes mundiais cometeram erros, mas há algo realmente nefasto nas manipulações desses líderes mais infames”, escreveu Frida Ghitis, colunista do Washington Post, ao tentar apontar quem foi o pior desempenho.

No Turcomenistão, Berdymukhamedov, que durante a pandemia recomendou a inalação de uma erva contra a covid e proibiu o registro de casos e menções à doença no país, foi reeleito para mais um mandato com 98% dos votos, mesmo após 15 anos no poder. Na Nicarágua, Ortega está próximo de conquistar seu quinto mandato como presidente, após prender sete pré-candidatos.

A tendência ao negacionismo científico se manifestou ao longo da pandemia, principalmente, em países autoritários ou liderados por governantes com alguma tendência populista. Alguns paralelos entre populistas e autocratas explicam essa relação, de acordo com Stuenkel. “Uma questão que une essas lideranças é a tentativa de concentrar o poder no Executivo, de estabelecer estruturas decisórias com alto poder no gabinete, e todos possuem algum grau de messianismo, uma narrativa de que só eles são capazes de lidar com os desafios.”

Por serem personalistas e centralizadores, projetos com características autoritárias e populistas afastam a possibilidade da revisão das ações adotadas pelo governo, pois funcionariam como uma admissão de culpa dos governos. No entanto, nem todo populista ou autocrata teve uma abordagem negacionista. 

Vietnã e China controlaram a pandemia com relativo sucesso, apesar de sistemas políticos fechados, enquanto Reino Unido e EUA, apoiados em mecanismos de freios e contrapesos bem estabelecidos, impediram que atitudes negacionistas se espalhassem e estão entre os pioneiros na vacinação. Boris Johnson, por exemplo, abandonou o clube após passar alguns dias com covid na UTI.

 

Mudança

No começo da pandemia, o líder britânico afirmou que a Inglaterra apostaria em uma estratégia de imunidade de rebanho. Após contestações de autoridades médicas e de projeções estatísticas que apontaram a tragédia que ocorreria sem medidas restritivas, Johnson voltou atrás e se tornou um dos primeiros líderes a colocar nas ruas uma campanha de vacinação em massa, em dezembro de 2020. 

“No caso de Johnson, houve uma mudança, um processo de aprendizagem. Essa é outra marca registrada de democracias com instituições resilientes, que pressionam os líderes quando eles cometem erros, e há um incentivo para que haja uma correção de curso”, afirma Stuenkel.

Na Tanzânia, o negacionismo do presidente Magufuli foi levado às últimas consequências. “O coronavírus, que é o demônio, não pode sobreviver em um corpo de Cristo. Vai queimar instantaneamente”, disse ele, no início da pandemia. Entre maio de 2020 e julho de 2021, o país não registrou nenhum caso ou morte por covid, mas o número de doenças pulmonares disparou. Magufuli se opôs ao distanciamento social e rejeitou as vacinas – que, segundo ele, eram uma “conspiração ocidental para saquear a África”. 

Em vez da imunização, Magufuli prescreveu uma combinação de inalação de vapor e oração contra o vírus. No começo deste ano, ele adoeceu. Após sua última aparição pública, em 27 de fevereiro, opositores e jornalistas especularam que ele estaria se tratando da covid-19 no exterior. Magufuli morreu em 17 de março. Oficialmente, a causa da morte não foi revelada. O governo disse apenas que ele sofria de “problemas cardíacos”.  Fonte: https://internacional.estadao.com.br

 

O presidente da Câmara, Arthur Lira, e o presidente Jair Bolsonaro, após reunião no Palácio do Planalto | Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

 

Por Bernardo Mello Franco

Para Arthur Lira, não basta sentar em cima de mais de 130 pedidos de impeachment. O presidente da Câmara também quer blindar os bolsonaristas que usaram as redes para espalhar mentiras na pandemia.

A CPI da Covid pediu o indiciamento de sete deputados por incitação ao crime. Eles estimularam o descumprimento de medidas sanitárias e difundiram informações falsas sobre máscaras e vacinas. A lista é encabeçada pelo ministro Onyx Lorenzoni, que está licenciado da Câmara. Também inclui Eduardo Bolsonaro, Osmar Terra, Ricardo Barros, Bia Kicis, Carla Zambelli e Carlos Jordy.

O relatório da CPI dedica mais de 200 páginas às fake news. “Não suporto mais essas máscaras na nossa cara”, tuitou Kicis, quando médicos e cientistas explicavam a importância do equipamento. A deputada afirmou que o uso das máscaras causaria “malefícios” e “prejuízos” à saúde. Em outra postagem, sustentou que as vacinas poderiam afetar o DNA humano.

Na cruzada para desinformar a população, Carla Zambelli mentiu até sobre a própria saúde. Em agosto de 2020, ela disse ter se curado da Covid-19 “com tratamento precoce e hidroxicloroquina”. “Muito obrigada pelas mensagens de apoio e orações!”, escreveu. O hospital que atendeu a deputada informou que seus exames para o coronavírus deram negativo. Ela apagou o tuíte, mas não admitiu a lorota.

As investigações ajudaram a mostrar que o negacionismo mata. Em dezembro de 2020, deputados e blogueiros bolsonaristas pressionaram o governo do Amazonas a revogar um decreto de lockdown. O estado recuou, as infecções dispararam e a rede hospitalar entrou em colapso.

As fake news “amplificaram o risco de contaminação das pessoas, levaram à sobrecarga do sistema de saúde e, lamentavelmente, causaram mais óbitos”, concluiu o relatório aprovado na terça-feira. No dia seguinte, Lira atacou a CPI e classificou os pedidos de indiciamento como “inaceitáveis”.

Numa fala inflamada, o deputado invocou a imunidade parlamentar e disse que os colegas não podem ser punidos por “expressar sua opinião”. O discurso confunde liberdade de expressão com licença para cometer crimes contra a saúde pública. O presidente da Câmara sabe disso, mas prefere fechar os olhos para proteger os aliados. Fonte: https://blogs.oglobo.globo.com

Durante transmissão na semana passada, presidente fez relação inexistente entre imunizante e Aids

 

O presidente Jair Bolsonaro associou a vacina contra Covid-19 ao HIV em live Foto: Reprodução

O Facebook retirou do ar a live da quinta-feira, dia 21, em que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) associou vacinas contra Covid-19 ao desenvolvimento da Aids. Essa é a primeira vez que a rede social retira do ar uma live do presidente. O vídeo também foi retirado do Instagram.

De acordo com um porta-voz do Facebook, "nossas políticas não permitem alegações de que as vacinas de COVID-19 matam ou podem causar danos graves às pessoas".

Durante a exibição do vídeo, Bolsonaro leu uma suposta notícia de que vacinados contra Covid estariam desenvolvendo a síndrome da imunodeficiência adquirida. A comunidade médica reagiu às alegações do presidente, desmentindo suas afirmações, classificadas de fake news.

Na manhã desta segunda-feira, o presidente respondeu a um comentário do Facebook que o questionava sobre a relação entre vacina e Aids. Bolsonaro publicou uma imagem que dizia que "na última quinta-feira, o presidente Bolsonaro leu uma matéria revista Exame na sua live".

Entretanto, a referida matéria da "Exame" foi publicada em outubro de 2020, quando as vacinas contra a Covid-19 ainda estavam sendo produzidas, e falava apenas em uma possibilidade. Já na transmissão de quinta-feira, Bolsonaro citou supostos "relatórios oficiais" do governo do Reino Unido sobre pessoas que já teriam sido vacinadas — o que foi desmentido pelo governo britânico.

Em nota, o Comitê de HIV/aids da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) disse que "não se conhece nenhuma relação entre qualquer vacina contra a COVID-19 e o desenvolvimento de síndrome da imunodeficiência adquirida". Esclareceu ainda que pessoas que vivem com HIV/aids devem ser completamente vacinadas contra a Covid-19. Fonte: https://oglobo.globo.com

 

O bispo de Mogi das Cruzes (SP) e presidente do Regional Sul 1 (Estado de São Paulo) da Conferência Nacional dos  Bispos do Brasil (CNBB),  dom Pedro Luiz Stringhini, entregou oficialmente a Carta Aberta ao presidente da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (ALESP), o deputado estadual Carlão Pignatari, na tarde desta segunda-feira, 18 de outubro. O assessor político da CNBB, padre Paulo Renato, também participou da entrega junto aos deputados estaduais do Estado de São Paulo Emídio de Souza, André do Prado, Reinaldo Alguz e o ex-deputado  padre Afonso Lobato.

De acordo com o assessor político da CNBB, padre Paulo Renato, o deputado estadual Carlão Pignatari se mostrou consternado pelo fato, pediu desculpas à CNBB, ao Papa Francisco e ao episcopado brasileiro em nome da ALESP.

Na abertura da 49ª Sessão Ordinária direto do plenário Juscelino Kubitschek, o presidente da ALESP, em nome do parlamento paulista, repudiou toda palavra que vá além da crítica e que se constitua em ataques que extrapolem os limites da liberdade de expressão e da imunidade parlamentar. Segundo ele, para o político o dom da palavra é um direito inalienável mas encontra limites no respeito e na própria lei. Segundo ele, a divergência legitima a democracia mas não autoriza a barbárie.

O presidente da ALESP disse que a tribuna do parlamento não comporta manifestações de ódio e que não é aceitável que um deputado suba à tribuna para professar ofensas. “Em nome do parlamento paulista eu rogo um pedido de desculpas expresso ao Papa Francisco, a dom Orlando Brandes”, disse.

O presidente da ALESP disse discordar totalmente das expressões proferidas contra o Papa e dom Orlando no último dia 14 de outubro, além de destacar que são antirregimentais e determinou a retirada das notas taquigráficas das ofensas proferidas, nos termos do artigo 18 do Regimento Interno da casa. Na sequência, ele leu integralmente a Carta Aberta entregue pela CNBB.

No documento, a CNBB rejeita “fortemente as abomináveis agressões” proferidas da Tribuna da ALESP pelo deputado estadual Frederico D’Avila no último dia 14 de outubro. O documento reitera que “com ódio descontrolado, o parlamentar atacou o Santo Padre o Papa Francisco, a CNBB, e particularmente o Exmo. e Revmo. Sr. Dom Orlando Brandes, arcebispo de Aparecida. Feriu e comprometeu a missão parlamentar, o que requer imediata e exemplar correção pelas instâncias competentes”. Além da entrega à ALESP, a CNBB vai buscar uma reparação jurídica a ser corrigida “pelo bem da democracia brasileira”.

 

Pedido de desculpas

Na mesma sessão, o deputado que proferiu as ofensas no dia 14 de outubro se dirigiu à tribuna da ALESP e pediu desculpas pelos excessos cometidos em seu pronunciamento. Ele alegou ter sido inflamado por problemas pessoais ocorridos nos dias anteriores. “Meu pronunciamento foi inapropriado, exagerado, descabido e infeliz”, disse o deputado.

O caso será levado ao Conselho de Ética da ALESP. Fonte: https://www.cnbb.org.br

 

Presidente Jair Bolsonaro visita a Basílica Nacional de Aparecida no feriado de 12 de outubro.  Foto: Epitacio Pessoa/Estadão

 

Sem ser citado diretamente na homilia, Bolsonaro acompanhou missa da tarde com referências à pandemia, fome e desemprego; de manhã, arcebispo fez apelo por desarmamento da população, contrariando postura do governo

 

 José Maria Tomazella, enviado especial

APARECIDA – Depois de ouvir críticas sobre a liberação de armas e a condução da pandemia pelo seu governo nas celebrações do Dia da Padroeira, o presidente Jair Bolsonaro tirou a máscara e causou aglomeração, nesta terça-feira, 12, no Santuário Nacional de Aparecida. Ele, que já tinha provocado um grande ajuntamento de pessoas na chegada, desfilou com o corpo fora do carro quando saiu do santuário. Parte do grupo, que se espremia nas cercas de segurança, o aplaudiu e chamou de “mito”, enquanto um coro menor gritava “lixo”. Um chinelo foi arremessado do meio do público, mas não atingiu o presidente. 

Bolsonaro assistiu à missa da tarde na companhia dos ministros Marcos Pontes, da Ciência, Tecnologia e Inovações, e João Roma, da Cidadania. Na homilia, à frente do presidente, o padre José Ulysses da Silva, porta-voz do santuário, fez uma referência indireta à postura armamentista do governo. “Se conseguíssemos abraçar a proposta de Jesus nós seríamos um povo mais desarmado e fraterno”, afirmou o padre.

Citando um trecho do evangelho lido por Bolsonaro durante a celebração, o religioso lamentou os mortos pela covid-19 e disse que “a vida é um valor que deve prevalecer sobre todo e qualquer outro valor, sobre nossos interesses políticos, econômicos e até religiosos”. Desde o início da pandemia, o presidente sempre se posicionou contra as medidas de isolamento social, alegando prejuízo econômico. Segundo o padre, é graças à solidariedade da população que o País não atravessa uma crise ainda mais violenta. “Nós sabemos quantas pessoas perderam a vida para cuidar da nossa. Há mesas vazias, há desemprego e há sequelas da enfermidade”, afirmou. Disse, ainda, que além do “dragão da pandemia” há o “dragão da ganância” que suga a vida de quem mais precisa e “tem muita gente sofrendo”. 

Presidente Jair Bolsonaro visita a Basílica Nacional de Aparecida no feriado de 12 de outubro.  Foto: Epitacio Pessoa/Estadão

As declarações do padre ecoaram a homilia da principal missa do dia, celebrada pelo arcebispo de Aparecido, dom Orlando Brades, pela manhã: para ser pátria amada, não pode ser pátria armada".

Na cerimônia da tarde, Bolsonaro se apresentou para receber o sacramento católico da comunhão e participou do ritual de consagração à Nossa Senhora. Importante para os católicos e devotos da santa, o ritual não é aceito pelos evangélicos, que compõem importante base de apoio ao presidente. Durante a missa, Bolsonaro e seus ministros usaram máscaras, embora a direção do santuário já tivesse decidido permitir a participação presidencial na celebração mesmo sem a proteção facial. Antes da missa, o presidente se reuniu com o padre Carlos Eduardo Catalfo, reitor do santuário, e com dom Orlando, que presidiu a celebração.

 

Mentiras e fake news

Além de criticar a política de liberação do uso de armas do governo Bolsonaro, dom Orlando também se referiu ao viés negacionista de Bolsonaro, defendendo a vacina e a ciência. Também pediu uma pátria “sem ódio, uma república sem mentiras, sem fake news”.

O arcebispo lembrou que o Brasil está enlutado pelas mais de 600 mil mortes na pandemia da covid-19 e defendeu a preservação da Amazônia. Também pediu um abraço aos índios, aos negros, às crianças, aos pobres e às “nossas autoridades, para que, juntos, construamos o Brasil Pátria Amada. E para ser pátria amada não pode ser pátria armada”. 

Quando esteve no santuário de Aparecida em seu primeiro ano de mandato, no 12 de outubro de 2019, Bolsonaro foi aplaudido, mas também foi vaiado pelos fiéis. Naquele dia, o arcebispo havia usado a homilia da missa para criticar duramente “o dragão do tradicionalismo” e afirmar que “a direita é violenta, é injusta, estão fuzilando o Papa, o Sínodo, o Concílio Vaticano Segundo”. Depois, na presença do presidente, amenizou o tom, dizendo que os dragões seriam as ideologias “tanto da direita quanto da esquerda”.  

O presidente passa o feriado no Forte dos Andradas, em Guarujá, litoral paulista. Após a visita a Aparecida, ele retornou ao local, que funciona como hotel de trânsito da Marinha. Nesta quarta-feira, 13, ele retoma a agenda indo a Miracatu, no Vale do Ribeira, para uma entrega de títulos de regularização fundiária. Na segunda, 11, ele fez um passeio de moto até a Praia da Enseada, com capacete sem viseira – o que é proibido pelas leis de trânsito – e causou aglomerações, mais uma vez sem usar máscara. O uso do protetor facial é obrigatório por lei estadual. No sábado, 9, o presidente esteve em Peruíbe, onde visitou uma feira. Ele foi multado em R$ 500 pela prefeitura local por não usar máscara. Fonte: https://politica.estadao.com.br 

 

Por Miguel de Almeida

Caso André Mendonça se torne ministro do STF, por causa da pressão dos pastores evangélicos, a boiada, enfim, terá passado — ao vivo e em cores.

Será a consagração da ideia de cotas forjada sob a guerra identitária. A esquerda inventou, a direita copiou. Parece estranho, mas é como a política hoje enxerga a sociedade, a partir de nichos, setores, clivagens e grupos organizados.

Com vocês, as cotas religiosas.

Porque, afinal, como dizem os pastores, representam 30% dos brasileiros. Pois é.

O conceito de um país formado por cidadãos com direitos iguais, respeitados em suas liberdades individuais, como falavam pensadores como Stuart Mill e Tocqueville, diante da declarada guerra santa no Bozoquistão, é uma doce canção. Com muita fé, o que se avizinha é uma reedição dos tempos de Constantino, no século IV, quando os arcaicos cristãos destruíam estátuas desnudas, apagavam obras de filósofos pagãos ou derrubavam templos de deuses greco-romanos. Além de perseguir e exterminar o que chamavam de hereges, como aconteceu com a matemática Hipátia, cuja pele foi arrancada pelos fanáticos da época (outros ultrajes em “The Darkening Age”, de Catherine Nixey).

Exagero? Passa longe a empatia religiosa quando se fala das religiões afro-brasileiras. São contundentes os relatos de ataques a terreiros em várias cidades, em sinal de evidente intolerância. O direito das minorias, ou o princípio do Estado laico, é violentado pelo Bozo quando promete — e cumpre — indicar alguém “terrivelmente evangélico” para o STF. Ou ao revelar que pediu a André Mendonça, caso aprovado no Senado, que abra sempre as sessões da Corte com uma oração.

Trump, ao escolher os ministros da Suprema Corte, dizia cumprir a promessa de indicar perfis conservadores. Jamais se ateve ao primado religioso como preâmbulo. Podia ser um batista ou um católico apostólico romano, tanto faz, desde que fiel a princípios tradicionalistas.

Quais sejam: mandar no corpo do outro, na vontade e na consciência alheias em nome de uma pretensa superioridade moral (outras invasões em “Ascensão e queda de Adão e Eva”, de Stephen Greenblatt).

Tais ditaduras pareciam superadas, ao menos aliviadas, dentro da imensidão das metrópoles contemporâneas, com o esvaziamento de ameaças como o fogo dos infernos, o medo dos trovões e a excomunhão diante do avanço da ciência. Os grandes centros urbanos sugeriam ser recantos paradisíacos inacessíveis ao olhar repressor da autoridade religiosa.

Era um engano?

Desde a Segunda Guerra Mundial, quando se montou uma aliança para derrotar os diversos tipos de retrocesso, a humanidade caminhou célere com a chegada das novas tecnologias. Diversas conquistas, como vacinas contra doenças destruidoras, enquanto prolongavam a vida, ao mesmo tempo ajudavam a desmontar as teologias ancoradas em equivocados pressupostos.

Como pega mal queimar hereges nas fogueiras, a saída foi retornar de fato à política. Deixar a prosaica evangelização, hoje vista como ingênua, para ganhar poder e submeter a sociedade às leis do Estado.

Em nome de Deus, alianças com populistas de extrema direita, arrivistas de variados quilates, quase sempre sátiros. Do tipo Trump.

Um livro como “A quarta revolução”, de John Micklethwait e Adrian Wooldridge, conta como os lobbies (não importa o credo, mesmo sendo incréus) ajudaram a dividir a sociedade, em busca de suas exclusivas vantagens, e vergaram o Estado. Grupos organizados, aos poucos, colocaram nas costas de todos o peso de suas regalias — ou reivindicações. Aí entram os sindicatos de trabalhadores e os subsídios/isenções a setores específicos — como as multinacionais fabricantes de refrigerantes e automóveis. Comparecem os militares com aposentadorias especiais e as pensões para suas filhas solteironas. Rezam junto os quadros do funcionalismo público — com destaque fervoroso para o Judiciário.

O avanço dos grupos organizados, escrevem os autores, se deu a partir de estratégias e visões defendidas pelos movimentos de esquerda. Quando o Estado aparece como o pai de todos — ao menos daqueles capazes de gritar mais alto.

Depois de os movimentos identitários de esquerda forjarem as diversas reivindicações, justas ou não — na representação política, nos cargos do funcionalismo público, nas vagas das universidades etc. —, a turma de Malafaia avança no butim ao criar a cota evangélica. Às favas os desorganizados. Quem não rezar, não mama. Fonte: https://blogs.oglobo.globo.com

 

Por Mariana Carneiro

Ciro Gomes discursa em carro de som na Avenida Paulista | Fotoarena/Infoglobo

O presidenciável do PDT, Ciro Gomes, não foi o único político hostilizado na Avenida Paulista durante a manifestação pelo impeachment de Jair Bolsonaro, no último sábado (2). O ataque contra o pedetista, com paus e pedras, foi mais grave. Mas sobraram vaias também para a ex-petista Heloísa Helena, hoje na Rede Sustentabilidade, para o presidente do PSB, Carlos Siqueira, e até para a presidente da UNE, Marianna Dias, que é do PC do B.  

Na hora, a opção de todos foi não chamar a atenção para a situação, mas o mal-estar provocado pelas agressões está levando os líderes de oposição não-petistas a reavaliar sua presença e até o formato dos próximos atos contra Jair Bolsonaro. 

"No meu caso nem foi o PT, foi o PCO (Partido da Causa Operária), esse partido sem voto e que nem vereador tem", contou Siqueira, do PSB, que lamentou principalmente as agressões contra Ciro Gomes. "Nos entristece isso acontecer num momento em que buscamos a unidade. Temos que refletir se vale a pena continuar dessa forma.”

Siqueira é um dos dirigentes de esquerda que estará com Lula em reunião em Brasília nesta terça-feira para discutir, entre outros assuntos, a composição de alianças para 2022. 

Não que o PSB  pense em abandonar o "Fora Bolsonaro". Mas o partido considera que talvez seja mais proveitoso se concentrar na busca de aliados para 2022 nos estados.

No PDT, os ataques com paus e pedras a Ciro Gomes estão fortalecendo a ideia de descentralizar as manifestações, criando palanques próprios fora da Paulista, onde tanto Ciro quanto líderes de outras agremiações possam discursar sem serem alvos de petistas e lulistas e, principalmente, sem ter de se submeter ao monopólio do PT sobre os atos.

Também no caso de Ciro os ataques partiram do PCO. O presidente da sigla, Rui Costa Pimenta, chamou o candidato do PDT de canalha pouco antes de ele subir ao palanque. Mas não só. Vestidos com camisas da CUT e gritando “vai para Paris!” militantes petistas cercaram o carro do pedetista e agrediram assessores, seguranças e aliados.

Podcast: Para Kim Kataguiri, Bolsonaro quer fazer a direita de refém

“Eles não gostam quando a gente denuncia que o PT adotou o mesmo modelo econômico do PSDB e o mesmo presidencialismo de coalizão, que levou ao mensalão e ao petrolão. Mas uma coisa é o Fora Bolsonaro, outra coisa é a eleição”, diz o presidente do PDT paulistano, Antônio Neto. No domingo, depois dos ataques, Ciro deu uma entrevista coletiva em que pediu aos petistas uma "trégua de Natal" entre para derrubarem Bolsonaro. 

Ao responder a Ciro, a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, ironizou. "O PT está em trégua há muito tempo", disse ela à colunista Mônica Bergamo, da "Folha de S. Paulo". Gleisi  ainda disse estar feliz porque Ciro, que tem feito ataques ao PT, concorda com ela. 

O PT se queixa, por exemplo, das peças publicitárias críticas a Luiz Inácio Lula da Silva feitas pelo marqueteiro de Ciro, João Santana. Em uma delas, ele provoca Lula ao dizer que faltam propostas ao ex-presidente, que só promete picanha e cerveja ao eleitor.

Mas, apesar do pedido de trégua, não há sinal de que o PDT vá mudar de estratégia eleitoral. Para o partido, o que está em jogo é a vaga de quem vai enfrentar Lula no segundo turno em 2022, dado o desgaste de Bolsonaro com a pandemia e a inflação. Por isso, os pedetistas acham que fazer uma aliança que contemple também os setores de centro que estão sendo expulsos dos atos Fora Bolsonaro é questão de sobrevivência.

Na mesma linha vai o PSB, que tenta separar a mobilização contra Bolsonaro das discussões eleitorais. Para Carlos Siqueira, o partido precisa de alianças amplas para eleger seus principais candidatos a governador no ano que vem.  

No Rio, por exemplo, ele considera que a aliança prioritária para eleger Marcelo Freixo é com o PSD, de Eduardo Paes e Gilberto Kassab. Em Pernambuco, onde a petista Marília Arraes pleiteia se candidatar ao governo, não há chance de a sigla abrir mão da cabeça de chapa na sucessão do governador Paulo Câmara (PSB). “Aliança se faz com os diferentes. Não se vence uma eleição sem buscar o centro político”, diz Siqueira. Fonte: https://blogs.oglobo.globo.com

 

Segundo a polícia, mulher foi agredida por não atender pedido do marido para não acessar uma rede social. Ela ficou com marcas no pescoço e arranhões nas costas, segundo a perícia. Advogado do vereador Adva Avelino da Silva não atendeu ligações telefônicas para comentar o caso.

 

Por Michelly Oda, g1 Grande Minas

Um vereador de Serranópolis de Minas (MG) foi preso nesta terça-feira (28) após tentar matar a esposa.

"Ele pegou a corda e puxou eu aqui e passou a corda aqui [diz apontando para uma árvore]. Eu falei: me solta, moço, solta, não me mata não [sic]", disse a mulher agredida no vídeo acima.

Segundo a Polícia Civil, o vereador Adva Avelino da Silva amarrou a companheira em uma árvore e ainda a arrastou por um terreno de terra. A perícia confirmou que a mulher ficou com marcas no pescoço e arranhões nas costas por conta das agressões.

O delegado André Brandão, que conduz a investigação, disse que as agressões foram motivadas por ciúmes.

“Ele proibiu que ela acessasse a rede social Facebook e, tendo em vista que ela não obedeceu suas ‘ordens’, ele amarrou essa senhora em uma espécie de enforcamento, pendurando ela em um pedaço de pau, uma árvore. Posteriormente, ele arrastou ela pelo chão do terreno.”

g1 entrou em contato com o advogado do vereador, mas as ligações não foram atendidas.

A Câmara de Vereadores informou que não vai se manifestar por ainda não ter conhecimento dos fatos.

O casal está junto há 21 anos e tem três filhos, um deles, de apenas dois anos, estava na residência no momento das agressões, ocorridas na última quinta-feira (23). Após conseguir se desamarrar, a mulher acionou um advogado.

“Ela usou o telefone de um dos filhos, já que o dela foi quebrado por ele durante a agressão”, afirma o delegado.

De acordo com o delegado, no dia do crime a polícia fez buscas, mas Adva Avelino da Silva fugiu. O parlamentar foi encontrado dias depois em uma comunidade de difícil acesso, na casa de uma ex-namorada.

Com ele, os policiais encontraram cerca de R$ 10 mil. A suspeita é que o dinheiro seria usado para continuar a fuga, o que ele negou no depoimento.

“Pelas suas declarações, ela falou que ele realmente tentou ceifar sua vida, então ele incorreu no delito de tentativa de feminicídio.”

 

O que o vereador disse à polícia

Nesta quarta-feira (29), em depoimento à polícia, o vereador disse que agiu para se defender, já que a mulher teria tentado esfaqueá-lo. O delegado não acredita que essa versão seja verdadeira. O parlamentar afirmou ainda que os arranhões que a esposa tem nas costas são decorrentes de uma queda quando ele a amarrava. Fonte: https://g1.globo.com

íntegra do discurso de Bolsonaro na Assembleia-Geral das Nações Unidas- ONU

Senhor Presidente da Assembleia-Geral, Abdulla Shahid; Senhor Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres; Senhores chefes de Estado e de governo e demais chefes de delegação;

Senhoras e senhores, é uma honra abrir novamente a Assembleia-Geral das Nações Unidas. Venho aqui mostrar um Brasil diferente daquilo publicado em jornais ou visto em televisões. O Brasil mudou, e muito, depois que assumimos o governo em janeiro de 2019.

Estamos há dois anos e oito meses sem qualquer caso concreto de corrupção. O Brasil tem um presidente que acredita em Deus, respeita a Constituição, valoriza a família e deve lealdade a seu povo. Isso é muito, é uma sólida base, se levarmos em conta que estávamos à beira do socialismo.

Nossas estatais davam prejuízos de bilhões de dólares no passado, hoje são lucrativas. Nosso Banco de Desenvolvimento era usado para financiar obras em países comunistas, sem garantias. Quem honrava esses compromissos é o próprio povo brasileiro. Tudo isso mudou. Apresento agora um novo Brasil com sua credibilidade já recuperada diante do mundo.

O Brasil possui o maior programa de parceria de investimentos com a iniciativa privada de sua história. Programa que já é uma realidade e está em franca execução. Até aqui, foram contratados US$ 100 bilhões de novos investimentos e arrecadados US$ 23 bilhões em outorgas.

Na área de infraestrutura, leiloamos, para a iniciativa privada, 34 aeroportos e 29 terminais portuários. Já são mais de US$ 6 bilhões em contratos privados para novas ferrovias. Introduzimos o sistema de autorizações ferroviárias, o que aproxima nosso modelo ao americano. Em poucos dias, recebemos 14 requerimentos de autorizações para novas ferrovias com quase US$ 15 bilhões de investimentos
privados.

Em nosso governo promovemos o ressurgimento do modal ferroviário. Como reflexo, menor consumo de combustíveis fósseis e redução do custo Brasil, em especial no barateamento da produção de alimentos.

Grande avanço vem acontecendo na área do saneamento básico. O maior leilão da história no setor foi realizado em abril, com concessão ao setor privado dos serviços de distribuição de água e esgoto no Rio de Janeiro. Temos tudo o que o investidor procura: um grande mercado consumidor, excelentes serviços, tradição de respeito a contratos e confiança no nosso governo.

Também anuncio que, nos próximos dias, realizaremos o leilão para implementação da tecnologia 5G no Brasil. Nossa moderna e sustentável agricultura de baixo carbono alimenta mais de 1 bilhão de pessoas no mundo e utiliza apenas 8% do território nacional.

Nenhum país do mundo possui uma legislação ambiental tão completa quanto a nossa. Nosso Código Florestal deve servir de exemplo para outros países. O Brasil é um país com dimensões continentais, com grandes desafios ambientais. São 8,5 milhões de quilômetros quadrados, dos quais 66% (dois terços) são
vegetação nativa, a mesma desde o seu descobrimento, em 1500.

Somente no bioma amazônico, 84% da floresta está intacta, abrigando a maior biodiversidade do planeta.

Lembro que a região amazônica equivale à área de toda a Europa Ocidental. Antecipamos, de 2060 para 2050, o objetivo de alcançar a neutralidade climática. Os recursos humanos e financeiros, destinados ao fortalecimento dos órgãos ambientais, foram dobrados, com vistas a zerar o desmatamento ilegal. E os resultados desta importante ação já começaram a aparecer!

Na Amazônia, tivemos uma redução de 32% do desmatamento no mês de agosto, quando comparado a agosto do ano anterior. Qual país do mundo tem uma política de preservação ambiental como a nossa? Os senhores estão convidados a visitar a nossa Amazônia!

O Brasil já é um exemplo na geração de energia com 83% advinda de fontes renováveis. Por ocasião da COP-26, buscaremos consenso sobre as regras do mercado de crédito de carbono global. Esperamos que os países industrializados cumpram efetivamente seus compromissos com o financiamento de clima em
volumes relevantes.

O futuro do emprego verde está no Brasil: energia renovável, agricultura sustentável, indústria de baixa emissão, saneamento básico, tratamento de resíduos e turismo.

Ratificamos a Convenção Interamericana contra o Racismo e Formas Correlatas de Intolerância. Temos a família tradicional como fundamento da civilização. E a liberdade do ser humano só se completa com a liberdade de culto e de expressão.

Catorze por cento do território nacional, ou seja, mais de 110 milhões de hectares, uma área equivalente a Alemanha e França juntas, é destinada às reservas indígenas. Nessas regiões, 600 mil índios vivem em liberdade e cada vez mais desejam utilizar suas terras para a agricultura e outras atividades.

O Brasil sempre participou em Missões de Paz da ONU. De Suez até o Congo, passando pelo Haiti e Líbano. Nosso país sempre acolheu refugiados. Em nossa fronteira com a vizinha Venezuela, a Operação Acolhida, do governo federal, já recebeu 400 mil venezuelanos deslocados devido à grave crise político-econômica gerada pela ditadura bolivariana.

O futuro do Afeganistão também nos causa profunda apreensão. Concederemos visto humanitário para cristãos, mulheres, crianças e juízes afegãos. Nesses 20 anos dos atentados contra os Estados Unidos da América, em 11 de setembro de 2001, reitero nosso repúdio ao terrorismo em todas as suas formas.

Em 2022, voltaremos a ocupar uma cadeira no Conselho de Segurança da ONU. Agradeço aos 181 países, em um universo de 190, que confiaram no Brasil. Reflexo de uma política externa séria e responsável promovida pelo nosso Ministério das Relações Exteriores. Apoiamos uma Reforma do Conselho de Segurança da ONU, onde buscamos um assento permanente.

A pandemia pegou a todos de surpresa em 2020. Lamentamos todas as mortes ocorridas no Brasil e no mundo. Sempre defendi combater o vírus e o desemprego de forma simultânea e com a mesma responsabilidade. As medidas de isolamento e lockdown deixaram um legado de inflação, em especial, nos gêneros alimentícios no mundo todo.

No Brasil, para atender àqueles mais humildes, obrigados a ficar em casa por decisão de governadores e prefeitos e que perderam sua renda, concedemos um auxílio emergencial de US$ 800 para 68 milhões de pessoas em 2020.

Lembro que terminamos 2020, ano da pandemia, com mais empregos formais do que em dezembro de 2019, graças às ações do nosso governo com programas de manutenção de emprego e renda que nos custaram cerca de US$ 40 bilhões. Somente nos primeiros sete meses desse ano, criamos aproximadamente 1 milhão e 800 mil novos empregos. Lembro ainda que o nosso crescimento para 2021 está estimado em 5%.

Até o momento, o governo federal distribuiu mais de 260 milhões de doses de vacinas e mais de 140 milhões de brasileiros já receberam, pelo menos, a primeira dose, o que representa quase 90% da população adulta. Oitenta por cento da população indígena também já foi totalmente vacinada. Até novembro, todos que escolheram ser vacinados no Brasil serão atendidos.

Apoiamos a vacinação, contudo o nosso governo tem se posicionado contrário ao passaporte sanitário ou a qualquer obrigação relacionada à vacina.

Desde o início da pandemia, apoiamos a autonomia do médico na busca do tratamento precoce, seguindo recomendação do nosso Conselho Federal de Medicina. Eu mesmo fui um desses que fez tratamento inicial. Respeitamos a relação médico-paciente na decisão da medicação a ser utilizada e no seu uso off label. Não entendemos por que muitos países, juntamente com grande parte da mídia, se colocaram contra o tratamento inicial. A história e a ciência saberão responsabilizar a todos.

No último 7 de setembro, data de nossa independência, milhões de brasileiros, de forma pacífica e patriótica, foram às ruas, na maior manifestação de nossa história, mostrar que não abrem mão da democracia, das liberdades individuais e de apoio ao nosso governo.

Como demonstrado, o Brasil vive novos tempos. Na economia, temos um dos melhores desempenhos entre os emergentes. Meu governo recuperou a credibilidade externa e, hoje, se apresenta como um dos melhores destinos para investimentos.

É aqui, nesta Assembleia-Geral, que vislumbramos um mundo de mais liberdade, democracia, prosperidade e paz. Que Deus abençoe a todos. Fonte: https://www1.folha.uol.com.br

 

Por Míriam Leitão

 

Duas cenas mostram como o governo Bolsonaro conseguiu o que queria: tornar o Brasil um país pária. Ao chegar nos Estados Unidos para a Assembleia Geral da ONU, o presidente entrou pela entrada lateral do hotel para não esbarrar com um grupo pequeno que fazia manifestação contra ele.

E depois veio a foto de uma cena na "calçada da má fama":  parte comitiva brasileira comendo uma pizza na calçada para driblar e não querer entregar o comprovante de vacinação para entrar no restaurante, regra sanitária de Nova York. O presidente disse que ainda não se vacinou contra a Covid. É tão deprimente que isto seja feito por este motivo. 

As cenas mostram como o Brasil foi se tornando periférico e fora das grandes discussões. Pela tradição, o país é o primeiro a discursar na abertura da Assembleia da ONU e sempre foi um momento importante para a diplomacia brasileira ao utilizar para mostrar a sua ligação com o mundo, com as grandes questões. 

Neste governo, todos os discursos foram raivosos contra a ONU,  a cooperação internacional e o meio ambiente. Na época, as falas tinham a assinatura de Ernesto Araújo e Ricardo Salles, que comandavam os ministérios das Relações Exteriores e do Meio Ambiente, respectivamente. 

 

Relação entre Pacheco e Bolsonaro azeda sob o signo da desconfiança

Os substitutos, Carlos Alberto França e Joaquim Leite, estão tendo um comportamento neutro, de não falar muito nem criar atrito, mas também sem nenhum movimento para recuperar o terreno perdido nem estão mudando a postura do governo brasileiro nestas questões importantes. O mérito dos dois é não ser seus antecessores. 

Se tudo der certo, vai ser um discurso "arroz com feijão", como defende França, sem criar o conflito e falando o mínimo possível, administrando o estrago causado pela política externa de Jair Bolsonaro

Chama atenção na comitiva a presença do presidente da Caixa, Pedro Guimarães. Ele não deveria estar lá, não há nenhuma razão, é  uma presença dispensável. Está usando o banco público para promover sua carreira política. A Caixa Econômica merece respeito.  Fonte: https://blogs.oglobo.globo.com

 

Por Vera Magalhães

 

O grupo Direitos Já - Fórum pela Democracia decidiu em plenária na noite de terça-feira realizar uma série de ações para reforçar a pressão pelo impeachment de Jair Bolsonaro.

Na reunião, da qual participaram expoentes do PT, do PSDB e de pelo menos mais cinco partidos, ficou definido um calendário que ocupa todo o mês de setembro e terá um ato internacional com personalidades políticas e intelectuais contra Bolsonaro, um novo pedido de impeachment com a assinatura de juristas da esquerda à direita, o pedido de uma audiência para pressionar o presidente da Câmara, Arthur Lira, e culminará com uma grande manifestação para unir "de Lula a Fernando Henrique Cardoso", segundo foi discutido.

O grupo discute aderir aos atos que vêm sendo convocados por movimentos como o MBL no próximo domingo, dia 12. Para isso, a ideia é pedir que eles mudem a palavra de ordem de convocação, que hoje está na linha "nem Lula nem Bolsonaro". O argumento dos participantes do fórum é que o momento seria de unir esforços em repúdio ao golpismo de Bolsonaro, e deixar a discussão eleitoral para outro momento.

Participaram da reunião a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, o ex-ministro de Lula e Dilma Rousseff e ex-governador do Rio Grande do Sul Tarso Genro, a ex-senadora e ex-presidenciável Marina Silva e o vice-presidente da CPI da Covid, Randolfe Rodrigies, pela Rede, o senador José Aníbal, pelo PSDB, e representantes de DEM, PSB, PSL, PV e Cidadania, entre outros.

No dia 15 está sendo organizado um ato internacional, com a presença de políticos de diversos matizes ideológicos e personalidades da academia e das artes. Ele será virtual e tem por objetivo expor o estrago à imagem do Brasil no exterior causado pelo governo Bolsonaro e a escalada autoritária do presidente.

No dia 18, está previsto um ato das centrais sindicais e dos movimentos mais à esquerda pelo "fora Bolsonaro".

Em outras frentes, o grupo vai solicitar audiências com o presidente do STF, Luiz Fux, para expressar solidariedade, e com o presidente da Câmara, Arthur Lira, que detém a chave da gaveta na qual dormitam os pedidos de impeachment. Um novo pedido, desta vez sem a chancela de partidos políticos, mas com a assinatura de juristas de relevo, de corte mais à esquerda e mais à direita, deverá ser levado a Lira nesse encontro.

Por fim, a agenda culminaria com um grande ato nacional juntando lideranças políticas no palanque ou em participação virtual. A ideia, segundo o senador Randolfe Rodrigues, é juntar "de Lula a Fernando Henrique Cardoso, de Ciro Gomes a João Doria" em repúdio às pregações antidemocráticas feitas por Bolsonaro.

O ato seria realizado nos fins de semana 25 de setembro ou 2 de outubro, datas que coincidiriam também com a apresentação e votação do relatório final da CPI da Covid. Fonte: https://blogs.oglobo.globo.com

 

Hoje, décadas depois, tem gente nas ruas querendo engatar a ré até 1964. tão transtornados e confusos que pensam que a solução é o retorno da ditadura

 

LEO AVERSA

 

Passeata dos Cem Mil, em 1968, uma manifestação popular contra a ditadura militar brasileira Foto: Agência O Globo

O que estará acontecendo, quando você, leitor, tiver esta coluna na tela ou na mão? Escrevi esta coluna ontem, então não sei se hoje está tudo normal, se há apenas uma manifestação pacífica dos que ainda apoiam este governo ou se a vaca já foi para o brejo — ou para o quartel — e tem um cabo e um soldado a caminho do STF.

Difícil escrever sobre o futuro.

Então vou falar de algo leve: de música, de memórias, da vida. Outro dia ouvia Roberto Carlos. Dei para gostar dele, veja você. Na verdade, já faz tempo, mas quando era adolescente, Robertão era coisa de gente velha, símbolo de caretice. Terno branco? Faça-me o favor... “Detalhes”, então, era o suprassumo do cafona: que dramalhão! Eu gostava era de rock, de som alto e agressivo.

Aí um dia eu levei um pé na bunda. O primeiro. De repente os detalhes que somem na longa estrada e o tempo que transforma todo o amor em quase nada fizeram todo sentido. Não adiantou nem tentar esquecer o Roberto: com seu terno branco e seu dramalhão ele sabia das coisas.

“Like a rolling stone” era apenas uma música quilométrica do Bob Dylan, aquele cara dos anos 1960 que os meus pais ouviam muito. Perfeita, mas não me dizia nada. Tem tanta música quilométrica por aí... Um dia saí da casa dos pais e comecei a vida por minha conta. Achei que ia ser um passeio por jardim florido num dia de sol. Liberdade pra fazer o que eu quisesse, do jeito que me desse na telha. A realidade veio logo me tocar a real. Foi quando percebi que ia ser difícil, que ia levar muita porrada, encarar muito beco sem saída. Foi quando a letra do Dylan — “You used to laugh about/ Everybody that was hanging out/ Now you don’t talk so loud/ Now you don’t seem so proud” — apareceu na memória e conversou comigo. Foi quando entendi porque os meus pais ouviam tanto a quilométrica música.

“Pais e filhos”, da Legião Urbana, começou a tocar no rádio no final dos anos 1980. Na época achei meio chata: essa conversa de gota d’água, de grão de areia, parecia muito abstrata para quem tinha vinte e poucos. Não me preocupava mais com o que ser quando crescer e o “posso dormir aqui com vocês” parecia algo de um futuro muito, muito distante. Vinte anos depois dei ao meu filho o nome mais bonito que havia e toda noite fico velando o sono dele, porque agora sei que é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã. Na verdade não há.

No início dos anos 1980 tinha sempre uma rodinha de violão cantando “Pra não dizer que não falei das flores”. Eu, adolescente, achava essa conversa de “caminhando e cantando e seguindo a canção” coisa de uns caras meio sem noção, afinal estávamos deixando a ditadura e parecia óbvio que nunca voltaríamos a ela. Só um doido ia querer aquele desastre de volta. “Há soldados armados/ amados ou não/ Quase todos perdidos/ de armas na mão”, entoavam. Eu, adolescente, achava que o pesadelo tinha ficado pra trás de vez, a cantoria já não era mais necessária.

Hoje, Sete de Setembro, décadas depois, tem gente nas ruas querendo voltar no tempo, engatar a ré até 1964. Estão tão transtornados e confusos que pensam que a solução é o retorno da ditadura. A rodinha do violão sabia o que estava cantando, pena que a gente não prestou atenção. Fonte: https://oglobo.globo.com

É preciso um basta em Bolsonaro

 

Por Merval Pereira

As afirmações do presidente da República hoje mostram que, mais uma vez, ele está querendo confusão, o que é um perigo. É preciso dar um basta nisso, ou pelo TSE, STF ou Congresso. Não se pode ter um presidente que ataca os outros poderes o tempo todo. Fico imaginando o que ele não falará nas manifestações em Brasília e São Paulo, dia sete de setembro, diante de uma multidão pedindo cassação de ministros do STF e até o fechamento do próprio STF. Ele não pode manipular o povo contra as instituições democráticas. O que o povo dele quer não é o que quer a maioria do povo brasileiro.

O mercado financeiro e o setor econômico estão claramente desembarcando do governo e com muita razão, porque a economia não consegue sair do lugar e ninguém sabe o que que irá acontecer. As reformas estão saindo do Congresso totalmente atabalhoadas.

O presidente da Câmara, Artur Lira, está querendo mostrar serviço e aproveita para colocar jabutis nas reformas. As duas reformas – do Imposto de Renda e eleitoral – precisam de muito debate, não podem ser votadas a toque de caixa. O Congresso tem duas reformas tributárias prontas, já costuradas por acordos, mas o ministro Paulo Guedes não quer perder o protagonismo, e só se desmoraliza. O país está sem rumo. Fonte: https://blogs.oglobo.globo.com

 

O bolsonarismo é um talibanismo, numa versão tropical e carnavalesca, mais ridícula, mas não menos estúpida, violenta e potencialmente destruidora


JOSÉ EDUARDO AGUALUSA

Enquanto os desgrenhados guerrilheiros do Talibã entravam em Cabul, fui reler uma crônica que Eça de Queiroz escreveu sobre as vitórias e derrotas dos ingleses no Afeganistão: “Em 1847, os ingleses, por uma razão d’Estado, uma necessidade de fronteiras científicas, a segurança do império, uma barreira ao domínio russo da Ásia, e outras coisas vagas, invadem o Afeganistão, e ali vão aniquilando tribos seculares. Apossam-se, por fim, da santa cidade de Cabul; sacodem do serralho um velho emir apavorado; colocam lá outro de raça mais submissa, que já trazem preparado nas bagagens, com escravas e tapetes; e, logo que os correspondentes dos jornais têm telegrafado a vitória, o exército, acampado à beira dos arroios de Cabul, desaperta o correame e fuma o cachimbo da paz.” Nas linhas seguintes, com idêntica ironia, Eça descreve a derrota do exército britânico, mais preocupado com o fornecimento de chá (e do açúcar para adoçar o chá), do que em combater os insubmissos guerreiros afegãos. Finalmente, conclui: “E de tanto sangue, tanta agonia, tanto luto, o que resta por fim? Uma canção patriótica e uma estampa idiota nas salas de jantar.”

O que aconteceu com os ingleses no século XIX aconteceu depois com os russos no século XX, e a seguir com os americanos neste nosso tempo. A principal diferença é que da desastrosa aventura americana não sobrará sequer uma canção patriótica.

A fulgurante vitória do Talibã trouxe de volta o debate sobre fundamentalismo islâmico, misoginia, neopuritanismo e violência contra a mulher. É um debate importante, sobretudo se aproveitarmos para discutir não apenas o fundamentalismo islâmico, mas todas as formas de extremismo religioso.

Nos últimos dias, as redes sociais vêm mostrando fotografias a preto e branco de moças afegãs, passeando pelas praças de Cabul, de cabelos ao vento, blusas ligeiras e saias curtas. São imagens dos anos 1970. É possível encontrar imagens semelhantes feitas na mesma época na Pérsia, na Argélia, na Turquia, entre tantos outros países que, entretanto, sucumbiram ao triunfo de correntes conservadoras do islão.

Infelizmente, não são apenas os países islâmicos que se vêm rendendo ao neopuritanismo e à misoginia. Em muitos países ocidentais, e em particular no Brasil, assiste-se a um fenômeno semelhante. O crescimento do fundamentalismo cristão, importado dos EUA, ameaça conquistas importantes dos movimentos feministas e pelos direitos das minorias.

O bolsonarismo é um talibanismo, numa versão tropical e carnavalesca, ou seja, ainda mais ridícula, mas não menos estúpida, violenta e potencialmente destruidora. Bolsonarismo e talibanismo partilham um idêntico ódio às mulheres livres; o culto às armas, à violência e aos “valores masculinos”; o desprezo pela diferença; a exaltação de um deus arcaico, macho e cruel. Fonte: https://oglobo.globo.com

 

Artistas, que já haviam gravado parcerias inéditas com o sertanejo, resolveram não autorizar inclusão das músicas em novo álbum do cantor

O novo disco de Sérgio Reis sofre mais duas baixas após a divulgação de um áudio em que o cantor sertanejo convoca atos antidemocráticos em defesa do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Depois de Gutemberg Guarabyra, famoso pela dupla com o cantor e compositor Luiz Carlos Sá, anunciar que não participará mais do novo disco de Sergio Reis, os cantores Maria Rita e Guilherme Arantes comunicaram ao GLOBO que também deixaram o álbum.

"Maria Rita não faz mais parte do projeto (de Sérgio Reis)", informou a assessoria da artista, que já havia gravado com o sertanejo uma versão inédita para a música "Romaria" (de Renato Teixeira), famosa na voz de Elis Regina, mãe da cantora. Representantes de Guilherme Arantes também afirmaram que o dueto inédito de "Planeta água", igualmente previsto para compor o repertório do novo trabalho de Sérgio Reis, não tem mais autorização para ser incluído no álbum. Guilherme Arantes falou ao GLOBO:

— Para mim, compositor, a gota d'água, sem querer brincar de trocadilho, foi esse colega dizer que não é frouxo, que não é mulher. Para mim,  essa expressão bastou. Chega — afirma Guilherme Arantes. — Não quero mais participar, e ponto final. "Planeta água" é uma ode ao espírito feminino da natureza, chave da alma brasileira. A água é o elemento-símbolo do Brasil , elemento-chave da natureza feminina do universo. E é no feminino que está a força desse elemento da vida. Assim, e só por conta desse equívoco, ficou incompatível a canção com o intérprete.

 

Caso é alvo de operação da PF

A decisão de ambos acontece diante da divulgação de um áudio em que Sergio, em defesa do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), convoca uma paralisação de caminhoneiros e produtores de soja, em setembro, até que o Senado afastasse os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) de seus cargos.

"No dia 7 de setembro nós não vamos fazer nenhuma manifestação pela data, para não atrapalhar o presidente. Mas vamos parar em volta de Brasília", contou Sergio Reis no áudio, avisando que encontraria o presidente do Senado (Rodrigo Pacheco), ao lado de líderes dos sindicatos de caminhoneiros e produtores de soja, no dia 8 de setembro, para entregar uma intimação: "Eles vão receber um documento dizendo assim: 'Vocês têm 72 horas para aprovar o voto impresso e para tirar todos os minitros do Supremo Tribunal Federal'. Não é um pedido, é uma ordem. Se não cumprirem em 72 horas, nós vamos parar o país".

O caso é alvo de operação da Polícia Federal, que cumpre mandados de busca e apreensão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para investigar o cantor Sergio Reis e o deputado federal Otoni de Paula (PSC-RJ).

Os mandados foram autorizados pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, e atendem a um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), que apura manifestações contra as instituições e a democracia. De acordo com o site G1, são 29 mandados ao todo.

Agentes da Polícia Federal foram ao menos a quatro endereços no Rio e em Brasília ligados ao cantor, na casa e no gabinete do deputado.

"O objetivo das medidas é apurar o eventual cometimento do crime de incitar a população, através das redes sociais, a praticar atos violentos e ameaçadores contra a Democracia, o Estado de Direito e suas Instituições, bem como contra os membros dos Poderes", afirmou a PF, em nota. Fonte: https://oglobo.globo.com

 

Ele está sendo aconselhado pela família, por médicos e por advogados a não ir mais a protesto no dia 7 de setembro

 

cantor Sérgio Reis, 81, está deprimido e passando mal, com uma crise de diabetes depois da repercussão de um áudio em que afirmou que caminhoneiros, financiados por produtores de soja, parariam o país em setembro até que o Senado afastasse os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) de seus cargos.

"Se em 30 dias não tirarem os caras nós vamos invadir, quebrar tudo e tirar os caras na marra. Pronto. É assim que vai ser. E a coisa tá séria", afirmou ele em uma conversa com um amigo que veio a público no fim de semana.

O artista relatou ainda uma reunião que teve com o próprio presidente Jair Bolsonaro e com militares "do Exército, da Marinha e da Aeronáutica" em que informou o que faria.

Reis foi desautorizado por lideranças de caminhoneiros e por ruralistas. Mesmo assim, a notícia ganhou repercussão.

O áudio circulou na cúpula do Judiciário e entre parlamentares. E foi reproduzido por veículos de notícia.

O cantor tinha divulgado também um vídeo, mais ameno, em que convidava apoiadores de Bolsonaro para o protesto em Brasília e em outras cidades, marcado para dia 7 de setembro.

"Ele está muito triste e depressivo porque foi mal interpretado. Ele quer apenas ajudar a população. Está magoado demais", diz a mulher de Reis, Ângela Bavini.

"O Sérgio foi induzido por pessoas que dizem estar em um movimento tranquilo. No fim, todo mundo vaza [desaparece], e sobra para ele, que é uma celebridade", segue ela.

A mulher do cantor afirma que sempre foi contra o envolvimento do marido em movimentos políticos neste momento e que tentou alertá-lo sobre as consequências. "Ele é querido e amado pelo Brasil inteiro, de direita, de esquerda". Reis foi deputado federal de 2015 a 2019, pelo antigo PRB, hoje Republicanos.

A péssima repercussão do áudio estaria fazendo com que ele "caísse na real" sobre o resultado de participar diretamente de movimentos como o do 7 de setembro.

Segundo ela, o cantor jamais pensou em invadir o STF e quebrar tudo. "Ele falou no impulso, mas estava conversando com um amigo", afirma Ângela, contrariada porque a conversa, informal, foi divulgada nas redes sociais sem o conhecimento de Sérgio Reis.

Ângela afirma que o artista se recolheu para descansar por orientação médica. E, aconselhado também por advogados, não dará mais entrevistas nem falará com amigos, para evitar maiores aborrecimentos.

"A diabetes dele subiu que é uma barbaridade", diz ela, creditando a situação ao estresse. "O Sérgio às vezes não tem noção do nome dele, do tamanho dele", segue.

Ângela diz que está ao lado do marido, dando todo o carinho possível a ele até que as coisas voltem a se acalmar. Fonte: https://www1.folha.uol.com.br